{"id":142430,"date":"2021-03-03T15:00:34","date_gmt":"2021-03-03T18:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142430"},"modified":"2021-03-03T10:57:33","modified_gmt":"2021-03-03T13:57:33","slug":"ave-selvagem-mais-velha-do-mundo-completa-70-anos-por-que-ela-e-tao-especial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ave-selvagem-mais-velha-do-mundo-completa-70-anos-por-que-ela-e-tao-especial\/","title":{"rendered":"Ave selvagem mais velha do mundo completa 70 anos \u2013 por que ela \u00e9 t\u00e3o especial?"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-142431\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Wisdom, uma albatroz que sobreviveu a tsunamis, viveu mais que a maioria de seus companheiros e gerou mais de 40 filhotes, est\u00e1 ultrapassando os limites de idade que acredit\u00e1vamos serem poss\u00edveis \u00e0s aves.<\/h2>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>KAPA\u2019A, HAVA\u00cd | Ela poderia ser qualquer uma dos um milh\u00e3o de albatrozes-de-laysan que retornam a cada outono ao Ref\u00fagio Nacional de Vida Selvagem de Atol Midway, um arquip\u00e9lago de tr\u00eas pequenas ilhas formadas por recifes de corais no norte do Pac\u00edfico. Nesse ref\u00fagio, mais de 1,6 mil quil\u00f4metros ao norte de Honolulu, no Hava\u00ed, dezenas de aves marinhas de cor branca brilhante pontilham os campos expostos das ilhas, cada uma sobre um \u00fanico ovo do tamanho de uma lata de refrigerante. Tanto os machos quanto as f\u00eameas apresentam as mesmas manchas pretas nos olhos e asas de cor marrom-chocolate, com envergadura de at\u00e9 dois metros.<\/p>\n<p>Mas uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/birds\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ave<\/a>\u00a0se destaca: Wisdom. Portando a anilha vermelha Z333 no tornozelo, ela completa no m\u00ednimo 70 anos neste ano, a ave silvestre mais velha conhecida da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cSempre dou um suspiro de al\u00edvio quando Wisdom aparece\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Jonathan-Plissner\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jon Plissner<\/a>, bi\u00f3logo do Servi\u00e7o de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos que estuda a longevidade dos albatrozes em Midway.<\/p>\n<p>Os cientistas j\u00e1 conhecem Wisdom muito bem. Sabem que ela foi anilhada em 1956, como parte de um projeto de pesquisa em longo prazo que identificou mais de 260 mil albatrozes individualmente desde o fim da d\u00e9cada de 1930. Eles conhecem seu local de nidifica\u00e7\u00e3o favorito. E sabem que ela botou um ovo no fim de novembro do ano passado, assim como fez ao menos em oito dos 11 \u00faltimos anos, e que esse ovo eclodiu em um filhote fofo em 1\u00ba de fevereiro.<\/p>\n<p>Mas ainda h\u00e1 muito sobre Wisdom e sua esp\u00e9cie que os cientistas desconhecem, a come\u00e7ar por uma pergunta \u00f3bvia: por quanto tempo ela pode viver?<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o fazemos a m\u00ednima ideia\u201d, afirma Plissner. \u201cTamb\u00e9m n\u00e3o sabemos se ela \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 provavelmente a ave mais velha da qual temos conhecimento.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr css-1kjucyr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/susan20middleton_img_6863.webp?w=320&amp;h=214\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 320px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/susan20middleton_img_6863.webp?w=360&amp;h=240\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 360px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/susan20middleton_img_6863.webp?w=430&amp;h=287\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 430px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/susan20middleton_img_6863.webp?w=500&amp;h=334\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 500px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/susan20middleton_img_6863.webp?w=768&amp;h=512\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/susan20middleton_img_6863.webp?w=900&amp;h=600\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 900px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/susan20middleton_img_6863.webp?w=1024&amp;h=683\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/susan20middleton_img_6863.webp?w=664&amp;h=443\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/susan20middleton_img_6863.webp?w=710&amp;h=474\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1600px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/susan20middleton_img_6863.webp?w=710&amp;h=474\" type=\"image\/webp\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Sylvia Earle, Exploradora Residente da National Geographic, senta-se ao lado de Wisdom na Ilha Sand, parte ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/susan20middleton_img_6863.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"Sylvia Earle, Exploradora Residente da National Geographic, senta-se ao lado de Wisdom na Ilha Sand, parte ...\" width=\"638\" height=\"426\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p><a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/meio-ambiente\/2018\/03\/quem-e-sylvia-earle-no-brasil-lancamento-livro-a-terra-e-azul-reserrvas-marinhas\">Sylvia Earle<\/a>, Exploradora Residente da National Geographic, senta-se ao lado de Wisdom na Ilha Sand, parte do Atol Midway, em janeiro de 2012. Earle \u00e9 uma pesquisadora pioneira de ecossistemas marinhos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">SUSAN MIDDLETON<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Nos \u00faltimos 15 anos, Plissner e sua equipe colocaram anilhas em filhotes de albatroz-de-laysan e registraram os n\u00fameros das anilhas de albatrozes em nidifica\u00e7\u00e3o em uma \u00e1rea de 2,5 mil metros quadrados, dados que um dia fornecer\u00e3o mais informa\u00e7\u00f5es sobre expectativa de vida. O desafio, segundo ele, \u00e9 que os albatrozes t\u00eam uma vida t\u00e3o longa que podem facilmente viver mais que os pesquisadores.<\/p>\n<p>Foi o que ocorreu com Wisdom. Chandler Robbins, bi\u00f3logo do Servi\u00e7o de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos que a anilhou, morreu em 2017 aos 98 anos<em>.<\/em><\/p>\n<h3>Uma ave s\u00e1bia<\/h3>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 prov\u00e1vel que Wisdom tenha mais de 70 anos; em 1956, uma estimativa conservadora atribu\u00eda a ela 5 anos, a idade mais precoce em que um albatroz-de-laysan pode atingir a maturidade sexual.<\/p>\n<p>Em 2002, Robbins retornou a Midway e notou um albatroz com uma anilha desgastada que precisava ser substitu\u00edda. Logo teve duas surpresas: ele havia feito a anilhagem da ave em 1956 e, aos 51 anos, ela era uma recordista. Os bi\u00f3logos da \u00e9poca estimavam que o tempo de vida de um albatroz-de-laysan seria de 40 anos.<\/p>\n<p>Por enfrentar durante tantos anos os perigos letais de ser um albatroz \u2013 tubar\u00f5es e tsunamis perigosos, para citar apenas alguns exemplos \u2013 al\u00e9m das amea\u00e7as mais recentes representadas pela humanidade, como o aquecimento dos mares devido \u00e0s\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/environment\/article\/global-warming-overview\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/environment\/article\/plastic-pollution\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1sticos<\/a>\u00a0e as linhas de pesca, ela recebeu o nome de Wisdom, que significa sabedoria em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/article\/birds-animals-oceans-parents-albatross\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Wisdom se tornou a queridinha da internet<\/a>, tanto em sua ilha natal quanto fora. No Hava\u00ed, o albatroz-de-laysan, conhecido como\u00a0<em>m\u014dl\u012b<\/em>, ocupa um lugar de destaque na cultura ind\u00edgena como um s\u00edmbolo do deus\u00a0<a href=\"https:\/\/ancienthawaiiangods.weebly.com\/lono.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lono<\/a>, que representa a chuva e a agricultura.<\/p>\n<p>Sua fama chamou a aten\u00e7\u00e3o para os perigos enfrentados por aves marinhas e pelos albatrozes-de-laysan em especial, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Elizabeth-Flint\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Beth Flint<\/a>, bi\u00f3loga do Servi\u00e7o de Pesca e Vida Selvagem em Honolulu.<\/p>\n<p>\u201cEla \u00e9 uma ave com uma longevidade compar\u00e1vel \u00e0 humana\u201d, destaca Flint. \u201cAcredito que sua maior contribui\u00e7\u00e3o seja o interesse que despertou nas pessoas, atraindo-as para a ci\u00eancia.\u201d<\/p>\n<h3>M\u00e3e discreta<\/h3>\n<p>Todo outono no Hemisf\u00e9rio Norte, quando o albatroz-de-laysan retorna a Midway ap\u00f3s meses no mar para come\u00e7ar sua pr\u00f3xima temporada de reprodu\u00e7\u00e3o, o c\u00e9u acima das ilhas, antes relativamente vazio, fica repleto de aves sobrevoando as lagoas azul-turquesa, com as asas longas e delgadas estendidas.<\/p>\n<p>Aproximadamente 70% da popula\u00e7\u00e3o global de albatrozes-de-laysan, estimada em 1,6 milh\u00e3o de indiv\u00edduos, fazem seus ninhos em Midway, uma base militar da Segunda Guerra Mundial com pouco mais de cinco quil\u00f4metros quadrados, transformada em ref\u00fagio nacional da fauna silvestre. Os bi\u00f3logos contaram cerca de 492 mil ninhos em 2020, um aumento discreto em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p>Cada casal de albatrozes-de-laysan faz um ninho profundo na terra raspando galhos, folhas e areia em um c\u00edrculo de aproximadamente um metro de di\u00e2metro. Depois que a f\u00eamea bota um \u00fanico ovo, o casal divide as tarefas como pais, revezando-se durante dias e semanas para alimentar o filhote com uma pasta regurgitada de peixes e lulas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr css-1ocsxc4\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/50911449833_3bb504aef7_o.webp?w=320&amp;h=214\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 320px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/50911449833_3bb504aef7_o.webp?w=360&amp;h=240\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 360px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/50911449833_3bb504aef7_o.webp?w=430&amp;h=287\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 430px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/50911449833_3bb504aef7_o.webp?w=500&amp;h=334\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 500px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/50911449833_3bb504aef7_o.webp?w=768&amp;h=512\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/50911449833_3bb504aef7_o.webp?w=900&amp;h=600\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 900px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/50911449833_3bb504aef7_o.webp?w=1024&amp;h=683\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/50911449833_3bb504aef7_o.webp?w=664&amp;h=443\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/50911449833_3bb504aef7_o.webp?w=710&amp;h=474\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1600px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/50911449833_3bb504aef7_o.webp?w=710&amp;h=474\" type=\"image\/webp\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Wisdom-oldest-bird-inline2\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/50911449833_3bb504aef7_o.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"Wisdom-oldest-bird-inline2\" width=\"638\" height=\"426\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>O filhote mais novo de Wisdom, que eclodiu em 1\u00ba\u00a0de fevereiro, acaricia seu pai e atual companheiro de Wisdom, Akeakamai.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">JON BRACK \/ FRIENDS OF MIDWAY ATOLL NWR \/ USFWS<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Os filhotes voam pela primeira vez para o mar no auge do ver\u00e3o e s\u00f3 retornam \u00e0 terra em tr\u00eas a cinco anos. Depois, partem e voltam repetidamente por mais alguns anos, realizando elaboradas dan\u00e7as do acasalamento em busca de um companheiro, com quem constituir\u00e3o um relacionamento de longo prazo.<\/p>\n<p>Wisdom tamb\u00e9m viveu mais que seus diversos companheiros. Sua personalidade, segundo Plissner, \u00e9 bastante discreta, exatamente o que seria esperado de uma m\u00e3e experiente que botou mais de 40 ovos durante sua vida.<\/p>\n<p>\u201cEla passa muito tempo dormindo no ninho\u201d, conta Plissner. \u201cTivemos que colocar uma marca distintiva nela, pois ela n\u00e3o se sobressai na multid\u00e3o de aves e, do contr\u00e1rio, passaria despercebida na comunidade de albatrozes.\u201d<\/p>\n<h3>Preocupa\u00e7\u00f5es com albatrozes<\/h3>\n<p>Uma preocupa\u00e7\u00e3o recente para o albatroz-de-laysan em Midway s\u00e3o os camundongos invasores, que atacam e ferem adultos que est\u00e3o incubando seus ovos.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/article\/eradicating-mice-to-save-birds-on-remote-marion-island\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Os bi\u00f3logos do Servi\u00e7o de Pesca e Vida Selvagem esperam erradicar esses camundongos<\/a>, como fizeram com os ratos, mas \u00e9 uma tarefa complexa.<\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um problema; peda\u00e7os pontiagudos de pl\u00e1stico, dos quais toneladas acabam no Pac\u00edfico todos os anos, podem perfurar as v\u00edsceras de uma ave e mat\u00e1-la<em>.<\/em><\/p>\n<p>Mas o albatroz tem uma poss\u00edvel vantagem biol\u00f3gica sobre as demais aves marinhas: sua dieta \u00e9 rica em lulas, que possuem um bico feito de quitina, uma subst\u00e2ncia considerada por Flint como um \u201cpl\u00e1stico da natureza\u201d. O albatroz pode vomitar os bicos das lulas \u2013 e fragmentos pl\u00e1sticos \u2013 expelindo algo denominado pelota ou bolo alimentar.<\/p>\n<p>Mesmo assim, ainda n\u00e3o s\u00e3o conhecidos os demais efeitos do pl\u00e1stico sobre o albatroz-de-laysan,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/species\/22698365\/132643073\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">listado pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza como quase amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o<\/a>, segundo especialistas.<\/p>\n<p>E, \u00e0 medida que o\u00a0<a href=\"https:\/\/static1.squarespace.com\/static\/56a6b01dd8af105db2511b83\/t\/575f392c22482e21181d7f96\/1465858349999\/YoungEtal2012USFWSRep.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">norte do Pac\u00edfico aquece e acidifica<\/a>, essas mudan\u00e7as tamb\u00e9m podem afetar as popula\u00e7\u00f5es de lulas e demais presas de albatrozes. \u00c9 poss\u00edvel que as popula\u00e7\u00f5es de lulas entrem em decl\u00ednio ou mudem de regi\u00e3o, o que poderia afetar o suprimento de alimento das aves, afirma Flint.<\/p>\n<h3>Mais conhecimento<\/h3>\n<p>Para enfrentar melhor as amea\u00e7as e conservar a esp\u00e9cie em longo prazo, os cientistas precisam de mais dados sobre o albatroz-de-laysan e seus comportamentos.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil estudar aves marinhas quando est\u00e3o em terra firme: s\u00e3o grandes, fazem ninhos no solo e n\u00e3o se escondem. Mas elas passam mais tempo no mar, longe dos olhos curiosos dos pesquisadores.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que entram em cena as novas tecnologias. Atualmente, bi\u00f3logos utilizam uma variedade de etiquetas equipadas com transmissores via sat\u00e9lite presas \u00e0 parte de tr\u00e1s das penas das aves ou \u00e0s anilhas em volta de seus tornozelos que fornecem dados espec\u00edficos sobre o destino das aves.<\/p>\n<p>Essas etiquetas revelaram que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.int-res.com\/articles\/meps2002\/233\/m233p283.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">albatrozes-de-laysan, na \u00e9poca de reprodu\u00e7\u00e3o, se alimentam bem longe das ilhas havaianas<\/a>, \u00e0s vezes t\u00e3o ao norte quanto as ilhas Aleutas, no Alasca, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fisheries.noaa.gov\/contact\/robert-suryan\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rob Suryan<\/a>, ecologista marinho que estuda aves marinhas no Centro de Ci\u00eancias da Pesca no Alasca, da Administra\u00e7\u00e3o Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica Nacional dos Estados Unidos, em Juneau, Alasca.<\/p>\n<p>\u201cO que faria de Wisdom um modelo not\u00e1vel a ser utilizado em prol da preserva\u00e7\u00e3o das aves marinhas seria determinar a que dist\u00e2ncia ela voa em busca de alimento para seu filhote\u201d, conta Suryan<em>.<\/em><\/p>\n<p>Algumas etiquetas possuem at\u00e9 aceler\u00f4metros, que podem registrar a mec\u00e2nica do voo \u2014 as batidas de asa, a velocidade e dura\u00e7\u00e3o do voo, observa ele. Esses dados revelaram, entre outros aspectos, como as aves conseguem sobrevoar o oceano com efici\u00eancia por per\u00edodos t\u00e3o longos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--video ngart-img--large\">\n<div id=\"sdk-video-player-4D6916BD-61CE-1228-B594-003A62D05604\" class=\"sdk-video-player\">\n<div>\n<div id=\"player-holder\" class=\"player-holder\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__heading\">AVE SELVAGEM MAIS VELHA DO MUNDO P\u00d5E OVO AOS 67 ANOS<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Wisdom, o mais velho albatroz que se tem conhecimento, vai ser m\u00e3e mais uma vez.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Outro grande mist\u00e9rio \u00e9 o que acontece com um filhote de albatroz depois de deixar o ninho, afirma Suryan. Ser\u00e1 que ele volta \u00e0 mesma col\u00f4nia de seus pais, por exemplo?<\/p>\n<p>Esses dados podem proporcionar \u201cum olhar interessante sobre a vida dessas aves que sempre me intrigaram\u201d, conta ele.<\/p>\n<h3>O Show de\u00a0Wisdom<\/h3>\n<p>Suryan n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fascinado por albatrozes \u2013 pessoas de mais de 190 pa\u00edses assistiam ao AlbatrossCam, programa de transmiss\u00e3o\u00a0<em>on-line\u00a0<\/em>ao vivo do Laborat\u00f3rio Cornell de Ornitologia em Kauai, transmitido entre 2014 e 2018.<\/p>\n<p>\u201cWisdom expande os horizontes da nossa imagina\u00e7\u00e3o sobre as possibilidades do mundo natural, e h\u00e1 tanto mais para descobrir\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.birds.cornell.edu\/home\/staff\/charles-eldermire\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Charles Eldermire<\/a>, l\u00edder do projeto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.allaboutbirds.org\/cams\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">c\u00e2meras de observa\u00e7\u00e3o de aves do Laborat\u00f3rio Cornell<\/a>. \u201cE isso nos enche de esperan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Como uma celebridade internacional, Wisdom tamb\u00e9m \u00e9 a candidata perfeita para ter sua pr\u00f3pria\u00a0<em>webcam<\/em>. Plissner explica que, infelizmente, a internet na ilha Midway \u00e9 extremamente lenta. A melhor alternativa seria instalar uma c\u00e2mera ativada por movimento que poderia ser programada para tirar uma foto ou fazer um v\u00eddeo curto aproximadamente a cada 15 minutos.<\/p>\n<p>\u201cA possibilidade est\u00e1 em discuss\u00e3o\u201d, conta Plissner. \u201cAcredito que ser\u00e1 tomada uma decis\u00e3o no pr\u00f3ximo ano.\u201d Mais um motivo para torcer pela longevidade de Wisdom.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wisdom, uma albatroz que sobreviveu a tsunamis, viveu mais que a maioria de seus companheiros<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":142431,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/albtroz.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Wisdom, uma albatroz que sobreviveu a tsunamis, viveu mais que a maioria de seus companheiros","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142430"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142430"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142430\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":142433,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142430\/revisions\/142433"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/142431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}