{"id":142787,"date":"2021-03-10T09:00:00","date_gmt":"2021-03-10T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142787"},"modified":"2021-03-09T19:20:11","modified_gmt":"2021-03-09T22:20:11","slug":"uso-de-residuos-para-geracao-de-bioenergia-pode-neutralizar-as-emissoes-de-gases-estufa-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/uso-de-residuos-para-geracao-de-bioenergia-pode-neutralizar-as-emissoes-de-gases-estufa-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Uso de res\u00edduos para gera\u00e7\u00e3o de bioenergia pode neutralizar as emiss\u00f5es de gases-estufa de SP"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-142788\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O maior aproveitamento de descartes da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para a gera\u00e7\u00e3o de energia e o uso de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos para essa mesma finalidade poderiam tornar as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) de S\u00e3o Paulo neutras ou negativas, avaliam pesquisadores ligados ao Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (<b><a href=\"https:\/\/fapesp.br\/bioen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BIOEN<\/a><\/b>).<\/p>\n<p>O Estado j\u00e1 possui matriz energ\u00e9tica entre as mais limpas do mundo, com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 50% de biocombust\u00edveis para o transporte, e o uso de res\u00edduos agr\u00edcolas para a gera\u00e7\u00e3o de energia j\u00e1 contribui com 25% da eletricidade utilizada nas resid\u00eancias das cidades paulistas.<\/p>\n<p>Essa participa\u00e7\u00e3o de res\u00edduos pode saltar para 70% com o uso de parte da palha da cana-de-a\u00e7\u00facar deixada no campo ap\u00f3s a colheita e para 98% com o uso total desse insumo para a cogera\u00e7\u00e3o de energia pelas usinas sucroalcooleiras paulistas que aderiram ao Renovabio \u2013 programa do governo federal que visa expandir a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis \u2013, apontou\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/926\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gl\u00e1ucia Mendes de Souza<\/a><\/b>, professora do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IQ-USP) e membro da coordena\u00e7\u00e3o do BIOEN, durante o semin\u00e1rio on-line\u00a0<b><a href=\"https:\/\/fapesp.br\/14748\/webinar-valorizacao-de-residuos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Valoriza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos<\/a><\/b>, realizado no dia 24 de fevereiro.<\/p>\n<p>\u201cO potencial de gera\u00e7\u00e3o de bioeletricidade por res\u00edduos produzidos por outros segmentos do agroneg\u00f3cio, como o sebo animal descartado pela ind\u00fastria da carne, \u00e9 t\u00e3o grande quanto o da cana-de-a\u00e7\u00facar. H\u00e1 ainda uma s\u00e9rie de res\u00edduos de outras biomassas dispon\u00edveis no Estado de S\u00e3o Paulo, que tem 190 mil quil\u00f4metros quadrados plantados com lavouras, pastagens e florestas destinadas ao uso econ\u00f4mico\u201d, disse Souza.<\/p>\n<p>No semin\u00e1rio, a FAPESP e a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente assinaram um protocolo de inten\u00e7\u00f5es com o objetivo de estimular projetos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos voltados \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos.<\/p>\n<p>\u201cO foco da parceria \u00e9 fazer com que os res\u00edduos deixem de ser um problema e se tornem oportunidades e benef\u00edcios para a sociedade. Visa tamb\u00e9m ao desenvolvimento principalmente de a\u00e7\u00f5es focadas na quest\u00e3o da bioenergia, que inclui a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis como o etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o, biodiesel e biog\u00e1s. S\u00e3o a\u00e7\u00f5es que procuram substituir derivados de petr\u00f3leo na matriz energ\u00e9tica do Estado de S\u00e3o Paulo, que j\u00e1 \u00e9 muito especial em compara\u00e7\u00e3o com a de outras regi\u00f5es no mundo\u201d, disse Marco Ant\u00f4nio Zago, presidente da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cA parceria com a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente permitir\u00e1 transpor o conhecimento produzido em laborat\u00f3rios para a escala da produ\u00e7\u00e3o e de uso pela sociedade\u201d, acrescentou Luiz Eug\u00eanio Mello, diretor cient\u00edfico da FAPESP.<\/p>\n<p><b>Bioenergia e bioprodutos<\/b><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, pesquisadores do N\u00facleo Interdisciplinar de Planejamento Energ\u00e9tico da Universidade Estadual de Campinas (Nipe-Unicamp) t\u00eam desenvolvido m\u00e9todos para localizar, quantificar e caracterizar esses res\u00edduos agr\u00edcolas e urbanos para produ\u00e7\u00e3o de bioenergia e redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de equivalente em di\u00f3xido de carbono (CO2).<\/p>\n<p>A metodologia de localiza\u00e7\u00e3o, desenvolvida pelo professor\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/33856\/rubens-augusto-camargo-lamparelli\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rubens Augusto Camargo Lamparelli<\/a><\/b>, \u00e9 baseada na aquisi\u00e7\u00e3o por sat\u00e9lites de dados e mapas com resolu\u00e7\u00e3o espacial de 250 metros e em intervalos de 16 dias. Por meio das ferramentas espaciais \u00e9 poss\u00edvel identificar a regi\u00e3o onde est\u00e3o os res\u00edduos agr\u00edcolas e urbanos e avaliar a viabilidade econ\u00f4mica de instalar uma ind\u00fastria processadora para convers\u00e3o desses insumos em bioenergia e bioprodutos, por exemplo.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo foi aplicado inicialmente para avaliar a regi\u00e3o administrativa de Campinas, que abrange 92 cidades. Os pesquisadores constataram que os res\u00edduos mais abundantes t\u00eam origem na produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar e que os res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos ainda hoje descartados em aterros sanit\u00e1rios teriam potencial para produzir energia em propor\u00e7\u00e3o equivalente ao de uma usina sucroalcooleira, produzindo 100 milh\u00f5es de litros por ano.<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o quer dizer que se deve usar lixo para produzir biocombust\u00edvel. \u00c9 apenas um exemplo de desperd\u00edcio de um insumo valioso\u201d, sublinhou\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/5343\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Telma Franco<\/a><\/b>, professora da Faculdade de Engenharia Qu\u00edmica da Unicamp e pesquisadora do Nipe.<\/p>\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m avaliaram o potencial de produ\u00e7\u00e3o de biometano a partir da mat\u00e9ria org\u00e2nica dos res\u00edduos urbanos s\u00f3lidos enviados aos mais de dez aterros sanit\u00e1rios localizados na regi\u00e3o metropolitana de Campinas.<\/p>\n<p>\u201cVerificamos que esse material tem potencial de gerar mais de 120 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de biometano por ano\u201d, afirmou Franco.<\/p>\n<p><b>Alternativa aos aterros<\/b><\/p>\n<p>De acordo com dados apresentados por Yuri Schmitke, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Recupera\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica de Res\u00edduos (Abren), hoje 40% do lixo produzido no Brasil \u00e9 destinado aos lix\u00f5es, aterros controlados e aterros que n\u00e3o capturam metano ou fazem isso de maneira inadequada.<\/p>\n<p>Apenas 50% do metano produzido pelos res\u00edduos urbanos \u2013 que \u00e9 respons\u00e1vel por entre 3% e 5% das emiss\u00f5es totais de GEE \u2013 \u00e9 capturado pelos aterros. O restante vai para a atmosfera, onde \u00e9 25 vezes mais nocivo do que o CO2.<\/p>\n<p>Por essas raz\u00f5es, o quinto relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas) indica o tratamento t\u00e9rmico de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos como alternativa para contribuir para a mitiga\u00e7\u00e3o do aquecimento global porque reduz em oito vezes as emiss\u00f5es de GEE, explicou Schmitke.<\/p>\n<p>O tratamento t\u00e9rmico tamb\u00e9m gera entre sete e dez vezes mais energia com a mesma quantidade de lixo. Enquanto um aterro gera 65 quilowatts (kW) de biog\u00e1s por tonelada de res\u00edduos s\u00f3lidos, o tratamento t\u00e9rmico produz entre 450 e 600 kW, comparou o especialista.<\/p>\n<p>\u201cOs aterros sanit\u00e1rios tamb\u00e9m apresentam riscos para a qualidade da \u00e1gua dispon\u00edvel no planeta. Por conta dos benef\u00edcios clim\u00e1ticos, econ\u00f4micos e ambientais, os pa\u00edses desenvolvidos t\u00eam escolhido o tratamento t\u00e9rmico como alternativa aos aterros sanit\u00e1rios\u201d, afirmou Schmitke.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 2.448 usinas de tratamento t\u00e9rmico em opera\u00e7\u00e3o no mundo, das quais 1.063 est\u00e3o localizadas no Jap\u00e3o, 419 na China e 209 na Coreia do Sul. Na Am\u00e9rica do Sul h\u00e1 projetos para constru\u00e7\u00e3o de usinas desse tipo, mas de menor porte, em pa\u00edses como o Brasil.<\/p>\n<p>No Estado de S\u00e3o Paulo, por exemplo, h\u00e1 cinco projetos de constru\u00e7\u00e3o de usinas de tratamento t\u00e9rmico, distribu\u00eddas pelos munic\u00edpios de Barueri, Mau\u00e1 e Diadema e na Baixada Santista, com 183 megawatts (MW) de pot\u00eancia instalada no total.<\/p>\n<p>\u201cTemos feito um trabalho com todos os munic\u00edpios para oferecer solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis para o correto aproveitamento dos res\u00edduos. J\u00e1 temos dois projetos em fase de licenciamento ambiental junto \u00e0 Cetesb [Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo] e com pareceres do Consema [Conselho Estadual do Meio Ambiente], que s\u00e3o as de Mau\u00e1 e de Santos, com capacidade de processamento de 2 mil toneladas de res\u00edduos por dia cada\u201d, disse Marcos Penido, secret\u00e1rio estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente.<\/p>\n<p>A \u00edntegra do evento pode ser acessada em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/fapesp.br\/14748\/webinar-valorizacao-de-residuos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/fapesp.br\/14748\/webinar-valorizacao-de-residuos<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maior aproveitamento de descartes da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para a gera\u00e7\u00e3o de energia e o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":142788,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/bagaco.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O maior aproveitamento de descartes da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para a gera\u00e7\u00e3o de energia e o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142787"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142787"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142787\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":142790,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142787\/revisions\/142790"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/142788"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}