{"id":142792,"date":"2021-03-10T10:00:32","date_gmt":"2021-03-10T13:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142792"},"modified":"2021-03-09T19:29:57","modified_gmt":"2021-03-09T22:29:57","slug":"o-sertao-da-trijuncao-e-a-ideia-de-um-brasil-que-valoriza-a-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-sertao-da-trijuncao-e-a-ideia-de-um-brasil-que-valoriza-a-biodiversidade\/","title":{"rendered":"O Sert\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o e a ideia de um Brasil que valoriza a biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-142793\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cAgora funcionou!\u201d<\/p>\n<p>As palavras sa\u00edram dos alto-falantes do celular, bem quando eu come\u00e7ava a considerar a remarca\u00e7\u00e3o da entrevista para uma data com menos imprevistos. Era uma sexta-feira \u00e0 noite de calor em fevereiro, e, ap\u00f3s tr\u00eas desastres consecutivos, dois computadores reiniciados e a frustra\u00e7\u00e3o que acompanha esse tipo de insucesso,\u00a0 o quarto servi\u00e7o de videoconfer\u00eancia finalmente permitiu que os dois lados se ouvissem.<\/p>\n<p>Mesmo antes de anoitecer, a vida do meu entrevistado, o professor da Universidade de Bras\u00edlia Dr. Reuber de Albuquerque Brand\u00e3o, j\u00e1 tinha come\u00e7ado a lhe pregar pe\u00e7as mais cedo naquele mesmo dia, com imprevistos que mudaram toda a sua agenda, incluindo o hor\u00e1rio da nossa conversa.<\/p>\n<p>Eu aciono o gravador de voz do computador, para que o microfone pouco confi\u00e1vel do\u00a0<em>notebook<\/em>\u00a0capte o melhor que consegue os sons da conversa feita atrav\u00e9s do celular. Tor\u00e7o para que o resultado disso seja algo poss\u00edvel de se transcrever.<\/p>\n<p>A conversa que se segue \u2013 felizmente gravada com bastante sucesso \u2013 \u00e9 uma das melhores de minha curta carreira de comunicador de ci\u00eancia. O suficiente para me lembrar do porqu\u00ea ter escolhido a profiss\u00e3o: contar, com base em dados do passado, hist\u00f3rias sobre futuros poss\u00edveis nos quais se possa acreditar.<\/p>\n<p>Os dados que embasam esta hist\u00f3ria v\u00eam de vinte anos de pesquisa na Regi\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o, no encontro entre o sudoeste da Bahia, o noroeste de Minas Gerais e o nordeste de Goi\u00e1s, onde um grupo de propriet\u00e1rios de terra, cientistas e gestores tentaram implementar uma vis\u00e3o de uso da terra que aliasse a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, a conserva\u00e7\u00e3o da natureza e o desenvolvimento local.<\/p>\n<p><strong>De um caiaque para o sert\u00e3o<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_94066\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-94066\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-94066\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Capa.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Capa.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Capa-226x300.jpg 226w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"851\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94066\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro que compila pesquisas de vinte anos na Regi\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cA Trijun\u00e7\u00e3o virou um local de encontro,\u201d afirma Brand\u00e3o. \u201cAl\u00e9m da jun\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, ela tamb\u00e9m acabou por juntar pessoas muito diferentes, com hist\u00f3rias muito diferentes. E, ao final de muitos anos de trabalho, esse livro \u00e9 a culmina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios anos de pesquisa, nos quais a gente finalmente conseguiu juntar uma galera grande, um grupo bem diversos de conhecimentos, habilidades e interesses.\u201d, completa ele.<\/p>\n<p>O livro em quest\u00e3o, \u201c<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/340581638_Historia_Natural_do_Sertao_da_Trijuncao_do_Nordeste_Centro-oeste_e_Sudeste_do_Brasil\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Hist\u00f3ria Natural do Sert\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil<\/a>\u201d, lan\u00e7ado em 2020, \u00e9 o motivo de nossa conversa. A publica\u00e7\u00e3o conta com trinta e um autores de seus onze cap\u00edtulos, totalizando 261 p\u00e1ginas recheadas de texto, fotografias e reprodu\u00e7\u00f5es de obras de arte inspiradas pelo Sert\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o, regi\u00e3o de 880 mil hectares de Cerrado com elementos de Caatinga. Brand\u00e3o foi um dos editores, al\u00e9m de coordenador geral da obra, que compila uma s\u00e9rie de cap\u00edtulos sobre a pesquisa biol\u00f3gica e hidrol\u00f3gica na regi\u00e3o, misturados com relatos sobre a hist\u00f3ria do local e de sua rela\u00e7\u00e3o com a conserva\u00e7\u00e3o da natureza aliada ao uso da terra.<\/p>\n<p>Reuber, que se descobriu zo\u00f3logo ainda crian\u00e7a \u2013 ao aprender que a profiss\u00e3o de veterin\u00e1rio olhava para um \u00e2ngulo muito diferente da vida animal do que o enfoque que ele buscava \u2013 \u00e9 um \u00f3timo candidato para compilar tanto ci\u00eancia quanto impress\u00f5es subjetivas sobre a Trijun\u00e7\u00e3o. Isto porque ele esteve l\u00e1 desde o princ\u00edpio da implementa\u00e7\u00e3o de um novo projeto regional, por parte de propriet\u00e1rios de terra e empreendimentos que se estabeleceram por ali com a inten\u00e7\u00e3o de criar reservas em suas propriedades e promover uma agricultura que respeitasse o Cerrado.<\/p>\n<p>\u201cEu participava de grupos de ambientalistas em Bras\u00edlia desde muito novo, eu acompanhava o pessoal em a\u00e7\u00f5es que iam de limpar cachoeiras at\u00e9 tocar viol\u00e3o no meio do mato \u00e0 noite\u201d, conta o pesquisador, \u00e0 \u00e9poca um estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Biologia da UnB. Em meio a um desses encontros, Reuber conheceu um funcion\u00e1rio do IBAMA que o convidou a secretariar um projeto no Amazonas.<\/p>\n<p>\u201cEra na \u00e9poca da Eco 92, e acabou virando uma das propagandas da ent\u00e3o Secretaria do Meio Ambiente [\u00f3rg\u00e3o que voltaria a ser minist\u00e9rio ainda em 1992]. Parte da expedi\u00e7\u00e3o era fazer o trajeto entre Coari e Manaus, mais de 400 km de Rio Solim\u00f5es, em duplas de caiaque. E eu dei um jeito de sair do caiaque e ir parar num barco de cientistas, onde estava\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sosma.org.br\/noticias\/homenagem-a-judith-cortesao\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Judith Cortes\u00e3o<\/a>, que a gente homenageia no livro. E a Judith Cortes\u00e3o tinha um secret\u00e1rio pessoal que era o Theodoro Machado.\u201d<\/p>\n<p>Machado, um dos autores do livro, estava adquirindo uma propriedade na Trijun\u00e7\u00e3o, e convidou alguns dos amigos que fez nesta expedi\u00e7\u00e3o a conhecerem o local. Durante a visita, Reuber aproveitou para coletar alguns r\u00e9pteis e anf\u00edbios, possivelmente as primeiras coletas biol\u00f3gicas da regi\u00e3o, que seriam a base para as d\u00e9cadas de pesquisa que se sucederam, compiladas na publica\u00e7\u00e3o do ano passado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_94068\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-94068\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-94068\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Neuber-e-Reuber.png\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Neuber-e-Reuber.png 850w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Neuber-e-Reuber-300x210.png 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Neuber-e-Reuber-600x420.png 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Neuber-e-Reuber-640x448.png 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"448\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94068\" class=\"wp-caption-text\">Neuber Joaquim (\u00e0 esquerda) e Reuber Brand\u00e3o (\u00e0 direita), com r\u00e9pteis coletados em 1992, na Fazenda Vale do Rio Grande, uma das muitas propriedades da regi\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o. Foto: Theodoro Machado.<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>Cultura, Hist\u00f3ria e Ci\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o geral do livro destaca que Trijun\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de tr\u00eas estados, tamb\u00e9m re\u00fane \u201ccultura, hist\u00f3ria e ci\u00eancia\u201d. As coletas de herpetofauna (nome que engloba r\u00e9pteis e anf\u00edbios de um local) conduzidas informalmente por Reuber logo foram seguidas por estudos da flora e da fauna da regi\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_94071\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-94071\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-94071\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Pinturas.png\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Pinturas.png 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Pinturas-300x132.png 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Pinturas-1024x452.png 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Pinturas-600x265.png 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Pinturas-640x282.png 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"282\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94071\" class=\"wp-caption-text\">Reprodu\u00e7\u00e3o das obras \u201cFogo no Cerrado\u201d, de Jim Davis e \u201cVereda da Trijun\u00e7\u00e3o\u201d, de Maria Gabriela de Orleans e Bragan\u00e7a.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o destes estudos \u2013 muitos dos quais originaram cap\u00edtulos do livro \u2013 \u00e9 a de que a Trijun\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos pontos de Cerrado mais bem conservados do Brasil. Com treze Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o protegendo cerca 30% de toda a regi\u00e3o (256.875 hectares), muitas destas reservas particulares, a regi\u00e3o pode ser considerada um ref\u00fagio de esp\u00e9cies do bioma. Ao longo do territ\u00f3rio Brasileiro, o Cerrado tem sido\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/onde-surgiram-os-passaros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-wpel-link=\"internal\">substitu\u00eddo em velocidade alarmante por empreendimentos agr\u00edcolas\u00a0<\/a>que, ao contr\u00e1rio dos que moveram a Trijun\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1990, n\u00e3o t\u00eam a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade no centro das preocupa\u00e7\u00f5es. Mesmo a Trijun\u00e7\u00e3o, lar do maior Parque Nacional do Cerrado, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Parque_Nacional_Grande_Sert%C3%A3o_Veredas#:~:text=Localizado%20no%20bioma%20do%20Cerrado,Veredas%2C%20de%20Jo%C3%A3o%20Guimar%C3%A3es%20Rosa.\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Parna Grande Sert\u00e3o Veredas<\/a>, j\u00e1 sente os efeitos da intensifica\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do Cerrado brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cTeve uma intensifica\u00e7\u00e3o da agricultura na regi\u00e3o. Soja tamb\u00e9m, mas outros produtos\u201d, conta a professora da Universidade Federal de Lavras Dra. Renata Dias Fran\u00e7oso Brand\u00e3o, explicando que \u201cse voc\u00ea observa uma imagem de sat\u00e9lite, vai enxergar em uma regi\u00e3o bastante pequena uma quantidade de piv\u00f4s agr\u00edcolas que v\u00e3o de dezenas a uma centena. E isso tudo em um processo de duas d\u00e9cadas.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_94073\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-94073\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-94073\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Mapa-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Mapa-1.jpg 650w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Mapa-1-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Mapa-1-600x425.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Mapa-1-640x453.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"452\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94073\" class=\"wp-caption-text\">Mapa da Regi\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o, destacando as Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e os remanescentes de Cerrado na regi\u00e3o e em seu entorno. Fonte: Hist\u00f3ria Natural do Sert\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Renata \u00e9 formada em Engenharia Florestal, uma gradua\u00e7\u00e3o que capacita profissionais a atuar em \u00e1reas t\u00e3o diversas quanto a conserva\u00e7\u00e3o de florestas ou a an\u00e1lise da resist\u00eancia de chapas de madeira. Desde a gradua\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, ela teve certeza de que o \u00e2ngulo ecol\u00f3gico de sua forma\u00e7\u00e3o era o que mais a cativava.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de autora e editora do livro da Trijun\u00e7\u00e3o, a ec\u00f3loga cuidou da produ\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica da obra. Al\u00e9m da jun\u00e7\u00e3o de estados, biomas e hist\u00f3rias, a Trijun\u00e7\u00e3o representa para Reuber e Renata a jun\u00e7\u00e3o de suas vidas: hoje casados, eles se conheceram trabalhando em campo, na paisagem adornada por cerrado denso e carrasco de caatinga.<\/p>\n<p>Entre assuntos diversos demais para caberem em uma \u00fanica reportagem, Renata deu uma \u00eanfase especial \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da disponibilidade de \u00e1gua na regi\u00e3o devido ao rebaixamento do len\u00e7ol fre\u00e1tico, que amea\u00e7a tanto a agricultura quanto a vida selvagem da Trijun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cExistem lagoas da regi\u00e3o, tanto tempor\u00e1rias quanto perenes, que est\u00e3o come\u00e7ando a desaparecer\u201d, ela comenta. \u201cPara o Reuber, que trabalha com anf\u00edbios e outros animais que dependem de corpos d\u2019\u00e1gua como jacar\u00e9s, isso \u00e9 um desespero. Como vai ficar uma popula\u00e7\u00e3o de jacar\u00e9s sem \u00e1gua? Para onde eles v\u00e3o dispersar?\u201d<\/p>\n<p>Um dos cap\u00edtulos do livro \u00e9 inteiramente dedicado ao jacar\u00e9-pagu\u00e1, um dos menores e menos estudados crocodilianos do mundo, apesar de ocorrer da Venezuela ao Paraguai, distribui\u00e7\u00e3o ampla que inclui cinco biomas brasileiros. Compilando tudo o que se conhecia anteriormente \u2013 e, principalmente, os enigmas sobre essa esp\u00e9cie pouco conhecida pela ci\u00eancia \u2013 o cap\u00edtulo traz uma s\u00e9rie de dados derivados de estudos da dieta do jacar\u00e9-pagu\u00e1 na regi\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o, onde eles se alimentam principalmente de invertebrados como besouros, borboletas e aranhas. Aparentemente, o pagu\u00e1 \u2013 ao contr\u00e1rio do significado de seu nome popular, que seria algo como \u201cjacar\u00e9 abestado\u201d \u2013 chega a fazer incurs\u00f5es em terra para procurar por essas pequenas presas. Na \u00e1gua, al\u00e9m de outros invertebrados, capturam peixes e aves.<\/p>\n<figure id=\"attachment_94074\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-94074\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-94074\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Jacares.jpg\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Jacares.jpg 850w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Jacares-300x162.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Jacares-600x324.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Jacares-640x346.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"345\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94074\" class=\"wp-caption-text\">Grupo de cinco rec\u00e9m-nascidos (esquerda) e uma f\u00eamea jovem (direita) do jacar\u00e9-pagu\u00e1. A esp\u00e9cie pode estar em risco localmente, pela diminui\u00e7\u00e3o da disponibilidade de \u00e1gua. Fotografias: Reuber Brand\u00e3o (neonatos) e Renata Dias Fran\u00e7oso Brand\u00e3o (jovem)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A Trijun\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m lar de uma diversidade imensa de anf\u00edbios, grupo particularmente sens\u00edvel \u00e0 seca, por sua reprodu\u00e7\u00e3o completamente dependente da \u00e1gua. O cap\u00edtulo sobre a herpetofauna do Parna Grande Sert\u00e3o Veredas destaca 47 esp\u00e9cies de anf\u00edbios catalogadas, o que corresponde a quase 25% da diversidade conhecida de anf\u00edbios de todo o Cerrado.<\/p>\n<p><strong>O sumi\u00e7o das \u00e1guas (e uma miragem de futuro)<\/strong><\/p>\n<p>Os efeitos do desaparecimento de lagoas sobre a fauna n\u00e3o se at\u00eam a animais aqu\u00e1ticos e subaqu\u00e1ticos. A Dra. Renata explica que, em \u00e9pocas de seca, com menos \u00e1gua dispon\u00edvel na paisagem, era comum ver animais como lobos-guar\u00e1 e veados-campeiros buscando as lagoas para se hidratar. E existe ainda outro efeito, preocupante para a viabilidade ecol\u00f3gica e econ\u00f4mica da \u00e1rea em longo prazo.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m dos animais que dependem de \u00e1gua, tem tamb\u00e9m o risco para a pr\u00f3pria vegeta\u00e7\u00e3o\u201d, conta Renata. \u201cEu estive l\u00e1 no ano passado para instalar parcelas para amostrar a vegeta\u00e7\u00e3o. A gente p\u00f4de observar que, nas parcelas pr\u00f3ximas \u00e0s lagoas, est\u00e1 havendo uma mortalidade alt\u00edssima de pequi. A gente acredita que o len\u00e7ol fre\u00e1tico est\u00e1 abaixando a ponto de impedir o acesso \u00e0 \u00e1gua por parte das ra\u00edzes dessas \u00e1rvores.\u201d<\/p>\n<p>Um dos cap\u00edtulos do livro da Trijun\u00e7\u00e3o \u2013 escrito pelos ge\u00f3logos Maria Tereza Pantoja Gaspar, da Coordena\u00e7\u00e3o de \u00c1guas Subterr\u00e2neas da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas, e Jos\u00e9 Eloi Guimar\u00e3es, professor da UnB \u2013 se debru\u00e7a sobre a complexa din\u00e2mica h\u00eddrica da regi\u00e3o. De forma muito did\u00e1tica, os autores discutem poss\u00edveis causas do rebaixamento do len\u00e7ol fre\u00e1tico, como a altera\u00e7\u00e3o do regime de chuvas na regi\u00e3o e a intensifica\u00e7\u00e3o de um tipo de agricultura que dificulta o retorno das \u00e1guas de chuva para os aqu\u00edferos subterr\u00e2neos. A Dra. Renata comenta brevemente:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um conjunto de coisas. N\u00e3o \u00e9 nada isoladamente, mas essa altera\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo bastante importante. A gente enxerga ao vivo. Estando em campo, a gente v\u00ea nitidamente que essa altera\u00e7\u00e3o est\u00e1 acontecendo.\u201d<\/p>\n<p>Mesmo com os problemas recentes, a grande por\u00e7\u00e3o de terras protegidas na regi\u00e3o permite que a Trijun\u00e7\u00e3o seja um dos principais ref\u00fagios de biodiversidade na vis\u00e3o do Dr. Reuber Brand\u00e3o, que a considera \u201cum dos remanescentes mais importantes que sobraram no grande Oeste da Bahia\u201d. A presen\u00e7a de uma grande diversidade de esp\u00e9cies end\u00eamicas do Cerrado e da Caatinga.<\/p>\n<p>\u201cE tem um processo de retorno da fauna\u201d, como explica a Dra. Renata. \u201cIsso \u00e9 uma coisa que eu tamb\u00e9m vivenciei na \u00faltima d\u00e9cada. Em algum momento, teve um incentivo de plantio de\u00a0<em>Pinus<\/em>\u00a0na regi\u00e3o, que veio com a aplica\u00e7\u00e3o de muito veneno para formiga. Isso acabou com uma s\u00e9rie de esp\u00e9cies. Inclusive o tamandu\u00e1-bandeira desapareceu por um grande per\u00edodo.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_94075\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-94075\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-94075\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Anta.png\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Anta.png 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Anta-300x170.png 300w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"361\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94075\" class=\"wp-caption-text\">Anta, animal de grande porte e distribui\u00e7\u00e3o ampla. A esp\u00e9cie est\u00e1 classificada como Regionalmente Extinta na Caatinga e Em Perigo no Cerrado, sendo as \u00e1reas protegidas da Trijun\u00e7\u00e3o um de seus ref\u00fagios no bioma. Foto: Renata Dias Fran\u00e7oso Brand\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo a pesquisadora, isso remonta a um per\u00edodo anterior \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Parna Grande Sert\u00e3o Veredas, onde mesmo uma popula\u00e7\u00e3o muito menor do que a atual tinha uma pr\u00e1tica de ca\u00e7a muito mais intensa. Mas, com a diminui\u00e7\u00e3o da cultura de ca\u00e7a e com o fim do empreendimento com pinheiros para corte, a fauna come\u00e7ou a retornar. Renata comenta o efeito:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 mais comum a gente ver hoje animais em bandos, como caititus, alguns veados, lobo-guar\u00e1, on\u00e7a\u2026 muitos mam\u00edferos de grande porte na regi\u00e3o. E a gente tem conseguido observar isso com muito mais frequ\u00eancia hoje em dia do que dez anos atr\u00e1s.\u201d<\/p>\n<p><b>Melhores usos do solo, melhores usos da vida<\/b><\/p>\n<p>Em uma entrevista marcada por problemas de inform\u00e1tica e pelo revezamento para que o casal de pesquisadores cuide dos filhos, volto a conversar com o Dr. Reuber em outro dispositivo. \u00c9 a nossa quinta tentativa de videoconfer\u00eancia e, dessa vez, funciona de primeira.<\/p>\n<p>\u201cA maior esperan\u00e7a que n\u00f3s temos hoje com rela\u00e7\u00e3o a biodiversidade em \u00e1reas particulares \u00e9 realmente o turismo, a atividade tur\u00edstica, n\u00e9?\u201d, conta Reuber, com argumentos similares aos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/onde-as-harpias-dormem-protegendo-ninhos-da-maior-aguia-do-mundo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-wpel-link=\"internal\">outro entrevistado com quem conversei para ((o)) eco<\/a>. Tendo na Fazenda Trijun\u00e7\u00e3o, propriedade com quase 2 mil hectares protegidos como RPPN, um exemplo de como o turismo ecol\u00f3gico pode tornar a natureza conservada algo lucrativo, o pesquisador comenta um ponto do ecoturismo que pode ser tanto uma vantagem quanto um empecilho:<\/p>\n<p>\u201cEssas \u00e1reas de RPPN n\u00e3o v\u00e3o ser convertidas para uso econ\u00f4mico. Com isso, a Fazenda come\u00e7ou a investir fortemente em turismo qualificado para onde as pessoas v\u00e3o buscando experi\u00eancias \u00fanicas. Por exemplo, ver a via l\u00e1ctea refletida num espelho d\u2019\u00e1gua, da lagoa do Rio Formoso, que \u00e9 uma experi\u00eancia espetacular, parece que voc\u00ea est\u00e1 flutuando em cima do Espa\u00e7o. Ou ent\u00e3o encontrar lobos-guar\u00e1s bem de perto.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_94078\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-94078\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-94078\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Guara2.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Guara2.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Guara2-300x145.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Guara2-1024x495.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Guara2-600x290.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Guara2-640x309.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Guara2-379x183.jpg 379w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"309\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94078\" class=\"wp-caption-text\">Esp\u00e9cie caracter\u00edstica do Cerrado e uma das mais marcantes da fauna brasileira, o lobo-guar\u00e1 tem sido um dos atrativos tur\u00edsticos da regi\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o. Em troca de conservar os guar\u00e1s e seu h\u00e1bitat, propriet\u00e1rios e a comunidade \u00e0 volta ganham financeiramente com a visita de turistas. Foto: Renata Dias Fran\u00e7oso Brand\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Projetos de turismo baseado em observa\u00e7\u00e3o de fauna carism\u00e1tica levam entusiastas da natureza \u00e0 proximidade com animais como o lobo-guar\u00e1, experi\u00eancia na qual a Pousada Trijun\u00e7\u00e3o tem apostado, em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o On\u00e7afari. Mas o segredo do turismo baseado em experi\u00eancias \u00fanicas, Reuber ressalta, \u00e9 que ele corre o risco de tornar \u00e1reas com atributos parecidos redundantes. Ele defende ainda que deveria haver outros sistemas de incentivo para propriet\u00e1rios criarem reservas naturais em suas \u00e1reas privadas.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o poucas as Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o no Oeste do Estado da Bahia que conservam aqueles rios e aquela situa\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica, aquela hist\u00f3ria interessant\u00edssima do ponto de vista de evolu\u00e7\u00e3o do bioma. Todos os propriet\u00e1rios que usam a \u00e1gua \u00e0 jusante est\u00e3o dependendo da incorpora\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no Cerrado, mantida na Trijun\u00e7\u00e3o. Isso tem de ser, de alguma forma, remunerado. Ent\u00e3o a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/721368-sancionada-lei-de-pagamento-por-servicos-ambientais\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">legisla\u00e7\u00e3o de pagamento a servi\u00e7os ambientais\u00a0<\/a>\u00e9 uma coisa que tem de ser muito incentivada. Porque eles t\u00eam de entender que est\u00e3o provendo, com a conserva\u00e7\u00e3o, aquilo que o mundo quer e j\u00e1 percebeu que \u00e9 importante: a prote\u00e7\u00e3o daquilo que vai garantir nosso futuro.\u201d<\/p>\n<p>Com base no que j\u00e1 viu ao longo de sua carreira na pesquisa, e em exemplos de biopatentes ao redor do mundo, Reuber v\u00ea no incentivo \u00e0 bioprospec\u00e7\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para alguns dos problemas do Brasil. Estes incluem a\u00a0<a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/desafios-para-alem-da-pos-graduacao\/\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">baixa absor\u00e7\u00e3o de profissionais p\u00f3s-graduados pelo mercado de trabalho<\/a>\u00a0e, claro, a mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o de valor da natureza conservada como fonte de poss\u00edveis inova\u00e7\u00f5es de alto valor agregado.<\/p>\n<p>\u201cQue mecanismos n\u00f3s possu\u00edmos para permitir que propriet\u00e1rios de terra se tornem tamb\u00e9m propriet\u00e1rios de produtos de bioprospec\u00e7\u00e3o?\u201d, pergunta Reuber, lembrando que \u201co conhecimento da biodiversidade tem de prover benef\u00edcios para toda a coletividade. Como \u00e9 que a gente pega, por exemplo, a mangaba, e a transforma em um produto de consumo importante?\u201d, pergunta ele novamente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_94079\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-94079\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-94079\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Editores.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Editores.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Editores-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Editores-1024x676.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Editores-600x396.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Editores-640x422.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"422\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94079\" class=\"wp-caption-text\">Os organizadores do livro sobre o qual trata esta reportagem. Da esquerda para a direita, Theodoro de Hungria Machado, Renata Dias Fran\u00e7oso Brand\u00e3o, Reuber Albuquerque Brand\u00e3o e Neuber Joaquim dos Santos. Foto: Acervo pessoal de Reuber Brand\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A ideia de que este tipo de pergunta \u00e9 de interesse apenas de Universidades e Institutos de Pesquisa \u00e9 uma grande barreira \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de que conservar a natureza pode andar junto do desenvolvimento econ\u00f4mico. E isso n\u00e3o exige necessariamente uma propriedade de larga escala, se houver um plano nacional que abra caminhos para este tipo de empreendimento, segundo Reuber:<\/p>\n<p>\u201cIndependente da escala, quem est\u00e1, de alguma forma, contribuindo para a manuten\u00e7\u00e3o de um uso de solo que \u00e9 menos agressivo do que desmatar tudo e converter em uma paisagem mon\u00f3tona composta, \u00e0s vezes, por uma esp\u00e9cie apenas\u2026 consegue manter a presen\u00e7a na terra sem ter de prejudicar o futuro. Aquela coisa da pequena propriedade, da pequena fam\u00edlia, que faz, por exemplo, geleia de amora para vender\u2026 Por que eles n\u00e3o podem tamb\u00e9m preparar e vender prote\u00ednas extra\u00eddas de veneno de aranha, ou de serpente? E a\u00ed podem ter cooperativas, reservas extrativistas, popula\u00e7\u00f5es tradicionais que fa\u00e7am a mesma coisa.\u201d<\/p>\n<p>E faz, por fim, mais uma pergunta: \u201cComo \u00e9 que voc\u00ea faz com que isso se popularize?\u201d<\/p>\n<p>As respostas para estas perguntas n\u00e3o est\u00e3o nas p\u00e1ginas de \u201cHist\u00f3ria Natural do Sert\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil\u201d. As respostas que se pode encontrar no livro dizem respeito ao potencial de \u00e1reas protegidas em proteger a natureza de onde as perguntas se derivam, assim como a resposta para o que acontece com uma regi\u00e3o conservada \u00e0 medida que ela \u00e9 convertida em uma fronteira agr\u00edcola de alta demanda por \u00e1gua.<\/p>\n<p>As p\u00e1ginas a respeito de como o Brasil aprendeu com hist\u00f3rias como estas ainda est\u00e3o por serem escritas.<\/p>\n<p><i>*As imagens que ilustram essa reportagem \u2014 com exce\u00e7\u00e3o da \u00faltima \u2014 est\u00e3o presentes no livro \u201cHist\u00f3ria Natural do Sert\u00e3o da Trijun\u00e7\u00e3o do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil\u201d, e foram gentilmente cedidas pelo Editor.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAgora funcionou!\u201d As palavras sa\u00edram dos alto-falantes do celular, bem quando eu come\u00e7ava a considerar<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":142793,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cerrado-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cAgora funcionou!\u201d As palavras sa\u00edram dos alto-falantes do celular, bem quando eu come\u00e7ava a considerar","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142792"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":142795,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142792\/revisions\/142795"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/142793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}