{"id":141334,"date":"2021-02-11T13:43:04","date_gmt":"2021-02-11T16:43:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=141334"},"modified":"2021-02-11T14:40:20","modified_gmt":"2021-02-11T17:40:20","slug":"intoxicacao-por-veneno-de-escorpiao-aumenta-14-vezes-no-ce-em-11-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/intoxicacao-por-veneno-de-escorpiao-aumenta-14-vezes-no-ce-em-11-anos\/","title":{"rendered":"Intoxica\u00e7\u00e3o por veneno de escorpi\u00e3o aumenta 14 vezes no CE em 11 anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-141335 size-medium\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Embora n\u00e3o estejam entre os\u00a0<strong>animais pe\u00e7onhentos<\/strong>\u00a0mais letais, os\u00a0<strong>escorpi\u00f5es<\/strong>\u00a0s\u00e3o os que mais causam acidentes por\u00a0<strong>envenenamento<\/strong>\u00a0no\u00a0<strong>Cear\u00e1<\/strong>.\u00a0S\u00f3 no ano de 2019, foram nada menos que 6.529 registros de\u00a0<strong>intoxica\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong>pelo\u00a0<strong>veneno<\/strong>\u00a0desse\u00a0<strong>artr\u00f3pode<\/strong>. O n\u00famero representa um\u00a0<strong>aumento de 1310% (mais de 14 vezes)<\/strong>\u00a0em rela\u00e7\u00e3o aos 463 casos verificados em 2008.<\/p>\n<p>\u00c9 o que revela<strong>\u00a0pesquisa<\/strong>\u00a0da\u00a0<strong>Secretaria da Sa\u00fade do Estado do Cear\u00e1 (Sesa)\u00a0<\/strong>em parceria com a\u00a0<strong>Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB)<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC),<\/strong>\u00a0que teve a pesquisadora\u00a0<strong>Jacqueline Ramos Machado Braga<\/strong>\u00a0como principal autora do estudo, publicado nesta quarta-feira (10) na Revista da\u00a0<strong>Sociedade Brasileira de Medicina Tropical<\/strong>.<\/p>\n<p>Os escorpi\u00f5es surgiram h\u00e1 cerca de\u00a0<strong>430 milh\u00f5es de anos,<\/strong>\u00a0estando entre os primeiros animais a ocupar o ambiente terrestre. Hoje, eles est\u00e3o distribu\u00eddos por todos os continentes \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Ant\u00e1rtida<\/strong>\u00a0e se dividem em cerca de\u00a0<strong>2 mil esp\u00e9cies<\/strong>, das quais cerca de\u00a0<strong>12 t\u00eam ocorr\u00eancia no Cear\u00e1<\/strong>. A mais comum delas \u00e9 a\u00a0<strong><em>Tityus stigmurus<\/em><\/strong>, conhecido popularmente como\u00a0<strong>escorpi\u00e3o-do-nordeste<\/strong>.<\/p>\n<p>Bem adaptados aos mais diversos habitats naturais, os escorpi\u00f5es tamb\u00e9m encontraram terreno f\u00e9rtil para prosperar no\u00a0<strong>ambiente urbano<\/strong>, notadamente em locais onde se acumula\u00a0<strong>lixo e insetos<\/strong>\u00a0que lhes servem de\u00a0<strong>alimentos<\/strong>, tais como as baratas. Essa caracter\u00edstica ajuda a explicar por que os registros de envenenamento por picadas de escorpi\u00e3o representam 83,1% dos casos de acidentes com animais pe\u00e7onhentos em\u00a0<strong>zonas urbanas<\/strong>, no per\u00edodo pesquisado, e s\u00e3o dez vezes mais verificados nesse tipo de ambiente em rela\u00e7\u00e3o ao rural. Considerando tanto \u00e1reas urbanas como rurais, o \u00edndice de casos de intoxica\u00e7\u00e3o pelo veneno escorpi\u00f4nico \u00e9 de 67,2%.<\/p>\n<p>Apesar do grande crescimento no registro de picadas de escorpi\u00e3o, a bi\u00f3loga Jacqueline Ramos Machado Braga, que \u00e9 tamb\u00e9m p\u00f3s-doutora em Farmacologia Cl\u00ednica pela UFC, lembra que a notifica\u00e7\u00e3o de acidentes causados por animais pe\u00e7onhentos s\u00f3 passou a ser compuls\u00f3ria em 2010. Nesse sentido, a an\u00e1lise das informa\u00e7\u00f5es sobre outros grupos (cobras, aranhas, abelhas, lagartas etc) registrou crescimento m\u00e9dio de seis vezes, em um espa\u00e7o de 12 anos.<\/p>\n<p>No per\u00edodo foram registrados 88 \u00f3bitos por intoxica\u00e7\u00e3o de origem animal, sendo 50 causados por ferroadas de abelhas, 29 por picadas de cobras, sete por picadas de aranhas e outros dois n\u00e3o especificados. Todos os dados foram coletados por meio do\u00a0<strong>Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan)<\/strong>.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico dos escorpi\u00f5es, ela ressalta que \u201co crescimento urbano desorganizado e o desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico, podem explicar esse aumento\u201d.<\/p>\n<h2>Tratamento<\/h2>\n<p>Com toxicidade relativamente baixa quando comparado ao dos venenos de cobras, aranhas e abelhas, as toxinas produzidas por escorpi\u00f5es podem ser tratadas com soro espec\u00edfico, distribu\u00eddos gratuitamente na rede p\u00fablica, via\u00a0<strong>Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)<\/strong>.<\/p>\n<p>Entre as principais refer\u00eancias na produ\u00e7\u00e3o de ant\u00eddotos contra pe\u00e7onha de animais, est\u00e1 o\u00a0<strong>Instituto Butantan<\/strong>, em S\u00e3o Paulo, onde tamb\u00e9m est\u00e3o sendo desenvolvidas doses da vacina\u00a0<strong>Coronavac<\/strong>\u00a0para a imuniza\u00e7\u00e3o contra a\u00a0<strong>Covid-19<\/strong>, al\u00e9m do\u00a0<strong>Instituto Vital Brazil<\/strong>, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Contudo, apesar de o tratamento contra tal tipo de envenenamento ser gratuito no Brasil e o Pa\u00eds ter bagagem na produ\u00e7\u00e3o de soros contra pe\u00e7onha animal, segundo a pesquisa realizada no Cear\u00e1, em apenas 5,3% dos casos registrados entre 2007 e 2019, houve aplica\u00e7\u00e3o de ant\u00eddoto espec\u00edfico. \u201cO acesso a este medicamento ainda \u00e9 dif\u00edcil, especialmente em regi\u00f5es long\u00ednquas do Brasil\u201d, afirma Jacqueline.<\/p>\n<p>Na capital cearense, Fortaleza, a principal refer\u00eancia hospitalar para o tratamento de picadas de escorpi\u00e3o e de outros animais, bem como intoxica\u00e7\u00f5es por plantas, medicamentos e outras subst\u00e2ncias qu\u00edmica, \u00e9 o\u00a0<strong>Instituto Dr. Jos\u00e9 Frota (IJF)<\/strong>. A farmac\u00eautica do\u00a0<strong>N\u00facleo de Assist\u00eancia Toxicol\u00f3gica<\/strong>\u00a0do IJF, Karla Magalh\u00e3es, confirma que \u201cas ocorr\u00eancias com escorpi\u00f5es s\u00e3o a principal causa de procura por assist\u00eancia toxicol\u00f3gica especializada no IJF\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a profissional, \u201ctodos os escorpi\u00f5es s\u00e3o venenosos, mas alguns t\u00eam maior import\u00e2ncia cl\u00ednica, podendo levar a uma intoxica\u00e7\u00e3o grave. Especialmente os casos com crian\u00e7as, por conta da rela\u00e7\u00e3o de alta dose para baixo peso, podem ser mais complicados\u201d.<\/p>\n<h2>Preven\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Em sua p\u00e1gina na internet, o IJF destaca ainda algumas\u00a0<strong>dicas para evitar acidentes e para agilizar o socorro<\/strong>\u00a0a eventuais v\u00edtimas.\u00a0Entre as principais orienta\u00e7\u00f5es est\u00e3o: a\u00a0<strong>manuten\u00e7\u00e3o de ambientes limpos<\/strong>, especialmente os ralos de banheiros, quintais e dep\u00f3sitos; e a\u00a0<strong>verifica\u00e7\u00e3o de roupas, toalhas, len\u00e7\u00f3is e cal\u00e7ados, antes do uso<\/strong>, com sacudidas e batidas nesses itens para retirar eventuais escorpi\u00f5es escondidos.<\/p>\n<p>No caso de acidente com escorpi\u00e3o ou outro animal pe\u00e7onhento, \u00e9 fundamental levar a v\u00edtima para receber atendimento m\u00e9dico o mais rapidamente poss\u00edvel, j\u00e1 que as duas primeiras horas de intoxica\u00e7\u00e3o s\u00e3o decisivas para um atendimento mais eficaz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora n\u00e3o estejam entre os\u00a0animais pe\u00e7onhentos\u00a0mais letais, os\u00a0escorpi\u00f5es\u00a0s\u00e3o os que mais causam acidentes por\u00a0envenenamento\u00a0no\u00a0Cear\u00e1.\u00a0S\u00f3 no<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":141335,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/escorpiao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Embora n\u00e3o estejam entre os\u00a0animais pe\u00e7onhentos\u00a0mais letais, os\u00a0escorpi\u00f5es\u00a0s\u00e3o os que mais causam acidentes por\u00a0envenenamento\u00a0no\u00a0Cear\u00e1.\u00a0S\u00f3 no","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141334"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141334"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141334\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":141353,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141334\/revisions\/141353"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141335"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}