{"id":141592,"date":"2021-02-16T10:52:31","date_gmt":"2021-02-16T13:52:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=141592"},"modified":"2021-02-16T10:52:31","modified_gmt":"2021-02-16T13:52:31","slug":"o-superalimento-perdido-da-america-pre-colombiana-que-o-mexico-tenta-resgatar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-superalimento-perdido-da-america-pre-colombiana-que-o-mexico-tenta-resgatar\/","title":{"rendered":"O superalimento perdido da Am\u00e9rica pr\u00e9-colombiana que o M\u00e9xico tenta resgatar"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/superalimentos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-141593\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/superalimentos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/superalimentos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/superalimentos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Na Cidade do M\u00e9xico, a espirulina tem aparecido em quase todos os card\u00e1pios. Desde os habituais smoothies at\u00e9 em pratos mais tradicionais, como tortilhas e tlayudas (base de tortilha crocante com feij\u00e3o frito e outras coberturas).<\/strong><\/p>\n<p>Mas n\u00e3o pense que este \u00e9 um s\u00edmbolo da invas\u00e3o \u201chipster\u201d da globaliza\u00e7\u00e3o dos\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/alimentos\">alimentos<\/a>\u00a0saud\u00e1veis: na verdade, s\u00e9culos antes de serem consideradas um \u201csuperalimento\u201d, essas\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/cianobacterias\">cianobact\u00e9rias<\/a>\u00a0de cores vibrantes (ou algas verde-azuladas) \u2014 que crescem sobretudo em lagos alcalinos quentes, lagoas e rios nas zonas tropicais e subtropicais \u2014 eram um alimento b\u00e1sico na era pr\u00e9-colombiana.<\/p>\n<p>Os mexicas \u2014 ou astecas, como ficaram conhecidos posteriormente \u2014 colhiam a subst\u00e2ncia rica em prote\u00ednas da superf\u00edcie do Lago Texcoco, um extenso corpo de \u00e1gua no centro do\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/mexico\">M\u00e9xico<\/a>\u00a0que acabou sendo drenado em grande parte pelos espanh\u00f3is para abrir caminho para a constru\u00e7\u00e3o da Cidade do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>As \u00e1guas do lago tinham o equil\u00edbrio perfeito entre salinidade e alcalinidade para o florescimento da espirulina.<\/p>\n<p>Os mexicas a chamavam de\u00a0<em>tecuitlatl,<\/em>\u00a0palavra nahuatl que pode ser traduzida como \u201cexcremento de rocha\u201d, embora tivessem decididamente um apre\u00e7o maior por ela do que o nome sugere.<\/p>\n<p>\u201cAs tradi\u00e7\u00f5es orais dizem que os mensageiros e corredores mexicas na antiga Tenochtitlan comiam espirulina seca com milho, tortilhas, feij\u00e3o ou pimenta como combust\u00edvel para viagens de longa dist\u00e2ncia\u201d, afirma Denise Vallejo, chef que dirige o restaurante vegano Alchemy Organica, em Los Angeles, nos EUA.<\/p>\n<p>Mesmo sem a ci\u00eancia moderna, os mexicas puderam reconhecer a densidade de nutrientes que fez da espirulina um dos\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/alimentos\">alimentos<\/a>\u00a0preferidos da atualidade.<\/p>\n<p>Ela tem cerca de 60%-70% de prote\u00edna e amino\u00e1cidos essenciais, al\u00e9m de muitas vitaminas e minerais, sobretudo ferro, mangan\u00eas e vitaminas B, de acordo com a\u00a0<em>Encyclopedia of Dietary Supplements<\/em>.<\/p>\n<p>Na verdade, \u00e9 t\u00e3o saud\u00e1vel e relativamente f\u00e1cil de cultivar que especialistas acreditam que pode ser uma potencial fonte de alimento para as futuras col\u00f4nias de Marte.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que, para os conquistadores espanh\u00f3is que chegaram no s\u00e9culo 16, parecia estranho.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-167510\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pratos_mexicanos_com_espirulina.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pratos_mexicanos_com_espirulina.jpg 800w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pratos_mexicanos_com_espirulina-300x169.jpg 300w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pratos_mexicanos_com_espirulina-768x432.jpg 768w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pratos_mexicanos_com_espirulina-678x381.jpg 678w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption>No M\u00e9xico, a espirulina aparece sob diferentes formas nos card\u00e1pios \u2014 de smoothies a pratos tradicionais \u2013 ANTONS JEVTEREVS\/ALAMY<\/figcaption><\/figure>\n<p>Bernal D\u00edaz del Castillo escreveu em suas mem\u00f3rias de 1568 sobre \u201cuma esp\u00e9cie de p\u00e3o feito de um tipo de lama ou limo coletado da superf\u00edcie do lago e comido dessa forma, e que tem um sabor semelhante ao nosso queijo\u201d.<\/p>\n<p>E o frade franciscano Bernardino de Sahag\u00fan incluiu ilustra\u00e7\u00f5es da colheita de espirulina em seu estudo etnogr\u00e1fico do s\u00e9culo 16, o\u00a0<em>Florentine Codex<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cDepois da invas\u00e3o espanhola, a maior parte de seu consumo diminuiu com a drenagem dos lagos do Vale do M\u00e9xico\u201d, diz Vallejo.<\/p>\n<p>\u201cE muitos dos espanh\u00f3is n\u00e3o gostavam de suas propriedades \u2018viscosas\u2019 ou \u2018pegajosas\u2019. O conhecimento de seu consumo se perdeu por muito tempo.\u201d<\/p>\n<p>O mundo ocidental redescobriu o ingrediente nutritivo na d\u00e9cada de 1940, quando um ficologista franc\u00eas (cientista que estuda algas) notou que o povo Kanembu ao longo do Lago Chade, que banha N\u00edger, Camar\u00f5es, Nig\u00e9ria e Chade, estavam colhendo espirulina e transformando-a em bolos que secavam ao sol chamados\u00a0<em>dih\u00e9<\/em>.<\/p>\n<p>Mas ela n\u00e3o fez seu grande retorno ao\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/mexico\">M\u00e9xico<\/a>\u00a0at\u00e9 um feliz acidente na d\u00e9cada de 1960, quando os propriet\u00e1rios da Sosa Texcoco \u2014 que produzia carbonato de s\u00f3dio e cloreto de c\u00e1lcio em uma grande lagoa em forma de caracol no que restou do Lago Texcoco \u2014 notaram uma subst\u00e2ncia de colora\u00e7\u00e3o verde arruinando o trabalho deles.<\/p>\n<p>Eles procuraram pesquisadores franceses, que conclu\u00edram que era o mesmo organismo que vinha alimentando os Kanembu por gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em vez de tentar erradicar as\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/cianobacterias\">cianobact\u00e9rias<\/a>, a Sosa Texcoco reconheceu seu valor, incentivou seu cultivo e abriu a primeira empresa comercial de espirulina do mundo, a Spirulina Mexicana.<\/p>\n<p>Embora a Spirulina Mexicana j\u00e1 tenha fechado, uma microfazenda nos arredores de San Miguel de Allende, chamada Spirulina Viva, d\u00e1 continuidade \u00e0 antiga tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde 2010, a americana Katie Kohlstedt e seu marido, Francisco Portillo, nascido em San Luis Potos\u00ed, cultivam espirulina fresca \u2014 que provavelmente tem um gosto muito semelhante \u00e0 que os mexicas colhiam s\u00e9culos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u201cEstamos muito orgulhosos de cultiv\u00e1-la aqui\u201d, diz ela.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o precis\u00e1vamos inventar algo novo ou trazer algo de outro lugar.\u201d<\/p>\n<p>Embora muitas pessoas possam estar familiarizadas com a espirulina na forma de p\u00f3 desidratado, a Spirulina Viva vende a subst\u00e2ncia verde crua e congelada, o que confere a ela um sabor muito mais delicado.<\/p>\n<p>\u201cA espirulina fresca deve ser cremosa como um requeij\u00e3o\u201d, afirma Kohlstedt. \u201cSe voc\u00ea fechar os olhos, pode achar que est\u00e1 comendo algo entre abacate e espinafre.\u201d<\/p>\n<p>Ela adverte que se voc\u00ea acha que a espirulina tem sabor de peixe, \u00e9 prov\u00e1vel que esteja comprando um produto de qualidade inferior \u2014 ou inclusive algum que use espinhas de peixe mo\u00eddas para fornecer o f\u00f3sforo que a espirulina precisa para crescer.<\/p>\n<p>Kohlstedt e Portillo organizam workshops de cultivo de espirulina e j\u00e1 receberam futuros agricultores de lugares distantes, como Austr\u00e1lia e Argentina.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-167511\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/lago_texcoco_mexico.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/lago_texcoco_mexico.jpg 800w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/lago_texcoco_mexico-300x169.jpg 300w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/lago_texcoco_mexico-768x432.jpg 768w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/lago_texcoco_mexico-678x381.jpg 678w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption>O Lago Texcoco foi drenado em grande parte pelos espanh\u00f3is para construir a Cidade do M\u00e9xico \u2013 CHICO SANCHEZ\/ALAMY<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201c\u00c9 jardinagem combinada com qu\u00edmica\u201d, diz Kohlstedt sobre o processo.<\/p>\n<p>Mas, para muitos consumidores, o produto final ainda permanece sendo um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201cSe eu ler mais um artigo que diz que a espirulina \u00e9 cultivada no oceano ou [que mostra] a foto de uma alga marinha, vou gritar\u201d, afirma ela, rindo.<\/p>\n<p>Kohlstedt recomenda comer espirulina da forma mais simples poss\u00edvel, misturada em uma sopa quente de miss\u00f4 ou caldos, batida em um smoothie, passada no p\u00e3o ou com guacamole e suco de lim\u00e3o, uma vez que a vitamina C mostrou ajudar na absor\u00e7\u00e3o de ferro.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea vai se sentir como se tivesse acabado de comer o almo\u00e7o de Popeye\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Na Cidade do M\u00e9xico, os chefs est\u00e3o ficando cada vez mais criativos ao usar o ingrediente.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode encontrar espirulina na tlayuda coberta com abacate e escamoles (larvas de formiga) no restaurante Balc\u00f3n del Z\u00f3calo; ou iluminando uma tortilla na Cintli Tortilleria; adicionando um toque verdejante \u00e0s tigelas de smoothie e cheesecakes no Vegamo; e at\u00e9 mesmo em coquet\u00e9is no Xaman Bar, de inspira\u00e7\u00e3o pr\u00e9-colombiana.<\/p>\n<p>L\u00e1, o barman chefe, Kenneth Rodrigez, incorporou a espirulina em uma s\u00e9rie de drinques, incluindo um coquetel \u00e0 base de gim com lim\u00e3o mexicano e licor de aspargos.<\/p>\n<p>\u201cEu uso quando algu\u00e9m n\u00e3o gosta de clara de ovo ou [em drinques para] pessoas veganas, porque a espirulina tem prote\u00edna e podemos obter texturas interessantes\u201d, diz Rodrigez, \u201csem falar na cor incr\u00edvel e nos componentes nutricionais que ela fornece\u201d.<\/p>\n<p>Ele acrescenta que o ingrediente \u201cpode ainda \u200b\u200bser usada para real\u00e7ar outros sabores, pois tem muitos minerais, como uma alternativa ao sal\u201d.<\/p>\n<p>Do outro lado da fronteira nas comunidades mexicanas-americanas, o uso da espirulina significou estabelecer uma conex\u00e3o direta com o passado pr\u00e9-colombiano.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-167512\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/espirulina_cultivo.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/espirulina_cultivo.jpg 800w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/espirulina_cultivo-300x169.jpg 300w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/espirulina_cultivo-768x432.jpg 768w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/espirulina_cultivo-678x381.jpg 678w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption>A espirulina \u00e9 cultivada e colhida em lugares como o M\u00e9xico \u2013 BLOOMBERG CREATIVE\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n<p>No criativo restaurante mexicano Mixtli de San Antonio, por exemplo, os chefs Rico Torres e Diego Galicia apresentaram a espirulina em um menu especial inspirado na invas\u00e3o espanhola. Eles participaram de um jantar colaborativo no Dia dos Mortos no James Beard House de Nova York, onde uma das entradas era um iogurte de espirulina defumado com ovas de truta e rabanetes.<\/p>\n<p>No Alchemy Organica, Vallejo incorpora espirulina em p\u00f3 \u00e0 \u00e1gua fresca (bebida sem \u00e1lcool tradicional mexicana) de abacaxi com sementes de lim\u00e3o e chia.<\/p>\n<p>E ela usa inclusive como \u201cum corante alimentar natural e refor\u00e7o nutricional, junto com cactos e espinafre em p\u00f3\u201d para preparar uma massa verde vibrante (feita com milho que foi nixtamalizado ou tratado com uma solu\u00e7\u00e3o alcalina), que ela transforma em tortilhas e tamales coloridos.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m uso para intensificar o sabor de alguns dos meus pratos inspirados em frutos do mar, j\u00e1 que oferece um sabor muito parecido com o das algas\u201d, explica.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-167513\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pratos_e_drinques_feitos_com_espirulina.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pratos_e_drinques_feitos_com_espirulina.jpg 800w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pratos_e_drinques_feitos_com_espirulina-300x169.jpg 300w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pratos_e_drinques_feitos_com_espirulina-768x432.jpg 768w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pratos_e_drinques_feitos_com_espirulina-678x381.jpg 678w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption>Os chefs abusam da criatividade ao usar a espirulina em pratos e drinques \u2013 MARSBARS\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n<p>E quando um de seus cozinheiros come\u00e7ou a vender espirulina fresca no mercado de agricultores, Vallejo passou simplesmente a colocar colheradas em suas bebidas.<\/p>\n<p>\u201cD\u00e1 a energia que voc\u00ea espera de uma x\u00edcara de caf\u00e9!\u201d, afirma.<\/p>\n<p>De certa forma, esses chefs est\u00e3o explorando algo muito mais profundo do que simplesmente o sabor ou a nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vallejo, que estuda curandeirismo (medicina popular), disse que a espirulina costuma ser vista como um desintoxicante para preparar rituais, feiti\u00e7os e \u201ccerim\u00f4nias vision\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p>Kohlstedt tamb\u00e9m ouviu falar sobre as conex\u00f5es m\u00edsticas do ingrediente:<\/p>\n<p>\u201cAlgu\u00e9m me disse que a raz\u00e3o de ser chamada \u2018espirulina\u2019 tem a ver com sua forma espiral, mas tamb\u00e9m com nosso DNA e como h\u00e1 algo realmente b\u00e1sico e espiritual sobre como nos relacionamos com as plantas [e as\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/cianobacterias\">cianobact\u00e9rias<\/a>]. \u201c<\/p>\n<p>\u201cMuitos dos \u2018superalimentos\u2019 desfrutados hoje t\u00eam uma rica hist\u00f3ria na Mesoam\u00e9rica: chia, amaranto, cacau, abacate, cacto\u201d, observa Vallejo.<\/p>\n<p>\u201cAcho que o atual movimento descolonizador nos Xicanx (mexicanos nos EUA), na Am\u00e9rica Central e em outras comunidades de l\u00edngua espanhola est\u00e1 nos ajudando a redescobrir e lembrar nossos h\u00e1bitos alimentares ancestrais. Devemos recuperar nossos\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/alimentos\">alimentos<\/a>\u00a0e nossa sabedoria vegetal. Quanto mais os comemos, mais despertamos esse DNA e essa hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Cidade do M\u00e9xico, a espirulina tem aparecido em quase todos os card\u00e1pios. 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