{"id":144922,"date":"2021-04-18T19:04:11","date_gmt":"2021-04-18T22:04:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=144922"},"modified":"2021-04-18T19:04:11","modified_gmt":"2021-04-18T22:04:11","slug":"o-papel-das-mulheres-na-ciencia-e-fundamental-entrevista-com-a-cientista-equatoriana-dra-patricia-castillo-briceno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-papel-das-mulheres-na-ciencia-e-fundamental-entrevista-com-a-cientista-equatoriana-dra-patricia-castillo-briceno\/","title":{"rendered":"\u201cO papel das mulheres na ci\u00eancia \u00e9 fundamental\u201d: entrevista com a cientista equatoriana dra. Patricia Castillo Brice\u00f1o"},"content":{"rendered":"<p>Uma entrevista com a bi\u00f3loga marinha equatoriana<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/es.globalvoices.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pat-1-800x450.jpg\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o das mulheres na ci\u00eancia nem sempre foi reconhecida. Nesta ocasi\u00e3o, entrevistamos a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/patricia-castillo-briceno-290033101\/\">dra. Patricia Castillo Brice\u00f1o<\/a>, bi\u00f3loga marinha equatoriana, codiretora do projeto\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uleam.edu.ec\/ebioac-proyecto-de-investigacion-de-la-uleam-con-impacto-global\/\">BIOMA equatorial e acidifica\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica<\/a>\u00a0(<a href=\"https:\/\/ebioac.weebly.com\/\">EBIOAC)<\/a>, e cofundadora da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.remci.org\/\">Rede Equatoriana de Mulheres Cientistas (REMCI).<\/a><\/p>\n<p><strong>Belen Febres: Gostaria de come\u00e7ar pela contribui\u00e7\u00e3o do seu trabalho, voc\u00ea pode nos contar um pouco sobre sua pesquisa?<\/strong><\/p>\n<div id=\"translation-tabs-0\" class=\"translation-tabs ui-tabs ui-widget ui-widget-content ui-corner-all\">\n<blockquote id=\"translation-tab-0\" class=\"translation ui-tabs-panel ui-widget-content ui-corner-bottom\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"ui-id-1\" aria-expanded=\"true\" aria-hidden=\"false\"><p>Claro. Eu pesquiso como o funcionamento dos organismos marinhos \u00e9 modificado por fatores ambientais. Atualmente, estudo a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, que faz parte das\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wwf.org.br\/natureza_brasileira\/reducao_de_impactos2\/clima\/mudancas_climaticas2\/\">mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>\u00a0e \u00e9 causado pelo excesso de CO2 gerado pelo uso massivo de combust\u00edveis f\u00f3sseis, que alteram a qu\u00edmica da \u00e1gua com implica\u00e7\u00f5es \u00e0 vida marinha.<\/p>\n<p>Desde que voltei ao Equador, em 2014, estou pondo em pr\u00e1tica o que aprendi durante meus estudos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o para avaliar como as condi\u00e7\u00f5es de acidifica\u00e7\u00e3o afetam esp\u00e9cies nativas do pa\u00eds, incluindo peixes, moluscos e crust\u00e1ceos. Isso \u00e9 muito importante, porque o Equador \u00e9 uma das regi\u00f5es mais ricas em biodiversidade marinha e um dos pontos mais propensos aos riscos derivados da acidifica\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica. A falta de dados locais limita nossa capacidade para responder a esses riscos, por isso tenho dedicado grande parte do meu trabalho a posicionar o tema para o desenvolvimento de pesquisas e para promover a tomada de decis\u00f5es com base em evid\u00eancias cient\u00edficas.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<p><strong>Belen Febres: Como surgiu seu interesse por este tema e pela biologia marinha?<\/strong><\/p>\n<div id=\"translation-tabs-1\" class=\"translation-tabs ui-tabs ui-widget ui-widget-content ui-corner-all\">\n<blockquote id=\"translation-tab-1\" class=\"translation ui-tabs-panel ui-widget-content ui-corner-bottom\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"ui-id-3\" aria-expanded=\"true\" aria-hidden=\"false\"><p>Meu interesse come\u00e7ou quando me mudei da minha terra natal,\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Quito\">Quito<\/a>, na serra equatoriana, para\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Manta_(Equador)\">Manta<\/a>, na costa do pa\u00eds. L\u00e1 descobri os animais aqu\u00e1ticos e a energia impressionante do mar com toda sua imensid\u00e3o. Isso me motivou a estudar biologia marinha no Equador, e depois viajei para a Espanha e Fran\u00e7a para meus estudos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-doutorado. Em 2014 voltei, porque meu objetivo sempre foi contribuir para meu pa\u00eds.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<p><strong>Belen Febres:\u00a0Voc\u00ea teve alguma dificuldade neste processo?<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_396409\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 640px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-396409 \" src=\"https:\/\/es.globalvoices.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pat-2-800x450.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto cedida por Patricia Castillo Brice\u00f1o, PhD.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"translation-tabs-2\" class=\"translation-tabs ui-tabs ui-widget ui-widget-content ui-corner-all\"><a id=\"ui-id-6\" class=\"ui-tabs-anchor\" tabindex=\"-1\" role=\"presentation\" href=\"https:\/\/pt.globalvoices.org\/2021\/04\/05\/o-papel-das-mulheres-na-ciencia-e-fundamental-entrevista-com-a-cientista-equatoriana-dra-patricia-castillo-briceno\/#original-tab-2\"><\/a><\/p>\n<blockquote id=\"translation-tab-2\" class=\"translation ui-tabs-panel ui-widget-content ui-corner-bottom\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"ui-id-5\" aria-expanded=\"true\" aria-hidden=\"false\"><p>No in\u00edcio n\u00e3o foi f\u00e1cil ser estrangeira, viver com outras regras e diferentes estilos de vida, \u00e0s vezes em outros idiomas, como na Fran\u00e7a e no Reino Unido; no entanto, essas experi\u00eancias enriquecem e s\u00e3o oportunidades de pesquisa de alto n\u00edvel. De volta ao Equador, a dificuldade esteve em iniciar a pesquisa j\u00e1 que ningu\u00e9m trabalhava neste tema e o acesso a recursos e tecnologia \u00e9 limitado, mas tem sido gratificante, pois conseguimos fazer mudan\u00e7as na pol\u00edtica p\u00fablica relevantes nesta \u00e1rea no pa\u00eds.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<p><strong>Belen Febres: Voc\u00ea tamb\u00e9m criou a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.remci.org\/\">Rede Equatoriana de Mulheres Cientistas (REMCI)<\/a>.<\/strong><\/p>\n<div id=\"translation-tabs-3\" class=\"translation-tabs ui-tabs ui-widget ui-widget-content ui-corner-all\">\n<blockquote id=\"translation-tab-3\" class=\"translation ui-tabs-panel ui-widget-content ui-corner-bottom\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"ui-id-7\" aria-expanded=\"true\" aria-hidden=\"false\"><p>Sim. Nossa iniciativa nasceu em 2016, quando algumas cientistas come\u00e7aram a falar pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/Pcasbri\">Twitter<\/a>\u00a0sobre a necessidade de criar espa\u00e7os que fortale\u00e7am a participa\u00e7\u00e3o de mulheres na ci\u00eancia e de posicionar este tema na agenda nacional. Depois, vimos que uma forma de consolidar nossos esfor\u00e7os era o trabalho nas redes e assim criamos a REMCI. Agora, seguimos ampliando e diversificando nossa rede, sempre a partir da sororidade e do apoio para combater essa ideia imposta de que precisamos competir entre n\u00f3s para nos sobressair.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<p><strong>Belen Febres: Por que especificamente uma rede de mulheres?<\/strong><\/p>\n<div id=\"translation-tabs-4\" class=\"translation-tabs ui-tabs ui-widget ui-widget-content ui-corner-all\">\n<blockquote id=\"translation-tab-4\" class=\"translation ui-tabs-panel ui-widget-content ui-corner-bottom\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"ui-id-9\" aria-expanded=\"true\" aria-hidden=\"false\"><p>Porque ser mulher influencia muito. N\u00e3o \u00e9 comum escutar que uma menina sonha em ser cientista, e isso se deve \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sociedade que estabelecem pap\u00e9is de g\u00eaneros desde muito cedo. Marcam seu caminho com as mat\u00e9rias que s\u00e3o ensinadas, com os \u201celogios\u201d que d\u00e3o (dizem que voc\u00ea \u00e9 bonita, nunca inteligente), e com os modelos que voc\u00ea deve seguir. Eu tive a sorte de a minha m\u00e3e ser bioqu\u00edmica, ent\u00e3o cresci brincando com o microsc\u00f3pio port\u00e1til dela e sabendo que as mulheres podem estar na ci\u00eancia. Mas cresci tamb\u00e9m com a ideia de que h\u00e1 um s\u00f3 caminho: voc\u00ea nasce, casa, reproduz (sempre nessa ordem) e morre. At\u00e9 que um dia me perguntei: \u201cbom, mas por qu\u00ea?\u201d, e decidi seguir meu pr\u00f3prio caminho.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_396412\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 640px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-396412 \" src=\"https:\/\/es.globalvoices.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pat-4-1-800x450.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto cedida por Patricia Castillo Brice\u00f1o, PhD.<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Belen Febres:\u00a0O que podemos fazer para mudar essas fun\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<div id=\"translation-tabs-5\" class=\"translation-tabs ui-tabs ui-widget ui-widget-content ui-corner-all\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote id=\"translation-tab-5\" class=\"translation ui-tabs-panel ui-widget-content ui-corner-bottom\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"ui-id-11\" aria-expanded=\"true\" aria-hidden=\"false\"><p>Muitas coisas. Podemos motivar as meninas desde pequenas a considerar diversas op\u00e7\u00f5es de vida, e incentiv\u00e1-las a estudar e avan\u00e7ar na sua carreira. Temos que explicar que o caminho da ci\u00eancia nem sempre \u00e9 f\u00e1cil para que quando uma cientista jovem se depare com situa\u00e7\u00f5es de insucesso, n\u00e3o pense que h\u00e1 algo errado com seu trabalho ou com ela e se desanime, mas que saiba que essas dificuldades s\u00e3o parte normal do processo. Tamb\u00e9m, tornar p\u00fablicas as perguntas impertinentes at\u00e9 que deixem de acontecer. Por exemplo, em uma entrevista para a qual voc\u00ea se prepara com todas as respostas cient\u00edficas e t\u00e9cnicas sobre seu trabalho, e perguntam se voc\u00ea vai ter filhos e o que seu marido pensa sobre o que voc\u00ea faz; coisas que nunca perguntam aos homens. As gera\u00e7\u00f5es seguintes n\u00e3o deveriam passar por isso.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m faz falta uma mudan\u00e7a estrutural desde as pol\u00edticas p\u00fablicas e at\u00e9 a educa\u00e7\u00e3o formal. Nos livros devem aparecer cientistas nacionais e internacionais, porque existem, mas n\u00e3o se falam delas. Assim poderemos conseguir que tanto meninas quanto meninos cres\u00e7am sabendo que n\u00f3s mulheres somos igualmente capazes e que nosso trabalho cient\u00edfico \u00e9 igualmente importante para o avan\u00e7o do conhecimento. Al\u00e9m disso, devemos distribuir as tarefas dom\u00e9sticas, tradicionalmente destinadas \u00e0s mulheres. Em todo o mundo, especialmente em pa\u00edses como o Equador onde a pesquisa faz tanta falta, \u00e9 um absurdo perder metade dos talentos por falta de equidade de g\u00eanero; \u00e9 um luxo que n\u00e3o podemos ter. Precisamos de todos os c\u00e9rebros trabalhando em conjunto.<\/p>\n<p>Por fim, os museus e meios de comunica\u00e7\u00e3o devem desempenhar seu papel fundamental, gerando outros padr\u00f5es de pensamento, tornando vis\u00edveis preconceitos e justi\u00e7as, e ressaltando o trabalho das mulheres em diferentes campos, incluindo todos os ramos da ci\u00eancia.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma entrevista com a bi\u00f3loga marinha equatoriana A contribui\u00e7\u00e3o das mulheres na ci\u00eancia nem sempre<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma entrevista com a bi\u00f3loga marinha equatoriana A contribui\u00e7\u00e3o das mulheres na ci\u00eancia nem sempre","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144922"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144922"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":144923,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144922\/revisions\/144923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}