{"id":141771,"date":"2021-02-20T00:00:16","date_gmt":"2021-02-20T03:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=141771"},"modified":"2021-02-19T11:23:42","modified_gmt":"2021-02-19T14:23:42","slug":"desmatamento-esta-estressando-os-animais-alertam-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/desmatamento-esta-estressando-os-animais-alertam-cientistas\/","title":{"rendered":"Desmatamento est\u00e1 estressando os animais, alertam cientistas"},"content":{"rendered":"<div class=\"thrv_wrapper thrv_text_element\" data-css=\"tve-u-1740c3e5ba8\" data-raofz=\"18\">\n<p data-css=\"tve-u-17623bffa2b\" data-raofz=\"18\" data-swp-font-size=\"18px\"><span class=\"thrive-shortcode-content\" data-shortcode=\"thrive_custom_fields_shortcode_data\" data-shortcode-name=\"[Custom Fields] acf_olhoreal\" data-extra_key=\"CFG\" data-attr-id=\"acf_olhoreal\" data-option-inline=\"1\" data-css=\"tve-u-17623bffa31\" data-raofz=\"18\">O homem est\u00e1 \u201cpotencialmente criando focos de zoonoses\u201d ao destruir habitats, dizem pesquisadores<\/span><\/p>\n<p data-css=\"tve-u-17623bffa2b\" data-raofz=\"18\" data-swp-font-size=\"18px\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/maacaco_denuncia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-141774\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/maacaco_denuncia.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/maacaco_denuncia.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/maacaco_denuncia-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a>Foto: Pixabay<\/p>\n<\/div>\n<section class=\"tcb-post-content tcb-shortcode thrv_wrapper\" data-css=\"tve-u-16ec5d248bb\">Algumas pessoas podem estar entrando em p\u00e2nico por conta da destrui\u00e7\u00e3o desenfreada da natureza pelas nossas pr\u00f3prias m\u00e3os, mas n\u00f3s n\u00e3o somos os \u00fanicos a se preocupar.<\/p>\n<p>Os animais diretamente impactados pelo desmatamento parecem estar produzindo mais horm\u00f4nios relacionados ao estresse, de acordo com uma nova pesquisa desoladora feita por cientistas estadunidenses.<\/p>\n<p>Pesquisadores que coletaram amostras de horm\u00f4nios que se acumulam na pelagem descobriram que roedores e marsupiais que vivem em pequenas \u00e1reas remanescentes da Mata Atl\u00e2ntica, na Am\u00e9rica do Sul, est\u00e3o sob maior estresse do que aqueles que habitam \u00e1reas mais intactas da floresta.<\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica se estende ao longo da costa do Brasil at\u00e9 a Argentina e o Paraguai. \u00c9 um dos mais diversos ecossistemas do planeta, perdendo apenas para a Amaz\u00f4nia, mas apenas uma fra\u00e7\u00e3o da floresta original sobrevive.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s suspeitamos que organismos em \u00e1reas desmatadas mostrariam maiores n\u00edveis de estresse do que animais em florestas mais virgens, e encontramos evid\u00eancias de que isso \u00e9 verdade\u201d, diz Noe de la Sancha, pesquisador associado no Museu Field, em Chicago, professor adjunto de Biologia na Universidade Estadual de Chicago e coautor da pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cPequenos mam\u00edferos, especialmente roedores e pequenos marsupiais, tendem a ser mais estressados, ou a mostrar maior evid\u00eancia de que possuem maiores n\u00edveis de horm\u00f4nios do estresse, em pequenas manchas florestais do que em maiores manchas florestais.\u201d<\/p>\n<p>Os pesquisadores disseram que a destrui\u00e7\u00e3o do habitat de um animal pode mudar drasticamente sua vida. Ela resulta em menor quantidade de alimento e territ\u00f3rio para circular, e o animal pode entrar em contato com predadores com maior frequ\u00eancia ou a competi\u00e7\u00e3o por recursos com outros animais pode aumentar.<\/p>\n<p>Quando combinadas, essas circunst\u00e2ncias podem colaborar para um estresse de longo prazo.<\/p>\n<p>\u201cMuitas esp\u00e9cies, em todo o mundo, mas principalmente nos tr\u00f3picos, s\u00e3o pouco estudadas\u201d, diz Sarah Boyle, professora adjunta de Biologia e chefe do Programa de Ci\u00eancias e Estudos Ambientais na Rhodes College e principal autora da pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 muito conhecimento sobre muitos desses animais quanto a seus n\u00edveis normais de horm\u00f4nios\u201d.<\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram que a Mata Atl\u00e2ntica muitas vezes \u00e9 ofuscada por sua vizinha, a Floresta Amaz\u00f4nica, mas ainda assim \u00e9 a segunda maior floresta da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Ela j\u00e1 cobriu cerca de 1,2 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, uma \u00e1rea maior do que os estados da Calif\u00f3rnia, Oregon, Washington e Nevada juntos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 500 anos, partes da floresta foram destru\u00eddas para dar espa\u00e7o a terras agricult\u00e1veis e \u00e1reas urbanas, e continua vulner\u00e1vel \u00e0 explora\u00e7\u00e3o madeireira e \u00e0 expans\u00e3o agr\u00edcola, especialmente a produ\u00e7\u00e3o de soja.<\/p>\n<p>Atualmente, menos de um ter\u00e7o da floresta original sobrevive.<\/p>\n<p>\u00c9 o lar de cerca de 20 mil esp\u00e9cies de plantas, e 450 esp\u00e9cies de \u00e1rvores foram encontradas em apenas um hectare, de acordo com a WWF.<\/p>\n<p>Assim como milhares de esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros, in\u00fameros mam\u00edferos raros, r\u00e9pteis e anf\u00edbios habitam a floresta, al\u00e9m de on\u00e7as amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, micos-le\u00f5es-dourados, macacos-aranha, bichos-pregui\u00e7a e papagaios-de-cara-roxa.<\/p>\n<p>Os cientistas dizem que estresse n\u00e3o \u00e9, necessariamente, algo ruim para os animais, e, em pequenas doses, pode salvar vidas.<\/p>\n<p>\u201cA resposta ao estresse normalmente \u00e9 uma tentativa de trazer seu corpo de volta ao equil\u00edbrio\u201d, diz David Kabelik, professor adjunto de Biologia e chefe do Programa de Neuroci\u00eancia na Rhodes College, e um dos autores da pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cSe alguma coisa o perturba e pode fazer com que voc\u00ea se machuque ou morra, a resposta ao estresse mobiliza energia para lidar com aquela situa\u00e7\u00e3o e trazer as coisas de volta ao estado normal. Isso permite que voc\u00ea sobreviva\u201d.<\/p>\n<p>Essa resposta pode ser desencadeada, por exemplo, se um animal encontra um predador. Uma enxurrada de horm\u00f4nios do estresse pode ajud\u00e1-lo a fugir e, depois, os n\u00edveis hormonais voltam ao normal.<\/p>\n<p>\u201cMas ent\u00e3o esses animais s\u00e3o colocados nesses pequenos fragmentos do seu habitat, onde eles passam por per\u00edodos prolongados de estresse elevado, e isso pode levar a doen\u00e7as e desregula\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios mecanismos fisiol\u00f3gicos do corpo\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>Para avaliar os impactos nos animais, os pesquisadores se concentraram em \u00e1reas da floresta no leste do Paraguai, que foram extremamente afetadas pelo desmatamento nos \u00faltimos 100 anos, quando a regi\u00e3o foi desmatada para lenha, pecu\u00e1ria e produ\u00e7\u00e3o de soja.<\/p>\n<p>Para estudar os efeitos sobre os animais, os pesquisadores capturaram 106 mam\u00edferos de \u00e1reas que variavam entre 2 acres (aproximadamente 8.000m\u00b2) e 1.200 hectares. Dois acres s\u00e3o aproximadamente o equivalente a um campo de rugby, e 1.200 hectares equivalem a 12 quil\u00f4metros quadrados. Os animais que eles analisaram inclu\u00edam 5 esp\u00e9cies de roedores e 2 esp\u00e9cies de marsupiais.<\/p>\n<p>Os pesquisadores coletaram amostras da pelagem dos animais, j\u00e1 que os horm\u00f4nios se acumulam nos pelos ao longo de dias ou semanas, e podem apresentar uma melhor vis\u00e3o dos n\u00edveis de estresse comuns do que os horm\u00f4nios presentes em uma amostra de sangue.<\/p>\n<p>\u201cHorm\u00f4nios no sangue mudam a cada minuto, ent\u00e3o essa n\u00e3o \u00e9 uma maneira precisa de avaliar se esses animais est\u00e3o sob estresse constante ou se por acaso acabaram de correr de um predador um minuto atr\u00e1s\u201d, diz Kabelik.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s est\u00e1vamos tentando atingir algo que melhor indicasse o estresse de longo prazo. Como os horm\u00f4nios do estresse do tipo glicocortic\u00f3ide v\u00e3o se depositando na pelagem ao longo do tempo, voc\u00ea consegue observar medidas de estresse a longo prazo quando analisa esse tipo de amostras\u201d.<\/p>\n<p>No laborat\u00f3rio, os pesquisadores transformaram a pelagem em um p\u00f3 fino e extra\u00edram os horm\u00f4nios.<\/p>\n<p>A equipe descobriu que os animais das \u00e1reas mais desmatadas apresentavam maiores n\u00edveis do horm\u00f4nio glicocorticoide do que os animais de \u00e1reas menos desmatadas.<\/p>\n<p>\u201cNossa descoberta de que animais em trechos de floresta menores possu\u00edam maiores n\u00edveis de glicocortic\u00f3ides n\u00e3o nos surpreendeu, dada a extens\u00e3o do impacto que essas \u00e1reas sofreram pela perda e fragmenta\u00e7\u00e3o da floresta\u201d, disse Boyle.<\/p>\n<p>\u201cEssas descobertas s\u00e3o muito relevantes para pa\u00edses como o Paraguai, em particular, que vem mostrando uma acelerada mudan\u00e7a em suas paisagens naturais\u201d, disse o Pastor Perez, um bi\u00f3logo da Universidade Nacional de Assun\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m um dos autores da pesquisa. \u201cNo Paraguai, n\u00f3s estamos apenas come\u00e7ando a documentar como se distribui essa diversidade de esp\u00e9cies que estamos perdendo. No entanto, este estudo mostra que tamb\u00e9m temos muita a aprender sobre como essas esp\u00e9cies interagem nesses ambientes\u201d.<\/p>\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m descobriram que os m\u00e9todos de captura desses animais contribu\u00edam para os n\u00edveis de estresse presentes.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma considera\u00e7\u00e3o importante que as pessoas que est\u00e3o realizando esses estudos precisam entender: se eles est\u00e3o capturando esses animais com vida, isso pode estar influenciando nos n\u00edveis de horm\u00f4nio observados\u201d, diz Kabelik.<\/p>\n<p>O estudo n\u00e3o apenas esclarece como os animais respondem ao desmatamento, mas tamb\u00e9m pode levar a um melhor entendimento das circunst\u00e2ncias nas quais os animais podem transmitir doen\u00e7as diretamente para os humanos, segundo os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea tem diversos mam\u00edferos estressados, eles podem abrigar v\u00edrus e outras doen\u00e7as, e h\u00e1 cada vez mais pessoas vivendo nessas \u00e1reas desmatadas que podem estar em contato com esses animais\u201d, diz de la Sancha. \u201cAo destruir habitats naturais, estamos potencialmente criando \u00e1reas de risco para surtos de zoonoses\u201d.<\/p>\n<p>O resultado disso tem implica\u00e7\u00f5es que v\u00e3o muito al\u00e9m da Mata Atl\u00e2ntica sul-americana.<\/p>\n<p>\u201cEm uma perspectiva geral, isso \u00e9 muito importante porque pode ser aplic\u00e1vel a florestas remanescentes no mundo inteiro\u201d, diz de la Sancha. \u201cOs tr\u00f3picos abrigam a maior diversidade de organismos no planeta. Portanto, isso tem o potencial de impactar a maior variedade de seres vivos no planeta, \u00e0 medida que mais e mais florestas s\u00e3o desmatadas. N\u00f3s iremos ver indiv\u00edduos e popula\u00e7\u00f5es tendendo a apresentar maiores n\u00edveis de estresse\u201d.<\/p>\n<p>O estudo foi publicado na \u201cScientific Reports\u201d.<\/p>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O homem est\u00e1 \u201cpotencialmente criando focos de zoonoses\u201d ao destruir habitats, dizem pesquisadores Foto: Pixabay<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O homem est\u00e1 \u201cpotencialmente criando focos de zoonoses\u201d ao destruir habitats, dizem pesquisadores Foto: Pixabay","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141771"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141771"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141771\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":141773,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141771\/revisions\/141773"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141771"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141771"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}