{"id":143428,"date":"2021-03-21T20:47:09","date_gmt":"2021-03-21T23:47:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=143428"},"modified":"2021-03-21T20:47:09","modified_gmt":"2021-03-21T23:47:09","slug":"corrida-contra-o-relogio-e-preciso-semear-agua-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/corrida-contra-o-relogio-e-preciso-semear-agua-agora\/","title":{"rendered":"Corrida contra o rel\u00f3gio: \u00e9 preciso semear \u00e1gua agora"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/%C3%A1gua-2.png\" width=\"640\" height=\"256\" \/><\/p>\n<p>\u201cLavar as m\u00e3os com \u00e1gua e sab\u00e3o\u201d. Com certeza voc\u00ea ouviu essa frase como uma das medidas mais importantes no combate \u00e0 Covid-19. Isso pode ser simples, claro, mas para quem tem \u00e1gua dispon\u00edvel. Uma realidade que n\u00e3o \u00e9 a de todos n\u00f3s, infelizmente. De acordo com dados do IBGE, 16% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, 31 milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 \u00e1gua fornecida por meio da rede de abastecimento. Ou seja, para elas, n\u00e3o existe abrir a torneira e lavar as m\u00e3os com \u00e1gua limpa.<\/p>\n<p>Quando o problema n\u00e3o est\u00e1 no tratamento e no fornecimento, est\u00e1 na produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e qualidade da \u00e1gua dos rios. A cada ano, o Brasil tem sofrido cada vez mais com a escassez de \u00e1gua, de suas nascentes aos reservat\u00f3rios. Mudan\u00e7as do clima e desmatamento de \u00e1reas florestais, em ritmo crescente no Pa\u00eds, s\u00e3o as principais raz\u00f5es. Seja na Amaz\u00f4nia, com nossos \u201crios voadores\u201d \u2013 termo criado pelo pesquisador Ant\u00f4nio Nobre para demonstrar como a floresta amaz\u00f4nica ajuda a levar chuva para v\u00e1rias partes do Brasil e regular o clima \u2013 seja no Cerrado ou na Mata Atl\u00e2ntica, com suas nascentes que, de um fiozinho d\u2019\u00e1gua, d\u00e3o origem a rios que matam a sede na floresta e nas cidades.<\/p>\n<p>Como educadora ambiental, atuando em cidades do Sistema Cantareira de abastecimento, a \u00e1gua \u00e9 o tema que permeia todas as minhas conversas junto com os mais diferentes p\u00fablicos com os quais eu tenho contato. De professores a produtores rurais, todos j\u00e1 enxergam como o recurso tem se tornado precioso em nossas vidas. Mas no decorrer de mais de 10 anos atuando com o tema, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel perceber que as medidas de uso consciente que aprendemos e ensinamos n\u00e3o s\u00e3o mais suficientes para garantir o \u201cuso sustent\u00e1vel\u201d desse recurso. Se antes pens\u00e1vamos em proteger florestas para as futuras gera\u00e7\u00f5es, isso n\u00e3o vale mais. Precisamos proteger e semear novas florestas n\u00e3o apenas para as gera\u00e7\u00f5es futuras, como costuma-se dizer, mas para a nossa gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vivemos um momento em que \u00e9 preciso (re)pensar de forma sist\u00eamica sobre a \u00e1gua. Afinal, sem ela n\u00e3o h\u00e1 vida e os nossos h\u00e1bitos e meios de produ\u00e7\u00e3o t\u00eam impactos gigantescos no ambiente onde a \u00e1gua \u00e9 produzida. Para al\u00e9m de cobrarmos pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes e a\u00e7\u00f5es que consigam levar \u00e1gua a todos os brasileiros, bem como ficar atentos sempre \u00e0 responsabilidade das empresas detentoras do direito de uso desse recurso, precisamos repensar a \u00e1gua tamb\u00e9m l\u00e1 onde ela tem origem, na floresta.<\/p>\n<p>A \u00e1gua n\u00e3o nasce na torneira. Para chegar at\u00e9 as cidades, a \u00e1gua faz um longo percurso, desde as nascentes dos rios, nas florestas, onde as \u00e1rvores t\u00eam papel fundamental no seu ciclo. A \u00e1gua da chuva bate primeiro nas folhas das \u00e1rvores chegando ao ch\u00e3o com menos for\u00e7a, evitando o desprendimento de part\u00edculas do solo. A camada de folhas e galhos que cobre o ch\u00e3o dentro das matas age como se fosse uma esponja que ret\u00e9m a chuva, permitindo que ela infiltre aos poucos, guiada pelas ra\u00edzes das \u00e1rvores, at\u00e9 alcan\u00e7ar o len\u00e7ol fre\u00e1tico.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 quem acredite ser necess\u00e1rio derrubar florestas para produzir alimentos e criar rebanhos, mas basta observar a natureza para encontrar solu\u00e7\u00f5es inteligentes que sejam ambientalmente corretas, socialmente justas e economicamente vi\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os sistemas agroflorestais s\u00e3o exemplos de que \u00e9 poss\u00edvel produzir alimentos em meio \u00e0s \u00e1rvores, gerando um equil\u00edbrio do ecossistema muito parecido com o que existe nas florestas nativas. Bom para a conserva\u00e7\u00e3o e fertilidade do solo, a recarga do len\u00e7ol fre\u00e1tico, a diversidade de esp\u00e9cies, a seguran\u00e7a alimentar do agricultor entre outras vantagens. Para os rebanhos existem alternativas como as pastagens ecol\u00f3gicas, que tamb\u00e9m tem \u00e1rvores e o pasto \u00e9 dividido em parcelas. Nesse sistema, os animais se alimentam apenas um dia em cada parcela, enquanto isso, nas outras, o capim cresce, o solo n\u00e3o fica exposto, os carrapatos morrem porque n\u00e3o encontram um hospedeiro e a chuva encontra as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para infiltrar em vez de levar o solo embora com a enxurrada, provocando eros\u00e3o. As \u00e1rvores proporcionam conforto t\u00e9rmico para os animais e tamb\u00e9m contribuem para a oferta de nutrientes para eles e para o solo.<\/p>\n<p>Mas a responsabilidade pela produ\u00e7\u00e3o rural sustent\u00e1vel n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 nas m\u00e3os dos produtores e dos t\u00e9cnicos extensionistas. Quem vive nos centros urbanos tamb\u00e9m precisa contribuir para o uso sustent\u00e1vel e n\u00e3o apenas consciente da \u00e1gua. O acesso \u00e0 \u00e1gua em quantidade e qualidade est\u00e1 relacionado aos nossos h\u00e1bitos de consumo e \u00e0s nossas escolhas no cotidiano e isso n\u00e3o tem a ver s\u00f3 com economia de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Ao comprar alimentos da produ\u00e7\u00e3o local ou bem pr\u00f3xima de onde se vive, estamos contribuindo para fortalecer o trabalho do produtor rural que protege o solo, a \u00e1gua e a biodiversidade, proporcionando qualidade de vida para a fam\u00edlia dele e para a nossa. Isso sem falar das toneladas de gases de efeito estufa que deixar\u00e3o de ser lan\u00e7adas na atmosfera, porque esse alimento n\u00e3o precisou viajar muitos quil\u00f4metros para chegar at\u00e9 a \u00e0 mesa.<\/p>\n<p>Importar-se com quest\u00f5es como \u00e1gua, alimentos e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 fundamental para a necess\u00e1ria transi\u00e7\u00e3o para sociedades mais justas e sustent\u00e1veis. Esses temas precisam estar nas escolas, nas universidades, nas igrejas, no com\u00e9rcio, na ind\u00fastria, em todos os lugares, e n\u00e3o apenas nas datas comemorativas. Precisamos explicar \u00e0s crian\u00e7as (e aos adultos) de onde vem a \u00e1gua, o que \u00e9 poliniza\u00e7\u00e3o, o papel das florestas na nossa sa\u00fade \u2013 e a pandemia \u00e9 um \u00f3timo ponto de partida \u2013 e no nosso bem-estar.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o nosso segundo Dia Mundial da \u00c1gua celebrado enquanto atravessamos (ainda e infelizmente) a pandemia de Covid-19. Se eu pudesse desejar algo para esse dia, como educadora, \u00e9 que cada um de n\u00f3s, ao abrir a torneira e lavar as m\u00e3os com \u00e1gua e sab\u00e3o evitando esta e tantas outras doen\u00e7as, pud\u00e9ssemos nos lembrar como somos privilegiados em poder acessar esse recurso.<\/p>\n<p><i>*Andrea Pupo, coordenadora de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental do Projeto Semeando \u00c1gua, uma iniciativa do IP\u00ca \u2013 Instituto de Pesquisas Ecol\u00f3gicas, que busca contribuir com o aumento da seguran\u00e7a h\u00eddrica do Sistema Cantareira.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cLavar as m\u00e3os com \u00e1gua e sab\u00e3o\u201d. 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