{"id":14256,"date":"2015-01-17T15:00:04","date_gmt":"2015-01-17T15:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=14256"},"modified":"2015-01-17T13:04:26","modified_gmt":"2015-01-17T13:04:26","slug":"humanidade-consume-o-que-nao-pode-repor-e-esgota-os-recursos-naturais-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/humanidade-consume-o-que-nao-pode-repor-e-esgota-os-recursos-naturais-do-planeta\/","title":{"rendered":"Humanidade consume o que n\u00e3o pode repor e esgota os recursos naturais do planeta"},"content":{"rendered":"<p><small><i><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-14257\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>Por Washington Novaes*<\/i><\/small><\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o soam hoje como \u201cconversas de ecoterroristas\u201d ou de \u201cambientalistas radicais\u201d textos em que \u00e9 discutida a chamada \u201ccrise de recursos naturais\u201d ou o consumo desregrado de bens provindos do meio f\u00edsico. \u00c9 dif\u00edcil que n\u00e3o se reconhe\u00e7a a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Muito menos frequente, entretanto, \u00e9 a discuss\u00e3o sobre o caminho da exaust\u00e3o de certos recursos hoje usados em atividades vitais para o ser humano. Mas nos \u00faltimos anos algumas vozes conceituadas \u2013 como a do professor Ricardo Abramovay, da Faculdade de Economia da USP \u2013 alertam para a caminhada rumo \u00e0 exaust\u00e3o de certos bens e a gravidade do problema. Eles t\u00eam mostrado que hoje o consumo de v\u00e1rios bens f\u00edsicos j\u00e1 \u00e9 da ordem de 70 bilh\u00f5es de toneladas por ano, ou quase 10 toneladas anuais por ser humano \u2013 e esses bens n\u00e3o t\u00eam como ser repostos, ainda mais que a popula\u00e7\u00e3o cresce.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, de certos min\u00e9rios, areias, solos e outros materiais que n\u00e3o ter\u00e3o como ser repostos. O pr\u00f3prio relat\u00f3rio de 2014 do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente chama a aten\u00e7\u00e3o para esse uso insustent\u00e1vel de 40 bilh\u00f5es de toneladas anuais s\u00f3 de areia e cascalho, ou seja, quase 6 toneladas anuais por pessoa. E o Brasil, a China, a \u00cdndia e a Turquia est\u00e3o entre os pa\u00edses mais respons\u00e1veis nessa \u00e1rea, pois se incluem entre os principais produtores de cimento no mundo \u2013 e por esse caminho s\u00e3o tamb\u00e9m grandes mineradores de areia, j\u00e1 que cerca de 80% desse material vai para obras (O Globo, 4\/1, texto de Fl\u00e1via Milhorance). Da mesma forma, na constru\u00e7\u00e3o de rodovias, que exige 30 mil toneladas de areia por quil\u00f4metro (uma casa precisa de 20 toneladas).<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias disso est\u00e3o em trechos devastados de litoral, j\u00e1 que as areias de desertos n\u00e3o s\u00e3o consideradas adequadas para essa finalidade. H\u00e1 tamb\u00e9m no Brasil \u00e1reas como a bacia do Rio Guandu, no Estado do Rio de Janeiro, onde j\u00e1 se encontram crateras resultantes da extra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Texto veiculado pelo professor Luiz Fernando Badejo Carvalho (luiz_badejo@yahoo.com.br), mestre em Tecnologia e Administra\u00e7\u00e3o de Empresas, traz tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es importantes sobre essas \u00e1reas entre n\u00f3s, principalmente na constru\u00e7\u00e3o. Ele lembra que no Pa\u00eds existem quase 7 mil olarias, com forte uso desses insumos \u2013 renov\u00e1veis e n\u00e3o renov\u00e1veis -, metade pelo menos em fornos a lenha (principalmente no Nordeste). E a m\u00e9dia de calorias consumidas para gerar um milheiro de tijolos \u00e9 de 150 megajoules \u2013 ou de 15,5 quilos de madeira incinerados para cada milheiro de tijolos. Como h\u00e1 poucos anos o IBGE estimou uma produ\u00e7\u00e3o de 63 bilh\u00f5es de pe\u00e7as pelas olarias \u2013 das quais 75% como blocos e tijolos -, a cada ano seriam 47,25 bilh\u00f5es de pe\u00e7as. S\u00f3 nos fornos a lenha o uso seria de 368,5 mil toneladas de biomassa por ano \u2013 e a\u00ed o consumo n\u00e3o seria apenas de materiais que n\u00e3o podem ser repostos, mas tamb\u00e9m de biomassa de florestas, com 6,7 milh\u00f5es de \u00e1rvores \u201cpara atender ao suprimento de lenha s\u00f3 para a produ\u00e7\u00e3o de metade das olarias em funcionamento\u201d.<\/p>\n<p>Diz o trabalho que a constru\u00e7\u00e3o vertical no Estado de S\u00e3o Paulo, j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, absorvia 605 mil metros c\u00fabicos de madeira, 80% descartados ap\u00f3s o uso em formas para concreto, andaimes e escoramentos. O volume de madeiras descartadas ou utilizadas apenas uma vez chegaria a 3 milh\u00f5es de \u00e1rvores a cada ano, para confec\u00e7\u00e3o de formas para concreto, andaimes e escoramentos. No Pa\u00eds todo 15,4 milh\u00f5es anuais de \u00e1rvores \u2013 que, somadas a mais 6 milh\u00f5es incineradas em olarias, levariam ao total de 392 quil\u00f4metros quadrados de florestas derrubadas por ano. E tudo isso ainda se soma ao uso associado com materiais f\u00edsicos que n\u00e3o podem ser repostos e levam a um impasse civilizat\u00f3rio, como dizem alguns autores.<\/p>\n<p>Lembra o autor do trabalho que h\u00e1 alternativas dispon\u00edveis para uso mais racional de recursos, a redu\u00e7\u00e3o do descarte. V\u00e1rios caminhos. Mas s\u00e3o veredas muito pouco trilhadas at\u00e9 aqui. Um n\u00famero citado est\u00e1 nos res\u00edduos s\u00f3lidos dom\u00e9sticos levados para aterros. S\u00f3 nas 260 maiores cidades brasileiras, entre 1999 e 2010, eles teriam sido suficientes, reciclados, para a constru\u00e7\u00e3o de 10 milh\u00f5es de resid\u00eancias com 100 metros quadrados cada uma.<\/p>\n<p>No final de 2014, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou em primeira discuss\u00e3o projeto de lei que prev\u00ea a isen\u00e7\u00e3o do pagamento de ICMS para produtos derivados da reciclagem de res\u00edduos na constru\u00e7\u00e3o civil. Mas \u00e9 preciso acrescentar est\u00edmulos \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o de produtos que n\u00e3o podem ser repostos, principalmente areia, cer\u00e2mica, min\u00e9rios e outros.<\/p>\n<p>Outro texto ainda, de Catarina Anderaos (secovi.com.br) menciona estudo com profissionais que atuam em incorporadoras imobili\u00e1rias no Pa\u00eds. Para 82% deles, \u201co custo adicional da obra \u00e9 a principal barreira para que a constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel decole\u201d. E esse custo variaria entre 1,6% e 8,6% em incorporadoras experientes, entre 3,5% e 17,66% \u201cpara as sem experi\u00eancia\u201d. \u201cEdif\u00edcios sustent\u00e1veis\u201d poderiam economizar 35% do consumo de \u00e1gua e energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Todos esses estudos mostram que precisamos de avan\u00e7os urgentes, para reduzir o desperd\u00edcio e a perda de materiais (renov\u00e1veis e n\u00e3o renov\u00e1veis), assim como para a implanta\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos adequados na constru\u00e7\u00e3o e em outros setores. \u00c9 ilus\u00f3rio supor que poderemos, aqui e em outros pa\u00edses, continuar trilhando caminhos insustent\u00e1veis ou \u2013 pior ainda \u2013 que levem \u00e0 exaust\u00e3o de recursos f\u00edsicos em v\u00e1rias \u00e1reas. At\u00e9 mesmo porque, se n\u00e3o o fizermos por nossa conta, a isso seremos obrigados pelos pa\u00edses mais ricos, que hoje consomem 80% dos recursos naturais \u2013 e nossas balan\u00e7as comerciais est\u00e3o fortemente baseadas em produtos prim\u00e1rios.<\/p>\n<p>Tudo isso tamb\u00e9m mostra quanta inova\u00e7\u00e3o ainda nos falta nos curr\u00edculos escolares em todos os n\u00edveis. N\u00e3o apenas para qualificar profissionalmente os alunos. Mas tamb\u00e9m para promover uma revolu\u00e7\u00e3o cultural e de vida.<\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes* J\u00e1 n\u00e3o soam hoje como \u201cconversas de ecoterroristas\u201d ou de \u201cambientalistas radicais\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14257,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/criserecursosnaturais.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Washington Novaes* J\u00e1 n\u00e3o soam hoje como \u201cconversas de ecoterroristas\u201d ou de \u201cambientalistas radicais\u201d","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14256"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14256\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}