{"id":143674,"date":"2021-03-27T12:38:04","date_gmt":"2021-03-27T15:38:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=143674"},"modified":"2021-03-27T12:38:04","modified_gmt":"2021-03-27T15:38:04","slug":"guardioes-do-meio-ambiente-moradores-se-unem-para-salvar-ribeirao-de-sobradinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/guardioes-do-meio-ambiente-moradores-se-unem-para-salvar-ribeirao-de-sobradinho\/","title":{"rendered":"Guardi\u00f5es do Meio Ambiente: moradores se unem para salvar Ribeir\u00e3o de Sobradinho"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/preservacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-143675\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/preservacao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/preservacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/preservacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nesta semana foi comemorado o Dia Mundial da \u00c1gua. Mas h\u00e1 pouco a ser festejado. Pelo menos essa \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o do coordenador do movimento SOS Ribeir\u00e3o e mestre em planejamento e gest\u00e3o do meio ambiente, Raimundo Pereira Barbosa, 66 anos. \u201cA gente precisa de \u00e1gua boa para consumo, mas n\u00e3o cuidamos dos nossos recursos h\u00eddricos. Infelizmente, no Dia Mundial da \u00c1gua, n\u00e3o h\u00e1 o que se comemorar\u201d, diz. Quando Raimundo olha para o Ribeir\u00e3o de Sobradinho, logo se lembra de 56 anos atr\u00e1s. \u201cO Ribeir\u00e3o era a divers\u00e3o da molecada, eu e tr\u00eas irm\u00e3os tom\u00e1vamos banho pelo menos duas vezes por semana no rio. E mesmo depois de adultos, o Ribeir\u00e3o sempre foi um ponto de encontro. Mas hoje, a \u00e1gua dele n\u00e3o pode ser usada sequer para plantio\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Das mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia, Raimundo partiu para a a\u00e7\u00e3o. Ele dedicou o mestrado ao estudo ambiental da cidade e, no fim de 2010, come\u00e7ou o projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o do Ribeir\u00e3o. \u201cUma das recomenda\u00e7\u00f5es da pesquisa que fiz de avalia\u00e7\u00e3o de riscos ambientais era revitalizar o rio. Ele vem sendo muito polu\u00eddo nos \u00faltimos trinta anos. Deixou de ser um ponto de lazer e se tornou morto em v\u00e1rios trechos. H\u00e1 locais do rio em que n\u00e3o h\u00e1 vida, por isso lutamos, ao menos, para que ele n\u00e3o desapare\u00e7a e possa se recuperar\u201d, conta. O Ribeir\u00e3o de Sobradinho \u00e9 um importante rio do Distrito Federal, que possui um percurso de 8km dentro da \u00e1rea urbana e 20km na \u00e1rea rural. Depois do trajeto de quase 30km, o Ribeir\u00e3o des\u00e1gua no Rio S\u00e3o Bartolomeu.<\/p>\n<p>Raimundo tem uma rede de apoio para lutar pelo Ribeir\u00e3o. \u201cA gente trabalha em uni\u00e3o para revitalizar o rio. Contamos com a comunidade, que realiza den\u00fancias sobre descarte de lixo e esgoto. \u00c9 um servi\u00e7o totalmente volunt\u00e1rio, pois n\u00e3o conseguimos ajuda financeira do governo. \u00c9 uma causa que tomamos para n\u00f3s, porque queremos deixar para as futuras gera\u00e7\u00f5es \u00e1gua limpa e um rio vivo. A cidade de Sobradinho, por exemplo, tem esse nome devido ao Ribeir\u00e3o. Isso \u00e9 parte de n\u00f3s\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Os desafios enfrentados por essa equipe, contudo, s\u00e3o diversos. \u201cMuitas nascentes desapareceram depois de condom\u00ednios que foram constru\u00eddos na cidade. A alimenta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do Ribeir\u00e3o est\u00e1 diminuindo, o risco \u00e9 que ele desapare\u00e7a. A preocupa\u00e7\u00e3o que a gente tem \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 iniciativa do governo para lutar por essa causa.\u201d<\/p>\n<p><strong>Uni\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Sobradinho \u00e9 lar de diversos movimentos em defesa da ecologia. Foi na regi\u00e3o que nasceu o grupo Guardi\u00f5es do Meio Ambiente que, inicialmente, de forma t\u00edmida, reuniu 5 volunt\u00e1rios, mas hoje conta com 11 guardi\u00f5es sempre presentes nos movimentos. A uni\u00e3o dos diversos projetos, como o de reciclagem de pneus realizado por Nelson Rodrigues (Nels\u00e3o Ambiental) ou o RRP (Revitaliza, Recicla e Preserva) Moura, contribuiu para o surgimento de uma equipe que luta pela natureza. Os guardi\u00f5es contam com o apoio da comunidade que, inclusive, deu nome ao grupo. Nelson, 45 anos, por exemplo, j\u00e1 realizava projetos com reciclagem quando assistiu a uma reportagem sobre a revitaliza\u00e7\u00e3o do Ribeir\u00e3o e se interessou em fazer parte desse outro movimento. \u201cS\u00e3o v\u00e1rios trabalhos que a gente realiza. Buscamos doa\u00e7\u00f5es como areia, materiais de ro\u00e7agem e, muitas vezes, tiramos dinheiro do pr\u00f3prio bolso tamb\u00e9m, \u00e9 uma luta di\u00e1ria, mas a gente n\u00e3o desiste\u201d, assegura.<\/p>\n<p>Nelson reconhece que a mudan\u00e7a \u00e9 lenta, mas frisa que a iniciativa \u00e9 importante para salvar o que restou do rio. O idealizador do projeto RRP Moura, Antonio Moura, 55, relata as transforma\u00e7\u00f5es que o lugar j\u00e1 sofreu com os mais de 11 anos de movimento. \u201cOnde fiz o RRP Moura era uma \u00e1rea imensa de descarte de lixo. Eu comecei a limpar e plantar nesse local, e outros moradores come\u00e7aram a ajudar. Com o tempo, as \u00e1rvores foram crescendo e surgindo sementes. A minha inten\u00e7\u00e3o era fazer um pequeno parque aqui pr\u00f3ximo ao Ribeir\u00e3o, justamente para tratar de educa\u00e7\u00e3o ambiental. Por\u00e9m o projeto que come\u00e7ou em 2009 cresceu e agora todos n\u00f3s, guardi\u00f5es, unimos for\u00e7as pelo rio e ajudamos o projeto que cada um j\u00e1 realizava isoladamente\u201d, explica.<\/p>\n<p>Os onze guardi\u00f5es se dividem em diversas fun\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o dos projetos, principalmente do SOS Ribeir\u00e3o, e de arrecada\u00e7\u00e3o de materiais, al\u00e9m de, nos fins de semana, trabalharem duro para limpar, cuidar e plantar mais \u00e1rvores na mata ciliar \u2014 fundamental para a sa\u00fade de qualquer nascente e percurso de \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cNossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer com que a comunidade veja o meio ambiente com outros olhos e comece a cobrar do poder p\u00fablico mais a\u00e7\u00f5es. A gente faz tudo aqui, temos as estufas e o tempo certo de planta\u00e7\u00e3o das mudas no per\u00edodo de chuvas. Inclusive, j\u00e1 houve ocasi\u00f5es em que, devido \u00e0 seca, fomos pessoalmente irrigar as mudas plantadas em alguns locais at\u00e9 que a chuva come\u00e7asse e as \u00e1rvores conseguissem sobreviver sozinhas\u201d, lembra Moura.<\/p>\n<p><strong>Novas gera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>O projeto n\u00e3o se restringe a adultos. Alunos do ensino fundamental 1 da Escola Classe 5 de Sobradinho 1 colocam a m\u00e3o na massa para ajudar a revitalizar o Ribeir\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o na escola come\u00e7ou em 2016, por iniciativa do professor de matem\u00e1tica Heron de Sena Filho, 58. \u201cEu moro na cidade desde 1970, o rio faz parte da minha hist\u00f3ria. E quando comecei a fazer o mestrado em educa\u00e7\u00e3o ambiental na UnB (Universidade de Bras\u00edlia), quis fazer uma pesquisa vinculada a uma escola que n\u00e3o realizasse esse tipo de servi\u00e7o. Ent\u00e3o, eu conversei com os professores, dire\u00e7\u00e3o e comunidade para explicar do que se tratava a pesquisa\u201d, detalha.<\/p>\n<p>Depois da aprova\u00e7\u00e3o da escola, a educa\u00e7\u00e3o ambiental foi inserida no curr\u00edculo de ensino. \u201cN\u00f3s fazemos um projeto de conscientiza\u00e7\u00e3o desses alunos, pegamos essa idade deles, ainda novos, para entenderem a import\u00e2ncia da ecologia e do meio ambiente. Porque todas essas a\u00e7\u00f5es de degrada\u00e7\u00e3o causam, al\u00e9m da morte do rio, a perda de biodiversidade, danos \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o nativa e eros\u00f5es\u201d, salienta. O professor defende que o ser humano precisa se responsabilizar pelos danos \u00e0 natureza: \u201cA humanidade degradou e destruiu, ent\u00e3o a humanidade tem que recuperar. \u00c9 uma responsabilidade de todos\u201d.<\/p>\n<p>O projeto desenvolvido na escola trabalha a reciclagem, a consci\u00eancia e a interdisciplinaridade dos alunos. \u201cPrimeiro, reciclamos caixas de leite para a planta\u00e7\u00e3o das mudas. Pegamos todo o material org\u00e2nico que era jogado fora nas escolas, como cascas de legumes, frutas, verduras, restos de comida e armazenamos em um tambor. Depois, levamos esses res\u00edduos para um composteira. Ap\u00f3s seis meses j\u00e1 temos adubo org\u00e2nico pronto para uso. Isso \u00e9 importante justamente para as crian\u00e7as perceberam que n\u00e3o existe apenas o adubo qu\u00edmico\u201d, conta. \u201cE tamb\u00e9m a \u00e1gua que utilizamos para regar as mudas \u00e9 reaproveitada. Por meio de um sistema de coleta no bebedouro das escolas, direcionamos toda a \u00e1gua que a crian\u00e7a n\u00e3o consegue beber, e acaba derramando, para uma caixa de \u00e1gua. De l\u00e1, usamos essa \u00e1gua coletada para regar as \u00e1rvores\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Depois do processo de reciclagem, adubo org\u00e2nico e reaproveitamento da \u00e1gua, as crian\u00e7as ajudam a plantar as mudas nas margens do Ribeir\u00e3o. \u201cElas entendem que esse \u00e9 o processo para conseguir fazer ressurgir \u00e1gua no rio. Os estudantes plantam as sementes de diversas \u00e1rvores e, juntos, reflorestamos o curso de \u00e1gua. Somente a Classe 5, nesse servi\u00e7o que come\u00e7ou em 2016, conseguiu, em m\u00e9dia, plantar mil mudas por ano\u201d, celebra.<\/p>\n<p>O benef\u00edcio, no entanto, n\u00e3o fica restrito ao meio ambiente. A educa\u00e7\u00e3o dos alunos da escola tamb\u00e9m \u00e9 favorecida. \u201cCom o trabalho de educa\u00e7\u00e3o ambiental, fazemos uma interdisciplinaridade com todas as mat\u00e9rias: geografia, hist\u00f3ria, l\u00edngua portuguesa e matem\u00e1tica, por exemplo. A escola incorporou esses elementos pedag\u00f3gicos para o processo de compreens\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o dos alunos, e isso enriqueceu o ensino e transformou a Classe 5. Hoje, outras escolas querem implementar o mesmo projeto de educa\u00e7\u00e3o ambiental, que s\u00f3 foi atrasado devido \u00e0 pandemia. Sabemos que educar os novos \u00e9 fundamental para mudar o pensamento atual da sociedade\u201d, arremata Heron.<\/p>\n<p><strong>Conhe\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Saiba quem s\u00e3o os guardi\u00f5es que lutam pelo Ribeir\u00e3o de Sobradinho:<\/p>\n<p>\u2022 Ilton Correia (Jamaika Ambiental)<br \/>\n\u2022 Nelson Rodrigues (Nels\u00e3o Ambiental)<br \/>\n\u2022 Antonio Moura<br \/>\n\u2022 Giovanna Lira<br \/>\n\u2022 Cleonice Feitosa<br \/>\n\u2022 Ricardo Gon\u00e7alves<br \/>\n\u2022 Ros\u00e2ngela Marques<br \/>\n\u2022 Thiago Alencar<br \/>\n\u2022 Tarc\u00edsio P\u00e1dua<br \/>\n\u2022 Heron de Sena Filho<br \/>\n\u2022 Raimundo Pereira<\/p>\n<p><strong>Como ajudar<\/strong><\/p>\n<p>\u2022 \u00c9 poss\u00edvel entrar em contato com Nelson Rodrigues pelo (61) 9.9329-6396 ou com Antonio Moura pelo (61) 9.9803-8751<\/p>\n<p>\u2022 As doa\u00e7\u00f5es podem ser feitas em materiais como picaretas, p\u00e1s, rastelos e servi\u00e7o volunt\u00e1rio, por exemplo, e tamb\u00e9m em valores doados pela Caixa Econ\u00f4mica:<\/p>\n<p>Ag\u00eancia: 0972<\/p>\n<p>Conta Poupan\u00e7a: 059094-8<\/p>\n<p>Titular: Antonio Moura e Vasconcelos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta semana foi comemorado o Dia Mundial da \u00c1gua. 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