{"id":141756,"date":"2021-02-19T13:00:42","date_gmt":"2021-02-19T16:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=141756"},"modified":"2021-02-19T11:20:15","modified_gmt":"2021-02-19T14:20:15","slug":"siderurgia-aposta-em-aco-verde-por-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/siderurgia-aposta-em-aco-verde-por-sustentabilidade\/","title":{"rendered":"Ind\u00fastria do a\u00e7o: Siderurgia aposta em &#8216;a\u00e7o verde&#8217; por sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-141757\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ind\u00fastria do a\u00e7o, uma das mais poluentes do mundo, quer reduzir a emiss\u00e3o de carbono com novo m\u00e9todo sueco<\/p>\n<p>Arranha-c\u00e9us e pontes, carros e navios de cruzeiro, armas e lavadoras de roupas. Tudo isso tem algo em comum: o a\u00e7o.<\/p>\n<p>Como insumo b\u00e1sico dos setores de mec\u00e2nica e constru\u00e7\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/11\/siderurgicas-dizem-que-possibilidade-de-faltar-aco-e-zero.shtml\">o a\u00e7o \u00e9 o metal mais usado do planeta<\/a>, e serve como funda\u00e7\u00e3o da moderna economia industrial.<\/p>\n<p>Desde que um m\u00e9todo para a produ\u00e7\u00e3o em massa dessa liga met\u00e1lica baseada em ferro foi desenvolvido pelo inventor ingl\u00eas Henry Bessemer, na d\u00e9cada de 1850, surgiu toda uma ind\u00fastria, que hoje movimenta US$ 2,5 trilh\u00f5es ao ano e emprega milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Mas da mesma maneira que os setores de petr\u00f3leo e carv\u00e3o vieram a enfrentar press\u00f5es intensas nos \u00faltimos anos, o papel do a\u00e7o na\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/12\/retomada-puxada-pela-industria-explica-maior-poluicao-em-pequim-diz-relatorio.shtml\">crise do clima<\/a>\u00a0vem sofrendo escrut\u00ednio muito mais intenso.<\/p>\n<p>Do cintur\u00e3o industrial deca\u00eddo dos Estados Unidos ao cora\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria chinesa, a maneira dominante de fundir o ferro bombeia para a atmosfera quantidades imensas de di\u00f3xido de carbono, o principal componente no aquecimento global causado pela atividade humana.<\/p>\n<p>Excetuada a gera\u00e7\u00e3o de energia, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/painelsa\/2020\/11\/industria-do-aco-vai-a-bolsonaro-para-rebater-criticas-da-construcao-civil.shtml\">setor de ferro e a\u00e7o<\/a>\u00a0\u00e9 o maior emissor industrial de di\u00f3xido de carbono. Responde por 7,9% do total de emiss\u00f5es diretas causadas por combust\u00edveis f\u00f3sseis, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Mundial do A\u00e7o.<\/p>\n<p>\u00c9 um total maior do que o gerado em emiss\u00f5es por toda a economia da \u00cdndia. \u00c0 medida que a mudan\u00e7a do clima\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2021\/01\/em-pacote-de-medidas-sobre-o-clima-biden-mira-industria-de-gas-e-petroleo.shtml\">ganha import\u00e2ncia na agenda pol\u00edtica mundial<\/a>, e que muitos governos assumem compromissos para com metas ambientais ambiciosas, uma corrida contra o tempo foi iniciada para o desenvolvimento de vers\u00f5es menos prejudiciais ao meio ambiente desse material forte e vers\u00e1til.<\/p>\n<p>\u201cO a\u00e7o \u00e9 um material muito importante para a sociedade moderna. H\u00e1 muito tempo ele vem sendo produzido de min\u00e9rio de ferro e com o uso de carv\u00e3o\u201d, diz Martin Pei, vice-presidente t\u00e9cnico da SSAB, uma companhia sueca que \u00e9 uma das l\u00edderes nos esfor\u00e7os de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSe desejamos realmente contribuir para as metas ambientais estabelecidas pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/acordo-de-paris\/\">acordo de Paris<\/a>, existe um consenso generalizado de que s\u00f3 a obten\u00e7\u00e3o de novos avan\u00e7os em termos de efici\u00eancia nos altos fornos n\u00e3o ser\u00e1 suficiente. Tecnologias revolucion\u00e1rias s\u00e3o urgentemente necess\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p>Com a introdu\u00e7\u00e3o do uso em massa de energia renov\u00e1vel, nos \u00faltimos 10 anos, e com os compromissos assumidos recentemente por muitas das maiores montadoras mundiais de autom\u00f3veis quanto a adotar motores el\u00e9tricos, ind\u00fastrias pesadas como a siderurgia, o setor de cimento e a petroqu\u00edmica, que requerem o uso de calor extremo em seus processos, s\u00e3o uma das pr\u00f3ximas fronteiras na redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono.<\/p>\n<p>Para cumprir as metas mundiais quanto \u00e0 energia e ao meio ambiente, as emiss\u00f5es de poluentes do setor sider\u00fargico precisam cair em pelo menos 50% at\u00e9 a metade do s\u00e9culo, de acordo com a Ag\u00eancia Internacional de Energia, e o objetivo posterior ser\u00e1 reduzi-las a zero.<\/p>\n<p>Alguns dos maiores grupos de siderurgia do planeta, como ArcelorMittal, Thyssen e Baowu Group, da China, est\u00e3o avan\u00e7ando no processo de transformar conceitos de laborat\u00f3rio em realidade industrial. Alguns chegaram a anunciar metas para um total l\u00edquido zero de emiss\u00f5es de poluentes.<\/p>\n<p>Faustine Delasalle, s\u00f3cia da Systemiq, uma consultoria de sustentabilidade e investimento, diz que o n\u00edvel de desenvolvimento t\u00e9cnico \u00e9 encorajador. \u201cAinda n\u00e3o estamos prontos para levar produtos ao mercado, mas o progresso \u00e9 relativamente r\u00e1pido e podemos esperar uma primeira onda de locais de produ\u00e7\u00e3o com emiss\u00f5es pr\u00f3ximas de zero antes de 2030\u201d.<\/p>\n<p>Os planos mais ambiciosos envolvem abandonar um princ\u00edpio para transformar rochas em metal descoberto na idade do ferro, e substitui-lo por um m\u00e9todo que envolve usar o g\u00e1s hidrog\u00eanio, \u201climpo\u201d, como nova fonte alternativa de energia.<\/p>\n<p>No entanto, reformar uma ind\u00fastria monol\u00edtica, lenta e poluente que produz dois bilh\u00f5es de toneladas de material ao ano ser\u00e1 uma tarefa enorme.<\/p>\n<p>Entre os obst\u00e1culos est\u00e1 o n\u00edvel de investimento requerido, que pode chegar \u00e0s centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013o que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil em um setor prejudicado pelo excesso cr\u00f4nico de oferta e por oscila\u00e7\u00f5es ferozes de lucratividade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/02\/16\/15188077975a872af588c09_1518807797_3x2_md.jpg\" width=\"639\" height=\"426\" \/>Aciaria da CSN (Companhia Sider\u00fargica Nacional), onde \u00e9 feita a transforma\u00e7\u00e3o de ferro l\u00edquido em a\u00e7o l\u00edquido, em Volta Redonda (RJ) &#8211;\u00a0Ant\u00f4nio Gaud\u00e9rio &#8211; 08.set.06\/Folhapress<\/p>\n<p>A ArcelorMittal, maior companhia sider\u00fargica da Europa, estimou que eliminar as emiss\u00f5es de carbono em suas instala\u00e7\u00f5es no continente de forma a se enquadrar \u00e0 campanha da Uni\u00e3o Europeia para zerar as emiss\u00f5es l\u00edquidas de gases causadores do efeito estufa at\u00e9 2050 custar\u00e1 entre 15 bilh\u00f5es e 40 bilh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>\u201cEssas tecnologias aumentar\u00e3o o custo de nosso a\u00e7o. N\u00e3o s\u00e3o baratas, e os clientes precisam estar prontos a pagar\u201d, diz Lakshmi Mittal, o presidente do conselho da empresa.<\/p>\n<p><strong>METAS DE REDU\u00c7\u00c3O DE EMISS\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>O motivo para que a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o cause volume t\u00e3o grande de emiss\u00e3o de carbono se relaciona \u00e0 principal rota para extrair o ferro de seu min\u00e9rio.<\/p>\n<p>Imensos altos-fornos aquecidos at\u00e9 temperaturas superiores a mil graus s\u00e3o carregados com o min\u00e9rio, cal e coque, um combust\u00edvel derivado do carv\u00e3o metal\u00fargico que remove as mol\u00e9culas de oxig\u00eanio do \u00f3xido de ferro.<\/p>\n<p>Um subproduto da rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica causada \u00e9 o di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p>\u201cQuantidade significativa de energia \u00e9 requerida a fim de aquecer o min\u00e9rio de ferro, derret\u00ea-lo e promover a separa\u00e7\u00e3o entre o oxig\u00eanio e o ferro na mol\u00e9cula do \u00f3xido de ferro\u201d, explica Ryan Smith, analista s\u00eanior da consultoria CRU.<\/p>\n<p>\u201cTodos os portadores de energia com menor custo t\u00eam o carbono como base. Isso, combinado \u00e0s suas propriedades quando aquecidos a temperaturas muito altas, \u00e9 o que torna o coque t\u00e3o importante para a produ\u00e7\u00e3o de ferro e a\u00e7o, e substitui-lo \u00e9 realmente dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p>Embora os l\u00edderes com inclina\u00e7\u00f5es ambientalistas sonhem com uma \u201ceconomia circular\u201d na qual a extra\u00e7\u00e3o de recursos e a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos seja minimizada, no caso do a\u00e7o \u2013que j\u00e1 \u00e9 o material mais reutilizado do planeta\u2013 a reciclagem n\u00e3o basta como resposta.<\/p>\n<p>Os fornos el\u00e9tricos de arco (EAF, na sigla em ingl\u00eas), que derretem sucata met\u00e1lica em lugar de converter mat\u00e9ria-prima, s\u00e3o menores, mais flex\u00edveis e emitem apenas uma fra\u00e7\u00e3o dos poluentes emitidos pelos altos-fornos convencionais.<\/p>\n<p>Hoje eles respondem por apenas 30% da produ\u00e7\u00e3o mundial de a\u00e7o. Mas a oferta de sucata met\u00e1lica \u00e9 limitada, e os EAF nem sempre s\u00e3o capazes de produzir material da qualidade requerida para certas aplica\u00e7\u00f5es, como as automotivas.<\/p>\n<p>Consequentemente, especialistas dizem que \u00e9 prov\u00e1vel que sempre v\u00e1 existir necessidade de a\u00e7o \u201cvirgem\u201d, mas produzido por meio de um m\u00e9todo menos poluente.<\/p>\n<p>Acontecimentos geopol\u00edtico recentes renovaram o \u00edmpeto da busca por uma solu\u00e7\u00e3o nesse sentido. Al\u00e9m de prometer um retorno dos Estados Unidos ao acordo de Paris sobre o clima, que envolve limitar o aumento da temperatura mundial a bem menos de dois graus cent\u00edgrados, o presidente americano Joe Biden prop\u00f4s criar uma ag\u00eancia de pesquisa sobre o clima com objetivos que incluem \u201creduzir o uso de calor gerado por carbono na ind\u00fastria sider\u00fargica, de concreto e qu\u00edmica\u201d.<\/p>\n<p>Outra declara\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es importante surgiu no ano passado quando a China anunciou uma meta de chegar \u00e0 \u201cneutralidade de emiss\u00f5es de carbono\u201d em 2060. Isso exigir\u00e1 uma reforma completa das usinas sider\u00fargicas do pa\u00eds, respons\u00e1veis por cerca de um ter\u00e7o das emiss\u00f5es chinesas de poluentes.<\/p>\n<p>Como fonte de metade do a\u00e7o produzido no planeta, a superpot\u00eancia asi\u00e1tica exerce influ\u00eancia central sobre din\u00e2mica do mercado mundial.<\/p>\n<p>\u201cA China hoje gera cerca de duas toneladas de di\u00f3xido de carbono por tonelada de a\u00e7o que produz, enquanto na Europa as emiss\u00f5es s\u00e3o de uma tonelada por tonelada de a\u00e7o produzida\u201d, diz Michele Della Vigna, analista de investimento no banco Goldman Sachs.<\/p>\n<p>\u201cEm longo prazo, se torna importante que a China demonstre que suas exporta\u00e7\u00f5es n\u00e3o causam mais emiss\u00f5es de carbono do que as de bens produzidos em outros pa\u00edses\u201d.<\/p>\n<p>Por enquanto, as iniciativas mais avan\u00e7adas de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono acontecem na Uni\u00e3o Europeia \u2013um reflexo de suas regras ambientais mais severas.<\/p>\n<p>Uma das pol\u00edticas fundamentais da Uni\u00e3o permite que empresas comprem e vendam certificados que cobrem as emiss\u00f5es de carbono que elas geram.<\/p>\n<p>Sob esse esquema de comercializa\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as, o pre\u00e7o de uma tonelada de di\u00f3xido de carbono subiu em 800%, de 2016 para c\u00e1, para quase 40 euros.<\/p>\n<p>O per\u00edodo de car\u00eancia, sob o qual certos setores recebiam licen\u00e7as de emiss\u00e3o gratuitas, est\u00e1 chegando gradualmente ao fim, e as companhias passar\u00e3o a enfrentar penalidades financeiras por poluir \u2013ou ter\u00e3o um incentivo financeiro para mudar de rumo.<\/p>\n<p>Com outros pa\u00edses j\u00e1 operando ou planejando lan\u00e7ar seus mercados de licen\u00e7as de emiss\u00e3o, surgem sinais de que o dinheiro dos acionistas possa estar em risco caso as sider\u00fargicas n\u00e3o ajam para reduzir suas emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos manter o a\u00e7o em seu ritmo atual e esperar atingir um total l\u00edquido zero de emiss\u00f5es\u201d, diz Carole Ferguson, diretora de pesquisa de investimento na CDP, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que avalia quest\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cFrancamente, em minha opini\u00e3o o processo n\u00e3o est\u00e1 acontecendo com a rapidez necess\u00e1ria. Os investimentos precisam come\u00e7ar a ser feitos agora, para que a transi\u00e7\u00e3o possa acontecer\u201d.<\/p>\n<p>Mas embora as companhias que trabalham com combust\u00edveis f\u00f3sseis tenham come\u00e7ado a sofrer press\u00e3o de seus acionistas, a compreens\u00e3o dos investidores quanto aos problemas e solu\u00e7\u00f5es para a ind\u00fastria pesada \u00e9 menos clara, diz Wolfgang Kuhn, diretor de estrat\u00e9gias para o setor financeiro da ShareAction, uma ONG que promete investimento respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cNo caso do petr\u00f3leo e do carv\u00e3o, voc\u00ea sabe que eles precisam ser abandonados. No dos ve\u00edculos com motor de combust\u00e3o interna, a mesma coisa\u201d, ele disse. \u201cNo caso do a\u00e7o, \u00e9 mais complicado\u201d.<\/p>\n<p><strong>REDU\u00c7\u00c3O POR HIDROG\u00caNIO<\/strong><\/p>\n<p>Cento e sessenta quil\u00f4metros ao sul do c\u00edrculo \u00e1rtico, est\u00e1 em curso um experimento que tem por objetivo deixar para tr\u00e1s s\u00e9culos de procedimentos metal\u00fargicos estabelecidos, por meio da explora\u00e7\u00e3o do elemento mais abundante do universo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2019\/02\/28\/15513596195c77de83694b0_1551359619_3x2_md.jpg\" width=\"639\" height=\"426\" \/>Aciaria da CSN (Companhia Sider\u00fargica Nacional), onde \u00e9 feita a transforma\u00e7\u00e3o de ferro l\u00edquido em a\u00e7o l\u00edquido, em Volta Redonda (RJ) &#8211;\u00a0Ant\u00f4nio Gaud\u00e9rio &#8211; 08.set.06\/Folhapress<\/p>\n<p>Em uma usina piloto em Lulea, no norte da Su\u00e9cia, a SSAB em breve iniciar\u00e1 testes quanto ao uso do g\u00e1s hidrog\u00eanio para redu\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio de ferro.<\/p>\n<p>Segundo a companhia, isso resultar\u00e1 em emiss\u00f5es virtualmente zero de di\u00f3xido de carbono, e o \u00fanico subproduto do processo ser\u00e1 vapor de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Caso comprovado em n\u00edvel industrial, isso seria nada menos que revolucion\u00e1rio. O processo se baseia no reaproveitamento de um sistema existente, chamado de \u201cferro reduzido diretamente\u201d (FRD), que responde por apenas uma pequena propor\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o mundial de a\u00e7o.<\/p>\n<p>As fornalhas que produzem FRD normalmente recebem inje\u00e7\u00f5es de g\u00e1s natural. A SSAB em lugar disso vai usar g\u00e1s hidrog\u00eanio puro, produzido em uma instala\u00e7\u00e3o conhecida como \u201celetrolisador\u201d, acionada pelas abundantes fontes de energia renov\u00e1vel suecas.<\/p>\n<p>O produto ser\u00e1 um intermedi\u00e1rio s\u00f3lido, chamado ferro-esponja, que depois \u00e9 encaminhado a um EAF, onde passa por uma mistura com res\u00edduos de ferro e \u00e9 refinado em forma de a\u00e7o.Trabalhando em parceria com uma empresa de energia e uma de minera\u00e7\u00e3o de ferro, a SSAB enfrenta rivais que incluem a Voestalpine, da \u00c1ustria, e a ArcelorMittal, que desenvolvem projetos semelhantes.<\/p>\n<p>\u201cDo laborat\u00f3rio, sabemos que em princ\u00edpio o H\u00b2 \u00e9 capaz, sob as condi\u00e7\u00f5es corretas, de reduzir o min\u00e9rio de ferro a ferro met\u00e1lico. Mas at\u00e9 agora ningu\u00e9m o fez em escala industrial\u201d, diz Lutz Bandusch, executivo s\u00eanior da ArcelorMittal, que j\u00e1 opera a \u00fanica instala\u00e7\u00e3o de FRD-EAF da Europa.<\/p>\n<p>Outro poss\u00edvel papel para o hidrog\u00eanio \u00e9 substituir o carv\u00e3o nos altos-fornos. Mas essa ainda n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o sider\u00fargica completa. Para come\u00e7ar, o FRD centrado em hidrog\u00eanio gasoso pode ter de depender de min\u00e9rios de maior teor, de acordo com alguns analistas. E h\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o da disponibilidade.<\/p>\n<p>\u201cAumentar a escala de produ\u00e7\u00e3o do \u2018eletrolisador\u2019 e tornar mais acess\u00edvel o custo geral do m\u00e9todo H\u00b2 mais eletricidade \u2013isso ser\u00e1 extremamente importante para que o setor sider\u00fargico decida se converter em larga escala e abandonar o uso de altos-fornos\u201d, diz Pei, da SSAB.<\/p>\n<p>O grupo sueco, que busca remover os combust\u00edveis f\u00f3sseis em todas as etapas do processo de produ\u00e7\u00e3o sider\u00fargica, estimou que o metal de seu processo baseado em hidrog\u00eanio ser\u00e1 inicialmente entre 20% e 30% mais caro.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que o H\u00b2 venha a ser a solu\u00e7\u00e3o para chegar a emiss\u00f5es zero. A quest\u00e3o chave \u00e9 o custo\u201d, diz Della Vigna, do Goldman Sachs, que calcula que o processo se tornar\u00e1 economicamente vi\u00e1vel quando o custo de uma licen\u00e7a de emiss\u00e3o de carbono atingir o valor de US$ 220 por tonelada.<\/p>\n<p>Mas para que as usinas adotem em massa o hidrog\u00eanio, seria preciso uma expans\u00e3o maci\u00e7a da infraestrutura de energia renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>A Alemanha, por exemplo, requereria energia renov\u00e1vel adicional equivalente a cerca de 20% de seu consumo atual de eletricidade, a fim de converter seu setor sider\u00fargico ao FRD baseado em hidrog\u00eanio ecol\u00f3gico, de acordo com a Ag\u00eancia Internacional de Energia Renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Isso demonstra que o setor sider\u00fargico s\u00f3 pode responder por parte da mudan\u00e7a necess\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>ABORDAGEM AUDACIOSA<\/strong><\/p>\n<p>Se eliminar de vez o di\u00f3xido de carbono ocupa uma das pontas do espectro, h\u00e1 outras iniciativas que pretendem impedir que gases escapem ou prop\u00f5em solu\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias que poderiam reduzir as emiss\u00f5es ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Em sua usina em Ghent, B\u00e9lgica, a ArcelorMittal est\u00e1 construindo uma instala\u00e7\u00e3o que transformar\u00e1 res\u00edduos t\u00f3xicos de madeira em \u201cbiocarv\u00e3o\u201d, com impacto menor em termos de emiss\u00f5es, a fim de substituir parte do carv\u00e3o usado nos altos-fornos.<\/p>\n<p>No mesmo lugar, a ArcelorMittal est\u00e1 investindo 165 milh\u00f5es de euros em equipamentos para capturar gases residuais. Micr\u00f3bios os converter\u00e3o em etanol, que pode ser reciclado em forma de produtos qu\u00edmicos contendo carbono, tais como pl\u00e1sticos, ou combust\u00edveis.<\/p>\n<p>No entanto, os ambientalistas que criticam os sistemas de captura, uso e armazenagem de carbono argumentam que eles s\u00e3o dispendiosos, n\u00e3o foram testados em uso mais amplo, e desviam a aten\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 causa central das emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Kingsmill Bond, estrategista de energia no instituto de pesquisa Carbon Tracker, acredita que os m\u00e9todos de captura, uso e armazenagem de carbono tenham um papel a desempenhar na ind\u00fastria pesada.<\/p>\n<p>\u201cMas nos 10% finais&#8230; Isso ser\u00e1 necess\u00e1rio, mas como \u00faltima pe\u00e7a, e n\u00e3o primeira\u201d.Enquanto os pesos pesados da ind\u00fastria lidam com um dilema que amea\u00e7a sua exist\u00eancia, o desafio \u00e9 atrair novos ingressantes, com a esperan\u00e7a de sacudir um setor onde o desordenamento \u00e9 uma raridade.<\/p>\n<p>A startup americana Boston Metals, criada por especialistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e com investimento de Bill Gates, diz ter desenvolvido uma tecnologia para produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o virgem sem emiss\u00e3o de poluentes, usando a eletricidade.<\/p>\n<p>Em um m\u00e9todo que apresenta semelhan\u00e7as com o da produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio, uma corrente el\u00e9trica passa por uma c\u00e9lula que consiste de um revestimento de a\u00e7o com bordas de dois metros, contendo, do lado de dentro, o que a companhia define como \u201cuma sopa de \u00f3xidos derretidos\u201d, entre os quais min\u00e9rio de ferro.<\/p>\n<p>Em contraposi\u00e7\u00e3o aos altos-fornos de at\u00e9 35 metros de altura vistos nas grandes sider\u00fargicas, a ideia \u00e9 que a Boston Metal ofere\u00e7a unidades pequenas e modulares para os locais de produ\u00e7\u00e3o, pass\u00edveis de expans\u00e3o para acompanhar a demanda.<\/p>\n<p>O presidente-executivo da companhia, Tadeu Carneiro, descreve o processo como \u201co inverso de uma bateria\u201d.\u201cInjetamos eletricidade\u201d, ele diz. \u201cA c\u00e9lula libera um ferro muito puro ao qual podem ser acrescentados outros elementos para conseguir a\u00e7o de alta qualidade\u201d.<\/p>\n<p>A empresa fundada nove anos atr\u00e1s recentemente recebeu investimentos do BHP Group e da Vale, o que elevou seu capital total a mais de US$ 100 milh\u00f5es, e o plano \u00e9 comercializar seu m\u00e9todo em grande escala a partir de 2025.<\/p>\n<p>\u201cSe tivermos o custo de eletricidade que os produtores de alum\u00ednio t\u00eam hoje, entre US$ 15 e US$ 35 por megawatt-hora, seremos competitivos mesmo sem impostos sobre as emiss\u00f5es\u201d, diz Carneiro. \u201cIsso realmente mudar\u00e1 o mundo\u201d.<\/p>\n<p>Se o objetivo \u00e9 que o a\u00e7o ecol\u00f3gico tenha impacto na luta contra a mudan\u00e7a do clima, o setor n\u00e3o pode trat\u00e1-lo como um produto de luxo para atender a um nicho de mercado.<\/p>\n<p>O a\u00e7o \u00e9 uma commodity e o custo \u00e9 rei; por isso, apoio dos contribuintes provavelmente ser\u00e1 necess\u00e1rio durante a transi\u00e7\u00e3o, enquanto as companhias tradicionais trabalham para tornar os novos processos de produ\u00e7\u00e3o mais eficientes e competitivos.<\/p>\n<p>\u201cO governo europeu permitiu a imposi\u00e7\u00e3o de tributos para que ele pudesse apoiar o crescimento do setor de energia renov\u00e1vel\u201d, diz Mittal.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s afirmamos que, da mesma forma, deveria haver um mecanismo ou estrutura de apoio ao setor sider\u00fargico, para que possamos investir e desenvolver os projetos [experimentais] e transform\u00e1-los em processos comerciais\u201d.<\/p>\n<p>Outra importante considera\u00e7\u00e3o para as autoridades \u00e9 o com\u00e9rcio internacional, j\u00e1 que o a\u00e7o \u00e9 uma das commodities mais negociadas internacionalmente, com frequentes acusa\u00e7\u00f5es de dumping a pre\u00e7os baixos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de bancar projetos sustent\u00e1veis sob o programa \u201cEuropean Green Deal\u201d, Bruxelas agora est\u00e1 preparando planos para \u201cum mecanismo alfandeg\u00e1rio de ajuste por emiss\u00f5es de carbono\u201d, que imporia um tributo relacionado a poluentes sobre certos produtos que ingressem no bloco comercial.<\/p>\n<p>A ideia seria impedir que produtos estrangeiros baratos e com forte impacto ambiental solapem as empresas europeias que est\u00e3o investindo em tecnologias ambientais ambiciosas.<\/p>\n<p>Mas mesmo que isso represente a cria\u00e7\u00e3o de um piso de custo por emiss\u00f5es de carbono nos mercados internacionais, h\u00e1 quem questione se h\u00e1 n\u00fameros que encorajem a ado\u00e7\u00e3o das tecnologias mais limpas.<\/p>\n<p>\u201cDa perspectiva do custo e da an\u00e1lise econ\u00f4mica, ainda n\u00e3o vemos as condi\u00e7\u00f5es certas para facilitar uma transi\u00e7\u00e3o geral do setor\u201d, diz Smith, da CRU.<\/p>\n<p>Mas Doug Parr, cientista chefe da Greenpeace no Reino Unido, v\u00ea motivo para otimismo: \u201cO \u00edmpeto parece ser maior do que, digamos, nos setores de cimento e qu\u00edmico. A siderurgia pode bem servir como teste de como um setor deve conduzir o processo\u201d.\u200b<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ind\u00fastria do a\u00e7o, uma das mais poluentes do mundo, quer reduzir a emiss\u00e3o de carbono<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":141757,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/aco_verde.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ind\u00fastria do a\u00e7o, uma das mais poluentes do mundo, quer reduzir a emiss\u00e3o de carbono","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141756"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141756"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141756\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":141759,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141756\/revisions\/141759"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}