{"id":143564,"date":"2021-03-24T13:00:10","date_gmt":"2021-03-24T16:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=143564"},"modified":"2021-03-24T10:52:28","modified_gmt":"2021-03-24T13:52:28","slug":"mecanismo-que-controla-a-pressao-arterial-no-lagarto-teiu-e-mais-eficiente-no-frio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mecanismo-que-controla-a-pressao-arterial-no-lagarto-teiu-e-mais-eficiente-no-frio\/","title":{"rendered":"Mecanismo que controla a press\u00e3o arterial no lagarto tei\u00fa \u00e9 mais eficiente no frio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-143565\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O mecanismo respons\u00e1vel por manter a press\u00e3o arterial est\u00e1vel em lagartos tei\u00fas (<i>Salvator merianae<\/i>), mesmo sob a grande varia\u00e7\u00e3o de temperatura corp\u00f3rea, \u00e9 mais eficiente no frio do que no calor, ao contr\u00e1rio do que se pensava. A conclus\u00e3o foi\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0242346\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicada<\/a><\/strong>\u00a0em artigo na revista\u00a0<i>PLOS ONE<\/i>\u00a0por pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) apoiados pela FAPESP.<\/p>\n<p>O resultado abre caminho para novos estudos sobre a fisiologia dos animais ectot\u00e9rmicos, que dependem da temperatura externa para regular a pr\u00f3pria. Pode, ainda, trazer novas aplica\u00e7\u00f5es para o m\u00e9todo usado no estudo.<\/p>\n<p>\u201cTodo mundo j\u00e1 deve ter sentido uma tontura quando se levanta muito r\u00e1pido da cama. O barorreflexo \u00e9 o mecanismo que, nesse caso, compensa essa mudan\u00e7a brusca de press\u00e3o arterial. Neste movimento, o sangue da parte inferior do corpo, que antes estava circulando na mesma altura do cora\u00e7\u00e3o, enquanto a pessoa estava deitada, passa a ter que fluir contra a gravidade quando esta pessoa se levanta. Esse tipo de reflexo ocorre em todos os vertebrados e sofre efeito da temperatura. Acreditava-se que o aumento de metabolismo com temperaturas mais altas aumentaria a efici\u00eancia do mecanismo, o que n\u00e3o foi observado\u201d, explica\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/692222\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renato Filogonio<\/a><\/strong>, primeiro autor do artigo e bolsista de\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/171402\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">p\u00f3s-doutorado<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP no Departamento de Ci\u00eancias Fisiol\u00f3gicas do Centro de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e da Sa\u00fade (CCBS) da UFSCar.<\/p>\n<p>O trabalho integra um\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/100753\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">projeto<\/a><\/strong>\u00a0financiado pela Funda\u00e7\u00e3o e coordenado por\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/78288\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cl\u00e9o Alcantara Costa Leite<\/a><\/strong>, professor no CCBS-UFSCar. \u201cO barorreflexo \u00e9 um mecanismo importante para manter est\u00e1vel a press\u00e3o no in\u00edcio do circuito do sistema circulat\u00f3rio. Essa press\u00e3o tem de estar alta no come\u00e7o e baixa no final do sistema, porque a diferen\u00e7a na press\u00e3o \u00e9 que gera o fluxo sangu\u00edneo. E sem fluxo n\u00e3o h\u00e1 perfus\u00e3o, que \u00e9 a passagem de sangue nos tecidos. O barorreflexo \u00e9 um mecanismo de ajuste, um reflexo gerado pelo sistema nervoso aut\u00f4nomo de todos os vertebrados para manter a homeostase do sistema cardiovascular\u201d, diz Leite, coordenador do estudo.<\/p>\n<p><b>Livre de f\u00e1rmacos<\/b><\/p>\n<p>Os trabalhos publicados at\u00e9 ent\u00e3o mostravam que, quanto mais alta a temperatura corp\u00f3rea, mais eficiente era o barorreflexo em r\u00e9pteis e anf\u00edbios. No entanto, nesses estudos, as medi\u00e7\u00f5es de altera\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancia card\u00edaca foram feitas ap\u00f3s o uso de f\u00e1rmacos que for\u00e7am a press\u00e3o arterial dos animais para mais ou para menos. No trabalho atual, os animais foram avaliados sem o estresse da manipula\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os estudos anteriores davam \u00eanfase apenas no chamado ramo card\u00edaco do barorreflexo, que \u00e9 aquele que o m\u00e9todo farmacol\u00f3gico permite medir. Os pesquisadores de S\u00e3o Carlos analisaram o chamado ramo vascular do barorreflexo. O objetivo era verificar se ele realizava alguma compensa\u00e7\u00e3o que pudesse ajudar o ramo card\u00edaco a manter a homeostase do sistema cardiovascular, mesmo numa baixa temperatura.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 contraintuitivo pensar que o ramo card\u00edaco do barorreflexo \u00e9 menos eficiente em baixas temperaturas, uma vez que nessa condi\u00e7\u00e3o os animais reduzem a frequ\u00eancia card\u00edaca e, consequentemente, a quantidade de eventos para regula\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial. Nessa situa\u00e7\u00e3o, em teoria, o ramo card\u00edaco deveria ser mais eficiente, e n\u00e3o menos. Portanto, pensamos que poderia haver outros mecanismos, al\u00e9m do ramo card\u00edaco, que pudessem auxiliar nesta regula\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial quando os animais estivessem em temperaturas mais frias. Escolhemos, ent\u00e3o, investigar o ramo vascular do barorreflexo, que \u00e9 relativamente pouco avaliado em pesquisas dessa natureza\u201d, afirma Filogonio.<\/p>\n<p>Para obter as medidas de press\u00e3o arterial diast\u00f3lica e sist\u00f3lica, frequ\u00eancia card\u00edaca e pulsa\u00e7\u00e3o, foram implantados cateteres em 11 tei\u00fas, nos quais foram conectados aparelhos que faziam as medi\u00e7\u00f5es em tempo real. As medidas foram tomadas em tr\u00eas temperaturas: 15<sup>o<\/sup>\u00a0C, que o animal vivencia durante a noite; 35<sup>o<\/sup>\u00a0C, temperatura de prefer\u00eancia para as atividades do dia a dia; e 25<sup>o<\/sup>\u00a0C, n\u00famero intermedi\u00e1rio entre os dois extremos.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados mostraram que, na pr\u00e1tica, o barorreflexo age de forma mais eficiente quando a temperatura est\u00e1 se reduzindo, que \u00e9 o oposto do que se imaginava. Quando a temperatura est\u00e1 mais baixa, o animal trabalha com menor frequ\u00eancia card\u00edaca e, assim, as compensa\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem depender apenas deste ramo regulat\u00f3rio. E \u00e9 isso o que acontece nesse caso. O mecanismo tem maior efici\u00eancia e esta tamb\u00e9m depende de ajustes vasculares\u201d, afirma Leite.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um bom ponto de partida para estudos que contemplem o ramo vascular do sistema barorreflexo, seja em estudos de fisiologia comparativa ou de aspectos evolutivos desse grupo. E mesmo na \u00e1rea m\u00e9dica, uma vez que \u00e9 um m\u00e9todo f\u00e1cil de ser implementado em outros animais\u201d, conclui Filogonio.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Baroreflex gain and time of pressure decay at different body temperatures in the tegu lizard, Salvator merianae<\/i>, de Renato Filogonio, Karina F. Orsolini, Gustavo M. Oda, Hans Malte e Cl\u00e9o A. C. Leite, pode ser lido em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0242346\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0242346<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mecanismo respons\u00e1vel por manter a press\u00e3o arterial est\u00e1vel em lagartos tei\u00fas (Salvator merianae), mesmo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":143565,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/largato.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O mecanismo respons\u00e1vel por manter a press\u00e3o arterial est\u00e1vel em lagartos tei\u00fas (Salvator merianae), mesmo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143564"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143564"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143564\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":143567,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143564\/revisions\/143567"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/143565"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}