{"id":1418,"date":"2014-06-15T12:20:29","date_gmt":"2014-06-15T12:20:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=1418"},"modified":"2014-06-15T12:20:29","modified_gmt":"2014-06-15T12:20:29","slug":"mosquitos-transgenicos-sao-criados-para-combater-a-malaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mosquitos-transgenicos-sao-criados-para-combater-a-malaria\/","title":{"rendered":"Mosquitos transg\u00eanicos s\u00e3o criados para combater a mal\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/malaria.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1419\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/malaria.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>B<\/span>i\u00f3logos anunciaram nesta ter\u00e7a-feira, 11, ter desenvolvido uma nova arma contra a mal\u00e1ria. Eles criaram mosquitos geneticamente manipulados para produzir principalmente descendentes machos \u2014 levando, eventualmente, ao desaparecimento da popula\u00e7\u00e3o inteira de insetos.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica produz uma gera\u00e7\u00e3o de mosquitos transg\u00eanicos em que 95% s\u00e3o do sexo masculino, enquanto nas popula\u00e7\u00f5es normais o percentual \u00e9 de 50%. Os resultados foram descritos em artigo na revista <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/ncomms\/2014\/140610\/ncomms4977\/abs\/ncomms4977.html\">Nature Communications<\/a>. Logo, restam t\u00e3o poucas f\u00eameas que a popula\u00e7\u00e3o de mosquitos desaba, reduzindo o risco de que os humanos entrem em contato com o parasita da mal\u00e1ria (transmitido pelas f\u00eameas).<\/p>\n<p>&#8220;A mal\u00e1ria \u00e9 uma doen\u00e7a debilitante, com frequ\u00eancia fatal, e n\u00f3s precisamos encontrar novas formas de combat\u00ea-la&#8221;, afirma o chefe do estudo, Andrea Crisanti, professor do Imperial College de Londres. &#8220;Achamos que nossa abordagem inovadora representa um enorme avan\u00e7o. Pela primeira vez, fomos capazes de inibir a produ\u00e7\u00e3o de descendentes f\u00eameas em laborat\u00f3rio e isso nos d\u00e1 novas formas de eliminar a doen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a mal\u00e1ria mata mais de 600 mil pessoas por ano, sendo as principais v\u00edtimas crian\u00e7as pequenas da \u00c1frica subsaariana. Resultado de seis anos de trabalho, o m\u00e9todo se concentra nos mosquitos &#8220;Anopheles gambiae&#8221;, os transmissores mais perigosos do parasita da mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os cientistas injetaram uma parte de enzima de DNA no c\u00f3digo gen\u00e9tico dos embri\u00f5es de mosquitos machos. Basicamente, a modifica\u00e7\u00e3o parte em peda\u00e7os o cromossomo X durante a produ\u00e7\u00e3o de espermatozoides na idade adulta.<\/p>\n<p>Como resultado, quase nenhum espermatozoide funcional cont\u00e9m o cromossomo X, que determina descendentes f\u00eameas. Ao contr\u00e1rio, a maior parte dos espermatozoides carrega o cromossomo Y, que produz machos. Os mosquitos modificados foram testados em cinco jaulas, cada uma contendo 50 machos geneticamente modificados e 50 f\u00eameas silvestres normais.<\/p>\n<p>Em quatro das cinco jaulas, toda a popula\u00e7\u00e3o desapareceu em seis gera\u00e7\u00f5es devido \u00e0 falta cada vez maior de f\u00eameas. Os mosquitos machos modificados produziram apenas herdeiros machos modificados, que tiveram o mesmo tipo de descendentes at\u00e9 que n\u00e3o sobraram mais f\u00eameas.<\/p>\n<p>&#8220;A pesquisa ainda est\u00e1 no come\u00e7o, mas estou muito esperan\u00e7oso de que essa nova abordagem possa, enfim, levar a uma forma barata e eficaz de eliminar a mal\u00e1ria de regi\u00f5es inteiras&#8221;, declarou um colega de Crisanti, Roberto Galizi. Em um coment\u00e1rio independente, o especialista Michael Bonsall, da Universidade de Oxford, referiu-se \u00e0 pesquisa como um &#8220;trabalho muito legal&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Isso tem implica\u00e7\u00f5es importantes para limitar a dissemina\u00e7\u00e3o da mal\u00e1ria&#8221;, declarou \u00e0 Science Media Centre brit\u00e2nica. &#8220;Ser\u00e1 muito empolgante ver o avan\u00e7o desta tecnologia.&#8221; Os cientistas j\u00e1 est\u00e3o fazendo <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2014\/04\/mosquitos-transgenicos-contra-dengue-comecam-entrar-em-acao.html\">experimentos na natureza<\/a> com mosquitos &#8220;Aedes aegypti&#8221;, que transmitem a dengue, e que foram modificados para gerar descendentes que n\u00e3o chegam \u00e0 idade adulta.<\/p>\n<p>Eles sobrevivem durante apenas uma semana, enquanto mosquitos normais vivem um m\u00eas. O Brasil e a Mal\u00e1sia j\u00e1 soltaram nuvens desses insetos, e em janeiro o Panam\u00e1 anunciou que tamb\u00e9m far\u00e1 o mesmo.<\/p>\n<p>No entanto, estes programas despertam a preocupa\u00e7\u00e3o de ambientalistas, que chamam aten\u00e7\u00e3o para o impacto desconhecido de animais geneticamente modificados no equil\u00edbrio da biodiversidade. Eles argumentam que se uma esp\u00e9cie de mosquito for eliminada de uma regi\u00e3o, abriria a oportunidade para uma esp\u00e9cie concorrente \u2014 e potencialmente perigosa \u2014 vir \u00e0 tona.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bi\u00f3logos anunciaram nesta ter\u00e7a-feira, 11, ter desenvolvido uma nova arma contra a mal\u00e1ria. 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