{"id":144065,"date":"2021-04-03T10:29:42","date_gmt":"2021-04-03T13:29:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=144065"},"modified":"2021-04-03T10:29:42","modified_gmt":"2021-04-03T13:29:42","slug":"estudos-mostram-o-impacto-do-distanciamento-social-em-meio-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudos-mostram-o-impacto-do-distanciamento-social-em-meio-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Estudos mostram o impacto do distanciamento social em meio \u00e0 pandemia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-144066\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em meio \u00e0 pandemia, manter dist\u00e2ncia demonstra empatia e respeito para com os outros: \u00e9 uma forma de proteger tanto estranhos quanto amigos, familiares e a si mesmo da Covid-19.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, parece errado atravessar a rua evitando contato humano e abster-se de abra\u00e7ar os amigos e a fam\u00edlia. Passou-se a tremer por dentro ao ver multid\u00f5es nos filmes, embora pessoalmente se sinta falta da proximidade.<\/p>\n<p>Diversos estudos mostram o impacto negativo do distanciamento social. Embora n\u00e3o passe de um min\u00fasculo v\u00edrus, o Sars-Cov-2 vem afetando diversos aspectos da vida, especialmente o psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>Imposs\u00edvel imaginar o fim do t\u00fanel<\/strong><\/p>\n<p>A pandemia \u00e9 como uma intermin\u00e1vel viagem de carro, com eventuais engarrafamentos, em que o passageiro fica pensando: &#8220;Quanto tempo falta? Quando vamos finalmente chegar l\u00e1?&#8221; Ao fim, espera-se al\u00edvio, o bem merecido descanso ap\u00f3s uma temporada extremamente estafante. A expectativa \u00e9 de volta \u00e0 boa e velha normalidade, sem m\u00e1scaras, sem ter que manter dist\u00e2ncia interpessoal.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que essa normalidade vai voltar algum dia? O psic\u00f3logo Steven Taylor, da Universidade de British Columbia de Vancouver, no Canad\u00e1, que tamb\u00e9m se ocupa da quest\u00e3o, reconhece: &#8220;Muitos acham dif\u00edcil um retorno ao normal, devido a um vi\u00e9s cognitivo.&#8221;<\/p>\n<p>O efeito de ancoragem ou focalismo descreve a tend\u00eancia humana a se agarrar \u00e0 primeira de uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es, baseando nessa primeira impress\u00e3o todas as a\u00e7\u00f5es subsequentes, sejam avalia\u00e7\u00f5es, argumentos ou conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, em 2021, achamos dif\u00edcil imaginar um futuro em que se apertem as m\u00e3os, abrace e assista a concertos, porque estamos psicologicamente ancorados num presente em que tais coisas s\u00e3o proibidas ou incertas&#8221;, explica o autor do livro &#8220;Psychology of pandemics: Preparing for the next global outbreak of infectious disease&#8221; (&#8220;Psicologia da pandemia: Preparando-se para o pr\u00f3ximo surto global de doen\u00e7a infecciosa&#8221;).<\/p>\n<p><strong>Antecedentes sem sequelas psicol\u00f3gicas<\/strong><\/p>\n<p>Observando-se epidemias e pandemias das \u00faltimas d\u00e9cadas, &#8220;n\u00e3o h\u00e1 qualquer indica\u00e7\u00e3o de efeitos de longo prazo sobre o funcionamento psicol\u00f3gico&#8221;, afirma Taylor. Claro, isso pode se dever ao fato de que foram emerg\u00eancias relativamente brandas, comparadas \u00e0 da covid-19.<\/p>\n<p>Com a assim chamada &#8220;gripe espanhola&#8221;, entretanto, foi diferente: pr\u00e1ticas de higiene como lavar as m\u00e3os, cobrir a boca ao tossir e n\u00e3o cuspir no ch\u00e3o provavelmente se tornaram mais comuns depois de 1918. Por\u00e9m \u00e9 not\u00e1vel que n\u00e3o houve outras mudan\u00e7as de comportamento duradouras.<\/p>\n<p>&#8220;Considere-se, por exemplo, o uso de m\u00e1scaras protetoras em p\u00fablico, que era comum e at\u00e9 mesmo compuls\u00f3rio nos pa\u00edses ocidentais durante a pandemia de 1918: o h\u00e1bito desapareceu rapidamente, depois de a amea\u00e7a ter passado&#8221;, relata o professor.<\/p>\n<p>Com a Covid-19, todos tiveram que se acostumar a usar m\u00e1scaras. A situa\u00e7\u00e3o no Ocidente era diferente da dos pa\u00edses asi\u00e1ticos, onde elas j\u00e1 eram um h\u00e1bito estabelecido, como forma de impedir a transmiss\u00e3o de resfriados.<\/p>\n<p>&#8220;A epidemia de Sars de 2003 em alguns pa\u00edses asi\u00e1ticos, por exemplo em Taiwan, provavelmente teve uma influ\u00eancia duradoura, e preparou esses pa\u00edses para impor confinamentos rapidamente e logo no come\u00e7o da covid-19&#8221;, aponta Taylor.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o se sobrevive sem contato f\u00edsico<\/strong><\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s o fim da pandemia do novo coronav\u00edrus, pode ocorrer uma esp\u00e9cie de breve &#8220;loucos anos 20&#8221;, prediz o psic\u00f3logo, &#8220;caracterizados por sociabilidade particularmente intensa, mas mesmo isso passar\u00e1, \u00e0 medida que as coisas voltarem ao que eram, antes da covid-19&#8221;.<\/p>\n<p>Martin Grunwald, diretor do Laborat\u00f3rio de H\u00e1ptica do Instituto de Pesquisa Cerebral Paul Flechsig, da Universidade de Leipzig, est\u00e1 confiante: &#8220;A maioria vai voltar a apertar as m\u00e3os, se abra\u00e7ar, frequentar bares cheios e assistir a eventos em est\u00e1dios lotados, como partidas de futebol. Aos primeiros sinais de que o contato com outro ser humano n\u00e3o \u00e9 mais perigoso, vamos reverter ao velho comportamento.&#8221;<\/p>\n<p>Isso, porque o toque \u00e9 algo essencial, no n\u00edvel biol\u00f3gico: &#8220;O organismo humano s\u00f3 se desenvolve no contato mais pr\u00f3ximo com o outro. \u00c9, por assim dizer, uma experi\u00eancia fundamental da nossa esp\u00e9cie.&#8221;<\/p>\n<p>Enfim: o ser humano n\u00e3o pode existir sem o toque. E ele n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 pois todo mam\u00edfero que depende dos cuidados dos progenitores na inf\u00e2ncia precisa de contato f\u00edsico para se desenvolver devidamente.<\/p>\n<p>&#8220;Intera\u00e7\u00e3o f\u00edsica com o outro est\u00e1, por assim dizer, no nosso DNA biol\u00f3gico ou social. Ela \u00e9 configurada por nossas experi\u00eancias como crian\u00e7as, como beb\u00eas. Vamos encontrar o caminho de volta para essas formas b\u00e1sicas de comunica\u00e7\u00e3o&#8221;, assegura Grunwald.<\/p>\n<p><strong>A instintiva arte do abra\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Considerando que Taylor e Grunwald estejam certos, t\u00e3o logo haja indica\u00e7\u00f5es de que o contato interpessoal n\u00e3o \u00e9 mais perigoso, vir\u00e1 a vontade de se abra\u00e7ar novamente. Mas ser\u00e1 que todos ainda saber\u00e3o como se faz? Como abordar os outros? Como comunicar o desejo de proximidade, toque e abra\u00e7o?<\/p>\n<p>&#8220;Certamente vai ser meio desajeitado no in\u00edcio. Voc\u00ea j\u00e1 v\u00ea que agora, quando encontramos algu\u00e9m, n\u00e3o sabemos muito bem como cumprimentar&#8221;, registra Sabine Koch, professora de terapia de dan\u00e7a e movimento na Escola Superior de Ci\u00eancias Aplicadas SRH, em Heidelberg, e diretora do Instituto de Pesquisa de Terapias Art\u00edsticas da Universidade Alanus, nas cercanias de Bonn.<\/p>\n<p>Muito antes da pandemia, ela j\u00e1 vinha pesquisando os abra\u00e7os: por exemplo, como ritmos corporais comunicam a necessidade de proximidade. H\u00e1 tr\u00eas est\u00e1gios do abra\u00e7o: primeiro movimentos suaves, redondos, depois o corpo fica mais tenso.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo vem uma batidinha nas costas ou no ombro, sinalizando o fim do abra\u00e7o, como que dizendo &#8220;Chegou para mim, podemos nos largar&#8221;. Essa sequ\u00eancia, segundo Koch, \u00e9 o que comp\u00f5e um bom abra\u00e7o.<\/p>\n<p>Durante seu estudo, por\u00e9m, ela tamb\u00e9m observou uma exce\u00e7\u00e3o interessante: as tr\u00eas fases se aplicam a todas as combina\u00e7\u00f5es de mulheres com homens ou de mulheres entre si, mas n\u00e3o quando homens se abra\u00e7am. Pelo menos num contexto p\u00fablico, os abra\u00e7os masculinos come\u00e7am imediatamente com uma batidinha nas costas, que \u00e9 um gesto combativo.<\/p>\n<p><strong>Jogo de sensibilidades n\u00e3o verbais<\/strong><\/p>\n<p>Portanto, a pandemia seguramente n\u00e3o vai fazer que se esque\u00e7a como abra\u00e7ar. Mas Koch parte do princ\u00edpio que no come\u00e7o vai haver alguma reserva, uma esp\u00e9cie de fase de transi\u00e7\u00e3o. A decis\u00e3o ser\u00e1 &#8220;se e como o abra\u00e7o acontece, no n\u00edvel n\u00e3o verbal, numa negocia\u00e7\u00e3o do tipo &#8216;Est\u00e1 bem abra\u00e7ar voc\u00ea agora, ou n\u00e3o?'&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Nosso estudo tamb\u00e9m mostrou que os indiv\u00edduos t\u00eam n\u00edveis muito diferentes de sensibilidades n\u00e3o verbais&#8221;, explica a especialista em terapia de movimento. Ou seja: h\u00e1 quem perceba imediatamente quando algu\u00e9m d\u00e1 a batidinha durante o abra\u00e7o, dando o sinal para se soltar, e d\u00e1 um passo atr\u00e1s. Outros notam muito mais tarde, ainda outros n\u00e3o notam nada.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a pandemia, a sensibilidade de cada um \u00e9 especialmente importante. H\u00e1 sinais reais de que a outra pessoa tamb\u00e9m quer um abra\u00e7o? \u00c0s vezes n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil dizer. Ent\u00e3o em caso de d\u00favida, talvez convenha se conter. Ou perguntar diretamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 pandemia, manter dist\u00e2ncia demonstra empatia e respeito para com os outros: \u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":144066,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/abraco.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em meio \u00e0 pandemia, manter dist\u00e2ncia demonstra empatia e respeito para com os outros: \u00e9","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144065"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144065"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144065\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":144067,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144065\/revisions\/144067"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/144066"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144065"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144065"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144065"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}