{"id":143916,"date":"2021-03-31T11:00:22","date_gmt":"2021-03-31T14:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=143916"},"modified":"2021-03-31T09:31:06","modified_gmt":"2021-03-31T12:31:06","slug":"rios-e-lagos-sao-os-ecossistemas-mais-degradados-do-planeta-sera-possivel-salva-los","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/rios-e-lagos-sao-os-ecossistemas-mais-degradados-do-planeta-sera-possivel-salva-los\/","title":{"rendered":"Rios e lagos s\u00e3o os ecossistemas mais degradados do planeta. Ser\u00e1 poss\u00edvel salv\u00e1-los?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-143917\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quando o Parque Nacional do Grand Canyon foi inaugurado h\u00e1 um s\u00e9culo, o rio Colorado que o atravessa foi tratado como algo secund\u00e1rio. Nas d\u00e9cadas seguintes, os estados buscaram extrair cada gota de \u00e1gua do Colorado para a agricultura e o consumo pela popula\u00e7\u00e3o, e uma infinidade de barragens enormes foi constru\u00edda ao longo de seu curso.<\/p>\n<p>Peixes nativos como cascudos e os peixes da esp\u00e9cie\u00a0<em>Squalius cephalus<\/em>, n\u00e3o encontrados em nenhum outro lugar do mundo, foram substitu\u00eddos por bagres e achig\u00e3s invasores, mais atraentes aos pescadores. Com o tempo, o\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/rios\">rio<\/a>\u00a0volumoso que outrora esculpiu uma das paisagens mais emblem\u00e1ticas dos Estados Unidos foi reduzido a um filete de \u00e1gua, incapaz de cumprir seu destino de desaguar no mar.<\/p>\n<p>O que aconteceu com o Colorado \u00e9 um exemplo t\u00edpico do decl\u00ednio de um rio, mas est\u00e1 longe de ser exce\u00e7\u00e3o. Em todo o mundo, rios, lagos e p\u00e2ntanos v\u00eam sendo deteriorados cada vez mais de maneiras semelhantes por barragens mal planejadas, polui\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>habitat<\/em>s, extra\u00e7\u00e3o de areia, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e pela introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies invasoras.<\/p>\n<p>O resultado, apresentado nesta semana em um relat\u00f3rio de\u00a016 organiza\u00e7\u00f5es conservacionistas, \u00e9 que os\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/ecossistema\">ecossistemas<\/a>\u00a0de \u00e1gua doce se tornaram os mais degradados do mundo e suas popula\u00e7\u00f5es de peixes est\u00e3o \u00e0 beira do colapso. Existem mais esp\u00e9cies de peixes de \u00e1gua doce \u2014 mais de\u00a018 mil catalogadas at\u00e9 o momento\u00a0\u2014 do que de peixes que vivem nos mares e oceanos. As popula\u00e7\u00f5es de vertebrados de \u00e1gua doce reduziram 86% desde 1970 \u2014 o dobro do ritmo observado em ecossistemas terrestres ou marinhos \u2014 e quase um ter\u00e7o das esp\u00e9cies de peixes de \u00e1gua doce est\u00e3o atualmente amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto \u00e9 uma crise que recebe muito menos aten\u00e7\u00e3o do que as demais emerg\u00eancias ambientais \u2014 como o desmatamento ou a polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1sticos \u2014 apesar da depend\u00eancia humana de sistemas de \u00e1gua doce para consumo h\u00eddrico, alimenta\u00e7\u00e3o e saneamento. Quanto \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de rios, h\u00e1 muito tempo \u00e9 considerada como um elemento da prote\u00e7\u00e3o terrestre; o racioc\u00ednio tem sido \u201cproteja a terra e o rio que a corta tamb\u00e9m ser\u00e1 protegido\u201d, embora\u00a0evid\u00eancias convincentes\u00a0insinuem que essa abordagem geralmente n\u00e3o \u00e9 eficaz.<\/p>\n<p>Mas agora h\u00e1 sinais de mudan\u00e7a: a pauta da \u00e1gua doce vem ganhando notoriedade nas pol\u00edticas de preserva\u00e7\u00e3o. Segundo os cientistas, embora\u00a0sucessivas publica\u00e7\u00f5es\u00a0de estudos continuem a expor a\u00a0situa\u00e7\u00e3o lastim\u00e1vel atual, as vantagens ecol\u00f3gicas e econ\u00f4micas de se manter rios saud\u00e1veis\u00a0est\u00e3o cada vez mais evidentes, assim como as solu\u00e7\u00f5es para alcan\u00e7ar essa meta. Eles advertem, no entanto, que \u00e9 preciso tomar medidas en\u00e9rgicas para salvar ecossistemas cruciais \u00e0 sobreviv\u00eancia de animais e humanos.<\/p>\n<p>\u201cA humanidade est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 sa\u00fade dos ecossistemas de \u00e1gua doce\u201d, afirma Kathy Hughes, especialista em \u00e1gua doce da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental internacional World Wildlife Fund no Reino Unido e principal autora do novo relat\u00f3rio. \u201cA biodiversidade de \u00e1gua doce serve de indicativo para n\u00f3s e, se os ecossistemas de \u00e1gua doce n\u00e3o puderem mais sustentar uma\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/biodiversidade\">biodiversidade<\/a>\u00a0pr\u00f3spera, ser\u00e1 um sinal n\u00edtido de que tamb\u00e9m n\u00e3o servem mais \u00e0 humanidade.\u201d<\/p>\n<h3 id=\"h-o-ano-dos-rios\">O ano dos rios<\/h3>\n<p>Historicamente, reservas de prote\u00e7\u00e3o s\u00e3o estabelecidas para ecossistemas terrestres e suas esp\u00e9cies, com pouca ou nenhuma considera\u00e7\u00e3o a seus\u00a0<em>habitats<\/em>\u00a0de \u00e1gua doce nelas existentes. Um dos motivos disso \u00e9 a complexidade dos rios, que podem atravessar \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ou manejo, passar por diferentes paisagens e, \u00e0s vezes, at\u00e9 por diferentes pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito mais f\u00e1cil tra\u00e7ar uma linha em torno de um terreno ou no oceano do que em um rio\u201d, afirma John Zablocki, especialista em biodiversidade da organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Nature Conservancy, que lidera uma rede internacional de cientistas de \u00e1gua doce em busca de promover novas reflex\u00f5es sobre a prote\u00e7\u00e3o dos rios.<\/p>\n<p>Ele ressalta que os rios que correm atrav\u00e9s de \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o terrestres muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o protegidos de impactos acima deles, algo que foi claramente ilustrado em um estudo publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico\u00a0<em>Conservation Letters<\/em>\u00a0no ano passado. O estudo indica que existem mais de 1,2 mil grandes barragens localizadas dentro de \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o e mais de 500 barragens planejadas ou em constru\u00e7\u00e3o dentro de \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o em todo o mundo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso parar de relegar os rios a um segundo plano\u201d, afirma Zablocki, cuja organiza\u00e7\u00e3o colabora com v\u00e1rios munic\u00edpios de Montenegro, pa\u00eds dos Balc\u00e3s Ocidentais, onde o governo recentemente designou como parque natural o curso inferior do Rio Zeta, rico em biodiversidade.<\/p>\n<p>Outra iniciativa \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o legal dos rios. Em 2017, a Nova Zel\u00e2ndia se tornou o primeiro pa\u00eds a conceder a um rio espec\u00edfico direitos legais iguais aos de pessoas, permitindo que sejam tratados como entidades vivas na justi\u00e7a. Desde ent\u00e3o, Bangladesh tomou a mesma iniciativa com rela\u00e7\u00e3o a todos os seus rios, ao passo que a cidade de Toledo, em Ohio, aprovou o que \u00e9 conhecido como a Declara\u00e7\u00e3o de Direitos do Lago Erie para proteger suas margens, tornando-a uma das in\u00fameras cidades dos Estados Unidos a aprovar legisla\u00e7\u00e3o reconhecendo os direitos da natureza.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1ria uma abordagem multifacetada para manter a integridade dos rios e seu curso livre\u201d, afirma Michele Thieme, cientista-chefe de \u00e1gua doce da World Wildlife Fund nos Estados Unidos. \u201cN\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o universal.\u201d<\/p>\n<p>Se 2021 for o ano dos rios como esperado pelos cientistas de \u00e1gua doce, alguns conservacionistas influentes que anteriormente n\u00e3o se concentraram na pauta da \u00e1gua doce podem passar a se interessar mais, incluindo a\u00a0Campanha pela Natureza, a iniciativa de US$ 1 bilh\u00e3o financiada pela Funda\u00e7\u00e3o Wyss da Su\u00ed\u00e7a e apoiada pela National Geographic Society, cujo\u00a0objetivo \u00e9 conservar 30% do planeta\u00a0em estado natural at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>A campanha aborda especificamente terras e oceanos, sem citar os rios. Mas essa perspectiva pode mudar em breve, segundo seu diretor, Brian O\u2019Donnell. \u201cTodos os relat\u00f3rios que descrevem a crise da biodiversidade de \u00e1gua doce serviram de alerta para n\u00f3s e deixaram claro que \u00e9 preciso haver uma representa\u00e7\u00e3o expressa de \u00e1reas de \u00e1gua doce daqui para frente\u201d, explica O\u2019Donnell.<\/p>\n<h3 id=\"h-perda-devastadora\">Perda devastadora<\/h3>\n<p>Embora a \u00e1gua doce represente menos de 1% da \u00e1gua corrente da Terra, ela abriga 10% de todas as esp\u00e9cies conhecidas, incluindo um ter\u00e7o de todos os vertebrados.<\/p>\n<p>Entre as variedades de \u00e1gua doce mais incomuns est\u00e3o os tubar\u00f5es-elefantes da \u00c1frica, que se comunicam por meio de sinais el\u00e9tricos, e os peixes-l\u00e1pis da Amaz\u00f4nia, que botam seus ovos na terra. Os ecossistemas de \u00e1gua doce tamb\u00e9m abrigam cerca de 270 esp\u00e9cies de tartarugas, mais de 1,3 mil esp\u00e9cies de caranguejos e cerca de 5,7 mil esp\u00e9cies de lib\u00e9lulas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/arraia_de_fogo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-168754\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/arraia_de_fogo.jpg\" sizes=\"(max-width: 710px) 100vw, 710px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/arraia_de_fogo.jpg 710w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/arraia_de_fogo-300x200.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/a><figcaption>Uma arraia-de-fogo no Aqu\u00e1rio Shark Reef. Essas arraias vivem na lama no fundo dos rios brasileiros.<br \/>\nFOTO DE\u00a0<strong>JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Bagre-gigante-do-mekong.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-168755\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Bagre-gigante-do-mekong.jpg\" sizes=\"(max-width: 710px) 100vw, 710px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Bagre-gigante-do-mekong.jpg 710w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Bagre-gigante-do-mekong-300x200.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/a><figcaption>Bagre-gigante-do-mekong criticamente amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m conhecido como peixe-panga.<br \/>\nFOTO DE\u00a0<strong>JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os conservacionistas afirmam que ao menos 80 esp\u00e9cies de peixes de \u00e1gua doce foram extintas desde que as primeiras contagens, das quais 16 esp\u00e9cies foram extintas somente no ano passado. O n\u00famero exato de extin\u00e7\u00f5es, entretanto, certamente \u00e9 muito maior, j\u00e1 que h\u00e1 cada vez mais amea\u00e7as aos peixes e o monitoramento de muitas esp\u00e9cies \u00e9 prec\u00e1rio.<\/p>\n<p>Talvez o mais chocante seja o desaparecimento dos \u201cmegapeixes\u201d \u2014 chamados assim devido a seu tamanho enorme \u2014 cujas popula\u00e7\u00f5es sofreram um decl\u00ednio de 94% desde 1970, incluindo muitas esp\u00e9cies de esturj\u00e3o atualmente criticamente amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o citados no relat\u00f3rio estudos recentes que indicam que apenas um ter\u00e7o dos grandes rios do mundo continuam com seu curso livre \u2014 o que significa que n\u00e3o foram represados ou interrompidos por humanos \u2014 e que os p\u00e2ntanos sofreram uma redu\u00e7\u00e3o global de quase 70% desde 1900, tr\u00eas vezes a redu\u00e7\u00e3o das florestas.<\/p>\n<p>\u201cGrande parte dessa perda quase inconceb\u00edvel ocorreu ao longo de nossa gera\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Hughes.<\/p>\n<p>Um estudo publicado na revista cient\u00edfica Science na semana passada mostrou que os rios nos quais as popula\u00e7\u00f5es de peixes escaparam da grave destrui\u00e7\u00e3o causada por atividades humanas atualmente representam apenas 14% das bacias hidrogr\u00e1ficas mundiais e a pior situa\u00e7\u00e3o encontra-se na Europa Ocidental e na Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<p>Guohuan Su, autor principal desse estudo, da Universidade de Toulouse, na Fran\u00e7a, observa que quase todas as pessoas vivem em bacias hidrogr\u00e1ficas, pois toda a superf\u00edcie terrestre \u2014 \u00e0 exce\u00e7\u00e3o dos polos e de alguns desertos onde nunca chove \u2014 faz parte de bacias hidrogr\u00e1ficas. \u201cPode-se dizer que vivemos nos bra\u00e7os dos rios que estamos destruindo\u201d, lamenta ele.<\/p>\n<p>Muitos conservacionistas argumentam que motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-econ\u00f4micas geralmente prevalecem sobre preocupa\u00e7\u00f5es com a biodiversidade quando se trata de tomar decis\u00f5es sobre os rios. \u201cMuito raramente o valor total dos ecossistemas \u00e9 levado em considera\u00e7\u00e3o no planejamento de barragens, por exemplo\u201d, explica Ian Harrison, especialista em \u00e1gua doce da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Conserva\u00e7\u00e3o Internacional e colaborador do relat\u00f3rio divulgado nesta semana.<\/p>\n<p>Pesquisas revelam cada vez mais que considerar a pesca e a sa\u00fade ecol\u00f3gica dos rios \u00e9 um bom neg\u00f3cio, conta Denielle Perry, ge\u00f3grafa de recursos h\u00eddricos da Universidade do Norte do Arizona em Flagstaff. \u201cA prote\u00e7\u00e3o dos sistemas fluviais \u00e9 um investimento de baixo custo e alto retorno, sobretudo se considerados os servi\u00e7os prestados aos\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/ecossistema\">ecossistemas<\/a>\u00a0gratuitamente pelos rios.\u201d<\/p>\n<h3>Peixe monstro<\/h3>\n<p>Uma raz\u00e3o pela qual a pesca de \u00e1gua doce recebe menos import\u00e2ncia do que a pesca marinha pode ser o fato de estar concentrada em pa\u00edses de baixa renda considerados secund\u00e1rios porque n\u00e3o possuem uma exporta\u00e7\u00e3o expressiva de peixes. Apenas 16 na\u00e7\u00f5es, localizadas principalmente na \u00c1sia e na \u00c1frica, s\u00e3o respons\u00e1veis por 80% da pesca de \u00e1gua doce declarada de 12 milh\u00f5es de toneladas por ano, embora esse total provavelmente esteja bastante subestimado, pois a pesca de subsist\u00eancia em pa\u00edses como o Congo e o Camboja n\u00e3o \u00e9 documentada.<\/p>\n<p>Para ao menos 200 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo, os peixes de \u00e1gua doce s\u00e3o a principal fonte de prote\u00edna animal, segundo o novo relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Esses peixes tamb\u00e9m enfrentam um problema de imagem: enquanto grandes animais carism\u00e1ticos na terra e nos oceanos atraem recursos de conserva\u00e7\u00e3o, poucos peixes de \u00e1gua doce recebem a mesma aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPodemos observar e apreciar os cuidados de um gorila com os filhotes ou tartarugas marinhas ao botar seus ovos na praia, mas n\u00e3o temos essa conex\u00e3o com peixes de \u00e1gua doce, que muitas vezes vivem em rios turvos, longe de nossas vistas\u201d, explica Zeb Hogan, bi\u00f3logo de peixes da Universidade de Nevada, em Reno, e explorador da National Geographic.<\/p>\n<p>Hogan, que lidera o projeto de pesquisa Maravilhas do Mekong, patrocinado pela Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, trabalha na regi\u00e3o do Mekong, no sudeste da \u00c1sia, h\u00e1 mais de 20 anos. Ele testemunhou o desaparecimento quase completo de alguns dos maiores peixes de \u00e1gua doce do mundo, incluindo o\u00a0bagre-gigante-do-mekong\u00a0e o barbo-gigante, simultaneamente \u00e0\u00a0deteriora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do rio, que nasce no Planalto Tibetano e atravessa seis pa\u00edses antes de desembocar no Mar da China Meridional.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o decl\u00ednio parece ter acelerado, j\u00e1 que os n\u00edveis da \u00e1gua do Mekong ca\u00edram a patamares hist\u00f3ricos, amea\u00e7ando peixes e a subsist\u00eancia de muitas das 60 milh\u00f5es de pessoas que vivem ao longo do rio. A situa\u00e7\u00e3o, segundo observadores, foi causada em grande parte pelas barragens chinesas constru\u00eddas na bacia hidrogr\u00e1fica acima, que\u00a0algumas vezes ret\u00eam a \u00e1gua essencial para que os peixes completem seu ciclo de vida rio abaixo, bem como pela estiagem exacerbada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Esses acontecimentos for\u00e7aram ao menos alguns respons\u00e1veis pela tomada de decis\u00f5es a reformular seus planos de constru\u00e7\u00e3o. No fim do ano passado, o Camboja, por exemplo, anunciou uma morat\u00f3ria de 10 anos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de novas barragens na parte principal do Mekong.<\/p>\n<p>Cientistas de \u00e1gua doce afirmam que a confer\u00eancia da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica da ONU, agendada para o segundo semestre deste ano em Kunming, China, deve produzir um novo acordo global de\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/biodiversidade\">biodiversidade<\/a>\u00a0que d\u00ea tanta import\u00e2ncia \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o dos\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/rios\">rios<\/a>, lagos e p\u00e2ntanos do mundo quanto \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de suas florestas e oceanos.<\/p>\n<p>\u201cEste momento \u00e9 decisivo\u201d, afirma Harrison, da Conserva\u00e7\u00e3o Internacional. \u201cSe n\u00e3o forem feitos os investimentos necess\u00e1rios em nossos ecossistemas de \u00e1gua doce, ser\u00e1 tarde demais. N\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel voltar atr\u00e1s nem mudar de ideia.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o Parque Nacional do Grand Canyon foi inaugurado h\u00e1 um s\u00e9culo, o rio Colorado<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":143917,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/rio.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quando o Parque Nacional do Grand Canyon foi inaugurado h\u00e1 um s\u00e9culo, o rio Colorado","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143916"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143916"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":143920,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143916\/revisions\/143920"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/143917"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}