{"id":14183,"date":"2015-01-17T00:00:08","date_gmt":"2015-01-17T00:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=14183"},"modified":"2015-01-16T13:22:52","modified_gmt":"2015-01-16T13:22:52","slug":"lixo-da-industria-de-alimentos-pode-virar-energia-limpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/lixo-da-industria-de-alimentos-pode-virar-energia-limpa\/","title":{"rendered":"Lixo da ind\u00fastria de alimentos pode virar energia limpa"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, da Fapesp<\/p>\n<div class=\"post-content\">\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/sucodelaranja.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-127867\" title=\"Lixo da ind\u00fastria de alimentos pode virar energia limpa\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/sucodelaranja.jpg\" alt=\"sucodelaranja Lixo da ind\u00fastria de alimentos pode virar energia limpa\" width=\"380\" height=\"253\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ag\u00eancia Fapesp \u2013 Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara (SP) estudam a viabilidade de usar a \u00e1gua residu\u00e1ria da ind\u00fastria de suco de laranja para produzir hidrog\u00eanio \u2013 uma fonte de energia renov\u00e1vel, inesgot\u00e1vel e n\u00e3o poluente.<\/p>\n<p>A pesquisa, apoiada pela FAPESP, est\u00e1 em andamento no Centro de Monitoramento e Pesquisa da Qualidade de Combust\u00edveis, Biocombust\u00edveis, Petr\u00f3leo e Derivados (Cempeqc) do Instituto de Qu\u00edmica da Unesp.<\/p>\n<p>\u201cA vantagem de produzir hidrog\u00eanio a partir de \u00e1guas residu\u00e1rias \u00e9 aproveitar, de maneira sustent\u00e1vel, uma fonte de carbono que hoje est\u00e1 sendo descartada\u201d, argumentou Sandra Imaculada Maintinguer, pesquisadora do Cempeqc.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, a proposta \u00e9 reaproveitar a energia gerada localmente, na pr\u00f3pria ind\u00fastria, para abastecer as bombas dos sistemas de tratamento biol\u00f3gico, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cO m\u00e9todo poderia beneficiar n\u00e3o apenas o setor citr\u00edcola, como o sucroalcoleiro, ind\u00fastrias de refrigerantes, cervejas e de outros alimentos\u201d, afirmou Maintinguer.<\/p>\n<p>O hidrog\u00eanio, explicou a pesquisadora, \u00e9 quase tr\u00eas vezes mais energ\u00e9tico que os hidrocarbonetos e que o metano e quatro vezes mais que o etanol. No entanto, em raz\u00e3o do custo ainda elevado de armazenamento e transporte, seria invi\u00e1vel usar o g\u00e1s, por exemplo, para substituir a energia hidrel\u00e9trica \u2013 ainda muito barata no Brasil.<\/p>\n<p>O grupo de pesquisadores do Cempeqc est\u00e1 estudando tr\u00eas diferentes res\u00edduos do beneficiamento da laranja cedidos por uma empresa situada em Mat\u00e3o (SP): o mela\u00e7o, a vinha\u00e7a e a \u00e1gua residu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Embora o mela\u00e7o e a vinha\u00e7a apresentem concentra\u00e7\u00f5es mais elevadas de a\u00e7\u00facares (40 a 150 g glicose\/L), testes preliminares sugerem que a \u00e1gua residu\u00e1ria (12g glicose\/L) \u00e9 a mais indicada para a produ\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p>\u201cQuando a concentra\u00e7\u00e3o de substrato \u00e9 muito elevada, pode ocorrer a inibi\u00e7\u00e3o do crescimento dos microrganismos que quebram os a\u00e7\u00facares em mol\u00e9culas menores, como \u00e1cidos org\u00e2nicos e hidrog\u00eanio. Existe uma faixa ideal, que parece ser a da \u00e1gua residu\u00e1ria\u201d, disse Maintinguer.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da glicose, os pesquisadores tamb\u00e9m encontraram outras fontes de carbono na \u00e1gua residu\u00e1ria, como frutose e \u00e1cidos org\u00e2nicos, al\u00e9m de impurezas como \u00f3leos e detergentes usados no processo industrial.<\/p>\n<p>\u201cFizemos os testes usando a \u00e1gua residu\u00e1ria com todas as impurezas e, mesmo assim, os resultados foram muito promissores. Conseguimos transformar cerca de 65% desse res\u00edduo em hidrog\u00eanio. Como os microrganismos usam os nutrientes para crescer e se multiplicar em primeiro lugar, a produ\u00e7\u00e3o nunca chega a 100%\u201d, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>Arqueas metanog\u00eanicas<\/strong><\/p>\n<p>Os ensaios, em escala de bancada, foram feitos em reatores anaer\u00f3bios (frascos de vidro hermeticamente fechados), para evitar que o contato com o oxig\u00eanio inibisse a produ\u00e7\u00e3o da enzima hidrogenase, extremamente importante na produ\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p>Na \u00e1gua residu\u00e1ria foi inoculado um conjunto de microrganismos de diferentes classes coletado em sistemas de tratamento biol\u00f3gico de esgotos sanit\u00e1rios. De acordo com a pesquisadora, o in\u00f3culo tamb\u00e9m pode ser obtido a partir do pr\u00f3prio lodo formado nos sistemas biol\u00f3gicos de tratamento industrial.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio um pr\u00e9-tratamento para eliminar as chamadas arqueas metanog\u00eanicas, um tipo de microrganismo capaz de consumir o hidrog\u00eanio produzido para formar metano, algo indesej\u00e1vel nesse caso.<\/p>\n<p>\u201cO processo biol\u00f3gico anaer\u00f3bio tem v\u00e1rias etapas e, em cada uma delas, atua uma classe diferente de microrganismo. Os carboidratos s\u00e3o quebrados em a\u00e7\u00facares, \u00e1cidos org\u00e2nicos, acetato, hidrog\u00eanio e, se o processo n\u00e3o for interrompido, em metano\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Para evitar que isso aconte\u00e7a, o in\u00f3culo \u00e9 submetido a um choque t\u00e9rmico e o pH do meio \u00e9 reduzido para 5,5. O pr\u00e9-tratamento causa a elimina\u00e7\u00e3o das arqu\u00e9ias metanog\u00eanicas, enquanto as bact\u00e9rias \u00fateis para o processo apenas entram em estado vegetativo, voltando a se multiplicar quando as condi\u00e7\u00f5es se tornam favor\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um m\u00e9todo f\u00e1cil e barato e s\u00f3 \u00e9 necess\u00e1rio faz\u00ea-lo uma vez. Depois posso reaplicar o in\u00f3culo em outra amostra quando acabar o substrato no reator. Por enquanto, estamos usando apenas a configura\u00e7\u00e3o de reator em batelada (frascos com quantidades limitadas onde a rea\u00e7\u00e3o ocorre at\u00e9 o substrato acabar e depois \u00e9 preciso reabastecer). O pr\u00f3ximo passo \u00e9 testar em um reator de fluxo cont\u00ednuo\u201d, disse Maintinguer.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do hidrog\u00eanio, resultam do processo alguns \u00e1cidos graxos vol\u00e1teis \u2013 como o \u00e1cido but\u00edrico e o \u00e1cido ac\u00e9tico \u2013 tamb\u00e9m pass\u00edveis de serem transformados em hidrog\u00eanio por bact\u00e9rias fotoheterotr\u00f3ficas.<\/p>\n<p>\u201cElas consomem esses \u00e1cidos na presen\u00e7a da luz e liberam mais hidrog\u00eanio, elevando assim o rendimento\u201d, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Maintinguer, o Brasil tem um grande potencial para ser refer\u00eancia em tecnologia do hidrog\u00eanio e \u00e9 beneficiado pelo fato de ser um pa\u00eds tropical, com temperaturas m\u00e9dias anuais em torno de 25\u00baC \u2013 favor\u00e1vel ao desenvolvimento de bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>\u201cEm pa\u00edses como Holanda e Alemanha \u00e9 preciso aquecer os reatores para que o processo seja bem sucedido\u201d, comentou.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio de Minas e Energia tem planos para introduzir o hidrog\u00eanio na matriz energ\u00e9tica do pa\u00eds at\u00e9 2025, inclusive como combust\u00edvel automotivo. Uma das metas do governo brasileiro \u00e9 que, ap\u00f3s 2020, toda a produ\u00e7\u00e3o do g\u00e1s seja obtida a partir de fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0Ag\u00eancia Fapesp<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, da Fapesp Ag\u00eancia Fapesp \u2013 Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Karina Toledo, da Fapesp Ag\u00eancia Fapesp \u2013 Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14183"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14183"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14183\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}