{"id":142322,"date":"2021-03-01T06:00:00","date_gmt":"2021-03-01T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142322"},"modified":"2021-03-01T12:13:05","modified_gmt":"2021-03-01T15:13:05","slug":"conservando-as-pererecas-de-flancos-reticulados-das-montanhas-do-brasil-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/conservando-as-pererecas-de-flancos-reticulados-das-montanhas-do-brasil-central\/","title":{"rendered":"Conservando as pererecas-de-flancos-reticulados das montanhas do Brasil Central"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-142323\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os anf\u00edbios s\u00e3o o grupo de vertebrados mais amea\u00e7ado em todo o planeta, com pelo menos 32% das esp\u00e9cies categorizadas como amea\u00e7adas. Dentre essas esp\u00e9cies amea\u00e7adas, 86% s\u00e3o categorizadas em alguma das categorias de amea\u00e7a com base em crit\u00e9rios de distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica (B2 ou B2, ou D2 para vulner\u00e1vel).<\/p>\n<p>No Brasil,\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.jnc.2018.07.001\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">95% dos anf\u00edbios amea\u00e7ados tamb\u00e9m s\u00e3o categorizados a partir de crit\u00e9rios distribucionais<\/a>. Isso demonstra que o adequado conhecimento da distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica das esp\u00e9cies e a correta delimita\u00e7\u00e3o taxon\u00f4mica s\u00e3o cr\u00edticas para sua categoriza\u00e7\u00e3o e\u00a0 posterior tomada de a\u00e7\u00f5es visando reverter a perda de biodiversidade no grupo.<\/p>\n<p>A despeito do pouco conhecimento ou mesmo desinteresse da popula\u00e7\u00e3o em geral pelos anf\u00edbios, estes organismos s\u00e3o espetaculares e seu desaparecimento \u00e9 preocupante. Al\u00e9m da relevante\u00a0<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/367\/6479\/814\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">import\u00e2ncia nas cadeias tr\u00f3ficas<\/a>, decl\u00ednios de anf\u00edbios s\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/oneplanetfellows.pbworks.com\/f\/Kiesecker%2Bet%2Bal_Amphibian%2BDisease.pdf\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">preocupantes do ponto de vista da sa\u00fade humana<\/a>\u00a0e t\u00eam sido relacionados a\u00a0<a href=\"about:blank\" data-wpel-link=\"internal\">surtos de mal\u00e1ria na Am\u00e9rica Central<\/a>. Os anf\u00edbios possuem na pele um poderoso arsenal qu\u00edmico, o qual evoluiu para proteger esses animais da desseca\u00e7\u00e3o, dos predadores e de doen\u00e7as. N\u00e3o por acaso, diversas subst\u00e2ncias biologicamente ativas t\u00eam sido encontradas nas secre\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas, com diversos usos no desenvolvimento de novos medicamentos, cosm\u00e9ticos e novas tecnologias para as ind\u00fastrias\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/pdf\/10.1177\/108705719900400508\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">qu\u00edmica<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2079-6382\/9\/9\/625\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">farmac\u00eautica<\/a>.<\/p>\n<p>O comportamento dos anf\u00edbios inspira at\u00e9 mesmo solu\u00e7\u00f5es inovadoras em produtos tecnol\u00f3gicos, como o desenvolvimento de sistemas inteligentes de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0140366411002994\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">economia de energia na transmiss\u00e3o de dados em redes wireless<\/a>.<\/p>\n<p>Com mais de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/333174039_Brazilian_Amphibians_List_of_Species\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">1100 esp\u00e9cies de anf\u00edbios ocorrendo no pa\u00eds<\/a>\u00a0como parte da estonteante biodiversidade nacional, o Brasil poderia se tornar uma grande pot\u00eancia mundial em biotecnologia. No entanto, a vis\u00e3o dominante por aqui trata a biodiversidade como entrave e n\u00e3o como o patrim\u00f4nio \u00fanico e essencial ao desenvolvimento de nossa sociedade que ela representa. O atraso e a miopia no conhecimento, uso e prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade nacional nega a toda sociedade brasileira o desenvolvimento do pa\u00eds como uma pot\u00eancia biol\u00f3gica coerente \u00e0 magnitude de nossa natureza.<\/p>\n<figure id=\"attachment_91056\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-91056\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-91056\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/IMGP0889.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/IMGP0889.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/IMGP0889-300x197.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"420\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91056\" class=\"wp-caption-text\"><em>Pithecopus centralis<\/em>, Chapada dos Guimar\u00e3es, Mato Grosso. Foto: Christine Str\u00fcssmann.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Considerando apenas as esp\u00e9cies estudadas no nosso projeto (<i>ver abaixo<\/i>), j\u00e1 foram identificadas subst\u00e2ncias com potencial para o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0021925819328984\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">combate \u00e0 doen\u00e7a de chagas<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0041010119308827?via%3Dihub\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">c\u00e9lulas tumorais<\/a>.<\/p>\n<p>O g\u00eanero\u00a0<i>Pithecopus<\/i>\u00a0(Phyllomedusidae) compreende 12 esp\u00e9cies, das quais quatro s\u00e3o end\u00eamicas das terras altas do Cerrado Brasileiro (<i>Pithecopus ayeaye, Pithecopus centralis, Pithecopus oreades\u00a0<\/i>e<i>\u00a0Pithecopus megacephalus<\/i>) e s\u00e3o o foco dos nossos estudos. Pelo fato de habitarem apenas regi\u00f5es de maior altitude no Cerrado, tais esp\u00e9cies tamb\u00e9m comp\u00f5em um interessante modelo de estudos de biogeografia e evolu\u00e7\u00e3o do Cerrado.<\/p>\n<p>Estas pererecas carism\u00e1ticas ocorrem em ambientes hoje amea\u00e7ados pela perda de habitat causada pela minera\u00e7\u00e3o, silvicultura, pecu\u00e1ria, inc\u00eandios e turismo insustent\u00e1vel. Tais ecossistemas, al\u00e9m de raros na paisagem do Cerrado, s\u00e3o muito relevantes \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de nascentes, abrigam diversas esp\u00e9cies de plantas e animais end\u00eamicos e s\u00e3o extremamente sens\u00edveis \u00e0 eros\u00e3o.<\/p>\n<p><i>Pithecopus ayeaye<\/i>\u00a0\u00e9 categorizada como Criticamente Amea\u00e7ada na Lista Vermelha da IUCN, enquanto\u00a0<i>Pithecopus centralis<\/i>,\u00a0<i>Pithecopus megacephalus<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Pithecopus oreades<\/i>\u00a0s\u00e3o classificadas como Dados Deficientes. No entanto, na Lista Vermelha do Brasil, produzida pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) atrav\u00e9s do Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o de R\u00e9pteis e Anf\u00edbios (RAN), essas esp\u00e9cies s\u00e3o categorizadas como menos preocupantes, exceto para\u00a0<i>P. centralis<\/i>, que \u00e9 classificada como\u00a0<a href=\"https:\/\/rede.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/estado-de-conservacao\/8250-anfibios-phyllomedusa-centralis\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">\u201cQuase Amea\u00e7ada\u201d<\/a>. Sendo esp\u00e9cies restritas ao Brasil, as categoriza\u00e7\u00f5es das Listas Vermelhas produzida pela IUCN e pelo ICMBio deveriam ser as mesmas para essas quatro as esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Para aumentarmos o conhecimento sobre tais esp\u00e9cies, ampliar o entendimento sobre as amea\u00e7as que pairam sobre elas e resolver as incertezas sobre as suas distribui\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas e delimita\u00e7\u00f5es taxon\u00f4micas, obtivemos financiamento em um projeto de pesquisa apoiado pelo\u00a0<i>Critical Ecosystems Partnership Fund<\/i>\u00a0(CEPF), implementado no Brasil pelo Instituto Internacional de Educa\u00e7\u00e3o do Brasil (IEB). Al\u00e9m do apoio dessas institui\u00e7\u00f5es, unimos no projeto os esfor\u00e7os de pesquisadores de diferentes universidades (UnB, UFMG, UFSJ, UFMT, UFPR) e uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental (Instituto Araguaia).<\/p>\n<figure id=\"attachment_91058\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-91058\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-91058\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Brandao_Phyllomedusamegacephala_Figure1A.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Brandao_Phyllomedusamegacephala_Figure1A.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Brandao_Phyllomedusamegacephala_Figure1A-300x205.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Brandao_Phyllomedusamegacephala_Figure1A-1024x700.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Brandao_Phyllomedusamegacephala_Figure1A-600x410.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Brandao_Phyllomedusamegacephala_Figure1A-640x438.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"438\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91058\" class=\"wp-caption-text\"><em>Pithecopus oreades<\/em>, Serra de Caldas, Goi\u00e1s. Foto: Reuber Brand\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Atrav\u00e9s do projeto desenvolvemos diversas atividades, como (1) a realiza\u00e7\u00e3o de estudos em campo, visando compreender melhor a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de cada esp\u00e9cie; (2) o uso de ferramentas gen\u00f4micas para confirmar as suas identidades taxon\u00f4micas; (3) a elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios t\u00e9cnicos para apoiar a atualiza\u00e7\u00e3o das listas vermelhas; (4) o desenvolvimento de estudos sobre as condi\u00e7\u00f5es ambientais, incluindo qualidade da \u00e1gua, exigidas pelos girinos para sua sobreviv\u00eancia e desenvolvimento; (5) realiza\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00f5es sobre o impacto da contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e degrada\u00e7\u00e3o da paisagem natural sobre as popula\u00e7\u00f5es das pererecas-macaco; e (6) a identifica\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es no Cerrado relevantes para a conserva\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>As equipes de pesquisadores envolvidos no projeto realizaram trabalhos de campo nas esta\u00e7\u00f5es chuvosas de 2019\/2020 e 2020\/2021, buscando registros das esp\u00e9cies em locais identificados por meio de uma combina\u00e7\u00e3o de modelagem de nicho ecol\u00f3gico e mapeamento de distribui\u00e7\u00e3o preditiva. Como resultado, somamos 60 localidades com registro de\u00a0<i>Pithecopus ayeaye<\/i>\u00a0(incremento de 20% no n\u00famero de registros), 11 localidades para\u00a0<i>P. centralis<\/i>\u00a0(10% de incremento), 46 localidades para\u00a0<i>P. megacephalus<\/i>\u00a0(21% de incremento) e 26 localidades para\u00a0<i>P. oreades<\/i>\u00a0(116% de incremento). As popula\u00e7\u00f5es de outras 16 localidades ainda precisam ser identificadas usando ferramentas moleculares para sua correta identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de permitir a atualiza\u00e7\u00e3o das categorias de amea\u00e7a das esp\u00e9cies a partir da revis\u00e3o das suas distribui\u00e7\u00f5es nos remanescentes do Bioma Cerrado, n\u00f3s iremos identificar outras \u00e1reas com condi\u00e7\u00f5es ambientais adequadas para sua ocorr\u00eancia para sugerir unidades de conserva\u00e7\u00e3o, fragmentos e regi\u00f5es priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o e conectividade das \u00e1reas de ocorr\u00eancia de tais esp\u00e9cies. Com isso, pretendemos contribuir com a conserva\u00e7\u00e3o das pererecas-macaco e seus ecossistemas atrav\u00e9s do incentivo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de Reservas Particulares do Patrim\u00f4nio Natural (RPPNs). Para tanto, temos apoio do CEPF\/IEB e da Funda\u00e7\u00e3o Pr\u00f3-Natureza para o apoio a propriet\u00e1rios interessados em Brasil\u00e2ndia de Minas (MG) e na regi\u00e3o de Po\u00e7os de Caldas (MG). Nesse \u00faltimo munic\u00edpio, contamos com a parceria de pesquisadoras do Instituto Federal Sul de Minas e do Instituto Fernando Bonillo. Parceiros interessados tamb\u00e9m foram contatos na regi\u00e3o da Chapada dos Veadeiros (GO) e nos munic\u00edpios de Carrancas e Lumin\u00e1rias (MG).<\/p>\n<figure id=\"attachment_91060\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-91060\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-91060\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/P-oreades-Serra-de-Caldas.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/P-oreades-Serra-de-Caldas.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/P-oreades-Serra-de-Caldas-300x218.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"463\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91060\" class=\"wp-caption-text\"><em>Pithecopus oreades<\/em>, Serra de Caldas, Goi\u00e1s. Foto: Reuber Brand\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m do incremento no conhecimento sobre a distribui\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies, descobrimos que processos pret\u00e9ritos associados a\u00a0<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/biolinnean\/advance-article\/doi\/10.1093\/biolinnean\/blaa142\/5924103?login=true#supplementary-data\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">mudan\u00e7as clim\u00e1ticas foram relevantes nos eventos de conectividade e de isolamento dessas esp\u00e9cies<\/a>, moldando a diversidade gen\u00e9tica das linhagens. Tamb\u00e9m descobrimos que o isolamento promovido pelas montanhas tem promovido diferentes graus de diferencia\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es, mostrando que tais esp\u00e9cies s\u00e3o compostas por linhagens com maior ou menor grau de semelhan\u00e7a gen\u00e9tica, o que afeta as pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o para as mesmas.<\/p>\n<p>Com o resultado de nossos estudos, a esp\u00e9cie\u00a0<i>Pithecopus centralis<\/i>\u00a0foi inclu\u00edda como esp\u00e9cie-alvo nas a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o previstas no Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o das Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o da Ictiofauna, Herpetofauna e Primatas do Cerrado e Pantanal \u2013 CERPAN, coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o de R\u00e9pteis e Anf\u00edbios (RAN\/ICMBio).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m produzimos uma cartilha para propriet\u00e1rios rurais, visando apoiar os mesmos na conserva\u00e7\u00e3o das nascentes em suas propriedades. Esses riachos de altitude s\u00e3o as nascentes prim\u00e1rias de diversos rios importantes do Cerrado, que mais tarde formar\u00e3o algumas das maiores bacias da Am\u00e9rica do Sul. A conserva\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies e seus habitats s\u00e3o a\u00e7\u00f5es impactantes para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade e dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos prestados pelas montanhas do bioma Cerrado.<\/p>\n<p>Para conhecer mais sobre o projeto, acesse a p\u00e1gina do Instagram (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/monkeyfrog_\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">@monkeyfrog_<\/a>).<\/p>\n<p><em>*Rafael F\u00e9lix Magalh\u00e3es \u00e9 mestre em Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o e Doutor em Zoologia, Professor Adjunto do Departamento de Ci\u00eancias Naturais (DCNAT) da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (UFSJ), Minas Gerais, onde desenvolve pesquisas focadas na hist\u00f3ria natural, gen\u00e9tica da conserva\u00e7\u00e3o e delimita\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies cr\u00edpticas, especialmente com Anf\u00edbios Anuros.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os anf\u00edbios s\u00e3o o grupo de vertebrados mais amea\u00e7ado em todo o planeta, com pelo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":142323,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/perereca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os anf\u00edbios s\u00e3o o grupo de vertebrados mais amea\u00e7ado em todo o planeta, com pelo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142322"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142322"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142322\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":142324,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142322\/revisions\/142324"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/142323"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}