{"id":14379,"date":"2015-01-18T17:49:31","date_gmt":"2015-01-18T17:49:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=14379"},"modified":"2015-01-18T17:49:31","modified_gmt":"2015-01-18T17:49:31","slug":"a-resiliencia-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-resiliencia-ambiental\/","title":{"rendered":"A resili\u00eancia ambiental"},"content":{"rendered":"<p><strong>Roberto Naime*<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/floresta_250.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-97818\" src=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/floresta_250.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"168\" \/><\/a>Os ecossistemas naturais tornam-se degradados quando perdem sua capacidade de recupera\u00e7\u00e3o natural ap\u00f3s dist\u00farbio ou seja, perdem sua resili\u00eancia. Para entender de uma forma simples o que \u00e9 resili\u00eancia vamos imaginar uma borrachinha de banco, destas de guardar dinheiro. Enquanto tu n\u00e3o rebenta a borrachinha, a gente puxa a borrachinha, ela cede bastante porque \u00e9 el\u00e1stica, mas volta ao normal inicial. At\u00e9 que a gente rebenta a borrachinha. A\u00ed ela n\u00e3o volta mais ao normal, sofre o que se chama ruptura.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 o ecossistema. Enquanto ele n\u00e3o foi totalmente degradado, tem condi\u00e7\u00f5es de se recuperar sozinho, ainda que em muito tempo. Quando o limite de resili\u00eancia ou auto-recupera\u00e7\u00e3o ou limite de elasticidade do sistema ou ponto de ruptura \u00e9 atingido, o ecossistema n\u00e3o se recupera mais sozinho nem em muito tempo, precisa da ajuda antr\u00f3pica.<\/p>\n<p>Dependendo da intensidade do dist\u00farbio, fatores essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o da resili\u00eancia, como banco de pl\u00e2ntulas e de sementes no solo, capacidade de rebrota das esp\u00e9cies, chuvas de sementes e outros, podem ser perdidos. Isto dificulta o processo de regenera\u00e7\u00e3o natural que se torna ainda mais lento.<\/p>\n<p>As florestas ciliares, denomina\u00e7\u00e3o das matas-galeria que protegem os cursos de \u00e1gua contra a a\u00e7\u00e3o da eros\u00e3o e mant\u00e9m o equil\u00edbrio dos sistemas de din\u00e2mica fluvial s\u00e3o muito suscet\u00edveis a perda de resili\u00eancia.<\/p>\n<p>Uma floresta ciliar est\u00e1 sujeita a dist\u00farbios naturais como queda de \u00e1rvores, deslizamentos de terra, raios, etc. Isto tudo resulta na abertura de clareiras, ou seja, abertura de dossel que s\u00e3o cicatrizados atrav\u00e9s da coloniza\u00e7\u00e3o por esp\u00e9cies pioneiras, seguidas por esp\u00e9cies secund\u00e1rias, at\u00e9 atingir naturalmente o est\u00e1gio de esp\u00e9cies clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Dist\u00farbios provocados por atividades humanas tem na maioria das vezes, maior intensidade e causam maior impacto ambiental negativo do que fen\u00f4menos naturais. Isto compromete muito o equil\u00edbrio das florestas de matas ciliares.<\/p>\n<p>As principais causas de degrada\u00e7\u00e3o das matas ciliares s\u00e3o o desmatamento indiscriminado para extens\u00e3o da \u00e1rea cultivada nas propriedades rurais, o desmatamento para expans\u00e3o das \u00e1reas urbanas e para obten\u00e7\u00e3o de madeira, os inc\u00eandios, a extra\u00e7\u00e3o de areia nos rios, os empreendimentos tur\u00edsticos mal planejados, etc.<\/p>\n<p>Em muitas \u00e1reas ciliares, o processo de degrada\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 antigo, tendo iniciado com o desmatamento para transforma\u00e7\u00e3o da \u00e1rea em campo de cultivo ou pastagem. Com o passar do tempo e dependendo da intensidade do uso, a degrada\u00e7\u00e3o pode ser agravada atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o da fertilidade do solo pela exporta\u00e7\u00e3o de nutrientes pelas culturas, ou pela pr\u00e1tica de queima de restos vegetais e de pastagens, na compacta\u00e7\u00e3o e eros\u00e3o dos solos pelo pisoteio de gado e tr\u00e2nsito de m\u00e1quinas agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>O conhecimento dos aspectos hidrol\u00f3gicos da \u00e1rea \u00e9 muito importante para a recupera\u00e7\u00e3o das matas ciliares. Os solapamentos de encostas e assoreamentos dos cursos de \u00e1gua, produzem enchentes e fazem com que a \u00e1gua penetre em solos ressecados de cotas topogr\u00e1ficas mais elevadas e diminuem a quantidade de \u00e1gua nos cursos de \u00e1gua.<\/p>\n<p>A menor unidade de estudo a geralmente adotada em estudos ambientais \u00e9 a microbacia hidrogr\u00e1fica, definida como aquela cuja \u00e1rea \u00e9 t\u00e3o pequena que a sensibilidade a chuvas de alta intensidade e \u00e0s diferen\u00e7as de uso dos solos, n\u00e3o s\u00e3o suprimidas pelas caracter\u00edsticas das redes de drenagem (que nada mais s\u00e3o do que os pontos de eleva\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica mais baixos, por onde escoam as \u00e1guas).<\/p>\n<p>Em n\u00edvel de microbacias hidrogr\u00e1ficas \u00e9 poss\u00edvel identificar a extens\u00e3o das \u00e1reas que s\u00e3o inundadas periodicamente pelo regime de cheias dos rios e a dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito importantes na sele\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies vegetais a serem usadas na recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas degradadas, pois algumas esp\u00e9cies de plantas n\u00e3o se adaptam a solos encharcados e outras s\u00f3 sobrevivem nestas condi\u00e7\u00f5es. As esp\u00e9cies vegetais, juntamente com clima e outros fatores ser\u00e3o determinantes do tipo de recupera\u00e7\u00e3o a ser obtida e da melhoria da qualidade ambiental e qualidade de vida das popula\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>*\u00a0Roberto Naime, colunista do Portal EcoDebate, \u00e9 Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: EcoDebate<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberto Naime* Os ecossistemas naturais tornam-se degradados quando perdem sua capacidade de recupera\u00e7\u00e3o natural ap\u00f3s<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Roberto Naime* Os ecossistemas naturais tornam-se degradados quando perdem sua capacidade de recupera\u00e7\u00e3o natural ap\u00f3s","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14379"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14379\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}