{"id":143310,"date":"2021-03-19T14:00:43","date_gmt":"2021-03-19T17:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=143310"},"modified":"2021-03-19T11:25:23","modified_gmt":"2021-03-19T14:25:23","slug":"peixe-eletrico-da-amazonia-prefere-comer-especies-com-espinhos-e-armadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/peixe-eletrico-da-amazonia-prefere-comer-especies-com-espinhos-e-armadura\/","title":{"rendered":"Peixe-el\u00e9trico da Amaz\u00f4nia prefere comer esp\u00e9cies com espinhos e \u2018armadura\u2019"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-143311\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>T\u00e1ticas de ca\u00e7a permitem que o poraqu\u00ea mantenha a mesma dieta na esta\u00e7\u00e3o das chuvas e na seca<\/p>\n<p>Artigo\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1679-62252020000300202&amp;tlng=en\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0na revista \u201cNeotropical Ichthyology\u201d apresenta o mais robusto trabalho j\u00e1 feito sobre a alimenta\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/descoberto-peixe-amazonico-que-da-choque-de-maior-voltagem-entre-animais\/\">poraqu\u00eas<\/a><\/strong>\u00a0na natureza. A an\u00e1lise do conte\u00fado estomacal de 43\u00a0exemplares da esp\u00e9cie\u00a0<em>Electrophorus varii<\/em> mostrou que o peixe-el\u00e9trico amaz\u00f4nico se alimenta predominantemente de outros peixes, inclusive alguns dos mais dif\u00edceis de engolir. O estudo refuta hip\u00f3teses levantadas anteriormente de que o animal seria um carn\u00edvoro generalista ou mesmo um on\u00edvoro.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi conduzida por pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e da Universidade Federal do Amap\u00e1 (Unifap), no \u00e2mbito do projeto \u201cDiversidade e evolu\u00e7\u00e3o de Gymnotiformes\u201d, financiado pela Fapesp e coordenado por Na\u00e9rcio Menezes, do Museu de Zoologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (MZ-USP).<\/p>\n<p>Realizado em parceria com o Museu Nacional de Hist\u00f3ria Natural, da Smithsonian Institution, nos Estados Unidos, o projeto vem ampliando o conhecimento sobre os peixes-el\u00e9tricos nos \u00faltimos anos. A\u00a0<em>E. varii<\/em>, ali\u00e1s, foi uma das duas novas esp\u00e9cies descritas em 2019 pelo grupo liderado por Carlos David de Santana, pesquisador associado do museu norte-americano (<em>leia mais em:\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/nova-especie-de-peixe-eletrico-emite-a-maior-voltagem-ja-registrada-em-um-animal\/31422\/\"><strong>agencia.fapesp.br\/31422<\/strong><\/a><\/em>).<\/p>\n<h6><strong>Vis\u00e3o ruim<\/strong><\/h6>\n<p>\u201cAinda h\u00e1 poucos estudos sobre a biologia desse peixe, sobretudo a respeito da sua alimenta\u00e7\u00e3o. Os existentes at\u00e9 ent\u00e3o s\u00e3o baseados em observa\u00e7\u00f5es feitas em cativeiro ou reproduzem relatos aned\u00f3ticos\u201d, conta Raimundo Nonato Gomes Mendes J\u00fanior, analista ambiental do ICMBio e primeiro autor do trabalho.<\/p>\n<p>No estudo, os pesquisadores encontraram peixes em 96,6% dos est\u00f4magos analisados, sobretudo bagres, como o tamuat\u00e1, e cicl\u00eddeos, como os acar\u00e1s. Insetos e crust\u00e1ceos foram considerados presas ocasionais ou acidentais. Os peixes encontrados possuem muitos espinhos e por isso costumam ser alvos de predadores maiores, como jacar\u00e9s e ariranhas. O tamuat\u00e1 tem, inclusive, placas \u00f3sseas externas que formam uma \u201carmadura\u201d ao longo do corpo, al\u00e9m de espinhos nas nadadeiras.<\/p>\n<p>Ocasionalmente, foram observados alguns poraqu\u00eas cujos est\u00f4magos continham somente uma \u00fanica semente de a\u00e7a\u00ed (<em>Euterpe oleracea<\/em>). \u201cOs poraqu\u00eas t\u00eam uma vis\u00e3o muito ruim, s\u00e3o praticamente cegos e, por isso, se orientam por meio de descargas el\u00e9tricas fracas. Na hora do ataque, o que est\u00e1 junto da presa provavelmente acaba sendo engolido junto. Em alguns est\u00f4magos foram encontrados folhas e galhos. N\u00e3o quer dizer que eles se alimentem disso\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<h6><strong>Fa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol, a dieta \u00e9 a mesma<\/strong><\/h6>\n<p>Os animais analisados foram coletados na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) do rio Curia\u00fa. A unidade de conserva\u00e7\u00e3o fica no per\u00edmetro urbano de Macap\u00e1 (AP) e abriga uma comunidade remanescente de quilombo. Uma vez que pescam as esp\u00e9cies favoritas dos poraqu\u00eas, os quilombolas est\u00e3o acostumados com a presen\u00e7a dos peixes-el\u00e9tricos e participaram da coleta de todos os exemplares analisados no estudo.<\/p>\n<p>Os poraqu\u00eas foram capturados durante o ano todo, com coletas realizadas a cada dois meses. O objetivo era verificar se havia diferen\u00e7as na dieta entre o per\u00edodo de cheias (janeiro a junho) e o de seca (julho a dezembro). Em plan\u00edcies alagadas, como a regi\u00e3o estudada, o regime de chuvas \u00e9 um ingrediente crucial na din\u00e2mica alimentar. Na cheia, os peixes t\u00eam mais \u00e1rea dispon\u00edvel e ficam mais dispersos. Por isso, s\u00e3o mais dif\u00edceis de serem pegos por predadores guiados pela vis\u00e3o, como os tucunar\u00e9s (<em>Cichla melaniae<\/em>) e as tra\u00edras (<em>Hoplias spp.<\/em>), por exemplo, e s\u00e3o obrigados a incluir camar\u00f5es e outras presas \u00e0 dieta nesse per\u00edodo do ano.<\/p>\n<p>Na seca, contudo, as \u00e1guas baixam e formam lagos e po\u00e7as, aprisionando os peixes e facilitando a captura por predadores. O estudo mostrou que, para os poraqu\u00eas, as esta\u00e7\u00f5es n\u00e3o influenciam a dieta. \u201cEla n\u00e3o muda ao longo do ano. Nossa hip\u00f3tese \u00e9 que as t\u00e1ticas de localiza\u00e7\u00e3o e de ca\u00e7a do poraqu\u00ea, que independem da vis\u00e3o, eliminam os impedimentos para comer peixes o ano todo\u201d, afirma Mendes.<\/p>\n<h6><strong>Grupos para ca\u00e7ar<\/strong><\/h6>\n<p>Os poraqu\u00eas podem formar grupos para ca\u00e7ar e at\u00e9 mesmo paralisar presas a\u00a0dist\u00e2ncia com suas descargas el\u00e9tricas fortes, que na esp\u00e9cie estudada chegam a 650 volts. Al\u00e9m disso, sobem \u00e0 superf\u00edcie para respirar e por isso podem ca\u00e7ar presas que vivem em \u00e1guas rasas e com pouco oxig\u00eanio, como o tamuatu\u00e1 e outros bagres (<em>leia mais em:\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/peixe-eletrico-da-amazonia-se-organiza-em-grupos-para-cacar\/34996\/\"><strong>agencia.fapesp.br\/34996<\/strong><\/a><\/em>).<\/p>\n<p>Al\u00e9m da esta\u00e7\u00e3o do ano, os pesquisadores puderam determinar que indiv\u00edduos juvenis e adultos (de 40 cent\u00edmetros a 1,80 metro de comprimento) t\u00eam basicamente a mesma dieta, mudando apenas o tamanho das presas. A medi\u00e7\u00e3o dos intestinos mostrou ainda que estes s\u00e3o relativamente curtos, uma caracter\u00edstica de esp\u00e9cies carn\u00edvoras. Mais uma evid\u00eancia que refuta argumentos de que o poraqu\u00ea seria on\u00edvoro.<\/p>\n<p>\u201cConhecer a biologia das esp\u00e9cies \u00e9 fundamental para tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de prote\u00e7\u00e3o e garantir que as futuras gera\u00e7\u00f5es possam conhecer os poraqu\u00eas n\u00e3o apenas em zool\u00f3gicos e aqu\u00e1rios, mas em seu habitat natural\u201d, explica Mendes.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Feeding ecology of electric eel Electrophorus varii (Gymnotiformes: Gymnotidae) in the Curia\u00fa River Basin, Eastern Amazon<\/em>, de Raimundo Nonato Gomes Mendes-J\u00fanior, J\u00falio C\u00e9sar S\u00e1-Oliveira, Huann Carllo Gentil Vasconcelos, Carlos Eduardo Costa-Campos e Andrea Soares Ara\u00fajo, pode ser lido em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1679-62252020000300202&amp;tlng=en\"><strong>www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1679-62252020000300202&amp;tlng=en<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00e1ticas de ca\u00e7a permitem que o poraqu\u00ea mantenha a mesma dieta na esta\u00e7\u00e3o das chuvas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":143311,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe-2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"T\u00e1ticas de ca\u00e7a permitem que o poraqu\u00ea mantenha a mesma dieta na esta\u00e7\u00e3o das chuvas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143310"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143310"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143310\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":143313,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143310\/revisions\/143313"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/143311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}