{"id":142884,"date":"2021-03-12T07:00:09","date_gmt":"2021-03-12T10:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142884"},"modified":"2021-03-11T18:05:50","modified_gmt":"2021-03-11T21:05:50","slug":"entenda-como-o-plastico-esta-poluindo-o-seu-corpo-o-quao-preocupados-deveriamos-estar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entenda-como-o-plastico-esta-poluindo-o-seu-corpo-o-quao-preocupados-deveriamos-estar\/","title":{"rendered":"Entenda como o pl\u00e1stico est\u00e1 poluindo o seu corpo; O qu\u00e3o preocupados dever\u00edamos estar?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/garrafa_plastico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-142885\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/garrafa_plastico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/garrafa_plastico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/garrafa_plastico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cada um de n\u00f3s ingere mais de 100 mil part\u00edculas por ano. O qu\u00e3o preocupados dever\u00edamos estar em rela\u00e7\u00e3o a isso?<\/p>\n<p>Quando pensamos no pre\u00e7o devastador que a polui\u00e7\u00e3o de pl\u00e1sticos pode ter, geralmente pensamos nas imagens de tartarugas presas em sacolas de uso \u00fanico ou pilhas de garrafas pl\u00e1sticas em aterros \u2013 para a maioria de n\u00f3s, \u00e9 um problema ambiental.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 cada vez mais evid\u00eancias de que os res\u00edduos de pl\u00e1stico podem ser tamb\u00e9m um problema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O problema ocorre quando o pl\u00e1stico \u00e9 dissolvido em pequenas part\u00edculas \u2013 conhecidas como micropl\u00e1sticos, que possuem 5 mm de comprimento (o equivalente a uma lentilha) ou menos.<\/p>\n<p>Essas pequenas part\u00edculas est\u00e3o em toda a parte: elas s\u00e3o produzidas a partir da decomposi\u00e7\u00e3o de sacolas e garrafas, o desgaste das solas de nossos sapatos quando andamos e os pneus de nossos carros quando dirigimos.<\/p>\n<p>Mesmo lavar uma pilha de roupas gera centenas de milhares de fibras micropl\u00e1sticas (de tecidos como nylon, acr\u00edlico e poli\u00e9ster).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o uso de m\u00e1scaras pode aumentar nossa exposi\u00e7\u00e3o, diz Alex McGoran, um pesquisador de micropl\u00e1sticos em Royal Holloway, Universidade de Londres e o Museu de Hist\u00f3ria Natural. \u201cM\u00e1scaras faciais de uso \u00fanico provavelmente liberam fibras micropl\u00e1sticas no ar ao nosso redor. Mas o benef\u00edcio que ganhamos por us\u00e1-las provavelmente ultrapassa as desvantagens de potencialmente inalar microfibras\u201d.<\/p>\n<p>Essas pequenas part\u00edculas est\u00e3o em nossa \u00e1gua, comida e nas superf\u00edcies que tocamos \u2013 e apenas agora estamos entendendo qual \u00e9 seu impacto.<\/p>\n<p>Embora seja pensado que nossos corpos eliminam alguns dos micropl\u00e1sticos que se acumulam dentro de n\u00f3s, de acordo com uma avalia\u00e7\u00e3o do King\u2019s College de Londres, novas pesquisas sugerem que \u00e9 poss\u00edvel que os micropl\u00e1sticos passem das vias a\u00e9reas ou intestino para o sangue e para nossos \u00f3rg\u00e3os. Na teoria, o pl\u00e1stico poderia ent\u00e3o causar inflama\u00e7\u00e3o prejudicial ou liberar produtos qu\u00edmicos nocivos.<\/p>\n<p>Em um dos estudos mais recentes, cientistas italianos descobriram micropl\u00e1sticos em placentas humanas pela primeira vez, o que poderia afetar a sa\u00fade e desenvolvimento fetal.<\/p>\n<p>Essas descobertas, que foram publicadas no m\u00eas passado na revista Meio Ambiente Internacional, levaram os pesquisadores a sugerirem que mulheres est\u00e3o dando \u00e0 luz a \u201cbeb\u00eas ciborgues\u201d \u2013 e experts brit\u00e2nicos agora avisam que, apesar de n\u00e3o sabermos o impacto exato que esse pl\u00e1stico pode gerar, o fato de que ele chega at\u00e9 a placenta \u00e9 preocupante.<\/p>\n<p>Como Alex McGoran explica, os micropl\u00e1sticos est\u00e3o por toda a parte: \u201cOuvimos falar de peixes com pl\u00e1stico dentro deles e a percep\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 de que a maioria dos micropl\u00e1sticos que consumimos prov\u00e9m de frutos do mar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMas estamos cercados de pl\u00e1stico. Por exemplo, na sua casa, voc\u00ea pode estar andando em cima de um carpete artificial, fechando cortinas feitas de poli\u00e9ster e se sentando em uma cadeira com uma almofada artificial \u2013 tudo isso libera fibras no ar, que podemos inalar\u201d.<\/p>\n<p>Um estudo de 2018 realizado pelas universidades Heriot-Watt e Plymouth calcularam que o cidad\u00e3o brit\u00e2nico m\u00e9dio engolir\u00e1 at\u00e9 68.415 peda\u00e7os de micropl\u00e1sticos provenientes da poeira anualmente.<\/p>\n<p>E nossas dietas (micropl\u00e1sticos foram detectados em tudo, desde a cerveja, at\u00e9 o sal marinho e mel) d\u00e3o mais aproximadamente 52.000 part\u00edculas por ano, de acordo com a revista Ci\u00eancia &amp; Tecnologia Ambiental em 2019.<\/p>\n<p>Mas quais seriam as consequ\u00eancias, se houverem, de part\u00edculas de pl\u00e1stico estarem aumentando em nossos corpos?<\/p>\n<p>Em um estudo de 2019 realizado pela Universidade Centro M\u00e9dico em Utrecht, cientistas queriam investigar como c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas humanas lidam com micropl\u00e1sticos. Eles colocaram as c\u00e9lulas em placas de Petri com micropl\u00e1sticos e descobriram que, apesar das c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas terem reconhecido e englobado as part\u00edculas de pl\u00e1stico, elas morreram como resultado.<\/p>\n<p>Essa morte celular pode ser ligada a inflama\u00e7\u00f5es potencialmente prejudiciais. Pesquisas est\u00e3o sendo realizadas para ver se isso ocorre com animais e humanos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es de que alguns micropl\u00e1sticos sejam pequenos o suficiente para entrar em nossa corrente sangu\u00ednea e \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>Um estudo de 2018 analisou amostras de fezes de oito pessoas da Europa, Jap\u00e3o e R\u00fassia e descobriu que pl\u00e1sticos, incluindo polipropileno (comumente usado em recipientes e embalagens alimentares) e tereftalato de polietileno (um poli\u00e9ster usado em embalagens de roupas e alimentos) estavam presentes em fezes humanas, demonstrando que micropl\u00e1sticos conseguiam passar pelo trato gastrointestinal humano.<\/p>\n<p>Pl\u00e1stico no intestino poderia afetar a resposta imunol\u00f3gica do sistema digestivo ou auxiliar na transfer\u00eancia de pat\u00f3genos e produtos qu\u00edmicos, de acordo com pesquisadores, que adicionaram ainda que isso pode ter implica\u00e7\u00f5es para \u201cpacientes com doen\u00e7as gastrointestinais\u201d.<\/p>\n<p>Em um estudo com animais em 2018 na revista Ci\u00eancia &amp; Tecnologia Ambiental, Richard Thompson, um bi\u00f3logo marinho da Universidade de Plymouth, que foi o primeiro que cunhou o termo micropl\u00e1sticos em 2004, demonstrou que peda\u00e7os de pl\u00e1stico podem passar do intestino e chegar ao sistema circulat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ele disse a Good Health: \u201cSe mostramos em vieiras que pequenos peda\u00e7os conseguem passar do intestino para o sistema circulat\u00f3rio, \u00e9 prov\u00e1vel que isso tamb\u00e9m possa ocorrer com humanos. Mas isso n\u00e3o necessariamente significa que \u00e9 prejudicial\u201d.<\/p>\n<p>Em um recente estudo italiano, 12 peda\u00e7os de pl\u00e1sticos foram detectados em quatro placentas que foram doadas ap\u00f3s o parto. Tr\u00eas desses peda\u00e7os foram reconhecidos como polipropileno, enquanto outros peda\u00e7os pareciam ser part\u00edculas de pl\u00e1stico provenientes de \u201crevestimentos artificiais, tintas, adesivos, gessos e cosm\u00e9ticos\u201d.<\/p>\n<p>As mulheres tiveram gravidezes saud\u00e1veis, mas os autores disseram que, devido ao papel crucial da placenta, a \u201cpresen\u00e7a de part\u00edculas pl\u00e1sticas \u00e9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve detalhes sobre a sa\u00fade dos beb\u00eas, mas Charles Kingsland, um professor de medicina reprodutiva na Universidade Edge Hill em Lancashire, diz que os micropl\u00e1sticos poderiam \u201cenvenenar a crian\u00e7a\u201d ou reduzir seu fornecimento de oxig\u00eanio, levando a alguns beb\u00eas nascerem natimortos ou abaixo do peso.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos ter mais consci\u00eancia sobre o dano potencial do que estamos fazendo, n\u00e3o apenas com o meio ambiente, mas tamb\u00e9m com a sa\u00fade humana e a sa\u00fade de beb\u00eas que ainda v\u00e3o nascer\u201d, ele disse.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que experts brit\u00e2nicos se preocuparam com o impacto dos micropl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Em um relat\u00f3rio de 2019, a Royal Society analisou estudos da d\u00e9cada passada e identificou tr\u00eas maneiras em que micropl\u00e1sticos podem afetar a sa\u00fade animal \u2013 e, portanto, a sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 por meio do intestino. H\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es de que micropl\u00e1sticos poderiam prejudicar o microbioma, a comunidade de insetos que nos ajuda a digerir os alimentos e regular nosso sistema imunol\u00f3gico. Os micropl\u00e1sticos tamb\u00e9m poderiam potencialmente danificar as c\u00e9lulas do intestino, \u201cpossivelmente aumentando o risco de c\u00e2ncer\u201d, \u00e9 o que constava.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 o dano causado por produtos qu\u00edmicos usados para criar pl\u00e1stico. Por exemplo, o bisfenol A, que \u00e9 encontrado no revestimento pl\u00e1stico de latas, pode interferir em horm\u00f4nios e tem sido associado a doen\u00e7as em animais, incluindo fertilidade reduzida, problemas no desenvolvimento do c\u00e9rebro e dos ossos e c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Por fim, a Royal Society levantou preocupa\u00e7\u00f5es de que os micropl\u00e1sticos possam transportar outras subst\u00e2ncias qu\u00edmicas venenosas para dentro do corpo.<\/p>\n<p>Isso ocorre porque, uma vez na \u00e1gua, eles agem como um \u00edm\u00e3 para inseticidas e outras subst\u00e2ncias potencialmente t\u00f3xicas e ficam revestidos com eles. Bact\u00e9rias prejudiciais tamb\u00e9m podem pegar uma carona dessa forma, alerta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Pesquisas anteriores encontraram bact\u00e9rias que podem causar infec\u00e7\u00f5es de feridas e gastroenterites vivendo na superf\u00edcie dos micropl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Contudo, uma revis\u00e3o realizada para a Comiss\u00e3o Europeia em 2019 alertou que os estudos em animais tendem a usar concentra\u00e7\u00f5es de micropl\u00e1sticos muito maiores do que as encontradas na vida real.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da Royal Society disse que: \u201cH\u00e1 evid\u00eancias que demonstram a presen\u00e7a de micropl\u00e1sticos\u2026 Em humanos e na dieta humana\u201d. Mas ele acrescentou que \u201co sistema digestivo humano \u00e9 eficaz na elimina\u00e7\u00e3o de micropl\u00e1sticos, provavelmente eliminando mais de 90% dos micropl\u00e1sticos ingeridos\u201d, antes de concluir que h\u00e1 \u201cpoucas evid\u00eancias de que os micropl\u00e1sticos prejudicam humanos\u201d.<\/p>\n<p>Portanto, embora nenhuma liga\u00e7\u00e3o conclusiva possa ser feita com o risco para a sa\u00fade humana ainda, faz sentido que tomemos medidas para reduzir a polui\u00e7\u00e3o causada por pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>Por exemplo, usar m\u00e1scaras reutiliz\u00e1veis em vez de descart\u00e1veis, beber \u00e1gua da torneira em vez de \u00e1gua engarrafada e colocar a roupa em sacos especiais que ret\u00eam as fibras pl\u00e1sticas produzidas durante a lavagem. \u201cE antes de jogar suas roupas fora, pense se voc\u00ea quer descart\u00e1-las j\u00e1 ou faz\u00ea-las durar um pouco mais\u201d, diz Alex McGoran.<\/p>\n<p>\u201cA polui\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico est\u00e1 em toda parte\u201d, acrescenta ela. \u201cEmbora seja muito cedo para dizer se ela est\u00e1 prejudicando a sa\u00fade humana, o dano ao meio ambiente n\u00e3o pode ser negado\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada um de n\u00f3s ingere mais de 100 mil part\u00edculas por ano. 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