{"id":142009,"date":"2021-02-24T08:00:10","date_gmt":"2021-02-24T11:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=142009"},"modified":"2021-02-23T22:16:59","modified_gmt":"2021-02-24T01:16:59","slug":"relatos-de-pescadores-sao-referencias-para-pesquisa-cientifica-sobre-tubaroes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/relatos-de-pescadores-sao-referencias-para-pesquisa-cientifica-sobre-tubaroes\/","title":{"rendered":"Relatos de pescadores s\u00e3o refer\u00eancias para pesquisa cient\u00edfica sobre tubar\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-142010\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pescadores de 26 munic\u00edpios distribu\u00eddos entre a Bahia, Para\u00edba, Pernambuco e Rio Grande do Norte foram entrevistados. O estudo teve como objetivo levantar dados para uma melhor compreens\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o atual de amea\u00e7as contra tubar\u00f5es no litoral do Nordeste.<\/em><\/p>\n<p>Quantas descobertas cient\u00edficas podem surgir a partir de\u00a0<strong>hist\u00f3rias contadas por pescadores<\/strong>? Ouvir relatos de quem vive da pesca foi o principal m\u00e9todo para um estudo sobre o atual estado de conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de\u00a0<strong>tubar\u00f5es\u00a0<\/strong>na<strong>\u00a0costa nordestina<\/strong>, realizado por pesquisadores da\u00a0<strong>Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)<\/strong>, em parceria com a\u00a0<strong>Universidade de Windsor<\/strong>\u00a0e a<strong>\u00a0Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA)<\/strong>.<\/p>\n<p>A pesquisa, que une o conhecimento acad\u00eamico com os saberes tradicionais, teve como base as mem\u00f3rias de pesca de tubar\u00f5es de\u00a0<strong>186 pescadores<\/strong>, ao longo dos \u00faltimos\u00a0<strong>60 anos<\/strong>. Os resultados est\u00e3o descritos em artigo publicado na revista \u201c<strong>Biodiversity and Conservation<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Pescadores de<strong>\u00a026 munic\u00edpios<\/strong>\u00a0distribu\u00eddos entre a\u00a0<strong>Bahia<\/strong>,\u00a0<strong>Para\u00edba<\/strong>,\u00a0<strong>Pernambuco<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Rio Grande do Norte<\/strong>\u00a0foram entrevistados. O estudo teve como objetivo levantar dados para uma melhor compreens\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o atual de amea\u00e7as contra tubar\u00f5es no litoral do Nordeste. Al\u00e9m disso, uma das motiva\u00e7\u00f5es da pesquisa, foi a\u00a0<strong>falta de monitoramento da pesca brasileira,<\/strong>\u00a0desde 2011.<\/p>\n<h2>Saber tradicional<\/h2>\n<p>O chamado \u201c<strong>Local Ecological Knowledge (LEK)<\/strong>\u201d ou\u00a0<strong>conhecimento ecol\u00f3gico local<\/strong>, na tradu\u00e7\u00e3o para o Portugu\u00eas, \u00e9 uma alternativa para obter dados confi\u00e1veis sobre as esp\u00e9cies. \u201cFomos aos lugares onde os pescadores trabalham \u2013 praias ou comunidades pesqueiras \u2013 e seguimos um modelo padr\u00e3o de entrevista, com pergunta sobre o tamanho m\u00e1ximo dos tubar\u00f5es pescados, local de pescaria e tamb\u00e9m dados sobre os pr\u00f3prios pescadores, como idade e anos de experi\u00eancia\u201d, explica o pesquisador Antoine Leduc, especialista em\u00a0<strong>Ecologia Comportamental<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Conserva\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo o cientista, os dados obtidos s\u00e3o frutos de acontecimentos excepcionais, de f\u00e1cil lembran\u00e7a e, por isso, podem ter confiabilidade e ser utilizados para obter resultados quantitativos e qualitativos. \u201cSe voc\u00ea perguntar para algu\u00e9m o que comeu em um determinado dia do m\u00eas, dificilmente a pessoa se lembrar\u00e1 com detalhes, por\u00e9m, se questionada sobre a melhor comida que comeu na vida, certamente ter\u00e1 a resposta\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<h2>Descobertas<\/h2>\n<p>Nos relatos dos pescadores foram mencionadas<strong>\u00a019 esp\u00e9cies de tubar\u00f5es<\/strong>, mas s\u00f3 foi poss\u00edvel reunir dados suficientes para uma an\u00e1lise criteriosa de\u00a0<strong>oito<\/strong>. Segundo a pesquisa,\u00a0<strong>quatro das oito esp\u00e9cies diminu\u00edram de tamanho corporal<\/strong>\u00a0ao longo dos anos:\u00a0<strong>tubar\u00e3o-baleia<\/strong>\u00a0<em>(Rhincodon typus)<\/em>,\u00a0<strong>tubar\u00e3o-martelo-recortado<\/strong>\u00a0<em>(Sphyrna lewini)<\/em>,\u00a0<strong>tubar\u00e3o-galha-preta<\/strong>\u00a0<em>(Carcharhinus limbatus)<\/em>\u00a0e\u00a0<strong>tubar\u00e3o-lixa<\/strong><em>\u00a0(Ginglymostoma cirratum)<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cNos peixes, o tamanho pode ser considerado como um indicador sobre a capacidade reprodutiva. A diminui\u00e7\u00e3o de tamanho dos tubar\u00f5es ao longo dos anos \u00e9 um indicativo que chama aten\u00e7\u00e3o\u201d, destaca Leduc.<\/p>\n<p>Para duas esp\u00e9cies os dados n\u00e3o demonstraram um padr\u00e3o claro, apesar de parecer estarem em diminui\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos, uma esp\u00e9cie teve aumento de tamanho e uma n\u00e3o apresentou altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De acordo com Leduc, a diminui\u00e7\u00e3o corporal das esp\u00e9cies de tubar\u00f5es ao longo dos anos est\u00e1 relacionada \u00e0 pesca, uma vez que, mesmo sendo solto ap\u00f3s a captura, o tubar\u00e3o n\u00e3o consegue se recuperar dos ferimentos ou do estresse. Al\u00e9m disso, o pesquisador aponta que no Brasil n\u00e3o h\u00e1 medidas de conserva\u00e7\u00e3o eficazes, h\u00e1 apenas uma\u00a0<strong>lista vermelha de esp\u00e9cies amea\u00e7adas<\/strong>, que pode ser utilizada caso haja interesse das autoridades de criar medidas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_9305\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-9305\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-9305  lazyautosizes lazyloaded\" src=\"https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux.jpeg\" sizes=\"670px\" srcset=\"https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux.jpeg 900w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux-300x200.jpeg 300w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux-450x300.jpeg 450w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux-225x150.jpeg 225w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux-20x13.jpeg 20w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" data-src=\"https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux.jpeg\" data-sizes=\"auto\" data-srcset=\"https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux.jpeg 900w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux-300x200.jpeg 300w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux-450x300.jpeg 450w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux-225x150.jpeg 225w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.erikabeux-20x13.jpeg 20w\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9305\" class=\"wp-caption-text\">Exemplares de tubar\u00e3o-lixa\u00a0<em>(Ginglymostoma cirratum<\/em>), na costa de Recife (PE) | Foto: Erika Beux<\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo ele, \u00e9 necess\u00e1rio que haja uma melhor fiscaliza\u00e7\u00e3o de pesca para evitar a extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, al\u00e9m de estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o. \u201cNa \u00cdndia, os pescadores recebem incentivos financeiros em troca de solturas de esp\u00e9cies amea\u00e7adas. L\u00e1 a maioria possui celulares com c\u00e2meras, que possibilitam a filmagem e comprova\u00e7\u00e3o da soltura do animal\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de apresentar diminui\u00e7\u00e3o do tamanho corporal com o passar do tempo, o pesquisador ressalta que a maioria dos tubar\u00f5es-baleia citados nos relatos, foi capturada por pescadores com mais idade, isso sugere que o n\u00famero de exemplares dessa esp\u00e9cie esteja diminuindo com os anos.<\/p>\n<h2>Diverg\u00eancias nas listas de amea\u00e7ados<\/h2>\n<p>Com esse levantamento de dados, os cientistas puderam comparar os resultados a duas Listas Vermelhas de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Criada em 1964, a\u00a0<strong>Lista Vermelha de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas\u00a0<\/strong>da<strong>\u00a0Uni\u00e3o Internacional Para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN)<\/strong>\u00a0tem como objetivo informar o estado de conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies ao redor do Planeta. Al\u00e9m da\u00a0<strong>Lista Vermelha Global<\/strong>, v\u00e1rios pa\u00edses produzem suas pr\u00f3prias listas. No Brasil, a Lista Vermelha nacional \u00e9 organizada pelo<strong>\u00a0Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade\u00a0 (ICMBio)<\/strong>.<\/p>\n<p>De acordo com Leduc, entre essas duas listas, foram encontradas discrep\u00e2ncias no estado de conserva\u00e7\u00e3o para v\u00e1rias dessas esp\u00e9cies de tubar\u00f5es. \u201cPor exemplo: na lista brasileira observ\u00e1vamos que o tubar\u00e3o-baleia est\u00e1 categorizado no n\u00edvel\u00a0<strong>vulner\u00e1vel<\/strong>, enquanto na lista internacional est\u00e1 como<strong>\u00a0amea\u00e7ada<\/strong>. Percebemos com o estudo que o tamanho corporal dessa esp\u00e9cie est\u00e1 diminuindo ao longo do tempo e, mesmo esse sendo um indicador preocupante, a lista nacional n\u00e3o \u00e9 severa\u201d.<\/p>\n<p>E completa:\u00a0\u201cO que \u00e9 mais interessante \u00e9 como o conhecimento desses pescadores pode ser usado para determinar se \u00e9 necess\u00e1rio corrigir as discrep\u00e2ncias nas listas vermelhas, tendo em vista o n\u00edvel de amea\u00e7a mais preciso que estes tubar\u00f5es enfrentam\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pescadores de 26 munic\u00edpios distribu\u00eddos entre a Bahia, Para\u00edba, Pernambuco e Rio Grande do Norte<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":142010,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/tubarao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pescadores de 26 munic\u00edpios distribu\u00eddos entre a Bahia, Para\u00edba, Pernambuco e Rio Grande do Norte","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142009"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142009"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":142012,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142009\/revisions\/142012"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/142010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}