{"id":144546,"date":"2021-04-11T18:49:45","date_gmt":"2021-04-11T21:49:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=144546"},"modified":"2021-04-11T18:50:44","modified_gmt":"2021-04-11T21:50:44","slug":"ha-430-mil-anos-meteoro-explodiu-na-antartica-e-deixou-pistas-nos-escombros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ha-430-mil-anos-meteoro-explodiu-na-antartica-e-deixou-pistas-nos-escombros\/","title":{"rendered":"H\u00e1 430 mil anos, meteoro explodiu na Ant\u00e1rtica e deixou pistas nos escombros"},"content":{"rendered":"<div class=\"css-1awj9go\">\n<div class=\"css-se91k\">\n<div class=\"css-674bmm\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"css-1cgfrv4\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"meteorite\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken1hr.jpg?w=1600&amp;h=900\" alt=\"meteorite\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica do impacto de um meteoro na Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article-cntr\">\n<div class=\"ngart__cont\" data-above-the-fold-paragraph-id=\"ArticleImageLarge\">\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>S\u00e9culos atr\u00e1s, um asteroide do tamanho de um campo de futebol atravessou o sistema solar em uma rota de colis\u00e3o com a Terra. Ele se lan\u00e7ou em dire\u00e7\u00e3o ao Polo Sul do planeta, na vastid\u00e3o g\u00e9lida e despovoada da Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<p>O evento ocorreu h\u00e1 430 mil anos, em meados do per\u00edodo Pleistoceno. Em outras localidades, alguns dos primeiros neandertais se espalhavam pela Europa, mamutes vagavam pelo Hemisf\u00e9rio Norte e as camadas de gelo da Terra ficavam mais espessas.<\/p>\n<p>A rocha espacial se chocou contra a atmosfera espessa do nosso planeta. A fric\u00e7\u00e3o a repartiu e, \u00e0 medida que o meteoro em desintegra\u00e7\u00e3o voava em dire\u00e7\u00e3o ao planalto ant\u00e1rtico, uma trilha incandescente foi deixada em seu rastro. Conforme se aproximava do gelo, o meteoro explodiu no c\u00e9u, lan\u00e7ando um jato superaquecido de g\u00e1s e detritos c\u00f3smicos vaporizados diretamente no solo.<\/p>\n<p>Esses tipos de explos\u00f5es a\u00e9reas podem causar grandes danos, mas n\u00e3o perfuram crateras na crosta terrestre \u2014 o que significa que encontrar os vest\u00edgios resultantes e determinar a frequ\u00eancia em que ocorrem \u00e9 um jogo de adivinha\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente, cientistas que estudam part\u00edculas min\u00fasculas encontradas na Ant\u00e1rtica descobriram evid\u00eancias dessa antiga explos\u00e3o mete\u00f3rica e utilizaram pistas qu\u00edmicas contidas em part\u00edculas para tentar entender o que aconteceu h\u00e1 milhares de anos.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que asteroides s\u00e3o perigosos, e estudos recentes indicam que explos\u00f5es a\u00e9reas s\u00e3o mais perigosas do que grandes asteroides, porque eles s\u00e3o muito raros\u201d, explica\u00a0<a href=\"https:\/\/research.kent.ac.uk\/astrophysics-and-planetary-science\/person\/matthias-van-ginneken\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Matthias van Ginneken<\/a><a href=\"https:\/\/research.kent.ac.uk\/astrophysics-and-planetary-science\/person\/matthias-van-ginneken\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">, cientista planet\u00e1rio<\/a>\u00a0da Universidade de Kent e autor principal de um novo estudo\u00a0<a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/lookup\/doi\/10.1126\/sciadv.abc1008\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que descreve a explos\u00e3o milenar<\/a>\u00a0na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Science Advances<\/em>.<\/p>\n<p>Em 2013, um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/five-years-after-the-chelyabinsk-meteor-nasa-leads-efforts-in-planetary-defense\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">asteroide do tamanho de uma casa se desintegrou sobre a cidade russa de Chelyabinsk<\/a>, estilha\u00e7ando vidros e ferindo mais de 1,6 mil pessoas. Se houvesse uma cidade no trajeto do maior meteoro que atingiu a Ant\u00e1rtica h\u00e1 430 mil anos, essa cidade teria sido dizimada. A for\u00e7a explosiva foi quatro vezes mais poderosa do que a\u00a0<a href=\"https:\/\/earthsky.org\/space\/what-is-the-tunguska-explosion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">explos\u00e3o de meteoros de 1908, que destruiu florestas pr\u00f3ximo a Tunguska, na R\u00fassia<\/a>, e milhares de vezes mais potente do que a bomba nuclear detonada em Hiroshima, no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Explos\u00f5es a\u00e9reas como a que ocorreu na regi\u00e3o de Chelyabinsk \u2014 e uma outra, que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/huge-meteor-explosion-a-wake-up-call-for-planetary-defense\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ocorreu sobre o Mar de Bering, em 2018<\/a>\u00a0\u2014 costumam acontecer de maneira inesperada, pois \u00e9 dif\u00edcil detectar asteroides menores, mesmo com os melhores telesc\u00f3pios em uso. \u201cAgora, temos uma maneira de encontrar vest\u00edgios e resqu\u00edcios desses eventos nos registros geol\u00f3gicos, o que pode ser importante para reavaliar a hist\u00f3ria de explos\u00f5es em nosso planeta\u201d, alega van Ginneken.<\/p>\n<h3>Detetives congelados<\/h3>\n<p>Em fevereiro de 2018, van Ginneken visitou a Ant\u00e1rtica \u2014 uma viagem dos sonhos para ele \u2014 em busca de resqu\u00edcios de material c\u00f3smico. Enquanto doutorando, estudou gr\u00e3os min\u00fasculos coletados em outros locais de campo na Ant\u00e1rtica, mas ainda n\u00e3o havia visto o continente congelado com seus pr\u00f3prios olhos. Quando ele chegou com a\u00a0<a href=\"https:\/\/micro-meteorite.com\/a-new-collection-of-micrometeorites-from-antarctica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">expedi\u00e7\u00e3o belga de pesquisa dos meteoritos ant\u00e1rticos\u00a0<\/a>, j\u00e1 era o fim da temporada de observa\u00e7\u00e3o em campo e tiveram apenas duas semanas para buscar vest\u00edgios extraterrestres microsc\u00f3picos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A equipe realizou buscas em mais de 20 locais, e um deles \u2014 um trecho alto e plano de rocha est\u00e9ril na fronteira com o Planalto Ant\u00e1rtico nas\u00a0<a href=\"http:\/\/homepages.ulb.ac.be\/~fpattyn\/belgianbase\/sorrondane.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">montanhas S\u00f8r Rondane<\/a>\u00a0\u2014 escondia um verdadeiro tesouro. Modificado por geleiras de forma agressiva h\u00e1 mais de 800 mil anos, o cume preservou perfeitamente os detritos c\u00f3smicos.<\/p>\n<p>\u201cNa Ant\u00e1rtica, n\u00e3o \u00e9 comum encontrar outros tipos de vest\u00edgios no topo das montanhas \u2014 l\u00e1 \u00e9 bastante limpo, n\u00e3o h\u00e1 atividade humana, nem vegeta\u00e7\u00e3o\u201d, comenta van Ginneken. \u201cPortanto, todo o material que cai do espa\u00e7o \u00e9 preservado por um longo tempo.\u201d<\/p>\n<p>Ele e seus colegas coletaram mais de cinco quilos de sedimentos do cume e os levaram para o laborat\u00f3rio. No fim das contas, selecionaram 17 esf\u00e9rulas, pequenos gr\u00e3os esf\u00e9ricos de meteorito derretido que s\u00e3o forjados durante as colis\u00f5es, para as examinarem em detalhes. Segundo van Ginneken, ele percebeu imediatamente que os gr\u00e3os pretos eram de origem estranha e tinham algo de diferente: em vez de serem esferas \u00fanicas, como a maioria dos micrometeoritos, algumas estavam grudadas.<\/p>\n<p>Quando ele e sua equipe investigaram a composi\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio das esf\u00e9rulas, os gr\u00e3os se mostraram ainda mais estranhos, contendo propor\u00e7\u00f5es de is\u00f3topos de oxig\u00eanio inconsistentes com as de asteroides conhecidos. Essas propor\u00e7\u00f5es indicavam que as esf\u00e9rulas se formaram por meio de contato direto com o gelo da Ant\u00e1rtica, o que \u00e9 incomum para uma explos\u00e3o a\u00e9rea.<\/p>\n<p>Elas se assemelhavam \u00e0 poeira extraterrestre que van Ginneken havia estudado anteriormente \u2014 part\u00edculas incrustadas em n\u00facleos de gelo imensos, recuperados da esta\u00e7\u00e3o ant\u00e1rtica japonesa pr\u00f3xima, a\u00a0<a href=\"https:\/\/greenland.net\/windsled\/domefuji-720000-years-of-history-in-ice\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dome Fuji<\/a>\u00a0e da esta\u00e7\u00e3o franco-italiana\u00a0<a href=\"http:\/\/www.concordiastation.aq\/home-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dome Concordia<\/a>, no outro lado do continente. Essas part\u00edculas t\u00eam cerca de 430 mil anos, uma idade que os cientistas calculam com base em sua posi\u00e7\u00e3o nos n\u00facleos de gelo \u2014 enterrados 2,4 quil\u00f4metros abaixo da superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Devido \u00e0s semelhan\u00e7as entre as amostras, a equipe concluiu que todas as part\u00edculas foram formadas durante o mesmo evento. Dada a falta de crateras na Ant\u00e1rtica, al\u00e9m das esf\u00e9rulas espalhadas por todo o continente, eles suspeitaram que algum tipo de grande explos\u00e3o a\u00e9rea semelhante a de Chelyabinsk tivesse ocorrido em um passado distante.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr css-59vwe1\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken2hr.webp?w=320&amp;h=225\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 320px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken2hr.webp?w=360&amp;h=254\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 360px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken2hr.webp?w=430&amp;h=303\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 430px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken2hr.webp?w=500&amp;h=352\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 500px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken2hr.webp?w=768&amp;h=540\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken2hr.webp?w=900&amp;h=633\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 900px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken2hr.webp?w=1024&amp;h=720\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken2hr.webp?w=664&amp;h=467\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken2hr.webp?w=710&amp;h=500\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1600px)\" \/><source title=\"meteorite\" srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken2hr.webp?w=710&amp;h=500\" type=\"image\/webp\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"meteorite\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/vanginneken2hr.jpg?w=710&amp;h=500\" alt=\"meteorite\" width=\"640\" height=\"450\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Uma imagem microsc\u00f3pica das part\u00edculas da explos\u00e3o que ocorreu nas montanhas S\u00f8r Rondane, na Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">IMAGE BY SCOTT PETERSON, MICRO-METEORITES.COM<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3>Pistas qu\u00edmicas<\/h3>\n<p>Reunir a hist\u00f3ria das esf\u00e9rulas partindo disso n\u00e3o foi simples, em parte devido aos is\u00f3topos de oxig\u00eanio estranhos. Normalmente, as esf\u00e9rulas formadas do meteorito derretido durante uma explos\u00e3o a\u00e9rea n\u00e3o interagem com a superf\u00edcie do planeta antes de se solidificarem novamente e ca\u00edrem na Terra. Visto isso,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.psi.edu\/about\/staffpage\/artemeva\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Natalia Artemieva<\/a>, do Instituto de Ci\u00eancia Planet\u00e1ria, realizou simula\u00e7\u00f5es de computador para averiguar se um tipo mais complexo de explos\u00e3o a\u00e9rea poderia ter ocorrido.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 sab\u00edamos que esses eventos aconteciam, mas precis\u00e1vamos de um corpo um pouco maior para que a nuvem de fuma\u00e7a conseguisse atingir a superf\u00edcie (mas n\u00e3o grande demais a ponto de abrir uma cratera \u2014 apenas \u2018tocar\u2019 no gelo seria perfeito)\u201d, escreveu Artemieva por e-mail. \u201cDepois de algumas tentativas, encontramos um cen\u00e1rio vi\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>No modelo de explos\u00e3o da Ant\u00e1rtica, destro\u00e7os vaporizados de um asteroide explodindo s\u00e3o lan\u00e7ados ao solo em uma nuvem de g\u00e1s extremamente quente, que atinge a superf\u00edcie do planeta como um tsunami interplanet\u00e1rio. \u00c9 uma esp\u00e9cie de h\u00edbrido entre uma explos\u00e3o a\u00e9rea semelhante \u00e0 de Chelyabinsk, que n\u00e3o produz uma nuvem de fuma\u00e7a para baixo, e uma colis\u00e3o normal que cria uma cratera.<\/p>\n<p>A equipe denominou o evento de impacto de aterrissagem, muito parecido com outras explos\u00f5es que\u00a0<a href=\"http:\/\/www.unm.edu\/~mbeb\/home.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mark Boslough<\/a><a href=\"http:\/\/www.unm.edu\/~mbeb\/home.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">, f\u00edsico da\u00a0<\/a>Universidade do Novo M\u00e9xico, reproduziu. Boslough\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abqjournal.com\/news\/state\/531324nm01-20-07.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">suspeita que um desses eventos<\/a>\u00a0seja o respons\u00e1vel pelo vidro misterioso de 30 milh\u00f5es de anos\u00a0<a href=\"https:\/\/theconversation.com\/how-we-solved-the-mystery-of-libyan-desert-glass-117253\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">espalhado pelo Saara Oriental<\/a>\u00a0\u2014 cujos fragmentos s\u00e3o lisos e de cor amarela, semelhantes ao vidro do mar, que intrigaram cientistas devido \u00e0 sua presen\u00e7a inexplic\u00e1vel em meio ao deserto.<\/p>\n<p>Boslough afirma que as simula\u00e7\u00f5es apresentadas no artigo recente s\u00e3o confi\u00e1veis e que n\u00e3o seria surpreendente que uma explos\u00e3o a\u00e9rea de impacto de aterrissagem tivesse ocorrido na Ant\u00e1rtica pr\u00e9-hist\u00f3rica. Esse tipo de explos\u00e3o pode ser letal, assolando tudo o que estiver ao seu alcance. E existe um grande n\u00famero de rochas espaciais pr\u00f3ximas \u00e0 Terra que possuem o tamanho necess\u00e1rio \u2014 entre cerca de 90 e 150 metros de di\u00e2metro \u2014 para produzir impactos de aterrissagem, o que torna essencial entender com que frequ\u00eancia essas colis\u00f5es que se chocam de forma violenta com o nosso planeta ocorrem.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito assustador quando pensamos sobre o assunto\u201d, salienta van Ginneken. A nova pesquisa, no entanto, talvez forne\u00e7a uma maneira de detectar outros impactos de aterrissagem nos registros geol\u00f3gicos, permitindo aos cientistas compreenderem melhor a amea\u00e7a que esses eventos representam para a Terra.<\/p>\n<h3>Considerando outras possibilidades<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.univie.ac.at\/geochemistry\/koeberl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Christian\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/www.univie.ac.at\/geochemistry\/koeberl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Koeberl<\/a>, da Universidade de Viena, considera a interpreta\u00e7\u00e3o da equipe plaus\u00edvel, mas ele ainda \u00e9 um pouco c\u00e9tico com rela\u00e7\u00e3o ao assunto. Segundo ele, o problema come\u00e7a na tentativa de determinar a idade das esf\u00e9rulas, algo extremamente dif\u00edcil de ser feito. Embora a equipe tenha identificado uma semelhan\u00e7a dos vest\u00edgios com a poeira de outros locais, essa n\u00e3o \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o definitiva \u2014 um ponto com o qual van Ginneken concorda.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 necessariamente culpa dos pesquisadores, \u00e9 apenas algo dif\u00edcil de avaliar\u201d, explica Koeberl. \u201c\u00c9 uma dificuldade comum.\u201d<\/p>\n<p>Em vez disso, Koeberl alega ser poss\u00edvel que as esf\u00e9rulas sejam t\u00e3o antigas quanto a superf\u00edcie limpa onde foram encontradas \u2014 rel\u00edquias de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0084787\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um acontecimento de forma\u00e7\u00e3o de impactos muito mais antigo<\/a>. Se esse for o caso, talvez a aus\u00eancia de uma cratera n\u00e3o seja t\u00e3o surpreendente: uma pequena ranhura de impacto pode ter sido apagada pelo deslocamento das camadas de gelo.<\/p>\n<p>Koeberl acrescenta que se esses tipos de impactos s\u00e3o comuns, deve haver ampla evid\u00eancia de sua exist\u00eancia nos registros geol\u00f3gicos \u2014 mas os impactos de aterrissagem nunca foram encontrados antes. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 convencido de que a propor\u00e7\u00e3o dos is\u00f3topos de oxig\u00eanio aponta para a mistura com o gelo. \u00c9 poss\u00edvel que a equipe tenha recuperado fragmentos de um tipo raro de asteroide que cientistas n\u00e3o tenham categorizado anteriormente, mas van Ginneken acredita que isso \u00e9 improv\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que os dados sejam contundentes e as estimativas sejam boas, assim como as interpreta\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o imposs\u00edveis, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser definidas com esses dados, como o artigo sugere\u201d, conclui Koeberl. \u201cExistem outras possibilidades, mas essa \u00e9 uma hip\u00f3tese interessante de se considerar.\u201d<\/p>\n<p>Os cientistas que esperam descobrir com que frequ\u00eancia as explos\u00f5es a\u00e9reas ocorrem tamb\u00e9m est\u00e3o apontando seus telesc\u00f3pios para o c\u00e9u, tentando estimar de forma detalhada quais objetos podem vir a explodir. Por enquanto, ainda n\u00e3o temos uma maneira de nos proteger dos perigos c\u00f3smicos \u2014 mas\u00a0at\u00e9 o final deste ano,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/article\/giant-asteroid-nasa-dart-deflection#:~:text=The%20Double%20Asteroid%20Redirection%20Test,it%20has%20been%20successfully%20deflected.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma miss\u00e3o programada para lan\u00e7ar uma espa\u00e7onave contra um asteroide e tir\u00e1-lo de seu curso talvez nos mostre uma maneira de proteger nosso planeta<\/a>.<\/p>\n<p>Enquanto isso, compreender melhor o tamanho do impacto que uma explos\u00e3o a\u00e9rea pode causar ser\u00e1 fundamental para isolar os locais que estejam no trajeto de um asteroide a tempo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica do impacto de um meteoro na Ant\u00e1rtica. 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