{"id":141457,"date":"2021-02-13T13:20:44","date_gmt":"2021-02-13T16:20:44","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=141457"},"modified":"2021-02-13T13:21:20","modified_gmt":"2021-02-13T16:21:20","slug":"observar-e-esperar-uma-nova-forma-de-abordar-o-cancer-de-reto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/observar-e-esperar-uma-nova-forma-de-abordar-o-cancer-de-reto\/","title":{"rendered":"Observar e esperar: uma nova forma de abordar o c\u00e2ncer de reto"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"description\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-141458\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Estrat\u00e9gia nascida no Brasil \u00e9 alternativa \u00e0 cirurgia e tem alcan\u00e7ado bons \u00edndices de sucesso e reconhecimento mundo<\/h2>\n<p>A \u00faltima por\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>intestino grosso<\/strong>, logo antes do \u00e2nus, \u00e9 chamada de\u00a0<strong>reto<\/strong>. Tumores ali correspondem a cerca de um ter\u00e7o de todos os c\u00e2nceres do intestino grosso e sempre foram um desafio para os cirurgi\u00f5es e oncologistas. Durante muito tempo, a \u00fanica forma de tratar a doen\u00e7a se dava por uma cirurgia de remo\u00e7\u00e3o do reto, que exigia uma\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/blog\/com-a-palavra\/colostomia-traqueostomia-e-cia-entenda-a-importancia-delas\/\"><strong>colostomia<\/strong>\u00a0<\/a>depois \u2014 quando o paciente fica dependente, tempor\u00e1ria ou definitivamente, de uma bolsa coletora de fezes.<\/p>\n<p>A cirurgia-padr\u00e3o era quase que invariavelmente a amputa\u00e7\u00e3o do reto. Al\u00e9m da necessidade de uma colostomia, a opera\u00e7\u00e3o envolve o risco de complica\u00e7\u00f5es, algumas infelizmente fatais. E, mesmo com a cirurgia, a probabilidade de uma volta da doen\u00e7a \u00e0 regi\u00e3o assombrava 40% dos pacientes.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, avan\u00e7os e desenvolvimentos t\u00eam impactado significativamente no tratamento da enfermidade, diminuindo (e muito!) a necessidade de colostomias definitivas, sequelas cir\u00fargicas e o risco de recidiva do c\u00e2ncer. Um dos principais respons\u00e1veis por esse cen\u00e1rio foi a aplica\u00e7\u00e3o de<strong>\u00a0radioterapia e quimioterapia antes da cirurgia<\/strong>.<\/p>\n<p>Ainda na d\u00e9cada de 1990, m\u00e9dicos come\u00e7aram a observar que tumores de reto tratados dessa forma no momento anterior \u00e0 opera\u00e7\u00e3o com frequ\u00eancia ficavam menores, menos profundos e, em alguns casos, at\u00e9 desapareciam por completo!<\/p>\n<p>Nesse contexto, uma cirurgi\u00e3 brasileira pioneira, a professora Angelita Habr-Gama, da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fm.usp.br\/fmusp\/portal\/\">USP<\/a>\u00a0e do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.hospitaloswaldocruz.org.br\/\">Hospital Alem\u00e3o Oswaldo Cruz<\/a>, se perguntou: por que seria necess\u00e1rio operar pacientes se o tumor desaparecia com aquele tratamento pr\u00e9vio? Desde ent\u00e3o, ela decidiu deixar de submeter pacientes ao bisturi se os exames atestavam o sumi\u00e7o do c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Logo no come\u00e7o, desafiar o tratamento convencional \u00e0 base de cirurgia deixou a comunidade m\u00e9dica e cient\u00edfica de cabelo em p\u00e9. Houve quem dissesse que era uma loucura. Mas Angelita estava propondo ali uma abordagem que ficou famosa em ingl\u00eas, o\u00a0<strong>Watch and Wait \u2014 Observar e Esperar<\/strong>. Essa ideia n\u00e3o significa negligenciar o paciente. Pelo contr\u00e1rio: representa acompanh\u00e1-lo muito de perto por meio de exames frequentes. A cirurgia s\u00f3 seria realizada caso o tumor reaparecesse, o que acontecia, segundo levantamentos, em cerca de 25% dos casos.<\/p>\n<h3>Um novo olhar para a doen\u00e7a<\/h3>\n<p>Com o tempo, a estrat\u00e9gia ganhou adeptos e apoiadores. Criou-se um grupo internacional de institui\u00e7\u00f5es que passou a coletar informa\u00e7\u00f5es de pacientes tratados dessa forma. Essa base de dados foi crescendo e culminou na publica\u00e7\u00e3o de um estudo decisivo na respeitada revista m\u00e9dica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lanonc\/home\"><em>The Lancet Oncology<\/em>.<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S147020452030557X?via%3Dihub\">Nesse trabalho, a revis\u00e3o dos dados de cerca de 800 pacientes tratados com a abordagem do Watch and Wait<\/a>\u00a0\u2014 todos submetidos a radio e quimioterapia para eliminar o tumor \u2014 mostrou que, \u00e0 medida que o tempo passava, diminu\u00eda significativamente o risco de a doen\u00e7a voltar a crescer. A redu\u00e7\u00e3o era tamanha que, depois de tr\u00eas anos sem a presen\u00e7a do tumor, a probabilidade de n\u00e3o ter uma recidiva nos dois anos subsequentes beirava 97%.<\/p>\n<p>Esses achados sugerem que o per\u00edodo mais cr\u00edtico para a volta (ou n\u00e3o) da doen\u00e7a ap\u00f3s essa estrat\u00e9gia s\u00e3o os tr\u00eas primeiros anos. Assim, a necessidade de exames mais frequentes pode ser menor depois dessa fase.<\/p>\n<p>Hoje, a ideia de \u201cobservar e esperar\u201d pacientes com tumores retais que desaparecem depois de tratados com radio e quimioterapia j\u00e1 se consagra como uma alternativa v\u00e1lida em centros especializados e casos selecionados. Nascida no Brasil, a estrat\u00e9gia \u00e9 um dos assuntos mais quentes no tratamento da doen\u00e7a em todo o mundo.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a ela, muitos pacientes puderam e podem evitar uma cirurgia com consequ\u00eancias significativas. Quanto mais tempo de\u00a0<strong>acompanhamento<\/strong>\u00a0o paciente tiver, sem sinais de retorno da doen\u00e7a, maior \u00e9 a chance de a abordagem dar certo.<\/p>\n<p><em>* Rodrigo Oliva Perez \u00e9 cirurgi\u00e3o do aparelho digestivo e coordenador do N\u00facleo de Coloproctologia e Intestinos do Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alem\u00e3o Oswaldo Cruz, em S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estrat\u00e9gia nascida no Brasil \u00e9 alternativa \u00e0 cirurgia e tem alcan\u00e7ado bons \u00edndices de sucesso<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":141458,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/reto.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estrat\u00e9gia nascida no Brasil \u00e9 alternativa \u00e0 cirurgia e tem alcan\u00e7ado bons \u00edndices de sucesso","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141457"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141457"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141457\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":141459,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141457\/revisions\/141459"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}