{"id":142694,"date":"2021-03-08T12:36:02","date_gmt":"2021-03-08T15:36:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142694"},"modified":"2021-03-08T12:36:02","modified_gmt":"2021-03-08T15:36:02","slug":"mudancas-climaticas-forcam-ursos-polares-a-gastarem-quatro-vezes-mais-energia-para-sobreviver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mudancas-climaticas-forcam-ursos-polares-a-gastarem-quatro-vezes-mais-energia-para-sobreviver\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas for\u00e7am ursos-polares a gastarem quatro vezes mais energia para sobreviver"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-142695\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ursos-polares e baleias narvais t\u00eam precisando gastar at\u00e9 quatro vezes mais energia para sobreviver, devido \u00e0 grande perda de gelo no \u00c1rtico, de acordo com os cientistas.<\/p>\n<p>Considerando que estes animais estavam perfeitamente adaptados \u00e0 vida polar, os predadores do topo da cadeia alimentar est\u00e3o sofrendo \u00e0 medida que seus habitats encolhem e suas caracter\u00edsticas \u00fanicas se tornam cada vez menos adequadas para um \u00c1rtico cada vez mais derretido, dizem os pesquisadores.<\/p>\n<p>Os mam\u00edferos s\u00e3o fisiologicamente projetados para usar o m\u00ednimo de energia poss\u00edvel. Os ursos polares s\u00e3o primariamente ca\u00e7adores de \u201csentar e esperar\u201d, adaptados \u00e0 captura de focas atrav\u00e9s dos buracos no gelo que estes animais fazem para respirar. Por sua vez, as baleias narvais evolu\u00edram para mergulhar muito fundo para ca\u00e7ar sem fazer movimentos r\u00e1pidos. Agora, no entanto, eles est\u00e3o tendo que se esfor\u00e7ar muito mais para se manterem vivas, de acordo com um artigo de revis\u00e3o publicado no peri\u00f3dico Journal of Experimental Biology.<\/p>\n<p>Os ursos polares alimentam-se principalmente da gordura rica em energia de focas-aneladas e de focas-barbudas, mas essa fonte de alimento est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil de encontrar. O gelo marinho no qual eles ca\u00e7am encolheu 13% por d\u00e9cada desde 1979. Estudos mostram que os ursos polares agora nadam em m\u00e9dia por tr\u00eas dias para encontrar focas, ou para procurar por outras fontes de alimentos terrestres menos densas em energia, for\u00e7ando-os a percorrer dist\u00e2ncias maiores e, consequentemente, gastar mais energia.<\/p>\n<p>\u00c9 improv\u00e1vel que os recursos terrestres consigam compensar a diminui\u00e7\u00e3o das oportunidades de capturar e de se alimentar de focas, o que significa que os ursos est\u00e3o significativamente mais vulner\u00e1veis a passarem fome. \u201cUm urso polar precisaria consumir aproximadamente 1,5 renas, 37 trutas do \u00e1rtico, 74 gansos da neve, 216 ovos de ganso de neve (ou seja, 54 ninhos com quatro ovos cada) ou 3m de frutas Empetrum-negro, para igualar a energia digest\u00edvel dispon\u00edvel na gordura de apenas uma foca-anelada adulta\u201d, escrevem os pesquisadores no artigo.<\/p>\n<p>Baleias narvais s\u00e3o nadadoras resistentes que podem atingir profundidades de 1.500 metros em busca de linguados da Groenl\u00e2ndia, sua presa favorita. Elas precisam de buracos confi\u00e1veis para respirar, mas o gelo est\u00e1 mudando rapidamente e se movendo de maneiras novas e diferentes, o que significa que os buracos mudaram e, em alguns casos, desapareceram.<\/p>\n<p>\u201cO mundo \u00e1rtico \u00e9 muito mais imprevis\u00edvel para esses animais agora\u201d, disse o Dr. Terrie Williams, coautor do relat\u00f3rio publicado pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade da Calif\u00f3rnia, Santa Cruz. \u201cCom uma quantidade limitada de oxig\u00eanio em seus m\u00fasculos e sangue, descobrimos que as baleias narvais calculam sua velocidade, profundidade e dura\u00e7\u00e3o dos mergulhos para corresponder \u00e0 capacidade de seus tanques internos de mergulho. Um erro de c\u00e1lculo pode resultar em afogamento.\u201d<\/p>\n<p>A crise clim\u00e1tica tamb\u00e9m est\u00e1 causando mudan\u00e7as na forma de migra\u00e7\u00e3o destes animais, e liberando algumas regi\u00f5es do \u00c1rtico para a atividade industrial, o que est\u00e1 perturbando o territ\u00f3rio das baleias narvais. As baleias assassinas, outro predador de topo de cadeia, se juntaram ao ecossistema marinho do \u00c1rtico e s\u00e3o conhecidas por atacar e matar baleias narvais que se movem lentamente.<\/p>\n<p>O artigo de revis\u00e3o re\u00fane uma s\u00e9rie de artigos de pesquisa para entender melhor como os predadores tradicionais de topo de cadeia do \u00c1rtico provavelmente diminuir\u00e3o. \u201cQuer\u00edamos resumir o que sabemos sobre a fisiologia desses animais\u2026 realmente vimos muitas semelhan\u00e7as entre eles\u201d, disse o Dr. Anthony Pagano, coautor do estudo e integrante do instituto de pesquisa de conserva\u00e7\u00e3o do zool\u00f3gico San Diego Zoo Global.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o nas popula\u00e7\u00f5es de ursos polares e baleias narvais provavelmente ter\u00e1 um efeito negativo sobre outros mam\u00edferos dependentes do gelo e suas presas, levando a \u201cr\u00e1pidas mudan\u00e7as em todo o ecossistema marinho do \u00c1rtico\u201d, dizem os pesquisadores. Mam\u00edferos como baleias beluga, raposas \u00e1rticas e bois-almiscarados provavelmente estar\u00e3o mais vulner\u00e1veis a mudan\u00e7as semelhantes.<\/p>\n<p>O artigo corrobora modelos existentes que preveem uma diminui\u00e7\u00e3o global no n\u00famero de ursos polares, perdendo entre um e dois ter\u00e7os de sua popula\u00e7\u00e3o at\u00e9 o final do s\u00e9culo. \u201cTemos que reduzir nossa pegada de carbono usando cada possibilidade e engenhosidade humana que pudermos pensar. Se por n\u00e3o houver outra motiva\u00e7\u00e3o, que seja porque um mundo sem ursos polares e baleias narvais seria um lugar mais triste\u201d, disse Williams.<\/p>\n<p>O professor Klaus Dodds, do departamento de geografia da Royal Holloway, Universidade de Londres, que n\u00e3o estava envolvido no estudo, disse que a publica\u00e7\u00e3o \u00e9 um artigo importante. \u201c\u00c0 medida que o \u00c1rtico continua a queimar, derreter e descongelar, continuar\u00e1 ocorrendo um efeito cascata de choques e reverbera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsp\u00e9cies ic\u00f4nicas como o urso polar, foca e baleia s\u00e3o vulner\u00e1veis a mudan\u00e7as na distribui\u00e7\u00e3o e espessura do gelo marinho. \u00c0 medida que a vida marinha muda de forma, mam\u00edferos perfeitamente adaptados a um ambiente confi\u00e1vel e congelado lutar\u00e3o para se adaptar. O custo da adapta\u00e7\u00e3o atual e futura ser\u00e1 alto.\u201d<\/p>\n<p>O professor Steve Albon, um pesquisador honor\u00e1rio associado do Instituto James Hutton, que n\u00e3o estava envolvido na pesquisa, disse: \u201cAo calcular os custos energ\u00e9ticos da perda de gelo marinho para esses predadores, podemos prever as prov\u00e1veis consequ\u00eancias para sua reprodu\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia muito antes de termos a evid\u00eancia da diminui\u00e7\u00e3o de suas popula\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ursos-polares e baleias narvais t\u00eam precisando gastar at\u00e9 quatro vezes mais energia para sobreviver, devido<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":142695,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/urso.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ursos-polares e baleias narvais t\u00eam precisando gastar at\u00e9 quatro vezes mais energia para sobreviver, devido","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142694"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142694"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142694\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":142696,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142694\/revisions\/142696"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/142695"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}