{"id":143942,"date":"2021-03-31T14:30:34","date_gmt":"2021-03-31T17:30:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=143942"},"modified":"2021-03-31T10:31:47","modified_gmt":"2021-03-31T13:31:47","slug":"meteorito-recem-descoberto-pode-desvendar-segredos-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/meteorito-recem-descoberto-pode-desvendar-segredos-do-sistema-solar\/","title":{"rendered":"Meteorito rec\u00e9m-descoberto pode desvendar segredos do Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-143943\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma rar\u00edssima rocha espacial recuperada no Reino Unido pode ajudar cientistas a responder perguntas sobre a origem da\u00a0\u00e1gua na Terra e, talvez, como a vida surgiu em nosso planeta.<\/h2>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Na noite de 28 de fevereiro, um fragmento rochoso iluminou os c\u00e9us da Inglaterra. A impressionante bola de fogo foi captada por uma rede internacional de c\u00e2meras de rastreamento de meteoritos, atraindo cientistas para a pacata cidade de Winchcombe. Um peda\u00e7o do meteorito foi encontrado na entrada de uma garagem, enquanto outro foi descoberto em um campo cheio de coc\u00f4 de ovelha.<\/p>\n<p>Cerca de 18 fragmentos de rocha espacial foram encontrados at\u00e9 agora, todos prontamente entregues a institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas selecionadas \u2013 em especial o Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres \u2013 para an\u00e1lises preliminares. O r\u00e1pido transporte das amostras para os laborat\u00f3rios foi crucial para garantir que o ambiente terrestre n\u00e3o alterasse significativamente a qu\u00edmica desses materiais espaciais quase intocados.<\/p>\n<p>Acontece que o meteorito \u2013 o primeiro encontrado no Reino Unido em 30 anos \u2013 \u00e9 um tipo raro conhecido como condrito carbon\u00e1ceo. Esses antigos fragmentos n\u00e3o apenas cont\u00eam os elementos que formaram planetas, como tamb\u00e9m compostos que podem ajudar a explicar o surgimento da \u00e1gua na Terra ou at\u00e9 fornecer pistas da origem da vida.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 aquele tipo de meteorito m\u00e1gico pelo qual muitas pessoas ficam completamente fascinadas\u201d, explica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.research.manchester.ac.uk\/portal\/katherine.joy.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Katherine Joy<\/a>, especialista em meteoritos da Universidade de Manchester.<\/p>\n<p>Estranhamente, \u00e0 primeira vista, a qu\u00edmica, os minerais e as texturas do meteorito n\u00e3o parecem pertencer a nenhum tipo espec\u00edfico de condrito carbon\u00e1ceo. Cada um dos fragmentos estudados at\u00e9 agora parece ser um pouco diferente dos outros.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 que \u00e9 um novo tipo de meteorito, uma nova classe, algo que nunca vimos antes?\u201d pergunta\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gla.ac.uk\/schools\/ges\/staff\/lukedaly\/#researchinterests\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luke Daly<\/a>, especialista em meteoritos da Universidade de Glasgow. \u00c9 uma possibilidade intrigante, mas pesquisas adicionais s\u00e3o necess\u00e1rias para responder com certeza.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 apenas o come\u00e7o do estudo cient\u00edfico sobre o que provavelmente ficar\u00e1 conhecido como meteorito Winchcombe. Mas a raridade do objeto, combinada com a rapidez com que foi recuperado, deixou a comunidade de estudiosos de meteoritos animada.<\/p>\n<p>\u201cFicamos loucos de felicidade\u201d, conta\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nhm.ac.uk\/our-science\/departments-and-staff\/staff-directory\/sara-russell.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sara Russell<\/a>, cientista planet\u00e1ria do Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres. \u201cEu diria que, para o nosso grupo de meteoritos, \u00e9 a aquisi\u00e7\u00e3o mais importante de todos os tempos.\u201d<\/p>\n<h3>C\u00e1psulas do tempo que caem do c\u00e9u<\/h3>\n<p>Meteoritos se chocam contra a Terra o tempo todo, mas a maioria n\u00e3o \u00e9 grande o suficiente para anunciar a chegada com uma bola de fogo. Mesmo quando isso acontece, muitos acabam caindo nos oceanos. A grande maioria dos meteoritos s\u00e3o coletados em desertos e na Ant\u00e1rtica, especificamente em uma regi\u00e3o pr\u00f3xima as montanhas Transant\u00e1rticas, onde os meteoritos se acumulam, carregados desde outras partes do continente pela movimenta\u00e7\u00e3o das camadas de gelo. Tamb\u00e9m conta que, por serem escuros, contrastam com mais evid\u00eancia na branca paisagem.<\/p>\n<p>O Reino Unido \u00e9 um lugar pequeno \u2013 os meteoritos n\u00e3o atingem as ilhas com frequ\u00eancia \u2013 e est\u00e1 repleto de cidades e vegeta\u00e7\u00e3o, o que torna dif\u00edcil encontr\u00e1-los. Mas, de vez em quando, as rochas espaciais caem ao acaso bem debaixo do nariz das pessoas. Na v\u00e9spera do Natal de 1964, um meteorito \u201cricocheteou na entrada de uma garagem, passou pela janela de uma casa e pousou embaixo da \u00e1rvore de Natal\u201d, conta\u00a0<a href=\"https:\/\/www.imperial.ac.uk\/people\/m.genge\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Matthew Genge, especialista em meteoritos do Imperial College de Londres.<\/a><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, ca\u00e7adores de meteoritos no Reino Unido decidiram melhorar suas chances instalando c\u00e2meras projetadas para observar bolas de fogo, usadas para descobrir onde os fragmentos caem na Terra. Na \u00faltima d\u00e9cada, seis redes diferentes de c\u00e2meras voltadas para o c\u00e9u, operadas por pesquisadores amadores e profissionais, foram integradas ao projeto\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ukfall.org.uk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">U.K. Fireball Alliance.<\/a><\/p>\n<p>Essas c\u00e2meras \u201cficam o tempo todo apontando para cima\u201d, sempre gravando, procurando por quaisquer luzes ou objetos not\u00e1veis que cruzem o c\u00e9u, explica Jim Rowe, organizador do grupo. Durante a pandemia, ele escreveu um c\u00f3digo de computador que garantiu que essas redes individuais pudessem se comunicar entre si para rastrear qualquer objeto que ca\u00edsse do c\u00e9u.<\/p>\n<p>O sistema capturou bolas de fogo algumas vezes nos \u00faltimos cinco anos ou mais, mas os locais de impacto n\u00e3o eram convenientes para coleta. Alguns anos atr\u00e1s, \u201cuma bola de fogo lan\u00e7ou um meteorito diretamente no Mar do Norte\u201d, relata Daly, quase atingindo as terras pr\u00f3ximas do Reino Unido, norte da Europa ou Noruega, onde poderia ter sido recuperado.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3>Bem-vindos a Winchcombe<\/h3>\n<p>No fim de fevereiro, ap\u00f3s anos de observa\u00e7\u00e3o e espera, uma bola de fogo com seis segundos de dura\u00e7\u00e3o foi detectada em Gloucestershire, um condado no sudoeste da Inglaterra. A trajet\u00f3ria do meteorito foi imediatamente\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nhm.ac.uk\/press-office\/press-releases\/a-team-of-uk-scientists--guided-by-meteor-specialists--have-reco.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">analisada por uma equipe de pesquisadores internacionais<\/a>\u00a0que trabalham com a U.K. Fireball Alliance. Com a prov\u00e1vel zona de impacto determinada, especialistas de toda a Inglaterra correram para a cidade de Winchcombe e seus arredores.<\/p>\n<p>Depois de alguns dias procurando sem sucesso, os cientistas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.yorkshirepost.co.uk\/news\/people\/meteor-uk-what-is-a-fireball-meteor-where-did-it-land-in-england-and-what-do-you-do-if-you-find-a-meteorite-3151645\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">notificaram a imprensa local e pediram \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que os ajudasse a encontrar qualquer fragmento de rocha de apar\u00eancia estranha<\/a>. Pessoas de todo o pa\u00eds enviaram aos especialistas in\u00fameras fotos de poss\u00edveis fragmentos.<\/p>\n<p>Ao acordar, uma fam\u00edlia encontrou fragmentos de rocha negra e respingos semelhantes a fuligem\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/news\/science-environment-56337876\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">na entrada de sua garagem<\/a>. Mas somente depois de ouvir os relatos sobre uma bola de fogo, eles perceberam que os detritos eram meteor\u00edticos e entraram em contato com a Rede de Observa\u00e7\u00e3o de Meteoros do Reino Unido. Apenas 12 horas ap\u00f3s o impacto, um grande peda\u00e7o do meteorito j\u00e1 estava embalado e pronto para ser coletado por especialistas.<\/p>\n<p>\u201cReconhecer a import\u00e2ncia disso para a ci\u00eancia e querer contribuir \u00e9 um ato de generosidade\u201d, comenta Joy.<\/p>\n<p>Daly e sua namorada Mira Ihasz juntaram-se a um grupo que vasculhava um campo pr\u00f3ximo cheio de excrementos de ovelha. Quando uma rocha atravessa a atmosfera da Terra, seu material derrete e depois endurece em uma casca negra, e os tons escuros do esterco de ovelha tinham uma inconveniente semelhan\u00e7a com a crosta queimada de meteoritos.<\/p>\n<p>\u201cOutro coc\u00f4 promissor, como come\u00e7amos a cham\u00e1-los\u201d, lembra Daly. Mas ap\u00f3s\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/UofGlasgow\/status\/1369369830567145475\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cinco dias de busca<\/a>, Ihasz\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/aineclareob\/status\/1369176381322592258?s=20\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">encontrou o<\/a>\u00a0que tanto buscava.<\/p>\n<p>O fragmento estava<a href=\"https:\/\/www.nhm.ac.uk\/discover\/news\/2021\/march\/uk-fireball-meteorite-has-been-recovered-driveway-gloucestershire.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0a cerca de 400 metros de onde os c\u00e1lculos baseados na triangula\u00e7\u00e3o das c\u00e2meras indicavam\u00a0<\/a>\u2013 um grau not\u00e1vel de precis\u00e3o, mas n\u00e3o o suficiente para os pesquisadores que, de acordo com Daly, ficaram desapontados com a imprecis\u00e3o das previs\u00f5es.<\/p>\n<p>\u2018Uma bola de lama dos prim\u00f3rdios\u2019<\/p>\n<p>An\u00e1lises preliminares determinaram que o meteorito era um condrito carbon\u00e1ceo: objetos rochosos t\u00e3o antigos quanto o Sistema Solar que recebem esse nome por causa de suas composi\u00e7\u00f5es ricas em carbono. Essas rochas espaciais s\u00e3o raras. Dos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lpi.usra.edu\/meteor\/metbull.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">65,2 mil meteoritos catalogados<\/a>, apenas 2,6 mil s\u00e3o condritos carbon\u00e1ceos.<\/p>\n<p>A origem exata da maioria dos meteoritos permanece um mist\u00e9rio. Mas, gra\u00e7as \u00e0 trajet\u00f3ria bem documentada do meteorito Winchcombe em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra, seu caminho foi rastreado at\u00e9 a borda externa do cintur\u00e3o de asteroides, entre Marte e J\u00fapiter.<\/p>\n<p>\u201cSaber o que \u00e9 isso e de onde veio \u00e9 muito especial\u201d, declarou Joy. Esse conhecimento permite determinar com mais facilidade de que tipo de asteroide o meteorito se separou e tamb\u00e9m ajuda cientistas a entender melhor os tipos de dist\u00farbios espaciais que podem lan\u00e7ar rochas em nossa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora o meteorito Winchcombe mostre caracter\u00edsticas de v\u00e1rios tipos de condritos carbon\u00e1ceos, o que significa que pode ser algo totalmente novo, a an\u00e1lise qu\u00edmica inicial o identificou como sendo do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lpi.usra.edu\/meteor\/metbullclass.php?sea=CM2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tipo CM<\/a>. Esses meteoritos possuem (entre outros componentes) muitos minerais que cont\u00e9m \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma bola de lama dos prim\u00f3rdios\u201d, declara Genge, do Imperial College de Londres. At\u00e9 hoje s\u00f3 foram encontrados 652 deles.<\/p>\n<p>Comparados com a maioria dos outros tipos de meteoritos, os condritos CM \u201cs\u00e3o incrivelmente delicados\u201d, explica Daly. Os minerais em seu interior se degradam rapidamente na atmosfera \u00famida da Terra, ent\u00e3o, se forem deixados ao relento por muito tempo, \u201celes acabam virando p\u00f3\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO fato de ser t\u00e3o fr\u00e1gil e delicado, e de ter sido coletado t\u00e3o rapidamente foi fundamental\u201d, diz Joy. \u201cEste foi embalado e levado ao museu entre 36 e 48 horas depois de cair, o que n\u00e3o acontece com muita frequ\u00eancia.\u201d A r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o do meteorito significa que seus ingredientes foram preservados quase perfeitamente \u2013 e ter\u00e3o muito a revelar sobre os prim\u00f3rdios do Sistema Solar e do planeta exuberante em que vivemos hoje.<\/p>\n<p>Segredos da Terra e do espa\u00e7o<\/p>\n<p>Um dos segredos escondidos em rochas como o meteorito Winchcombe tem rela\u00e7\u00e3o com a quantidade de \u00e1gua que abunda na Terra. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/article\/moon-may-have-stretched-early-earth-into-potato-shape\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">enorme impacto<\/a>\u00a0que levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da Lua h\u00e1 cerca de 4,5 bilh\u00f5es de anos provavelmente arrancou grande parte da \u00e1gua que a Terra tinha no in\u00edcio.<\/p>\n<p>Se a \u00e1gua que temos na superf\u00edcie hoje \u00e9 proveniente principalmente do interior do planeta, devido a erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas, ou se foi trazida por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/ncomms11684\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">asteroides molhados<\/a>, ainda \u00e9 uma quest\u00e3o em debate. Segundo Russell, ao estudar os minerais hidratados nos condritos carbon\u00e1ceos, podemos descobrir qual processo encheu os oceanos de nosso mundo moderno.<\/p>\n<p>Os condritos CM tamb\u00e9m costumam conter diversas mol\u00e9culas org\u00e2nicas diferentes, incluindo amino\u00e1cidos e a\u00e7\u00facares, e espera-se que esse meteorito n\u00e3o seja diferente. Asteroides que bombardearam a Terra primitiva teriam trazido essa mat\u00e9ria org\u00e2nica com eles, talvez depositando os ingredientes necess\u00e1rios para a forma\u00e7\u00e3o dos primeiros organismos vivos.<\/p>\n<p>\u201cEssa qu\u00edmica org\u00e2nica pode muito bem ter acelerado a origem da vida na Terra\u201d, declara Genge.<\/p>\n<p>Os meteoritos tamb\u00e9m podem nos dar informa\u00e7\u00f5es sobre o per\u00edodo anterior \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da Terra. O meteorito Winchcombe tem caracter\u00edsticas conhecidas como inclus\u00f5es ricas em c\u00e1lcio e alum\u00ednio, ou CAIs. \u201cEles s\u00e3o os s\u00f3lidos mais antigos do Sistema Solar, o que \u00e9 algo incrivelmente bacana\u201d, diz Russell.<\/p>\n<p>A qu\u00edmica dos CAIs sugere que todos eles se formaram na mesma \u00e9poca e local, 4,5 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s, bem ao lado do Sol, antes de terminarem espremidos entre rochas que se aglomeraram nos cantos frios do Sistema Solar exterior. A jornada dram\u00e1tica desse material em dire\u00e7\u00e3o ao exterior n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de explicar, mas reunir mais CAIs ajudar\u00e1 a desvendar como a mat\u00e9ria se movia e se misturava \u00e0 medida que os planetas se formavam e o Sistema Solar evolu\u00eda para adquirir sua forma moderna.<\/p>\n<p>Os condritos CM tamb\u00e9m costumam conter subst\u00e2ncias como grafite e gr\u00e3os de diamante que s\u00e3o, notavelmente, mais antigos do que o pr\u00f3prio Sistema Solar. Sua qu\u00edmica \u00e9 t\u00e3o distinta de qualquer coisa encontrada no nosso sistema solar que cientistas acreditam ter vindo da atmosfera de estrelas gigantes ou que tenham se formado em explos\u00f5es de supernovas antes de parar em nossa vizinhan\u00e7a c\u00f3smica ainda em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses gr\u00e3os foram \u201clan\u00e7ados no Universo, ficaram flutuando por centenas de milh\u00f5es de anos e, em seguida, colapsaram para formar nosso sistema solar\u201d, explica Genge. Embora essas gemas primordiais ainda n\u00e3o tenham sido identificadas no meteorito Winchcombe, cientistas esperam que, como outros condritos CM, ele contenha gr\u00e3os anteriores ao Sistema Solar.<\/p>\n<p>O meteorito Winchcombe pode, portanto, conter n\u00e3o apenas pistas sobre a hist\u00f3ria de nossa vizinhan\u00e7a que orbita o Sol, mas tamb\u00e9m fantasmas de outros sistemas planet\u00e1rios perdidos no tempo \u2013 e o esfor\u00e7o internacional para decodificar seus muitos segredos apenas come\u00e7ou.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma rar\u00edssima rocha espacial recuperada no Reino Unido pode ajudar cientistas a responder perguntas sobre<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":143943,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/meteroro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma rar\u00edssima rocha espacial recuperada no Reino Unido pode ajudar cientistas a responder perguntas sobre","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143942"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143942"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143942\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":143945,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143942\/revisions\/143945"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/143943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}