{"id":142599,"date":"2021-03-06T08:00:35","date_gmt":"2021-03-06T11:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142599"},"modified":"2021-03-06T12:34:45","modified_gmt":"2021-03-06T15:34:45","slug":"isotopo-extinto-de-niobio-e-usado-para-estudar-primordios-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/isotopo-extinto-de-niobio-e-usado-para-estudar-primordios-do-sistema-solar\/","title":{"rendered":"Is\u00f3topo extinto de ni\u00f3bio \u00e9 usado para estudar prim\u00f3rdios do Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"description\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/exodo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-142600\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/exodo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/exodo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/exodo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O ni\u00f3bio-92 n\u00e3o existe mais. Mas seu decaimento revela que duas supernovas diferentes forneceram mat\u00e9ria-prima \u00e0 nossa vizinhan\u00e7a planet\u00e1ria.<\/h2>\n<p>O ni\u00f3bio n\u00e3o serve s\u00f3 para fazer equipamentos de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, aceleradores de part\u00edculas e correntes de Whats no governo Bolsonaro. No Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETHZ), ele tamb\u00e9m revela o que acontecia no in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar. N\u00e3o qualquer ni\u00f3bio. Especificamente o is\u00f3topo Nb-92.<\/p>\n<p>O \u00e1tomo de ni\u00f3bio possui 41 pr\u00f3tons no seu n\u00facleo, dando a ele a 41\u00ba posi\u00e7\u00e3o na tabela peri\u00f3dica. O n\u00famero de n\u00eautrons, no entanto, pode variar. Assim, o n\u00famero de massa do \u00e1tomo (soma de pr\u00f3tons e n\u00eautrons) tamb\u00e9m muda, e surgem v\u00e1rias vers\u00f5es do mesmo elemento qu\u00edmico, que s\u00e3o chamadas de\u00a0<em>is\u00f3topos<\/em>.<\/p>\n<p>O \u00fanico is\u00f3topo est\u00e1vel do ni\u00f3bio (o respons\u00e1vel por formar o metal do jeitinho que voc\u00ea v\u00ea na foto ali em cima) \u00e9 o de massa 93. O is\u00f3topo estudado na Su\u00ed\u00e7a n\u00e3o existe mais na natureza, mas era abundante no momento em que o Sol se formou. De l\u00e1 at\u00e9 aqui, ele desapareceu porque era muito inst\u00e1vel: decaiu por meio da emiss\u00e3o de raios gama e se tornou um outro elemento: o zirc\u00f4nio-92. Esse, sim, encontramos por aqui. Contando o zirc\u00f4nio, descobrimos quanto havia de ni\u00f3bio.<\/p>\n<p>Demora 37 milh\u00f5es de anos para que metade de uma amostra de ni\u00f3bio-92 se torne zirc\u00f4nio-92. Esse \u00e9 seu tempo de meia-vida, no jarg\u00e3o dos qu\u00edmicos. \u00c9 pouco comparado com a idade do Sistema Solar, que tem 4,57 bilh\u00f5es de anos. Como, a cada 37 milh\u00f5es de anos, a quantidade total do is\u00f3topo na nossa vizinhan\u00e7a cai pela metade, nessa altura do campeonato ele efetivamente desapareceu: metade da metade da metade da metade\u2026<\/p>\n<p>Podemos usar a quantidade de ni\u00f3bio 92 que costumava haver em uma amostra qualquer como um cron\u00f4metro geol\u00f3gico para estabelecer sua idade. Mas, para isso, \u00e9 preciso primeiro calibrar o cron\u00f4metro: determinar qual era a propor\u00e7\u00e3o original entre ni\u00f3bio 92 e ni\u00f3bio 93 no Sistema Solar.<\/p>\n<p>Os pesquisadores da Su\u00ed\u00e7a, em parceria com o Instituto de Tecnologia de T\u00f3quio, encontraram uma forma de estimar a quantidade de ni\u00f3bio-92 que havia no passado de forma mais precisa. Eles recolheram minerais\u00a0 chamados zirconita e rutilo em pedacinhos de rocha que chegam \u00e0 Terra oriundos de Vesta, o segundo maior asteroide do Sistema Solar, formado h\u00e1 4,52 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Analisando a propor\u00e7\u00e3o de zirc\u00f4nio-92 \u2013 a zirconita, como o nome j\u00e1 diz, cont\u00e9m esse elemento em sua composi\u00e7\u00e3o\u00a0 \u2013, \u00e9 poss\u00edvel deduzir quanto de ni\u00f3bio-92 havia na \u00e1rea na \u00e9poca da forma\u00e7\u00e3o do asteroide. \u00c9poca que corresponde justamente aos prim\u00f3rdios do Sistema Solar.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria-prima usada para fabricar o Sol, a Terra e os demais planetas vizinhos n\u00e3o continha apenas hidrog\u00eanio e h\u00e9lio \u2013 os elementos mais leves da tabela peri\u00f3dica, que se formaram logo ap\u00f3s o Big Bang e comp\u00f5em a maioria esmagadora das coisas do cosmos. Ela tamb\u00e9m inclu\u00eda\u00a0elementos mais pesados, que s\u00e3o fabricados durante fen\u00f4menos como as violentas supernovas,<\/p>\n<p>Analisando a presen\u00e7a passada de ni\u00f3bio-92, o modelo feito pela equipe de Zurique mostra que duas supernovas diferentes liberaram contribui\u00e7\u00f5es para o Sistema Solar. Uma delas teve mais influ\u00eancia no interior do sistema, enquanto outra concentrou suas contribui\u00e7\u00f5es na parte exterior.<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/8\/e2017750118\">pesquisa<\/a>\u00a0sugere que os planetas mais pr\u00f3ximos ao Sol (como a Terra e Marte) receberam material ejetado pela explos\u00e3o de uma supernova de tipo Ia. Nessa vers\u00e3o do fen\u00f4meno, uma estrela compacta e densa, chamada an\u00e3-branca, engorda conforme incorpora material de uma estrela gigante vizinha. E a\u00ed\u2026 boom! (Isso acontece sempre em sistemas bin\u00e1rios, com duas estrelas girando uma em torno da outra.)<\/p>\n<p>J\u00e1 os planetas da parte externa do Sistema Solar foram abastecidos principalmente pela explos\u00e3o de uma supernova de tipo 2. Essas estrelas de alta massa colapsam sobre seu pr\u00f3prio n\u00facleo quando ficam sem combust\u00edvel para a fus\u00e3o nuclear, gerando uma explos\u00e3o violenta que espalha elementos qu\u00edmicos por toda parte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ni\u00f3bio-92 n\u00e3o existe mais. 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