{"id":142365,"date":"2021-03-02T12:00:42","date_gmt":"2021-03-02T15:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142365"},"modified":"2021-03-01T19:02:26","modified_gmt":"2021-03-01T22:02:26","slug":"plantas-chamam-insetos-aliados-para-combater-predadores-que-mordem-suas-folhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/plantas-chamam-insetos-aliados-para-combater-predadores-que-mordem-suas-folhas\/","title":{"rendered":"Plantas chamam insetos aliados para combater predadores que mordem suas folhas"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"description\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-142366\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os vegetais n\u00e3o viram salada passivamente: liberam subst\u00e2ncias t\u00f3xicas para se defender, e contam com a ajuda de animais parceiros para lutar.<\/h2>\n<p><em>O convidado desta semana \u00e9 Diego M. Magalh\u00e3es, bi\u00f3logo e pesquisador do Laborat\u00f3rio de Ecologia Qu\u00edmica e Comportamento de Insetos da ESALQ-USP<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 uma batalha silenciosa acontecendo no jardim. Diariamente, uma mir\u00edade de insetos herb\u00edvoros atacam as plantas\u00a0\u2013\u00a0que, com as mais variadas t\u00e1ticas de defesa, tentam repelir esses inimigos.<\/p>\n<p>\u00c9 comum pensar que os vegetais, por falta de op\u00e7\u00e3o, aceitem passivamente predadores devorando suas folhas. Mas, embora n\u00e3o consigam correr dos herb\u00edboros, as plantas t\u00eam seus truques para se defender. Elas at\u00e9 se comunicam, emitindo sinais de alerta para avisar plantas vizinhas ou chamar o refor\u00e7o de insetos aliados.<\/p>\n<p>Dentre as t\u00e1ticas de defesa das plantas, as mais vis\u00edveis s\u00e3o os espinhos e os tricomas (protuber\u00e2ncias na epiderme). Essas estruturas s\u00e3o barreiras f\u00edsicas que dificultam o acesso dos insetos \u00e0s fontes de alimento.\u00a0Mas plantas contam tamb\u00e9m com um arsenal de armas biol\u00f3gicas. As mais fascinantes s\u00e3o os metab\u00f3litos secund\u00e1rios, nome que se refere a uma diversidade de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas.<\/p>\n<p>Muitas esp\u00e9cies vegetais produzem, ao longo da sua vida, compostos que s\u00e3o letais para certos insetos herb\u00edvoros. Quando algum bichinho tenta se alimentar das folhas, esses compostos s\u00e3o liberados e os insetos interrompem o ataque.<\/p>\n<p>Nem tudo s\u00e3o flores: alguns insetos herb\u00edvoros n\u00e3o se importam com essas subst\u00e2ncias e continuam se alimentando. Mas mesmo um oponente resistente n\u00e3o \u00e9 sinal de que a batalha est\u00e1 perdida. Algumas plantas enviam mensagens de ajuda.<\/p>\n<p>Esse SOS \u00e9 emitido por meio de compostos vol\u00e1teis \u2013 subst\u00e2ncias que, em determinadas condi\u00e7\u00f5es de temperatura e press\u00e3o, evaporam rapidamente e se espalham pelo ar. De maneira geral, quando est\u00e3o sendo devoradas por insetos, as plantas come\u00e7am emitem esses compostos em maior quantidade.<\/p>\n<div id=\"relacionadas\" class=\"block related-posts three_columns\">\n<div id=\"tab-1\" class=\"block-content active\">\n<div class=\"row\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Essa emiss\u00e3o \u00e9 equivalente a um grito de socorro, feito sob medida para atrair insetos e outros seres vivos denominados\u00a0<em>inimigos naturais. Eles\u00a0<\/em>podem ser predadores ou parasitoides, tanto faz. O que interessa \u00e9 que esses bichinhos se alimentam ou parasitam justamente das esp\u00e9cies que amea\u00e7am a planta.<\/p>\n<p>Essa mesma mensagem tamb\u00e9m pode ser percebida por plantas vizinhas da mesma esp\u00e9cie, que, ao detect\u00e1-la, ficam em alerta. Se tamb\u00e9m forem alvo de ataques, elas j\u00e1 sabem que tamb\u00e9m precisam emitir seus compostos para atrair refor\u00e7os.<\/p>\n<p>N\u00e3o para por a\u00ed. Algumas esp\u00e9cies de planta conseguem detectar a presen\u00e7a de insetos herb\u00edvoros mesmo antes deles come\u00e7arem a se alimentar de suas preciosas folhas. Um exemplo bem interessante \u00e9 o do algodoeiro.<\/p>\n<p>Essa planta \u00e9 o alimento favorito de um besouro chamado bicudo-do-algodoeiro \u2013 que, quando chega na lavoura, emite uma subst\u00e2ncia chamada\u00a0<em>ferom\u00f4nio de agrega\u00e7\u00e3o<\/em>: um composto vol\u00e1til que atrai outros bicudos. O algodoeiro, por\u00e9m, evoluiu a capacidade de detectar esse sinal. Assim, ele j\u00e1 fica avisado: h\u00e1 um pequeno ex\u00e9rcito chegando.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o algodoeiro e o bicudo \u00e9 bem espec\u00edfica, e se outro inseto, como o percevejo-do-arroz, emitir o seu ferom\u00f4nio perto do algodoeiro, a planta n\u00e3o perceber\u00e1 o sinal.<\/p>\n<p>Quando percebe que o besouro chamou seus amigos para o banquete, o algodoeiro rapidamente libera um outro ferom\u00f4nio para chamar uma vespa parasitoide.\u00a0Essa vespa deposita seus ovos no bicudo \u2013 e conforme os filhotes crescem, eles consomem o inseto de dentro para fora, at\u00e9 mat\u00e1-lo. Para o besouro, \u00e9 melhor ficar de dieta do que tentar a sorte.<\/p>\n<p><em>Este \u00e9 o sexto post do blog Bzzzzz, em que pesquisadores membros do comit\u00ea cient\u00edfico da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos das Abelhas (ABELHA) e outros cientistas colaboradores v\u00e3o comentar a vida, os h\u00e1bitos e a import\u00e2ncia econ\u00f4mica de diversos insetos \u2013 al\u00e9m de nos atualizar sobre as mais recentes descobertas no campo desses pequenos artr\u00f3podes. At\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os vegetais n\u00e3o viram salada passivamente: liberam subst\u00e2ncias t\u00f3xicas para se defender, e contam com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":142366,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ineto.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os vegetais n\u00e3o viram salada passivamente: liberam subst\u00e2ncias t\u00f3xicas para se defender, e contam com","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142365"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142365"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142365\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":142367,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142365\/revisions\/142367"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/142366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142365"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142365"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142365"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}