{"id":142972,"date":"2021-03-13T14:04:36","date_gmt":"2021-03-13T17:04:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142972"},"modified":"2021-03-13T14:04:36","modified_gmt":"2021-03-13T17:04:36","slug":"tubarao-de-aguas-profundas-e-um-dos-maiores-animais-do-mundo-que-brilham-no-escuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tubarao-de-aguas-profundas-e-um-dos-maiores-animais-do-mundo-que-brilham-no-escuro\/","title":{"rendered":"Tubar\u00e3o de \u00e1guas profundas \u00e9 um dos maiores animais do mundo que brilham no escuro"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-142973\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Novo estudo descobre tr\u00eas esp\u00e9cies bioluminescentes de tubar\u00f5es de \u00e1guas profundas, incluindo o tubar\u00e3o-pipa de 1,8 metro de comprimento.<\/h2>\n<p>Pesquisadores de tubar\u00f5es que atuavam na costa leste da Nova Zel\u00e2ndia fizeram uma descoberta reluzente. Em um novo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fmars.2021.633582\/full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo<\/a>\u00a0publicado no peri\u00f3dico Frontiers in Marine Science, cientistas descobriram tr\u00eas esp\u00e9cies\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/article\/bioluminescence-animals-ocean-glowing?loggedin=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bioluminescentes<\/a>\u00a0de tubar\u00e3o de \u00e1guas profundas que produzem uma luz azul esverdeada suave com c\u00e9lulas especializadas na pele.<\/p>\n<p>Uma das esp\u00e9cies, o tubar\u00e3o-pipa, pode alcan\u00e7ar quase dois metros de comprimento, o que o torna o maior vertebrado bioluminescente conhecido. A lula-gigante, que pode alcan\u00e7ar um comprimento ainda maior, tamb\u00e9m \u00e9 conhecida por\u00a0<a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2007\/02\/giant-squid-use-bioluminescence-to-hunt-prey-communicate\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">emitir luz<\/a>.<\/p>\n<p>A bioluminesc\u00eancia havia sido documentada anteriormente em apenas uma dezena de esp\u00e9cies de tubar\u00f5es e, por isso, essa descoberta aumenta significativamente nossos conhecimentos sobre a preval\u00eancia do fen\u00f4meno nesses e em outros animais marinhos, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/uclouvain.be\/en\/research-institutes\/eli\/elib\/team-marine-biology-jerome-mallefet.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">J\u00e9r\u00f4me Mallefet<\/a>, pesquisador associado da Universidade Cat\u00f3lica de Lovaina, na B\u00e9lgica e autor principal do novo estudo.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o envolveu a captura de um pequeno n\u00famero de tubar\u00f5es-lanterna-barriga-preta, tubar\u00f5es-lanterna-do-sul e tubar\u00f5es-pipa da zona crepuscular do oceano, regi\u00e3o escassamente iluminada que se estende por uma profundidade entre 200 e 1000 metros.<\/p>\n<p>Quando Mallefet capturou um tubar\u00e3o-pipa e observou-o se iluminar a bordo do navio de pesquisa, ficou surpreso. \u201cQuase chorei quando vi&#8230; foi t\u00e3o emocionante\u201d, conta ele.<\/p>\n<p>As duas outras esp\u00e9cies s\u00e3o um pouco menores do que o tubar\u00e3o-pipa e todas s\u00e3o capturadas acidentalmente de vez em quando por pescadores. Nenhuma \u00e9 considerada vulner\u00e1vel \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, mas pouco se sabe sobre seu estilo de vida e biologia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/divaamon.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diva Amon<\/a>, bi\u00f3loga de \u00e1guas profundas e exploradora emergente da National Geographic, que n\u00e3o participou do estudo, afirma que ficou \u201cpasma\u201d com a descoberta. \u201cEssas descobertas nos lembram do quanto ainda n\u00e3o sabemos nem entendemos sobre \u00e1guas profundas e seus habitantes\u201d, ressalta ela.<\/p>\n<p>Seis de maio de 2010 \u2014 Os motivos misteriosos da emiss\u00e3o de luz por animais nas profundezas do mar e a quantidade de animais que possuem tal habilidade, conhecida como bioluminesc\u00eancia, continuam a intrigar os cientistas que estudam a evolu\u00e7\u00e3o desse brilho natural.<\/p>\n<h3>Brilho no escuro<\/h3>\n<p>Em janeiro de 2020, Mallefet e uma equipe de cientistas da Universidade Cat\u00f3lica de Lovaina e do Instituto Nacional de Pesquisa H\u00eddrica e Atmosf\u00e9rica da Nova Zel\u00e2ndia passaram um m\u00eas a bordo de uma traineira em alto mar. Depois de capturar tubar\u00f5es vivos com redes, os pesquisadores colocaram os animais em um tanque de \u00e1gua do mar, levaram-nos a uma sala escura e aguardaram para observar sinais de bioluminesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Devido ao estresse ou talvez \u00e0 timidez, apenas alguns tubar\u00f5es-pipa, tubar\u00f5es-lanterna-barriga-preta e tubar\u00f5es-lanterna-do-sul exibiram seu brilho azul-esverdeado aos pesquisadores, e foi coletada para an\u00e1lise uma amostra da pele daqueles que apresentaram o fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>A maioria dos organismos bioluminescentes, como vaga-lumes, disp\u00f5e de c\u00e9lulas ou \u00f3rg\u00e3os especializados que cont\u00eam certas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, incluindo um composto denominado luciferina, que interage com o oxig\u00eanio e emite luz. Algumas criaturas luminosas, como o peixe abissal da ordem dos Lophiiformes, adquirem seu brilho ao servir como hospedeiros de col\u00f4nias de bact\u00e9rias bioluminescentes.<\/p>\n<p>Os tubar\u00f5es bioluminescentes emitem luz de c\u00e9lulas especializadas na pele, conhecidas como fot\u00f3citos, mas como ocorre exatamente esse processo \u00e9 um mist\u00e9rio h\u00e1 muito tempo. Quando Mallefet e sua equipe analisaram as amostras de pele coletadas, n\u00e3o encontraram nenhum tra\u00e7o de luciferina ou bact\u00e9rias bioluminescentes.<\/p>\n<p>No entanto confirmaram que, assim como outros tubar\u00f5es bioluminescentes, essas tr\u00eas esp\u00e9cies controlam suas emiss\u00f5es de luz por meio de horm\u00f4nios, ativando a luminesc\u00eancia por meio de melatonina, subst\u00e2ncia qu\u00edmica que ajuda a regular ciclos diurnos e induzir o sono em mam\u00edferos. Embora os pesquisadores tenham conseguido determinar como os tubar\u00f5es bioluminescentes controlam seu brilho, mais estudos s\u00e3o necess\u00e1rios para entender os mecanismos qu\u00edmicos respons\u00e1veis por esse fen\u00f4meno.<\/p>\n<h3>Por que emitir luz?<\/h3>\n<p>Em \u00e1guas profundas, onde cientistas estimam que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/srep45750\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tr\u00eas quartos de todas as criaturas s\u00e3o bioluminescentes<\/a>, ter a capacidade de emitir luz pode ser extremamente vantajoso. Os animais do fundo do mar usam a bioluminesc\u00eancia para fazer de tudo, desde atrair presas at\u00e9 dissuadir predadores. A bioluminesc\u00eancia pode at\u00e9 mesmo ajudar na camuflagem de animais de \u00e1guas profundas.<\/p>\n<p>Na zona crepuscular do oceano, que recebe quantidades m\u00ednimas de luz solar, os animais bioluminescentes podem esconder sua silhueta dos predadores \u00e0 espreita abaixo deles, produzindo luz suficiente para se camuflar com o ambiente: um truque conhecido como contrailumina\u00e7\u00e3o. Todas as tr\u00eas esp\u00e9cies analisadas nesse estudo apresentavam concentra\u00e7\u00f5es elevadas de fot\u00f3citos em sua parte inferior, o que sugere que esses tubar\u00f5es podem se esconder de predadores \u2014 que se acredita serem, basicamente, tubar\u00f5es maiores \u2014 exatamente dessa maneira.<\/p>\n<p>Entretanto os tubar\u00f5es tamb\u00e9m continham fot\u00f3citos em outras partes do corpo e, portanto, a contrailumina\u00e7\u00e3o pode ser apenas um dos diversos meios pelos quais a bioluminesc\u00eancia \u00e9 utilizada por esses animais. Por exemplo, os pesquisadores encontraram concentra\u00e7\u00f5es densas de fot\u00f3citos nas nadadeiras dorsais dos tubar\u00f5es-pipa. O motivo disso \u00e9 desconhecido, mas Mallefet especula que possa ser um recurso de comunica\u00e7\u00e3o entre tubar\u00f5es-pipa.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o de que essas tr\u00eas esp\u00e9cies emitem luz \u201cn\u00e3o \u00e9 uma surpresa\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mlml.calstate.edu\/psrc\/people\/dr-david-a-ebert\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">David Ebert<\/a>, diretor do Centro de Pesquisa de Tubar\u00f5es do Pac\u00edfico dos Laborat\u00f3rios Mar\u00edtimos de Moss Landing na Calif\u00f3rnia, mas ainda assim \u00e9 impressionante.<\/p>\n<p>Isso porque os pesquisadores acreditam que muito mais esp\u00e9cies de tubar\u00f5es provavelmente s\u00e3o capazes de emitir luz \u2014 Mallefet estima que talvez 10% das 540 esp\u00e9cies conhecidas de tubar\u00f5es sejam bioluminescentes. J\u00e1 Ebert acredita que at\u00e9 mesmo essa seja uma estimativa conservadora. Com os avan\u00e7os futuros no campo de pesquisas sobre tubar\u00f5es em \u00e1guas profundas, \u201cacredito que esse n\u00famero aumentar\u00e1 ainda mais\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p>Tanto Ebert quanto Mallefet torcem para que os tubar\u00f5es de \u00e1guas profundas recebam mais aten\u00e7\u00e3o futuramente, j\u00e1 que as criaturas e seu\u00a0<em>habitat<\/em>\u00a0s\u00e3o pouco estudados e est\u00e3o amea\u00e7ados.<\/p>\n<p>\u201cOs tubar\u00f5es s\u00e3o muito famosos por serem predadores ferozes gra\u00e7as ao filme \u2018Tubar\u00e3o\u2019\u201d, afirma Mallefet, \u201cmas pouca gente sabe que os tubar\u00f5es podem brilhar no escuro\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo estudo descobre tr\u00eas esp\u00e9cies bioluminescentes de tubar\u00f5es de \u00e1guas profundas, incluindo o tubar\u00e3o-pipa de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":142973,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tubarao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Novo estudo descobre tr\u00eas esp\u00e9cies bioluminescentes de tubar\u00f5es de \u00e1guas profundas, incluindo o tubar\u00e3o-pipa de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142972"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142972"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142972\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":142974,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142972\/revisions\/142974"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/142973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}