{"id":144157,"date":"2021-04-04T17:30:04","date_gmt":"2021-04-04T20:30:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=144157"},"modified":"2021-04-04T17:30:50","modified_gmt":"2021-04-04T20:30:50","slug":"duas-novas-especies-de-coruja-sao-descobertas-nas-florestas-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/duas-novas-especies-de-coruja-sao-descobertas-nas-florestas-brasileiras\/","title":{"rendered":"Duas novas esp\u00e9cies de coruja s\u00e3o descobertas nas florestas brasileiras"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/entretenimento\/9c\/2021\/04\/01\/a-corujinha-do-xingu-megascops-stangie-1617331336111_v2_1170x540.jpg\" alt=\"A corujinha-do-xingu (Megascops stangie) - Kleiton Silva\" width=\"639\" height=\"295\" \/><\/p>\n<p>A rica biodiversidade das florestas tropicais segue ainda em boa parte desconhecida da ci\u00eancia e um estudo recente trouxe novas pe\u00e7as para este quebra-cabe\u00e7a sobre a vida no planeta: duas corujas de h\u00e1bitos florestais, uma da Mata Atl\u00e2ntica e outra da Amaz\u00f4nia. As esp\u00e9cies, batizadas de corujinha-de-alagoas e corujinha-do-xingu, respectivamente, foram descritas a partir de um esfor\u00e7o internacional que realizou uma an\u00e1lise gen\u00e9tica das corujas do g\u00eanero Megascops, o mais diverso das Am\u00e9ricas. Junto com a descoberta, vem o alerta dos pesquisadores de que uma das suas descobertas, a rec\u00e9m-conhecida corujinha-de-alagoas, pode estar criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As novas esp\u00e9cies, a corujinha-do-xingu (Megascops stangiae) e a corujinha-de-alagoas (Megascops alagoensi), pertencem ao g\u00eanero Megascops, que abrange 23 esp\u00e9cies de aves noturnas de pequeno porte. Ambas restritas \u00e0s florestas brasileiras, as corujinhas possuem entre 20 e 25 cent\u00edmetros de comprimento.<\/p>\n<p>De plumagem de colora\u00e7\u00e3o avermelhada, castanha e escura, a corujinha-de-alagoas ocorre em fragmentos isolados de Mata Atl\u00e2ntica ao norte do rio S\u00e3o Francisco, nos estados de Alagoas e Pernambuco, na regi\u00e3o conhecida como Centro de Endemismo de Pernambuco. Sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia \u00e9 justamente o que acendeu o alerta dos pesquisadores para o poss\u00edvel risco iminente de extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>&#8220;A gente sugere que a alagoensis est\u00e1 criticamente amea\u00e7ada porque ela precisa de floresta em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o e na \u00e1rea em que ela vive n\u00e3o existe praticamente mais isso, s\u00f3 fragmentos min\u00fasculos em meio a planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar que n\u00e3o sustentam uma popula\u00e7\u00e3o no longo prazo. E esses fragmentos n\u00e3o est\u00e3o conectados entre si, essa \u00e9 a grande trag\u00e9dia dos bichos que habitam essa regi\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 uma \u00e1rea grande de floresta e as popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 s\u00e3o pequenas e extremamente fragmentadas&#8221;, explica ao ((o))eco o ornit\u00f3logo Sidnei Dantas, um dos autores do estudo. A corujinha est\u00e1 distribu\u00edda majoritariamente em propriedades particulares e conta com uma \u00fanica \u00e1rea protegida, a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Murici, em Alagoas, para garantir a prote\u00e7\u00e3o do seu habitat.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/entretenimento\/21\/2021\/04\/01\/a-corujinha-de-alagoas-megascops-alagoensis-1617331783470_v2_750x421.jpg\" alt=\"Coruja - Gustavo Malacco - Gustavo Malacco\" width=\"640\" height=\"359\" \/>A corujinha-de-alagoas (Megascops alagoensis).<\/p>\n<p>Imagem: Gustavo Malacco<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da corujinha-do-xingu \u00e9 um pouco melhor, de acordo com o ornit\u00f3logo, pois sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia ainda possui bons fragmentos de floresta e possui no territ\u00f3rio unidades de conserva\u00e7\u00e3o e Terras Ind\u00edgenas, para ajudar a proteg\u00ea-la. Ainda assim, seu habitat, distribu\u00eddo entre os rios Tapaj\u00f3s e Tocantins, na regi\u00e3o do Xingu, est\u00e1 situado exatamente na fronteira agr\u00edcola e agropecu\u00e1ria conhecida como Arco do Desmatamento, onde a press\u00e3o pela derrubada da floresta avan\u00e7a progressivamente. O nome cient\u00edfico da esp\u00e9cie, inclusive, \u00e9 uma homenagem \u00e0 Irm\u00e3 Dorothy Mae Stang, assassinada em 2005 e incans\u00e1vel defensora da Floresta Amaz\u00f4nica e seus povos tradicionais.<\/p>\n<p>&#8220;Ela ainda \u00e9 um bicho comum nessas \u00e1reas, s\u00f3 que \u00e9 justamente nessa \u00e1rea que a Amaz\u00f4nia est\u00e1 sendo desmatada em ritmo crescente, sofrendo com o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola e pecu\u00e1ria. Ent\u00e3o ela est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o mais confort\u00e1vel, mas pode estar futuramente amea\u00e7ada se o ritmo do desmatamento continuar acelerado&#8221;, pondera Sidnei.<br \/>\nPara identificar as novas esp\u00e9cies, os cientistas realizaram um estudo detalhado sobre a varia\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica, vocal e gen\u00e9tica dentro do g\u00eanero das corujinhas a partir de 252 peles de exemplares coletados ao longo dos s\u00e9culos e guardados em cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, al\u00e9m de 83 grava\u00e7\u00f5es e 49 amostras gen\u00e9ticas. A an\u00e1lise deste material foi feita por um time de pesquisadores do Brasil, Finl\u00e2ndia e Estados Unidos e foi publicada no final de mar\u00e7o na revista Zootaxa.<\/p>\n<p>O brasileiro Sidnei Dantas foi respons\u00e1vel por grande parte das grava\u00e7\u00f5es das vocaliza\u00e7\u00f5es e coletas das corujinhas, registradas durante seu doutorado no Museu Goeldi, no Par\u00e1, sobre estas aves nas florestas tropicais da Am\u00e9rica do Sul. O pesquisador conta que em seu artigo anterior, ele j\u00e1 havia realizado a revis\u00e3o taxon\u00f4mica e a filogenia (hist\u00f3ria evolutiva) das corujas do g\u00eanero Megascops. E no novo estudo, concentrou-se em tr\u00eas esp\u00e9cies, a corujinha-orelhuda e a corujinha-rel\u00f3gio, que ocorrem na Amaz\u00f4nia, e a corujinha-sapo, da Mata Atl\u00e2ntica, que eram conhecidas at\u00e9 ent\u00e3o como parte de um mesmo &#8220;complexo&#8221;, um grupo de esp\u00e9cies proximamente relacionadas acerca do qual h\u00e1 certo mist\u00e9rio sobre qu\u00e3o aparentadas ou diferentes s\u00e3o entre si.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 an\u00e1lise gen\u00e9tica, os pesquisadores descobriram que na verdade existem seis linhagens de corujas Megascops no Brasil, al\u00e9m das tr\u00eas j\u00e1 conhecidas e das duas descobertas, uma sexta que era pouco considerada, a corujinha-de-bel\u00e9m (Megascops ater), tamb\u00e9m foi mapeada pelo estudo, que deu o alerta de que ela tamb\u00e9m pode estar amea\u00e7ada, pois sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia est\u00e1 restrita ao Centro de Endemismo Bel\u00e9m, uma das \u00e1reas mais pressionadas pelo desmatamento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do DNA, as seis esp\u00e9cies podem ser distinguidas pela vocaliza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a cor da plumagem \u00e9 altamente vari\u00e1vel, mesmo dentro de um mesmo grupo gen\u00e9tico. A expectativa \u00e9 de que v\u00e1rias esp\u00e9cies adicionais de corujinhas poder\u00e3o ser descritas em breve, a partir de estudos similares que fa\u00e7am an\u00e1lises de DNA e de vocaliza\u00e7\u00e3o, uma vez que a diferencia\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de corujas dentro do g\u00eanero Megascops, em particular, \u00e9 complicada quando baseada apenas em reconhecimento visual, porque seus h\u00e1bitos noturnos dificultam a visualiza\u00e7\u00e3o n\u00edtida do animal, necess\u00e1ria para distinguir plumagem e tamanho de forma precisa.<\/p>\n<p>&#8220;Nem mesmo ornit\u00f3logos profissionais que trabalharam com corujas na sua vida inteira concordam com o n\u00famero real de esp\u00e9cies desse grupo, ent\u00e3o um estudo como o nosso era aguardado h\u00e1 muito tempo&#8221;, explica Alex Aleixo, um dos autores do estudo e curador de aves do Museu Finland\u00eas de Hist\u00f3ria Natural na Universidade de Helsinki.<\/p>\n<p><em>Esta reportagem foi originalmente publicada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/\">pelo site de not\u00edcias ambientais ((o))eco<\/a>, uma associa\u00e7\u00e3o de jornalismo sem fins lucrativos.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rica biodiversidade das florestas tropicais segue ainda em boa parte desconhecida da ci\u00eancia e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A rica biodiversidade das florestas tropicais segue ainda em boa parte desconhecida da ci\u00eancia e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144157"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144157"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144157\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":144159,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144157\/revisions\/144159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}