{"id":143034,"date":"2021-03-14T13:17:31","date_gmt":"2021-03-14T16:17:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=143034"},"modified":"2021-03-14T13:17:48","modified_gmt":"2021-03-14T16:17:48","slug":"abandono-de-animais-bate-recorde-na-pandemia-e-problema-nao-e-so-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/abandono-de-animais-bate-recorde-na-pandemia-e-problema-nao-e-so-brasileiro\/","title":{"rendered":"Abandono de animais bate recorde na pandemia e problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/entretenimento\/0d\/2021\/03\/10\/cachorro-abandonado-1615391741210_v2_1170x540.jpg\" alt=\"Com a pandemia, abandono de animais tornou-se um problema ainda mais grave - e n\u00e3o s\u00f3 no Brasil - Getty Images\/iStockphoto\" width=\"639\" height=\"295\" \/><\/p>\n<p>Logo que o &#8220;confinamento&#8221; come\u00e7ou no Brasil, uma rara boa not\u00edcia chegou nas ONGs que cuidam de animais abandonados e centros de controle de zoonoses. Com mais tempo em casa, pessoas passaram a procurar os centros de ado\u00e7\u00e3o para buscar um novo companheiro para o isolamento. Assim, nos primeiros meses de pandemia, a procura por ado\u00e7\u00e3o de c\u00e3es e gatos aumentou.<\/p>\n<p>Passado um ano, a pandemia vive seu pior momento no Brasil, que al\u00e9m da crise sanit\u00e1ria vive uma crise social e econ\u00f4mica gigantesca. O\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/auxilio-emergencial\">aux\u00edlio emergencial<\/a>\u00a0acabou, as pessoas perderam seus empregos, e adivinhe o que aconteceu com os c\u00e3es e gatos? Muitos dos que foram adotados foram devolvidos ou voltaram a ser abandonados.<\/p>\n<p>Ainda tivemos casos de animais que foram abandonados por desinforma\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que seus donos tinham medo da transmiss\u00e3o do novo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2020\/01\/25\/tire-suas-principais-duvidas-sobre-o-coronavirus-que-se-espalha-pelo-mundo.htm\">coronav\u00edrus<\/a>. A evid\u00eancia que temos hoje \u00e9 a de que c\u00e3es e gatos N\u00c3O podem transmitir a covid-19.<\/p>\n<p>A not\u00edcia nos \u00faltimos meses \u00e9 bem pior do que aquela primeira: recorde de abandonos, ONGs superlotadas e pessoas que resgatam animais exaustas. Com a crise, as doa\u00e7\u00f5es para essas institui\u00e7\u00f5es ainda diminu\u00edram significativamente. Ou seja, elas t\u00eam mais animais e menos recursos.<\/p>\n<p>O problema do abandono de animais no Brasil \u00e9 enorme e n\u00e3o se resume apenas a esse momento de crise. A OMS estima que existam no pa\u00eds cerca de 10 milh\u00f5es de gatos e 20 milh\u00f5es de c\u00e3es abandonados no pa\u00eds. Uma pesquisa de 2015 do IBOPE e Instituto Waltham mostrou que seis em cada dez brasileiros deixariam seu animal caso tivessem que se mudar de casa, sendo esse o principal motivo de abandono entre as pessoas que j\u00e1 tiveram um c\u00e3o ou gato. Entre os motivos evit\u00e1veis ainda est\u00e3o a falta de tempo, quest\u00f5es comportamentais e a chegada de um filho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do sofrimento a que s\u00e3o submetidos, os animais abandonados representam uma s\u00e9rie de problemas para a sa\u00fade p\u00fablica, j\u00e1 que podem transmitir zoonoses como raiva, esporotricose, leishmaniose e leptospirose. Isso sem contar nos problemas como acidentes de tr\u00e2nsito, sujeira, ataques a pessoas, entre outros.<\/p>\n<p>O perfil de abandonados nas ruas brasileiras \u00e9 bem estabelecido: animais sem ra\u00e7a definida, os populares vira-latas, s\u00e3o a esmagadora maioria.<\/p>\n<p>Os c\u00e3es de ra\u00e7a s\u00e3o a grande prefer\u00eancia do brasileiro. Quando se trata de ado\u00e7\u00e3o de um c\u00e3o de ra\u00e7a, existe fila, e pessoas se deslocam centenas de quil\u00f4metros para buscar. Quando o animal \u00e9 de ra\u00e7a, n\u00e3o existe tempo ruim, sempre cabe em casa! J\u00e1 a ado\u00e7\u00e3o de vira-latas, mais especificamente, os pretos e de pelo curto, \u00e9 muito mais dif\u00edcil, e muitos deles acabam passando a vida toda em abrigos, sem ter uma oportunidade de ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Um problema brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p>Obviamente o problema do abandono de c\u00e3es e gatos n\u00e3o se restringe ao Brasil. A mesma OMS estima em 200 milh\u00f5es o n\u00famero de c\u00e3es abandonados no mundo. Como todos os problemas, esse tamb\u00e9m \u00e9 mais comum em pa\u00edses pobres.<\/p>\n<p>Aqui onde vivo, no interior da Espanha, o problema realmente parece bem menor, e n\u00e3o se v\u00ea animais nas ruas.<\/p>\n<p>Excelente, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Ainda que os n\u00fameros sejam menores, nem tudo \u00e9 uma maravilha?<\/p>\n<p>N\u00e3o bastassem as famosas e abomin\u00e1veis touradas, depois que me mudei para c\u00e1 descobri que os espanh\u00f3is t\u00eam mais alguns costumes horr\u00edveis com rela\u00e7\u00e3o aos animais.<\/p>\n<p>90% do territ\u00f3rio do pa\u00eds \u00e9 liberado para a ca\u00e7a, e a Espanha \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia que ainda permite a ca\u00e7a com galgos. Nessa modalidade, o animal \u00e9 o respons\u00e1vel por abater o coelho. Eles at\u00e9 t\u00eam uma ra\u00e7a de c\u00e3o para isso: o galgo espanhol. O pior \u00e9 que ao fim da temporada de ca\u00e7a aos coelhos, em fevereiro, os c\u00e3es que n\u00e3o atenderam \u00e0s expectativas, ou que est\u00e3o velhos, s\u00e3o abandonados pelos donos. Muitos deles s\u00e3o encontrados com sinais de uma vida de maus-tratos.<\/p>\n<p>Galgo espanhol<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/entretenimento\/a0\/2021\/03\/10\/galgo-espanhol-1615391801711_v2_750x1.jpg\" alt=\"Galgo espanhol - Getty Images\/iStockphoto - Getty Images\/iStockphoto\" width=\"639\" height=\"426\" \/>Imagem: Getty Images\/iStockphoto<\/p>\n<p>Sabe como descobri isso? Nos \u00faltimos meses encontrei 3 galgos espanh\u00f3is nas estradinhas da regi\u00e3o. A princ\u00edpio achei que era uma coincid\u00eancia, mas depois, ao pesquisar um pouco sobre o assunto, descobri que as estimativas s\u00e3o de aproximadamente 50 mil galgos abandonados todos os anos, especialmente em fevereiro, que \u00e9 conhecido como o &#8220;m\u00eas do medo&#8221; para os galgos.<\/p>\n<p>Aqui existem diversas ONGs que atendem especialmente a esses animais e alguns centros de ado\u00e7\u00e3o estimam que 90% de seus c\u00e3es s\u00e3o de ca\u00e7a. Uma pesquisa de 2019 indicou que o descarte ap\u00f3s temporada de ca\u00e7a \u00e9 a segunda causa de abandono no pa\u00eds, perdendo apenas para as ninhadas n\u00e3o desejadas.<\/p>\n<p>Notamos que os motivos para abandono s\u00e3o bem diferentes nos dois pa\u00edses, mas independente de qual seja, s\u00f3 demonstram a insensibilidade e a imbecilidade humana!<\/p>\n<p><strong>E qual a solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Os Pa\u00edses Baixos se tornaram o primeiro pa\u00eds do mundo livre de c\u00e3es de rua. Para isso, foram institu\u00eddas uma s\u00e9rie de pol\u00edticas: s\u00e3o cobrados impostos sobre a venda de animais, de maneira a incentivar a ado\u00e7\u00e3o. Os donos ainda t\u00eam que fazer um registro obrigat\u00f3rio e pagar outro imposto para ter a posse de um animal.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existe um programa de coleta, castra\u00e7\u00e3o, vacina\u00e7\u00e3o e soltura dos animais de rua. Assim, mesmo os sem dono s\u00e3o castrados, eliminando a reprodu\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds ainda pune o abandono com multa pesada de 16.750 euros (aproximadamente R$ 115 mil, na convers\u00e3o de 10\/03\/2021) e pris\u00e3o de at\u00e9 3 anos.<\/p>\n<p>Claro, n\u00e3o temos como comparar um pa\u00eds pequeno e extremamente desenvolvido como os Pa\u00edses Baixos com o Brasil. Por\u00e9m, j\u00e1 temos uma experi\u00eancia no mundo provando que \u00e9 poss\u00edvel eliminar esse problema e na qual se espelhar.<\/p>\n<p>No Brasil, tivemos uma mudan\u00e7a na lei de maus tratos a animais no ano passado, e esses crimes passaram a ter puni\u00e7\u00e3o mais severa. Agora, o crime de abandono pode render at\u00e9 5 anos de pris\u00e3o. A grande quest\u00e3o \u00e9 que ela se cumpra.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode fazer a sua parte para n\u00e3o contribuir para o problema. Antes de trazer um animal para dentro de casa, planeje bem, tenha certeza de que voc\u00ea tem condi\u00e7\u00f5es financeiras e possibilidade de cuidar bem dele. Animais de estima\u00e7\u00e3o geram gastos com alimenta\u00e7\u00e3o, veterin\u00e1rio, rem\u00e9dios e vacina, entre outros. Tamb\u00e9m demandam tempo e aten\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea j\u00e1 tem um c\u00e3o ou gato, evite que ele tenha acesso \u00e0 rua e, se n\u00e3o for poss\u00edvel, castre o seu animal.<\/p>\n<p>Se ap\u00f3s pesar tudo voc\u00ea realmente quer ter um bicho de estima\u00e7\u00e3o, na pr\u00f3xima semana falarei um pouco sobre compra e ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/nossa\/colunas\/coluna-do-veterinario\/\">https:\/\/www.uol.com.br\/nossa\/colunas\/coluna-do-veterinario\/<\/a><\/p>\n<p>Andr\u00e9 Marchina Gon\u00e7alves \u00e9 m\u00e9dico veterin\u00e1rio formado pela FMVZ-USP em 2012. Possui p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o lato sensu em Anestesiologia Veterin\u00e1ria pela PAV e Anestesia Regional Veterin\u00e1ria pelo IEP Ranvier. Trabalhou em alguns dos principais hospitais e cl\u00ednicas veterin\u00e1rias de S\u00e3o Paulo entre 2013 e 2019, quando mudou-se para a Espanha. Atualmente \u00e9 aluno da Universidade de Murcia, onde faz um masters em Medicina de Pequenos Animais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Logo que o &#8220;confinamento&#8221; come\u00e7ou no Brasil, uma rara boa not\u00edcia chegou nas ONGs que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Logo que o &#8220;confinamento&#8221; come\u00e7ou no Brasil, uma rara boa not\u00edcia chegou nas ONGs que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143034"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143034"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":143035,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143034\/revisions\/143035"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}