{"id":141533,"date":"2021-02-14T17:43:24","date_gmt":"2021-02-14T20:43:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=141533"},"modified":"2021-02-14T17:43:24","modified_gmt":"2021-02-14T20:43:24","slug":"tsunamis-ou-terremotos-devastadores-sao-incomuns-no-ne-mas-nao-impossiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tsunamis-ou-terremotos-devastadores-sao-incomuns-no-ne-mas-nao-impossiveis\/","title":{"rendered":"Tsunamis ou terremotos devastadores s\u00e3o incomuns no NE, mas n\u00e3o imposs\u00edveis"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/rubson-maia-camadas-falha-geologica.jpg\" width=\"638\" height=\"425\" \/><\/p>\n<p>Durante muito tempo,\u00a0<strong>sism\u00f3logos norte-americanos<\/strong>\u00a0discutiram a possibilidade de um\u00a0<strong>grande terremoto<\/strong>\u00a0de propor\u00e7\u00f5es jamais vistas, apelidado de\u00a0<strong>\u2018The Big One\u2019<\/strong>, ocorrer ao longo da\u00a0<strong>falha de San Andreas<\/strong>, na\u00a0<strong>Calif\u00f3rnia<\/strong>, e arrasar cidades como<strong>\u00a0Los Angeles<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>San Francisco<\/strong>. A possibilidade foi<strong>\u00a0alvo de uma s\u00e9rie de filmes<\/strong>\u00a0em\u00a0<strong>Hollywood<\/strong>, com maior ou menor base na realidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Contudo, principalmente ap\u00f3s a ocorr\u00eancia dos\u00a0<strong>tsunamis<\/strong>\u00a0gerados por um\u00a0<strong>abalo s\u00edsmico de 9.1 graus<\/strong>\u00a0na\u00a0<strong>escala Richter<\/strong>, com epicentro no\u00a0<strong>Oceano \u00cdndico<\/strong>, em 2004, surgiu o temor de que um terremoto devastador pudesse ocorrer no\u00a0<strong>Oceano Atl\u00e2ntico<\/strong>\u00a0e atingir o litoral do\u00a0<strong>Nordeste<\/strong>. O gigantesco desastre natural\u00a0<strong>vitimou mais de 200 mil pessoas\u00a0<\/strong>em diversos pa\u00edses da\u00a0<strong>\u00c1sia<\/strong>\u00a0e da\u00a0<strong>\u00c1frica<\/strong>. A preocupa\u00e7\u00e3o que um fen\u00f4meno semelhante ocorresse aqui se agravou com mais um\u00a0<strong>tsunami devastador registrado em 2011, no Jap\u00e3o<\/strong>, ap\u00f3s um sismo de magnitude 9.0.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 alguma raz\u00e3o real para temer um tsunami?\u00a0<strong>No Brasil<\/strong>, o \u00fanico\u00a0<strong>registro hist\u00f3rico<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>impreciso<\/strong>\u00a0de algo parecido ocorreu em 1541,\u00a0<strong>na cidade de S\u00e3o Vicente (SP)<\/strong>, considerada a primeira vila do Brasil. Segundo o professor do Departamento de Geografia da\u00a0<strong>Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC)<\/strong>\u00a0Rubson Maia n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel descartar essa hip\u00f3tese, mas as chances s\u00e3o bem pequenas. \u201cNos \u00faltimos 15 ou 20 anos houve uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande com as\u00a0<strong>Ilhas Can\u00e1rias\u00a0<\/strong>(territ\u00f3rio no Atl\u00e2ntico, pertencente \u00e0<strong>\u00a0Espanha<\/strong>) porque as ilhas oce\u00e2nicas, geralmente, est\u00e3o associadas \u00e0 atividade vulc\u00e2nica\u201d, cita.<\/p>\n<p>\u201cUm\u00a0<strong>vulc\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 como se fosse uma garrafa de champanhe que voc\u00ea agita. Ent\u00e3o, existe uma press\u00e3o enorme e uma rolha na boca do vulc\u00e3o que \u00e9 a rocha que resfriou ap\u00f3s o \u00faltimo\u00a0<strong>derramamento bas\u00e1ltico<\/strong>. Essa rolha fica sustentando a press\u00e3o at\u00e9 um dia em que explode. Por isso, geralmente o in\u00edcio das\u00a0<strong>atividades vulc\u00e2nicas<\/strong>\u00a0s\u00e3o explosivos. Se voc\u00ea imaginar isso acontecendo em ilhas oce\u00e2nicas pode haver a gera\u00e7\u00e3o de tsunamis. As cidades que est\u00e3o na costa do Nordeste do Brasil seriam as mais afetadas, caso isso ocorresse nas Ilhas Can\u00e1rias\u201d, explica o ge\u00f3grafo.<\/p>\n<p>Ele pontua, por outro lado, que n\u00e3o h\u00e1 motivos para se preocupar com a possibilidade de falhas encontradas no pr\u00f3prio territ\u00f3rio nordestino gerarem tsunamis, uma vez que estas se formaram antes da separa\u00e7\u00e3o entre Brasil e \u00c1frica e n\u00e3o se estendem at\u00e9 o\u00a0<strong>leito oce\u00e2nico<\/strong>, composto por rocha mais nova, geologicamente falando. Para o especialista, h\u00e1 mais raz\u00f5es para preocupa\u00e7\u00e3o com eventuais\u00a0<strong>terremotos de magnitude superior a 5.2,<\/strong>\u00a0tal como o registrado em 1980 no Cear\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cEmbora, n\u00e3o tenha tido historicamente o sismo de maior magnitude ainda, os maiores sismos que aconteceram aqui s\u00e3o muito pr\u00f3ximos do maior sismo registrado no Brasil, tanto em termos historiogr\u00e1ficos quanto de intensidade. A chance de acontecer um terremoto da mesma escala do registrado em Mato Grosso \u00e9 muito alta, porque isso aconteceu no passado do Nordeste\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cTemos dados, de uma sismicidade mais antiga, que nos dizem que determinadas estruturas geol\u00f3gicas s\u00f3 se criariam com sismos superiores \u00e0 magnitude 4. E a gente encontra essas estruturas aqui no Nordeste. Ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 motivos para acreditar que um terremoto maior n\u00e3o v\u00e1 acontecer.\u00a0<strong>A gente precisa estar preparado para esse tipo de fen\u00f4meno<\/strong>\u201d, acrescenta o especialista.<\/p>\n<p>Conforme Rubson Maia, a\u00a0<strong>constru\u00e7\u00e3o civil\u00a0<\/strong>precisa estar atenta a esses riscos. A prop\u00f3sito, ap\u00f3s o\u00a0<strong>terremoto de 5.1 graus em Jo\u00e3o C\u00e2mara (RN)<\/strong>, ocorrido h\u00e1 quase 35 anos, muitas casas daquele munic\u00edpio foram reconstru\u00eddas com princ\u00edpios de\u00a0<strong>engenharia<\/strong>\u00a0que podem reduzir os danos em caso de novos tremores de m\u00e9dia ou alta magnitude.<\/p>\n<h2>Sabedoria sertaneja<\/h2>\n<p>Um aspecto curioso, no entanto, que revela talvez uma sabedoria inata do sertanejo \u00e9 o fato de que as\u00a0<strong>casas de barro<\/strong>, feitas em localidades mais remotas do interior nordestino, estarem entre as\u00a0<strong>mais resistentes a terremotos<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cO barro quando resseca se fratura. Ent\u00e3o, se voc\u00ea olha uma casa de barro, aquele material da parede n\u00e3o \u00e9 coeso. \u00c9 uma estrutura cheia de peda\u00e7os. \u00c9 como se fosse um solo rachado. Quando passa uma\u00a0<strong>onda s\u00edsmica<\/strong>, como a parede n\u00e3o tem integridade estrutural, no sentido de n\u00e3o ser uma coisa s\u00f3, a dispers\u00e3o da onda de choque \u00e9 muito mais facilitada em rela\u00e7\u00e3o a uma parede coesa de tijolos\u201d, explica Rubson Maia.<\/p>\n<p>Sem conhecimentos de engenharia e muito menos de sismologia, a for\u00e7a sertaneja, tal como observado por\u00a0<strong>Euclides da Cunha<\/strong>, vai sobrevivendo terremoto a terremoto, seca a seca, batalha a batalha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante muito tempo,\u00a0sism\u00f3logos norte-americanos\u00a0discutiram a possibilidade de um\u00a0grande terremoto\u00a0de propor\u00e7\u00f5es jamais vistas, apelidado de\u00a0\u2018The Big<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Durante muito tempo,\u00a0sism\u00f3logos norte-americanos\u00a0discutiram a possibilidade de um\u00a0grande terremoto\u00a0de propor\u00e7\u00f5es jamais vistas, apelidado de\u00a0\u2018The Big","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141533"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141533"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141533\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":141534,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141533\/revisions\/141534"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}