{"id":143002,"date":"2021-03-14T11:13:49","date_gmt":"2021-03-14T14:13:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=143002"},"modified":"2021-03-14T11:15:59","modified_gmt":"2021-03-14T14:15:59","slug":"mapeamento-do-guariba-da-caatinga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mapeamento-do-guariba-da-caatinga\/","title":{"rendered":"Mapeamento do Guariba-da-Caatinga"},"content":{"rendered":"<div class=\"m-l-article__header m-u-pt-4 m-u-pb-4 m-u-container-lg\">\n<h2 class=\"m-l-article__subheading \">Pesquisadores parceiros da Associa\u00e7\u00e3o Caatinga trabalham para salvar a esp\u00e9cie da extin\u00e7\u00e3o. O primata est\u00e1 seriamente amea\u00e7ado na Reserva Natural Serra das Almas<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"m-l-article__thumbnail m-u-container-hg-lg\">\n<figure>\n<div class=\"m-b-media m-b-media--image m-u-ratio-16by9\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/macaco.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-143005\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/macaco.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/macaco.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/macaco-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/div><figcaption class=\"m-u-text-sans m-u-mt-2 m-u-px-3 m-u-text-sm m-u-line-height-tight m-u-color-gray-600\">\n<div class=\"m-u-mb-1\"><span class=\"m-u-text-bold\">Legenda:\u00a0<\/span>O Guariba-da-Caatinga costuma viver na parte superior de \u00e1rvores que v\u00e3o de 10 a 15 metros, mas ainda assim \u00e9 alvo dos ca\u00e7adores<\/div>\n<div class=\"m-u-mt-1\"><span class=\"m-u-text-bold\">Foto:\u00a0<\/span>Rob\u00e9rio Freire Filho<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"m-l-article__inner m-u-display-flex-lg m-l-article__inner--sidebar m-u-pt-4 m-u-pb-4 m-u-container-lg m-u-container-hg-lg\">\n<div class=\"m-l-article__content \">\n<p>A not\u00edcia foi recebida com muito otimismo e entusiasmo. Pesquisadores parceiros da Associa\u00e7\u00e3o Caatinga conseguiram localizar, pela primeira vez, um grupo de primatas da esp\u00e9cie Guariba-da-Caatinga, ou Alouatta ululata, na Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) Serra das Almas, localizada entre os munic\u00edpios Crate\u00fas (CE) e Buriti dos Montes (PI). \u00c9 muito bom ter esses animais por perto. E o motivo \u00e9 simples de explicar: essa \u00e9 uma esp\u00e9cie que vive uma fase cr\u00edtica com a amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A descoberta foi comemorada. E, foi a partir dela, que come\u00e7ou um estudo realizado por uma equipe liderada pelo doutorando do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biologia Animal da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Rob\u00e9rio Freire Filho, especialista em pesquisas com primatas. Cearense, formado pela Universidade Federal do Cear\u00e1, Rob\u00e9rio j\u00e1 trabalha com primatas desde 2010. Ele trabalhou no norte de Minas Gerais, com o Muriqui-do-Norte, nos fragmentos de Mata Atl\u00e2ntica da Para\u00edba, com o Macaco-prego-galego, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de macaco amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o naquela regi\u00e3o. E agora, h\u00e1 tr\u00eas anos, vem trabalhando no Piau\u00ed e no Cear\u00e1, com o Guariba-da-Caatinga que, em alguns locais tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como Capel\u00e3o.<\/p>\n<p>Mapear a esp\u00e9cie n\u00e3o foi um trabalho f\u00e1cil. O macaco Guariba-da-Caatinga vive em locais de dif\u00edcil acesso. Ele pode ser encontrado no Cear\u00e1, no Piau\u00ed e no Maranh\u00e3o. Aqui no Cear\u00e1, \u00e9 uma esp\u00e9cie que est\u00e1 restrita \u00e0 parte mais \u00edngreme da Serra da Ibiapaba. Uma \u00e1rea com verdadeiros pared\u00f5es de quase 180 graus. Mas como eles vivem nas \u00e1rvores, s\u00e3o animais arbor\u00edcolas, se alimentam de frutos, folhas, sementes, flores, cascas, conseguem viver bem nesses ambientes onde as dificuldades de acesso tamb\u00e9m dificultam o desmatamento para o cultivo e a ca\u00e7a. A press\u00e3o de ca\u00e7a \u00e9 um fator que elimina muito as popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O Guariba-da-Caatinga costuma viver na parte superior de \u00e1rvores que v\u00e3o de 10 a 15 metros, mas ainda assim \u00e9 alvo dos ca\u00e7adores que se deixam seduzir por algumas informa\u00e7\u00f5es sobre a carne do animal e algumas m\u00edsticas. \u201cAlgumas pessoas ainda dizem, relatam que a carne da guariba \u00e9 uma carne que pega tempero muito f\u00e1cil e voc\u00ea se localizando numa \u00e1rea de dif\u00edcil acesso, distante de mercados e possibilidade de compra, uma carne que pega tempero f\u00e1cil \u00e9 uma carne interessante porque com pouca coisa ela fica gostosa. Tamb\u00e9m tem algumas m\u00edsticas em rela\u00e7\u00e3o ao uso do osso hioide que fica localizado abaixo da mand\u00edbula do animal. Esse osso especificamente \u00e9 mais desenvolvido do que em n\u00f3s humanos, por exemplo, e esse osso ele funciona como uma caixa de amplifica\u00e7\u00e3o do som e as pessoas costumam utilizar esse osso para beber \u00e1gua quando est\u00e3o com algum tipo de doen\u00e7a pulmonar e respirat\u00f3ria\u201d, frisa o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Ca\u00e7a e habitat<\/strong><\/p>\n<p>A ocorr\u00eancia do Guariba-da-Caatinga, no entanto, poderia ser muito maior no Cear\u00e1. \u201cA distribui\u00e7\u00e3o atual est\u00e1 muito restrita, muito limitada. No Maci\u00e7o da Meruoca ele j\u00e1 n\u00e3o ocorre, apenas em alguns pontos como na Serra no Corea\u00fa, em Massap\u00ea, mas situa\u00e7\u00f5es muito pontuais, muito restritas, popula\u00e7\u00f5es muito pequenas e extremamente amea\u00e7adas pela ca\u00e7a que ainda existe no Cear\u00e1 e pela perda de ambiente,\u201d diz o doutorando Rob\u00e9rio Freire Filho. Os estudos at\u00e9 agora realizados apontam que as popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o maiores na regi\u00e3o do Delta do Rio Parna\u00edba, no estado do Piau\u00ed, por causa da presen\u00e7a de v\u00e1rias Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m na regi\u00e3o centro-norte daquele estado.<\/p>\n<p>Para realizar os estudos, aqui na RPPN Serra das Almas, os pesquisadores utilizaram 10 armadilhas fotogr\u00e1ficas. S\u00e3o c\u00e2meras que funcionam por sensores que captam o movimento e o calor dos animais. Pelos registros dessas c\u00e2meras \u00e9 poss\u00edvel chegar a uma an\u00e1lise de que a popula\u00e7\u00e3o de Guaribas-da-Caatinga na Serra das Almas \u00e9 pequena. Provavelmente de 10 indiv\u00edduos, mas a situa\u00e7\u00e3o tende a melhorar do ponto de vista populacional.<\/p>\n<p>Rob\u00e9rio Freire Filho explica que, tamb\u00e9m \u00e9 fato, que atualmente existe uma rela\u00e7\u00e3o que pode contribuir para a preserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. E o homem tem um papel fundamental nessa rela\u00e7\u00e3o. \u201cAs pessoas de um modo em geral, hoje t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica, seja ela positiva porque em alguns elas acham bonitos. Em algumas localidades do Cear\u00e1 e do Piau\u00ed, as pessoas acham bonita a vocaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 um bicho que vocaliza bem alto, d\u00e1 para voc\u00ea escutar a dois ou tr\u00eas quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. E \u00e9 uma vocaliza\u00e7\u00e3o que dura em m\u00e9dia de cinco a dez minutos. \u00c9 uma vocaliza\u00e7\u00e3o duradoura, ent\u00e3o quem mora pr\u00f3ximo de uma popula\u00e7\u00e3o, de um grupo de guaribas, ele escuta isso quase que diariamente, de manh\u00e3, no in\u00edcio do dia, e no final da tarde que s\u00e3o as horas mais amenas\u201d conclui o doutorando respons\u00e1vel pela equipe que tamb\u00e9m conta com o trabalho de Bruna Teixeira, mestranda do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biologia Animal da UFPE; Thabata Cavalcante, bi\u00f3loga; e Bruna Bezerra, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biologia Animal da UFPE.<\/p>\n<p><strong>Futuro do projeto Guariba<\/strong><\/p>\n<p>A ideia dos pesquisadores e da Associa\u00e7\u00e3o Caatinga \u00e9 seguir com o monitoramento da esp\u00e9cie e contabilizar precisamente o n\u00famero de Guaribas-da-Caatinga na Serra das Almas. O\u00a0 Projeto Guariba foi criado em 2016. A proposta surgiu a partir da pesquisa de mestrado de Rob\u00e9rio na Universidade de Lisboa e, nos dias de hoje, \u00e9 financiada pela Rufford Foundation com o apoio do Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB).<\/p>\n<p>O trabalho do grupo \u00e9 dividido em tr\u00eas eixos: produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, educa\u00e7\u00e3o ambiental com as comunidades locais das \u00e1reas de ocorr\u00eancia da esp\u00e9cie e divulga\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das redes sociais. Dentro desses ramos, o projeto tamb\u00e9m analisa as unidades de conserva\u00e7\u00e3o que resguardam Guaribas-da-Caatinga e prop\u00f5e novas \u00e1reas protegidas em locais estrat\u00e9gicos para a preserva\u00e7\u00e3o do mam\u00edfero.<br \/>\nPara finalizar, Rob\u00e9rio explana que o projeto v\u00ea o Guariba-da-Caatinga como uma esp\u00e9cie guarda-chuva, ou seja, um bicho que ao ser protegido ir\u00e1, por consequ\u00eancia, conservar outras esp\u00e9cies.\u00a0\u201cDe fato \u00e9 um bicho que precisa de um ambiente com um estrato arb\u00f3reo, precisa de uma condi\u00e7\u00e3o boa para poder existir. Se n\u00e3o for um ambiente florestal, ele n\u00e3o ocorre. Ou seja, em um ambiente como este, v\u00e1rias outras esp\u00e9cies s\u00e3o conservadas\u201d, conclui o l\u00edder do grupo de pesquisadores.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores parceiros da Associa\u00e7\u00e3o Caatinga trabalham para salvar a esp\u00e9cie da extin\u00e7\u00e3o. O primata est\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores parceiros da Associa\u00e7\u00e3o Caatinga trabalham para salvar a esp\u00e9cie da extin\u00e7\u00e3o. O primata est\u00e1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143002"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143002"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143002\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":143006,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143002\/revisions\/143006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143002"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143002"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143002"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}