{"id":142207,"date":"2021-02-27T00:00:26","date_gmt":"2021-02-27T03:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142207"},"modified":"2021-02-26T20:56:06","modified_gmt":"2021-02-26T23:56:06","slug":"cientistas-congelam-semen-de-corais-para-tentar-salvar-especie-da-extincao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-congelam-semen-de-corais-para-tentar-salvar-especie-da-extincao-no-brasil\/","title":{"rendered":"Cientistas congelam s\u00eamen de corais para tentar salvar esp\u00e9cie da extin\u00e7\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Corais.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-167806\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Corais.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Corais.jpg 800w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Corais-300x169.jpg 300w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Corais-768x432.jpg 768w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Corais-678x381.jpg 678w\" alt=\"\" width=\"637\" height=\"358\" \/><\/a><figcaption>A Unesco projeta que os corais ser\u00e3o extintos da natureza at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo \u2013 ENRICO MARCOVALDI\/DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Estima-se que at\u00e9 50% dos recifes de corais j\u00e1 desapareceram dos oceanos. A previs\u00e3o para o futuro tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 animadora: uma proje\u00e7\u00e3o da Unesco apontou que, caso as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o sejam revertidas, eles ser\u00e3o extintos at\u00e9 o final deste s\u00e9culo.<\/strong><\/p>\n<p>Conforme a temperatura do oceano aumenta \u2014 uma consequ\u00eancia do aquecimento global \u2014, os\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/corais\">corais<\/a>\u00a0perdem suas cores, tornam-se esbranqui\u00e7ados e, por fim, morrem.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio desastroso levou pesquisadores brasileiros a utilizar uma estrat\u00e9gia nova para tentar conservar a\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/especie-em-extincao\">esp\u00e9cie<\/a>: o congelamento dos gametas \u2014 c\u00e9lulas sexuais dos corais que conjugam espermatozoides e \u00f3vulos dentro de uma mesma estrutura.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 que, no futuro pr\u00f3ximo, o material gen\u00e9tico possa ser descongelado e usado para repovoar algumas regi\u00f5es da costa onde a incid\u00eancia de recifes diminuiu nos \u00faltimos anos, como Porto de Galinhas, no litoral de Pernambuco. Ou seja, o objetivo \u00e9 que, em breve, o\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/brasil\">Brasil<\/a>\u00a0consiga produzir \u201c<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/corais\">corais<\/a>\u00a0de proveta\u201d, animais reproduzidos em laborat\u00f3rio e que, depois, poder\u00e3o ser transportados para algum ponto do mar.<\/p>\n<p>\u201cO aquecimento do oceano e o r\u00e1pido desaparecimento dos recifes acenderam uma luz vermelha de que precis\u00e1vamos fazer algo para tentar conservar a\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/especie-em-extincao\">esp\u00e9cie<\/a>. Estamos usando uma tecnologia conhecida como criobiologia (\u00e1rea nova da ci\u00eancia que estuda os efeitos de baixas temperaturas em c\u00e9lulas, tecidos e organismos vivos)\u201d, explica Leandro Godoy, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenador t\u00e9cnico do projeto.<\/p>\n<p>O programa \u00e9 encabe\u00e7ado pelo Instituto Coral Vivo e financiado pela Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza.<\/p>\n<h2 id=\"Como-congelar-o-s\u00eamen-de-coral\">Como congelar o s\u00eamen de coral?<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/branqueamento_de_corais.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-167807\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/branqueamento_de_corais.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/branqueamento_de_corais.jpg 800w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/branqueamento_de_corais-300x169.jpg 300w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/branqueamento_de_corais-768x432.jpg 768w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/branqueamento_de_corais-678x381.jpg 678w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"359\" \/><\/a><figcaption>O aquecimento do oceano faz com que os corais sofram um processo de branqueamento \u2013 MARI LOPES\/DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/figcaption><\/figure>\n<p>A\u00a0<em>Mussismilia harttii<\/em>, uma das esp\u00e9cies end\u00eamicas de coral na costa brasileira, \u00e9 um animal hermafrodita, ou seja, um mesmo indiv\u00edduo produz e expele tanto o espermatozoide quanto o \u00f3vulo necess\u00e1rios \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse material \u00e9 lan\u00e7ado dentro de um inv\u00f3lucro (uma esp\u00e9cie de c\u00e1psula) de cerca de 1,5 cent\u00edmetro de di\u00e2metro, os gametas. Cada um desses \u201cpacotinhos\u201d jogados na \u00e1gua, como explica Godoy, cont\u00e9m bilh\u00f5es de espermatozoides e centenas de \u00f3vulos.<\/p>\n<p>O s\u00eamen dos\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/corais\">corais<\/a>\u00a0pode sobreviver na \u00e1gua por at\u00e9 22 horas \u2014 o de muitos peixes marinhos, por exemplo, vivem de 15 a 20 minutos, apenas. O espermatozoide precisa ent\u00e3o encontrar um \u00f3vulo da mesma\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/especie-em-extincao\">esp\u00e9cie<\/a>\u00a0para fecund\u00e1-lo, como na reprodu\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Quando isso ocorre, eles se transformam em min\u00fasculas larvas, que flutuam no oceano por alguns dias at\u00e9 encontrar uma superf\u00edcie s\u00f3lida para se fixar \u2014 local onde o coral vai se desenvolver e se espalhar ao longo da vida.<\/p>\n<p>O pico reprodutivo da\u00a0<em>Mussismilia harttii\u00a0<\/em>acontece entre setembro e novembro, quando pesquisadores est\u00e3o indo a campo para coletar algumas col\u00f4nias de coral no Parque Municipal Marinho do Recife de Fora, em Porto Seguro, litoral sul da Bahia.<\/p>\n<p>A reprodu\u00e7\u00e3o dos animais est\u00e1 associada \u00e0 fase da lua nova. \u201cEsse \u00e9 um mist\u00e9rio da natureza: para a maioria das esp\u00e9cies de corais do Oceano Pac\u00edfico e do Caribe, a desova acontece na fase da lua cheia. No hemisf\u00e9rio sul, ocorre na lua nova. Uma das possibilidades para explicar esse fen\u00f4meno \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o entre a desova e a amplitude e a oscila\u00e7\u00e3o da mar\u00e9, o que facilitaria a dispers\u00e3o dsos<\/p>\n<p>Os\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/corais\">corais<\/a>\u00a0coletados s\u00e3o levados para a base de pesquisas do Instituto Coral Vivo, tamb\u00e9m em Porto Seguro, e mantidos em tanques com \u00e1gua do mar. Al\u00e9m da\u00a0<em>Mussismilia harttii<\/em>, o projeto trabalha com outras duas esp\u00e9cies da costa brasileira \u2014 depois eles s\u00e3o devolvidos \u00e0 natureza.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/gametas_dos_corais.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-167808\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/gametas_dos_corais.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/gametas_dos_corais.jpg 800w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/gametas_dos_corais-300x169.jpg 300w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/gametas_dos_corais-768x432.jpg 768w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/gametas_dos_corais-678x381.jpg 678w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/a><figcaption>Os gametas dos corais re\u00fanem bilh\u00f5es de espermatozoides e algumas centenas de \u00f3vulos, como mostra a imagem \u2013 LEANDRO GODOY<\/figcaption><\/figure>\n<p>A equipe de Godoy inicia o processo de congelamento dos gametas em nitrog\u00eanio l\u00edquido, a uma temperatura de -196\u00b0C. N\u00e3o \u00e9 algo simples. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 resfriar o material como quando a gente coloca alguma coisa no freezer. \u00c9 preciso retirar toda a \u00e1gua dos espermatozoides e dos \u00f3vulos, porque, em caso contr\u00e1rio, os cristais de gelo que se formam podem destruir as c\u00e9lulas\u201d, explica Godoy.<\/p>\n<p>Por ora, o s\u00eamen congelado \u00e9 enviado \u00e0 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde est\u00e1 sendo armazenado para posterior reprodu\u00e7\u00e3o\u00a0<em>in vitro<\/em>. Estudos preliminares apontaram que cerca de 30% dos espermatozoides sobreviveram ao descongelamento, uma taxa considerada alta.<\/p>\n<p>\u201cEstamos paralisando essas c\u00e9lulas no tempo. N\u00f3s conseguimos mant\u00ea-las vivas por at\u00e9 50 anos. No momento oportuno, podemos traz\u00ea-las de volta \u00e0 vida para auxiliar na conserva\u00e7\u00e3o dos\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/corais\">corais<\/a>\u201c, diz Godoy.<\/p>\n<h2 id=\"Por-que-os-corais-s\u00e3o-importantes\">Por que os corais s\u00e3o importantes?<\/h2>\n<p>Os recifes de coral s\u00e3o conhecidos como \u201cpequenas florestas tropicais do oceano\u201d, em virtude de sua beleza multicolorida e e import\u00e2ncia vital para o meio ambiente.<\/p>\n<p>Os recifes s\u00e3o um dos ecossistemas mais produtivos e biologicamente ricos da Terra. Segundo estudo do World Resources Institute (WRI), institui\u00e7\u00e3o global de pesquisa cient\u00edfica, eles se estendem por cerca de 250 mil quil\u00f4metros quadrados, uma por\u00e7\u00e3o min\u00fascula do oceano. Por\u00e9m, estima-se que 25% de todas as\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/especie-em-extincao\">esp\u00e9cies<\/a>\u00a0marinhas conhecidas usam os recifes como abrigo em algum momento da vida.<\/p>\n<p>\u201cOnde existem recifes h\u00e1 uma biodiversidade imensa. Quando eles est\u00e3o doentes, muitas esp\u00e9cies desaparecem junto\u201d, explica a bi\u00f3loga Jana\u00edna Bumbeer, especialista em ci\u00eancia e conserva\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza.<\/p>\n<p>\u201cEles t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de engenheiros, pois aumentam a complexidade do ambiente. Servem de abrigo para muitas esp\u00e9cies, que se escondem de predadores, se alimentam e at\u00e9 se reproduzem dentro das estruturas dos recifes\u201d, diz Bumbeer.<\/p>\n<p>A sobreviv\u00eancia dos\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/corais\">corais<\/a>\u00a0n\u00e3o \u00e9 importante apenas para a biodiversidade do planeta, mas tamb\u00e9m para a economia e sobreviv\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o de muitos pa\u00edses, inclusive o\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/brasil\">Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Segundo o WRI, 850 milh\u00f5es de pessoas no mundo vivem a menos de 100 km de um recife de coral e s\u00e3o suscet\u00edveis de \u201cobter benef\u00edcios dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos\u201d produzidos por eles. Entre esses benef\u00edcios est\u00e1 a alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs esp\u00e9cies de peixes associadas a recifes s\u00e3o importantes fonte de prote\u00edna (para a popula\u00e7\u00e3o), contribuindo com cerca de um quarto do pesca total nos pa\u00edses em desenvolvimento, em m\u00e9dia\u201d, diz o estudo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os recifes s\u00e3o vitais para movimentar o turismo em muitos pa\u00edses tropicais, como o Brasil, atraindo mergulhadores, praticantes de snorkel e pescadores recreativos. \u201cMais de 100 pa\u00edses e territ\u00f3rios se beneficiam do turismo associado aos recifes de coral\u201d, aponta o WRI.<\/p>\n<h2 id=\"Por-que-os-corais-est\u00e3o-morrendo\">Por que os corais est\u00e3o morrendo?<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/desova_de_um_coral_couve-flor.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-167809\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/desova_de_um_coral_couve-flor.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/desova_de_um_coral_couve-flor.jpg 800w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/desova_de_um_coral_couve-flor-300x169.jpg 300w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/desova_de_um_coral_couve-flor-768x432.jpg 768w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/desova_de_um_coral_couve-flor-678x381.jpg 678w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"359\" \/><\/a><figcaption>Momento da desova do coral couve-flor \u2013 LEANDRO SANTOS\/DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma s\u00e9rie de problemas afeta a sobreviv\u00eancia dos corais. Para a maioria, o principal algoz \u00e9 o aquecimento global.<\/p>\n<p>Os corais s\u00e3o coloridos porque abrigam as zooxantelas, microalgas que grudam na superf\u00edcie do animal em uma rela\u00e7\u00e3o de simbiose (ambos se beneficiam desse encontro).<\/p>\n<p>\u201cEssas microalgas fazem fotoss\u00edntese, e o material qu\u00edmico produzido por esse processo serve de alimento para os corais\u201d, explica Leandro Godoy.<\/p>\n<p>Com o aquecimento acentuado do oceano nos \u00faltimos anos, o processo de fotoss\u00edntese fica desregulado.<\/p>\n<p>\u201cCom a \u00e1gua mais quente, as algas passam a produzir um elemento t\u00f3xico para os corais. Ent\u00e3o os corais \u2018expulsam\u2019 as algas de sua superf\u00edcie. \u00c9 por isso que eles ficam brancos: a gente passa a enxergar o esqueleto branco do coral, pois o tecido dele, sem as algas, \u00e9 transparente. Sem essa rela\u00e7\u00e3o de simbiose com as algas, eles acabam morrendo\u201d, diz Godoy.<\/p>\n<p>H\u00e1 in\u00fameras outras amea\u00e7as aos recifes, e elas podem variar dependendo da regi\u00e3o. A pesca predat\u00f3ria, por exemplo, amea\u00e7a 55% dos corais do mundo, segundo estudo do WRI.<\/p>\n<p>\u201cO corais sofrem muito quando a pesca \u00e9 de arrasto, aquela com uma grande rede que chega ao fundo do mar arrastando tudo. Muitos s\u00e3o destru\u00eddos em segundos\u201d, explica a bi\u00f3loga Jana\u00edna Bumbeer.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros problemas apontados pelos cientistas, como vazamentos de petr\u00f3leo, pisoteamento dos recifes por turistas, sujeira despejada por navios e a polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar por falta de saneamento b\u00e1sico nas cidades.<\/p>\n<h2 id=\"Pol\u00edtica-p\u00fablica\">Pol\u00edtica p\u00fablica<\/h2>\n<p>Os pesquisadores envolvidos no congelamento do s\u00eamen dos\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/corais\">corais<\/a>\u00a0acreditam que o projeto pode ajudar a desacelerar a extin\u00e7\u00e3o dos recifes, al\u00e9m de ser uma\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/especie-em-extincao\">esp\u00e9cie<\/a>\u00a0de \u201creserva de emerg\u00eancia\u201d caso a situa\u00e7\u00e3o piore no futuro, como indicam as proje\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cProvavelmente, algumas esp\u00e9cies de coral ser\u00e3o extintas pois existem danos que n\u00e3o podem mais ser revertidos\u2026 Temos que aceitar que isso vai acontecer\u201d, diz Godoy. \u201cMas acredito que criar esse banco de gametas pode ser muito importante para ajudar a repovoar algumas regi\u00f5es. \u00c9 um empurr\u00e3ozinho que a ci\u00eancia d\u00e1 para conservar a esp\u00e9cie.\u201d<\/p>\n<p>Para Jana\u00edna Bumbeer, o congelamento de material gen\u00e9tico pode se transformar em uma pol\u00edtica p\u00fablica no futuro.<\/p>\n<p>\u201cAcho que projetos como esse podem se traduzir em pol\u00edtica p\u00fablica pra tomada de decis\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 mais tempo de espera: os impactos ambientais s\u00e3o muito r\u00e1pidos e vis\u00edveis. Temos potencial cient\u00edfico no\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/brasil\">Brasil<\/a>, mas precisamos fazer nossa li\u00e7\u00e3o em casa e investir em conserva\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Unesco projeta que os corais ser\u00e3o extintos da natureza at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A Unesco projeta que os corais ser\u00e3o extintos da natureza at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142207"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142207"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142207\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":142209,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142207\/revisions\/142209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}