{"id":143633,"date":"2021-03-26T09:51:54","date_gmt":"2021-03-26T12:51:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=143633"},"modified":"2021-03-26T09:54:21","modified_gmt":"2021-03-26T12:54:21","slug":"aglomerado-de-estrelas-destruido-revela-indicios-de-materia-escura-na-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aglomerado-de-estrelas-destruido-revela-indicios-de-materia-escura-na-via-lactea\/","title":{"rendered":"Aglomerado de estrelas destru\u00eddo revela ind\u00edcios de mat\u00e9ria escura na Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-143634\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um conjunto de nuvens de\u00a0<a href=\"https:\/\/canaltech.com.br\/espaco\/o-que-e-materia-escura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mat\u00e9ria escura\u00a0<\/a>parece estar destruindo o aglomerado de estrelas mais pr\u00f3ximo do Sol. De acordo com um estudo liderado por Tereza Jerabkova, da ag\u00eancia espacial europeia ESA, as estrelas do H\u00edades, um aglomerado aberto localizado na constela\u00e7\u00e3o de Touro, est\u00e3o se afastando de modo violento, provavelmente gra\u00e7as \u00e0 intera\u00e7\u00e3o com uma poss\u00edvel nuvem de 10 milh\u00f5es de massas solares.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser o aglomerado de estrelas mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s, localizado a pouco mais de 153 anos-luz de dist\u00e2ncia, o H\u00edades \u00e9 grande. Se observarmos o punhado de estrelas brilhantes que define a face da constela\u00e7\u00e3o de Touro, em formato de V, estaremos olhando para v\u00e1rias de estrelas que comp\u00f5em esse grupo (exceto a estrela Aldebaran, que est\u00e1 sobreposta \u00e0 H\u00edades, por\u00e9m fica bem mais pr\u00f3xima de n\u00f3s). O aglomerado tem aproximadamente 60 anos-luz de di\u00e2metro, enquanto o grupo central tem 10 anos-luz de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ver as estrelas principais a olho nu, mas com telesc\u00f3pios os astr\u00f4nomos encontram cerca de cem estrelas mais fracas contidas em uma regi\u00e3o esf\u00e9rica do espa\u00e7o. \u00c9 natural que um aglomerado como este perca suas estrelas naturalmente, devido \u00e0 soma do pr\u00f3prio movimento delas e da intera\u00e7\u00e3o gravitacional com a gal\u00e1xia. Entretanto, a equipe de Jerabkova encontrou evid\u00eancias de uma intera\u00e7\u00e3o com algo muito mais massivo \u2014 e invis\u00edvel.<\/p>\n<p>Com a ajuda do observat\u00f3rio espacial Gaia, da ESA, capaz de medir com precis\u00e3o a dist\u00e2ncia e o movimento de mais de um bilh\u00e3o de estrelas na Via L\u00e1ctea, os pesquisadores rastrearam as caudas de mar\u00e9 do aglomerado, ou seja, as \u201ctrilhas\u201d de estrelas que se formam quando um aglomerado come\u00e7a a ser varrido pela atra\u00e7\u00e3o gravitacional da gal\u00e1xia. S\u00e3o duas caudas, uma cauda seguindo o aglomerado e a outra \u00e0 frente dele. Outros pesquisadores tentaram fazer o mesmo anteriormente, mas havia um problema: eles s\u00f3 procuraram por estrelas que correspondem de perto ao movimento do aglomerado, deixando de lado estrelas que deixaram o aglomerado h\u00e1 600-700 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>A equipe do novo estudo decidiu observar todo esse conjunto de estrelas e simular o movimento de cada uma em retrocesso, mas para isso era necess\u00e1rio descobrir quais estrelas fizeram parte do H\u00edades no passado. Isso \u00e9 poss\u00edvel desde que se conhe\u00e7a a \u00f3rbita dos objetos, o que se torna relativamente f\u00e1cil com o aux\u00edlio de instrumentos como o Gaia. Os pesquisadores tamb\u00e9m contaram com um modelo de computador que simularia as v\u00e1rias perturba\u00e7\u00f5es que as estrelas poderiam experimentar ao longo de todo o intervalo de tempo contemplado pelo estudo.<\/p>\n<p>Ao comparar os resultados das simula\u00e7\u00f5es de movimentos das estrelas ao longo das centenas de milh\u00f5es de anos com os dados reais das caudas de mar\u00e9s do H\u00edades, a equipe conseguiu encontrar milhares de estrelas que j\u00e1 fizeram parte do aglomerado, todas presentes nos dados do Gaia. Ent\u00e3o, eles notaram que muitas delas hoje se estendem por milhares de anos-luz atrav\u00e9s da gal\u00e1xia em duas enormes caudas de mar\u00e9, o que por si j\u00e1 \u00e9 um tanto curioso. Mas a maior surpresa foi notar que a cauda parecia ter estrelas faltando. O que poderia ter desmembrado o aglomerado t\u00e3o brutalmente?<\/p>\n<p>Tereza e sua equipe ent\u00e3o fizeram outra simula\u00e7\u00e3o para saber qual tipo de intera\u00e7\u00e3o poderia ser reproduzida para chegar a esse mesmo resultado, e descobriram que a cauda perderia estrelas dessa forma se colidisse com uma nuvem de mat\u00e9ria contendo cerca de 10 milh\u00f5es de massas solares. Bem, n\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de nuvens de g\u00e1s t\u00e3o massivas, ou qualquer outra estrutura gigantesca nessa regi\u00e3o, ent\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel \u00e9 considerar estruturas invis\u00edveis. E \u00e9 a\u00ed que entra a explica\u00e7\u00e3o com a presen\u00e7a de mat\u00e9ria escura. Especificamente, os pesquisadores sugerem que se trate de um subhalo, ou seja, aglomerados de mat\u00e9ria escura.<\/p>\n<p>De acordo com algumas hip\u00f3teses, essas nuvens de mat\u00e9ria escura ajudaram a moldar as gal\u00e1xias durante suas forma\u00e7\u00f5es. Se o H\u00edades foi de fato parcialmente destru\u00eddo por um subhalo de mat\u00e9ria escura, os astr\u00f4nomos t\u00eam agora uma \u00f3tima oportunidade de mapear essas estruturas invis\u00edveis na Via L\u00e1ctea com maior precis\u00e3o. Ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar do que \u00e9 feita a mat\u00e9ria escura, mas os pesquisadores podem inferir onde ela est\u00e1 justamente atrav\u00e9s de intera\u00e7\u00f5es gravitacionais como esta, encontrada no aglomerado H\u00edades. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 realizar estudos semelhantes em aglomerados mais distantes.<\/p>\n<div class=\"video-wrapper\">\n<div class=\"youtube-lazy\" data-embed=\"ra3LupQjTYM\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um conjunto de nuvens de\u00a0mat\u00e9ria escura\u00a0parece estar destruindo o aglomerado de estrelas mais pr\u00f3ximo do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":143634,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/estrela.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um conjunto de nuvens de\u00a0mat\u00e9ria escura\u00a0parece estar destruindo o aglomerado de estrelas mais pr\u00f3ximo do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143633"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143633"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143633\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":143637,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143633\/revisions\/143637"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/143634"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}