{"id":141641,"date":"2021-02-17T11:00:17","date_gmt":"2021-02-17T14:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=141641"},"modified":"2021-02-17T09:43:38","modified_gmt":"2021-02-17T12:43:38","slug":"maior-coruja-do-mundo-esta-ameacada-de-extincao-mas-ainda-ha-tempo-de-salva-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/maior-coruja-do-mundo-esta-ameacada-de-extincao-mas-ainda-ha-tempo-de-salva-la\/","title":{"rendered":"Maior coruja do mundo est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o \u2014 mas ainda h\u00e1 tempo de salv\u00e1-la"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-141642\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Encontrada na R\u00fassia e em partes da \u00c1sia, a popula\u00e7\u00e3o de corujas-pescadoras-de-blakiston est\u00e1 em decl\u00ednio devido \u00e0 perda de habitat e \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/h2>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>IM\u00d3VEL, SENTADA sobre um tronco de \u00e1rvore ca\u00eddo, Rada Surmach se esfor\u00e7ava para ouvir o eco l\u00fagubre das corujas, nas profundezas do Vale do Rio Tuns, no leste da R\u00fassia.<\/p>\n<p>Ao p\u00f4r do sol, ela finalmente escutou: o dueto de corujas-pescadoras-de-blakiston, uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada cuja envergadura de quase dois metros a torna a maior coruja do mundo.<\/p>\n<p>Esses duetos assustadores, raros entre as corujas, refor\u00e7am os la\u00e7os existentes entre os casais. \u00c9 como se o macho estivesse chamando sua companheira: \u201cEstou aqui!\u201d, ao que a f\u00eamea responde num tom mais baixo: \u201cEu tamb\u00e9m!\u201d<\/p>\n<p>Empoleiradas no alto das copas das \u00e1rvores, os casais de corujas-pescadoras realizam um dueto de quatro notas de vocaliza\u00e7\u00f5es sincronizadas que podem durar at\u00e9 duas horas. Essas aves de rapina, conhecidas por seus olhos de amarelo intenso e tufos de penas nas orelhas, fazem seus ninhos nos buracos de \u00e1rvores antigas entre os vales arborizados dos rios do Extremo Oriente\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/travel\/destinations\/europe\/russia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">russo<\/a>, onde florestas tropicais boreais e temperadas se encontram com o Mar do Jap\u00e3o e com o Mar de Okhotsk.<\/p>\n<p>Seu nome \u00e9 uma refer\u00eancia ao naturalista ingl\u00eas do s\u00e9culo 19\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/307907441_A_Line_in_Birds_Thomas_Wright_Blakiston_ornithologist_biogeographer_in_early_Meiji_Japan\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Thomas W. Blakiston<\/a>, e elas dividem-se em duas subesp\u00e9cies:\u00a0<em>Bubo blakistoni doerriesi<\/em>, encontrada na R\u00fassia continental, e\u00a0<em>Bubo blakistoni blakistoni<\/em>, que ocorre em Hokkaido, Jap\u00e3o, nas Ilhas Curilas, ao sul da R\u00fassia, e provavelmente no nordeste da China.<\/p>\n<p>Em Hokkaido, as pessoas colocam comida para as corujas-pescadoras-de-blakiston e cuidam de suas popula\u00e7\u00f5es; na prov\u00edncia de Primorye, os casais que restam \u2014 menos de 200 \u2014 s\u00e3o realmente selvagens. Estima-se que a popula\u00e7\u00e3o global dessas corujas seja de um mil a 1,9 mil indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Rada Surmach, candidata a Ph.D. e pesquisadora do\u00a0<a href=\"https:\/\/biosoil.ru\/HomeEn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Centro Cient\u00edfico Federal de Biodiversidade Terrestre do<\/a>\u00a0Leste Asi\u00e1tico, em Vladivostok, criou um plano de conserva\u00e7\u00e3o de longo prazo para reintroduzir as corujas-pescadoras nascidas em cativeiro no\u00a0<a href=\"https:\/\/leopard-land.ru\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Parque Nacional Terra<\/a>\u00a0do Leopardo, no sul de Primorye, uma regi\u00e3o relativamente desenvolvida onde as aves j\u00e1 viveram.<\/p>\n<p>Surmach acredita que o impressionante p\u00e1ssaro tem potencial para ser uma esp\u00e9cie simb\u00f3lica na conscientiza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, um papel similar ao desempenhando pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/mammals\/s\/siberian-tiger\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tigre-siberiano<\/a>, ou tigre-de-amur.<\/p>\n<p>\u201cSempre que eu digo que esta \u00e9 a maior coruja do mundo e que ela vive na nossa floresta, as pessoas ficam muito animadas\u201d, ela diz.<\/p>\n<h3><strong>Mudan\u00e7as de esta\u00e7\u00e3o, tempestades destrutivas<\/strong><\/h3>\n<p>Corujas-pescadoras enfrentam duas amea\u00e7as principais:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/environment\/global-warming\/deforestation\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a perda de<em>\u00a0habitat<\/em><\/a>\u00a0e os efeitos das\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/environment\/global-warming\/global-warming-overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mudan\u00e7as clim\u00e1tica<\/a>s.<\/p>\n<p>Como o nome indica, corujas-pescadoras se alimentam de salm\u00f5es, trutas e lampreias nos rios congelados durante o inverno. Com a chegada da primavera, o macho acrescenta anf\u00edbios ao card\u00e1pio a fim de alimentar sua companheira e seu \u00fanico e fofinho filhote.<\/p>\n<p>Com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/110\/33\/13434\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a chegada da primavera pode ser alterada<\/a>, fazendo com que os sapos apare\u00e7am cedo ou tarde demais para sustentar os filhotes famintos de corujas-pescadoras, explica o bi\u00f3logo da vida selvagem\u00a0<a href=\"https:\/\/jonathanslaght.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jonathan C. Slaght<\/a>, coordenador da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wcs.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sociedade para Conserva\u00e7\u00e3o da Vida Selvagem<\/a>\u00a0na R\u00fassia e nordeste da \u00c1sia. Os resultados de tal mudan\u00e7a \u2014 chamada de incompatibilidade tr\u00f3fica \u2014 podem ser catastr\u00f3ficos, fazendo os filhotes de corujas morrerem de fome e contribuindo para um eventual decl\u00ednio populacional, segundo Slaght, que publicou o livro\u00a0<a href=\"https:\/\/us.macmillan.com\/books\/9780374228484\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Owls of the Eastern Ice: A Quest to Find and Save the World&#8217;s Largest Owl<\/em><\/a>\u00a0(Corujas do Gelo Oriental: Uma Busca para Encontrar e Salvar a Maior Coruja do Mundo, em tradu\u00e7\u00e3o livre) em 2020, na esperan\u00e7a de estimular o interesse das pessoas nesta coruja t\u00e3o \u00fanica.<\/p>\n<p>Com o\u00a0<a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2020GL090956\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aumento da temperatura da superf\u00edcie do mar no noroeste do Pac\u00edfico<\/a>, tempestades cada vez mais destrutivas e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/news\/2013\/11\/131107-typhoons-pacific-natural-disasters\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tuf\u00f5es\u00a0<\/a>t\u00eam atingido Primorye nos \u00faltimos anos \u2014 outra poss\u00edvel amea\u00e7a para o\u00a0<em>habitat<\/em>\u00a0das corujas, acrescenta Slaght. Em 2016,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/337241139_Strong_Disturbance_Impact_of_Tropical_Cyclone_Lionrock_2016_on_Korean_Pine-Broadleaved_Forest_in_the_Middle_Sikhote-Alin_Mountain_Range_Russian_Far_East\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o tuf\u00e3o Lionrock causou enormes danos \u00e0s florestas<\/a>\u00a0prim\u00e1rias, destruindo gigantescos ulmeiros siberianos, salgueiros e pinheiros coreanos, restando somente cascalho ao longo da margem do rio.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr css-1u2rc1n\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/blackistons-fish-owl.webp?w=320&amp;h=213\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 320px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/blackistons-fish-owl.webp?w=360&amp;h=240\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 360px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/blackistons-fish-owl.webp?w=430&amp;h=287\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 430px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/blackistons-fish-owl.webp?w=500&amp;h=333\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 500px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/blackistons-fish-owl.webp?w=768&amp;h=512\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/blackistons-fish-owl.webp?w=900&amp;h=599\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 900px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/blackistons-fish-owl.webp?w=1024&amp;h=682\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/blackistons-fish-owl.webp?w=664&amp;h=442\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/blackistons-fish-owl.webp?w=710&amp;h=473\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1600px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/blackistons-fish-owl.webp?w=710&amp;h=473\" type=\"image\/webp\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Uma coruja-pescadora da subesp\u00e9cie Bubo blakistoni blakistoni voando perto de Rausu, Jap\u00e3o.\n\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/blackistons-fish-owl.jpg?w=710&amp;h=473\" alt=\"Uma coruja-pescadora da subesp\u00e9cie Bubo blakistoni blakistoni voando perto de Rausu, Jap\u00e3o.\n\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Uma coruja-pescadora da subesp\u00e9cie Bubo blakistoni blakistoni voando perto de Rausu, Jap\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">MARIO NONAKA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Buracos na estrada<\/strong><\/h3>\n<p>Hoje, o maior problema para as corujas-pescadoras de Primorye s\u00e3o as estradas madeireiras, de acordo com Slaght. Elas s\u00e3o constru\u00eddas legalmente, mas desde a d\u00e9cada de 1980, seu n\u00famero\u00a0<a href=\"https:\/\/russia.wcs.org\/en-us\/About-Us\/News-Archive\/ID\/6827\/SOLVING-THE-ROAD-PROBLEM-FOR-TIGERS.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aumentou mais de 17 vezes<\/a>. Embora as corujas-pescadoras fa\u00e7am seus ninhos principalmente em \u00e1rvores altas e mortas, sem valor comercial, as estradas permitem que pessoas como ca\u00e7adores, madeireiros ilegais e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/339513147_Pine_nuts_in_Primorsky_province_Challenges_and_Opportunities\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">coletores<\/a>\u00a0de pinh\u00f5es tenham acesso a partes mais remotas da floresta.<\/p>\n<p>Esses intrusos podem\u00a0<a href=\"https:\/\/russia.wcs.org\/en-us\/Wildlife\/Amur-Leopards\/Conservation-Threats.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">constituir uma s\u00e9ria amea\u00e7a<\/a>\u00a0\u00e0s corujas-ca\u00e7adoras e outras esp\u00e9cies amea\u00e7adas, como por exemplo ao atingir animais com seus ve\u00edculos ou causar inc\u00eandios acidentais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, madeireiros muitas vezes derrubam \u00e1rvores antigas, que s\u00e3o o local preferido das corujas, para construir pontes improvisadas pela floresta. A fim de encorajar as companhias madeireiras a considerar outras op\u00e7\u00f5es, Slaght e\u00a0<a href=\"https:\/\/biosoil.ru\/en\/Employee\/surmach\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sergey Surmach<\/a>\u00a0\u2014 pai de Rada Surmach, que estuda corujas-pescadoras h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas \u2014 conclu\u00edram\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/bird-conservation-international\/article\/blakistons-fishowl-bubo-blakistoni-and-logging-applying-resource-selection-information-to-endangered-species-conservation-in-russia\/911F54357208FABDA749030CB7B40837\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um estudo de cinco anos sobre o\u00a0<em>habitat<\/em>\u00a0das corujas-pescadoras em 2010<\/a>.<\/p>\n<p>Os cientistas pediram que as madeireiras se afastassem de certas esp\u00e9cies de \u00e1rvores de florestas prim\u00e1rias, como o ulmeiro, chosenia e o \u00e1lamo japon\u00eas, e em vez disso extra\u00edssem \u00e1rvores mais comuns, n\u00e3o utilizadas pelas corujas-pescadoras, como o lari\u00e7o e o pando. Eles tamb\u00e9m sugeriram que as opera\u00e7\u00f5es de extra\u00e7\u00e3o madeireira bloqueiem estradas n\u00e3o utilizadas, a fim de afastar madeireiros ilegais e ca\u00e7adores. Mesmo que as estradas n\u00e3o fiquem bloqueadas permanentemente, esses bloqueios d\u00e3o \u00e0 vida selvagem tempo para se recuperar, diz Slaght.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/profile\/company\/TERL:RU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">TerneyLes<\/a>, a maior companhia madeireira de Primorye, n\u00e3o respondeu a dois e-mails pedindo coment\u00e1rios sobre seu papel na conserva\u00e7\u00e3o das corujas.<\/p>\n<h3><strong>Uma caminhada pelo lado selvagem<\/strong><\/h3>\n<p>Por outro lado, conservacionistas dizem que Primorye j\u00e1 protegeu cerca de 28 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, ou 17% do total de seu territ\u00f3rio, seja em reservas federais ou locais. Apenas nos \u00faltimos 15 anos, a prov\u00edncia estabeleceu quatro novas \u00e1reas protegidas, totalizando cerca de 15,8 mil quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>O governo da prov\u00edncia possui uma longa hist\u00f3ria de gest\u00e3o ambiental e colabora\u00e7\u00e3o com conservacionistas, principalmente no que se refere a tigres-de-bengala e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/news\/2017\/04\/rare-amur-leopard-camera-trap-russia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">leopardos-de-amur<\/a>, diz Victor Bardyuk, diretor do\u00a0<a href=\"https:\/\/leopard-land.ru\/?lang=en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Parque Nacional Terra do Leopardo<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cA preserva\u00e7\u00e3o desses animais, incluindo a coruja-pescadora-de-blakiston, \u00e9 um v\u00edvido exemplo da atitude das pessoas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza e do efetivo trabalho do Estado para preserv\u00e1-la\u201d, diz Bardyuk.<\/p>\n<p>Ele acrescenta que a proibi\u00e7\u00e3o de extra\u00e7\u00e3o madeireira em \u201c\u00e1reas altamente protegidas\u201d, o estabelecimento de cotas para a remo\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores e o monitoramento das atividades madeireiras via sat\u00e9lite ajudaram a proteger o leopardo-de-amur, esp\u00e9cie criticamente amea\u00e7ada, que s\u00f3 conta com cerca de 60 indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Svetlana Soutyrina, diretora da\u00a0<a href=\"http:\/\/sikhote-zap.ru\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Reserva de Biosfera Sikhote-Alin<\/a>, a maior \u00e1rea protegida de Primorye, diz que sua reserva tem maior controle sobre o tr\u00e1fico de madeira e atividades de ca\u00e7a nos \u00faltimos anos. E o envolvimento de organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos como a Wildlife Conservation Society, o WWF R\u00fassia e o Amur Tiger Center melhoraram as condi\u00e7\u00f5es da fauna e flora da regi\u00e3o \u2014 incluindo a coruja-pescadora.<\/p>\n<p>Embora ainda faltem alguns anos para se concretizar, Rada Surmach e seus colegas esperam lan\u00e7ar um programa de reprodu\u00e7\u00e3o em cativeiro para a coruja. Esse programa pode garantir uma popula\u00e7\u00e3o de animais que poder\u00e3o ser soltos na natureza futuramente. Em 2018, o Zool\u00f3gico de Moscou lan\u00e7ou um\u00a0<a href=\"http:\/\/moscowzoo.center\/index.php\/programmy\/18-programma-po-razvedeniyu-i-sokhraneniyu-rybnogo-filina-ketupa-blakistoni\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">programa de cria\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0de corujas-pescadoras-de-blakiston, que atualmente \u00e9 formado por duas f\u00eameas da esp\u00e9cie\u00a0<em>B. b. blakistoni<\/em>, uma localizada em Moscou e a outra no Zool\u00f3gico da Ilha Sacalina.<\/p>\n<h3><strong>\u201cAqui eles s\u00e3o os reis\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Esses esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o beneficiam apenas as corujas-pescadoras. Um\u00a0<em>habitat<\/em>\u00a0que se mant\u00e9m selvagem o suficiente para nutrir a ave tem mais probabilidade de atender \u00e0s necessidades de in\u00fameras criaturas, incluindo a marta-de-garganta-amarela, o veado-vermelho, o urso-pardo, alces, o lince-euroasi\u00e1tico entre muitos outros, segundo os conservacionistas.<\/p>\n<p>\u201cPrimorye \u00e9 um lugar onde ainda h\u00e1 natureza selvagem\u201d, diz Slaght. \u201cTrata-se de algo que vale a pena proteger, e isso pode ser feito.\u201d<\/p>\n<p>Relembrando seu primeiro encontro com as corujas-pescadoras na natureza, Rada Surmach conta que foi como descobrir pegadas recentes de tigre na neve.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea se d\u00e1 conta de que n\u00e3o est\u00e1 sozinho na floresta. H\u00e1 animais selvagens ao seu redor\u201d, ela diz. \u201c\u00c9 a floresta deles, e aqui eles s\u00e3o os reis.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontrada na R\u00fassia e em partes da \u00c1sia, a popula\u00e7\u00e3o de corujas-pescadoras-de-blakiston est\u00e1 em decl\u00ednio<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":141642,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/coruja.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Encontrada na R\u00fassia e em partes da \u00c1sia, a popula\u00e7\u00e3o de corujas-pescadoras-de-blakiston est\u00e1 em decl\u00ednio","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141641"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141641"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141641\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":141644,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141641\/revisions\/141644"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141642"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}