{"id":142245,"date":"2021-02-27T20:01:57","date_gmt":"2021-02-27T23:01:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142245"},"modified":"2021-02-27T20:03:12","modified_gmt":"2021-02-27T23:03:12","slug":"apanhadores-de-flores-transformam-serra-do-espinhaco-em-um-jardim-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/apanhadores-de-flores-transformam-serra-do-espinhaco-em-um-jardim-sustentavel\/","title":{"rendered":"Apanhadores de flores transformam Serra do Espinha\u00e7o em um jardim sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<h4>H\u00e1 tr\u00eas s\u00e9culos, as comunidades de apanhadores de flores vivem de forma autossuficiente na Serra do Espinha\u00e7o, em Minas Gerais<\/h4>\n<div><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Serra do Espinha\u00e7o\" src=\"https:\/\/cdn4.ecycle.com.br\/cache\/images\/2021-02\/50-650-serra-do-espinhaco.jpg\" alt=\"Serra do Espinha\u00e7o\" width=\"640\" height=\"393\" \/><i>Imagem editada e redimensionada de\u00a0<a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/w\/index.php?title=User:F%C3%A1bioMH&amp;action=edit&amp;redlink=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">F\u00e1bio Martins Hayashi<\/a>, est\u00e1 dispon\u00edvel no\u00a0<a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Serra_do_Espinha%C3%A7o_vista_da_Lapinha_da_Serra..jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Wikimedia<\/a>\u00a0e licenciada sob\u00a0<a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/3.0\/deed.en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CC by 3.0<\/a><\/i><\/div>\n<ul>\n<li>H\u00e1 tr\u00eas s\u00e9culos, as comunidades de apanhadores de flores vivem de forma autossuficiente na Serra do Espinha\u00e7o, em Minas Gerais. Muitas s\u00e3o descendentes de africanos escravizados, mas se misturaram a ind\u00edgenas e descendentes de colonos portugueses.<\/li>\n<li>As centenas de comunidades estabeleceram uma rela\u00e7\u00e3o cooperativa de longa data com a natureza, usando o fogo de forma controlada e um c\u00f3digo de regras sustent\u00e1veis para manter suas pastagens comuns e a paisagem natural em equil\u00edbrio.<\/li>\n<li>Em 2020, a FAO reconheceu o modo de vida dos apanhadores de flores como Patrim\u00f4nio Agr\u00edcola Mundial. \u00c9 a primeira comunidade no Brasil a receber o t\u00edtulo.<\/li>\n<li>Al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de um parque nacional que pro\u00edbe a coleta, a minera\u00e7\u00e3o e planta\u00e7\u00f5es de eucalipto constituem amea\u00e7as a esse modo de vida ancestral.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cA serra \u00e9 nossa terra, nossa vida\u201d, diz Maria de F\u00e1tima Alves, ou Tatinha. A serra a que ela se refere \u00e9 a do Espinha\u00e7o, cadeia montanhosa com cerca de mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o em Minas Gerais, que marca a transi\u00e7\u00e3o do Cerrado para o semi\u00e1rido nordestino. Chefe da Comiss\u00e3o pela Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (Codecex), Tatinha \u00e9 uma das moradoras das centenas de comunidades da Serra do Espinha\u00e7o que ganham a vida colhendo e vendendo flores nativas \u2014 as chamadas sempre-vivas.<\/p>\n<p>O nome \u00e9 apropriado: as sempre-vivas florescem sobre afloramentos rochosos, apesar de enraizadas em solos arenosos pouco profundos e pobres em nutrientes. Incapazes de produzir ra\u00edzes longas para acessar a \u00e1gua e os minerais do subsolo, as v\u00e1rias esp\u00e9cies de sempre-viva desenvolveram estrat\u00e9gias alternativas para sobreviver \u00e0 seca: uma delas \u00e9 produzir menos folhas, de forma que as plantas n\u00e3o murchem ap\u00f3s longas horas ao sol; outra s\u00e3o as flores que sobrevivem por semanas ou at\u00e9 meses sem perder a cor, atraindo polinizadores \u2013 e admiradores.<\/p>\n<p>Em 2020, a experi\u00eancia dos apanhadores de sempre-vivas foi reconhecida pela FAO como o primeiro\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fao.org\/brasil\/noticias\/detail-events\/pt\/c\/1265788\/#:~:text=Criado%20em%202002%20pela%20FAO,tecnologias%20agr%C3%ADcolas%20contempor%C3%A2neas%20e%20futuras.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Patrim\u00f4nio Agr\u00edcola Mundial<\/a>\u00a0do Brasil. Ela agora faz parte dos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fao.org\/giahs\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sistemas Importantes do Patrim\u00f4nio Agr\u00edcola Mundial<\/a> (Sipam), uma rede criada pela organiza\u00e7\u00e3o para identificar \u201cpaisagens de excepcional beleza que combinam biodiversidade agr\u00edcola, ecossistemas resilientes e um valioso patrim\u00f4nio cultural.\u201d J\u00e1 s\u00e3o 62 sistemas reconhecidos pela FAO em 22 pa\u00edses.<\/p>\n<h2>Da escravid\u00e3o \u00e0 vida em comunidade<\/h2>\n<p>Em um passado n\u00e3o t\u00e3o distante, a Serra do Espinha\u00e7o foi um grande centro de explora\u00e7\u00e3o de ouro e diamante, empregando um grande volume de m\u00e3o de obra escrava.<\/p>\n<p>Para alguns, esse trabalho em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o continuou por gera\u00e7\u00f5es, mesmo ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o. Fernanda Monteiro, que estudou o modo de vida dos apanhadores de flores por mais de uma d\u00e9cada, diz que sua pesquisa revelou pessoas que ainda eram escravizadas at\u00e9 os anos 1960, trabalhando nas minas e tamb\u00e9m nas fazendas de gado da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A apanhadora Andreia Ferreira dos Santos contou algo similar \u00e0 Mongabay: \u201cAs pessoas mais velhas da minha comunidade come\u00e7aram a trabalhar [em grandes fazendas] quando eram crian\u00e7as e n\u00e3o eram pagas de forma adequada, com frequ\u00eancia recebendo apenas alimento em troca do trabalho\u201d, lembra. \u201cMeu tio Z\u00e9 Carreira me contou algo muito impressionante: que eles trabalhavam na fazenda e na mina para um homem que os fazia dormir no est\u00e1bulo; quando ele sa\u00eda com o cavalo, eles tinham que esperar que ele chegasse, j\u00e1 que \u00e0 noite usavam o cobertor da sela para se proteger do frio.\u201d<\/p>\n<p>Muitos trabalhadores, por\u00e9m, conseguiram fugir e se esconder entre os picos e vales que comp\u00f5em a serra. A invisibilidade, somada \u00e0s alian\u00e7as familiares que foram construindo com o tempo, se tornaram sua estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Marcello Broggio, representante da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) no Brasil, conta como os escravizados fugidos se encontraram e se miscigenaram com outros grupos: \u201cOs escravizados, fugindo da explora\u00e7\u00e3o fatal nas fazendas ou na minera\u00e7\u00e3o do ouro, misturaram-se com povos ind\u00edgenas nativos da regi\u00e3o e com descendentes de colonos europeus, realizando a pecu\u00e1ria itinerante\u201d, explica.<\/p>\n<h2>Manejo sustent\u00e1vel<\/h2>\n<p>Juntas, as centenas de comunidades constitu\u00eddas por esses povos de diferentes origens constru\u00edram ao longo do tempo um modo de vida alternativo ao trabalho escravo \u2013 uma forma de vida independente baseada no uso comum das terras altas. Isso inclui o cultivo de alimentos em ro\u00e7as pr\u00f3ximas aos vilarejos e a cria\u00e7\u00e3o de pequenos rebanhos de gado curraleiro, ra\u00e7a antiga descendente dos primeiros bois trazidos pelos colonizadores portugueses. E, \u00e9 claro, a coleta de esp\u00e9cies da flora local para uso ornamental: \u201cColetamos mais de 200 esp\u00e9cies de flores, frutos e folhas secas\u201d, diz Tatinha.<\/p>\n<p>Monteiro diz que colher flores se tornou muito mais do que uma maneira de ganhar dinheiro: \u201cA luta dos apanhadores de flores \u00e9 uma luta profunda. \u00c9 uma luta por um meio de vida, uma forma de pensar o mundo, de se relacionar com a serra e de construir o futuro que querem para seus filhos.\u201d<\/p>\n<p>Como os apanhadores de flores est\u00e3o sempre trabalhando com as gera\u00e7\u00f5es futuras em mente, sua vis\u00e3o j\u00e1 \u00e9 em si sustent\u00e1vel. Broggio explica: \u201cA engenhosidade dessas comunidades h\u00edbridas foi desenvolver em um curto per\u00edodo de tempo um estilo de vida e uma estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia totalmente integrados com o meio ambiente; e sustent\u00e1veis o suficiente para serem eficientes, duradouros e resilientes.\u201d<\/p>\n<p>Tatinha conta como funciona esta rela\u00e7\u00e3o sin\u00e9rgica com a natureza. Ao longo de muitos anos, as comunidades estabeleceram um procedimento meticuloso de cultivo, passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, garantindo o florescimento das sempre-vivas. \u201c\u00c9 preciso colher as flores quando elas est\u00e3o totalmente abertas, depois que as sementes ca\u00edram, e deixar sempre o restolho no solo, a partir do qual novas flores podem surgir\u201d, diz ela.<\/p>\n<p>Assim como em outros ecossistemas singulares \u2013 como os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Ladislav_Mucina\/publication\/40106510_Fynbos_Biome\/links\/54ca36aa0cf22f98631ac054.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">fynbos<\/a>\u00a0na \u00c1frica do Sul, ou as pastagens altas de\u00a0<a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2021\/01\/protesters-hold-back-military-takeover-of-balkans-largest-mountain-pasture\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sinjajevina<\/a>, em Montenegro, nos B\u00e1lc\u00e3s \u2013, as fam\u00edlias do Espinha\u00e7o tamb\u00e9m usam o fogo para preservar o habitat, estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica entre as comunidades naturais e humanas. No momento certo do ano, depois das primeiras chuvas, elas colocam fogo nas pastagens e encostas onde as flores crescem. \u201cAs flores n\u00e3o conseguem sobreviver sem o fogo\u201d, diz Tatinha.<\/p>\n<p>Os apanhadores de flores dizem que o uso do fogo imita os inc\u00eandios naturais que ocorrem na serra, mas controlando-os para torn\u00e1-los mais eficientes e menos destrutivos. Broggio concorda: \u201cNenhuma esp\u00e9cie [de sempre-viva] desapareceu nas \u00e1reas tradicionais de coleta devido \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o, enquanto que em algumas \u00e1reas protegidas rec\u00e9m-estabelecidas, onde o uso do fogo \u00e9 proibido, algumas dessas esp\u00e9cies se tornaram raras.\u201d<\/p>\n<h2>Proibidos de entrar no parque<\/h2>\n<p>Uma grande mudan\u00e7a na vida dos apanhadores foi a cria\u00e7\u00e3o, em 2002, do Parque Nacional das Sempre-Vivas, que cobre 124 mil hectares no sul da Serra do Espinha\u00e7o, em Minas Gerais. Segundo as comunidades locais, por\u00e9m, elas n\u00e3o foram consultadas previamente sobre a decis\u00e3o do governo federal de criar a reserva.<\/p>\n<p>Os parques nacionais representam uma forma radical de conserva\u00e7\u00e3o, um modelo no qual a ocupa\u00e7\u00e3o humana ou atividades de subsist\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o permitidos. Contudo, o parque da Serra do Espinha\u00e7o foi imposto em terras tradicionalmente usadas e manejadas de forma sustent\u00e1vel pelos apanhadores de flores por s\u00e9culos. Ap\u00f3s o estabelecimento do parque, houve tentativas de criminalizar as fam\u00edlias por viverem como sempre viveram, de acordo com moradores locais.<\/p>\n<p>O ICMBio (Instituto Chico Mendes para a Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade), que administra os parques nacionais, diz que suas pol\u00edticas mudaram desde a funda\u00e7\u00e3o do parque em 2002. \u201cO ICMBio n\u00e3o tenta limitar as atividades tradicionais dos apanhadores de flores no Parque Nacional das Sempre-Vivas. Ao contr\u00e1rio, desde 2012, o instituto vem desenvolvendo uma s\u00e9rie de iniciativas, em di\u00e1logo constante com as comunidades tradicionais, para a constru\u00e7\u00e3o participativa dos Termos de Compromisso. Esses acordos s\u00e3o de import\u00e2ncia fundamental para garantir a sobreviv\u00eancia digna das comunidades sem prejudicar a conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais protegidos na unidade de conserva\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Mas algumas tens\u00f5es ainda existem. \u201cAt\u00e9 o ano passado, os coletores de flores eram multados se fossem encontrados trabalhando no parque\u201d, relata Tatinha, algo que, segundo ela, \u00e9 muito injusto. \u201cSe ainda existem flores e \u00e1gua no parque hoje, \u00e9 porque n\u00f3s tomamos conta da terra. As autoridades a encontraram preservada, e mesmo assim querem excluir os coletores. Essa \u00e9 uma grave viola\u00e7\u00e3o dos nossos direitos.\u201d<\/p>\n<p>Monteiro concorda. \u201cAcho totalmente incoerente criar uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 foi preservada por causa da forma como as comunidades tradicionais manejaram a terra ao longo dos \u00faltimos 300 anos, e impedir que essas mesmas comunidades entrem nela.\u201d Ela acrescenta: \u201cFiquei chocada com o grau e o tipo de viol\u00eancia, tanto f\u00edsica quanto simb\u00f3lica, que essas comunidades sofreram.\u201d<\/p>\n<h2>Eucaliptos e minera\u00e7\u00e3o: novas amea\u00e7as<\/h2>\n<p>Se por um lado existe a limita\u00e7\u00e3o de entrada no parque nacional para apanhar sempre-vivas, fora da reserva as comunidades vivem sob permanente press\u00e3o de atividades tidas como \u201cprogresso econ\u00f4mico\u201d para a regi\u00e3o. Ao norte do parque, planta\u00e7\u00f5es extensivas de eucalipto, usado para produzir carv\u00e3o, cobrem 300 mil hectares. \u201cO eucalipto tem um impacto muito negativo\u201d, explica Tatinha. \u201cEle destr\u00f3i o Cerrado e destr\u00f3i os cursos d\u2019\u00e1gua, porque seca a \u00e1gua do subsolo. Onde quer que o eucalipto seja plantado, n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua ou flores.\u201d<\/p>\n<p>A ci\u00eancia d\u00e1 respaldo \u00e0 vis\u00e3o de Tatinha, com fortes evid\u00eancias de que eucaliptos invasores\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0378112719305961?casa_token=dG1vcv_os_cAAAAA:f3KK79veB_Ie4LC5Q1R_EhLqEaSlAkHq42pXGm-9oxcI_zx6Zk8bJDYeEgq1a93abA5ClkTVvw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">acabam com a \u00e1gua<\/a>, e que tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/bioone.org\/journals\/South-American-Journal-of-Herpetology\/volume-12\/issue-1\/SAJH-D-16-00028.1\/In-the-Shadow-of-Trees--Does-iEucalyptus-i-Afforestation\/10.2994\/SAJH-D-16-00028.1.short\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">diminuem significativamente a biodiversidade<\/a> de gram\u00edneas. No entanto, ainda n\u00e3o h\u00e1 controle sobre as planta\u00e7\u00f5es de eucalipto, j\u00e1 que elas ficam fora do parque nacional.<\/p>\n<p>Outro risco: Tatinha diz que companhias de minera\u00e7\u00e3o est\u00e3o invadindo as terras comuns. \u201cA minera\u00e7\u00e3o est\u00e1 entrando com for\u00e7a total, especialmente agora durante a pandemia, quando tudo est\u00e1 parado. [As mineradoras] n\u00e3o realizam consultas p\u00fablicas com as comunidades nem estudos de impacto ambiental. Mesmo assim, elas est\u00e3o tomando nossos territ\u00f3rios.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Fernanda Monteiro, diversas mineradoras de diferentes portes chegaram \u00e0 serra, com planos de explorar v\u00e1rios min\u00e9rios, entre eles o mangan\u00eas, o ferro e o quartzito.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 luta das comunidades para manter o livre acesso \u00e0s suas terras comuns e continuar com seus meios de vida ancestrais, a designa\u00e7\u00e3o da FAO lhes deu esperan\u00e7a, al\u00e9m de uma nova arma \u2013 a publicidade.<\/p>\n<p>Membros da comunidade disseram que a designa\u00e7\u00e3o da FAO permite que eles fa\u00e7am campanha de forma mais eficaz para obter os t\u00edtulos da terra. \u201cN\u00e3o faz sentido o governo aceitar a designa\u00e7\u00e3o do modo de vida dos apanhadores de flores como um Sistema Importante do Patrim\u00f4nio Agr\u00edcola Mundial e depois desmembrar o territ\u00f3rio, permitindo a entrada de mineradoras e da monocultura de eucalipto, al\u00e9m da privatiza\u00e7\u00e3o do parque\u201d, diz Tatinha.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s vivemos na invisibilidade por muitos s\u00e9culos, at\u00e9 as amea\u00e7as externas acabarem com a nossa paz\u201d, ela conclui. \u201cAgora, essa visibilidade deve trazer as pol\u00edticas p\u00fablicas necess\u00e1rias para manter nosso modo de vida vivo.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 tr\u00eas s\u00e9culos, as comunidades de apanhadores de flores vivem de forma autossuficiente na Serra<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 tr\u00eas s\u00e9culos, as comunidades de apanhadores de flores vivem de forma autossuficiente na Serra","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142245"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142245"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142245\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":142247,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142245\/revisions\/142247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}