{"id":141287,"date":"2021-02-10T13:00:11","date_gmt":"2021-02-10T16:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=141287"},"modified":"2021-02-09T23:09:39","modified_gmt":"2021-02-10T02:09:39","slug":"duas-em-cada-cinco-especies-de-planta-podem-estar-ameacadas-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/duas-em-cada-cinco-especies-de-planta-podem-estar-ameacadas-de-extincao\/","title":{"rendered":"Duas em cada cinco esp\u00e9cies de planta podem estar amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/planta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-141288\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/planta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/planta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/planta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cPlantas precisam ser namoradas,\u201d cita a Dra. Marli Pires Morim, do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro. A par\u00e1frase, atribu\u00edda \u00e0 bot\u00e2nica Graziela Maciel Barroso, veio como parte da resposta a uma pergunta que jamais canso de fazer a todos os colegas envolvidos com a conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies vegetais: \u201cPorque \u00e9 mais f\u00e1cil envolver as pessoas com a conserva\u00e7\u00e3o de animais do que com a conserva\u00e7\u00e3o de plantas?\u201d<\/p>\n<p>\u201cIsso ocorre porque os animais se movimentam, emitem sons, e fazem despertar em n\u00f3s sentimentos de ternura, companheirismo ou mesmo medo,\u201d explica Morim. \u201cJ\u00e1 as plantas, mesmo que presentes no nosso dia a dia, nas mais diferentes formas \u2013 roupa, comida, rem\u00e9dio, artefatos e etc.,\u00a0\u2013 s\u00e3o totalmente silenciosas e im\u00f3veis, e requerem que agucemos nossa sensibilidade para perceber seus odores, as matizes de cores muitas vezes presentes em uma s\u00f3 flor, o n\u00e9ctar que delas goteja e tantas outras belas nuances.\u201d<\/p>\n<p>A resposta de Morim parece ecoar o sentimento manifestado por diversos outros profissionais. \u201cN\u00f3s nos importamos mais com o que podemos nos relacionar com mais facilidade, como mam\u00edferos, ou identificar como belos, como aves,\u201d diz a Dra. Eimear Nic Lughadha, pesquisadora S\u00eanior do Grupo de Avalia\u00e7\u00e3o de An\u00e1lise e Conserva\u00e7\u00e3o do Royal Botanical Gardens (Kew). \u201cQuando eu converso com algu\u00e9m sobre uma esp\u00e9cie de planta amea\u00e7ada, ou\u00e7o perguntas utilit\u00e1rias, como: \u2018ela serve como comida ou rem\u00e9dio?\u2019 \u00c0s vezes eu tento chocar as pessoas respondendo: \u2018voc\u00ea me perguntaria isso se estiv\u00e9ssemos falando de um beija-flor?&#8217;\u201d<\/p>\n<p>Compreender essa frustra\u00e7\u00e3o se torna ainda mais f\u00e1cil quando percebemos que esse tipo de vi\u00e9s repercute severamente no mundo da conserva\u00e7\u00e3o. \u201cPara vertebrados, dados sobre riscos de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00e3o gerados h\u00e1 d\u00e9cadas,\u201d continua Morim, \u201co que propicia que recursos financeiros para projetos de pesquisa e conserva\u00e7\u00e3o em certos grupos de animais sejam mais facilmente obtidos. Em plantas estas avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito mais deficientes, e para fungos, quase inexistentes.\u201d<\/p>\n<p>Morim e Lughadha fazem parte da equipe internacional de cientistas que, em outubro de 2020, produziram o mais completo relat\u00f3rio sobre o estado de conserva\u00e7\u00e3o de plantas e fungos da atualidade. Liderado pelo Kew, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.kew.org\/science\/state-of-the-worlds-plants-and-fungi\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">\u2018Estado das Plantas e Fungos do Mundo\u2019<\/a>\u00a0contou com a participa\u00e7\u00e3o de 210 pesquisadores distribu\u00eddos atrav\u00e9s de 97 institui\u00e7\u00f5es e 42 pa\u00edses. Al\u00e9m do relat\u00f3rio, a iniciativa foi tamb\u00e9m respons\u00e1vel por uma\u00a0<a href=\"https:\/\/nph.onlinelibrary.wiley.com\/toc\/25722611\/2020\/2\/5\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">edi\u00e7\u00e3o especial da revista cient\u00edfica\u00a0<i>Plants, People, Planet,<\/i><\/a>\u00a0que cont\u00e9m artigos detalhando dados, an\u00e1lises e refer\u00eancias de informa\u00e7\u00f5es contidas no documento original.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85734\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-85734\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-85734\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_20200916_Arthrocereus-glaziovii.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_20200916_Arthrocereus-glaziovii.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_20200916_Arthrocereus-glaziovii-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_20200916_Arthrocereus-glaziovii-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_20200916_Arthrocereus-glaziovii-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_20200916_Arthrocereus-glaziovii-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_20200916_Arthrocereus-glaziovii-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_20200916_Arthrocereus-glaziovii-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_20200916_Arthrocereus-glaziovii-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85734\" class=\"wp-caption-text\">A rara flora\u00e7\u00e3o do cactos\u00a0<em>Arthrocereus glaziovii<\/em>, amea\u00e7ada pela minera\u00e7\u00e3o. Foto: Andr\u00e9 Deberdt<\/figcaption><\/figure>\n<p>Toda a aten\u00e7\u00e3o e energia empregada por essa alian\u00e7a internacional para aprimorar nosso conhecimento s\u00e3o h\u00e1 muito tempo necess\u00e1rias. Enquanto a descoberta de novas esp\u00e9cies de grupos animais bem estudados (como os j\u00e1 mencionados mam\u00edferos e aves) s\u00e3o hoje eventos relativamente incomuns, apenas em 2019, 1.942 esp\u00e9cies de plantas e 1.886 esp\u00e9cies de fungo foram descritas pela primeira vez.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas com frequ\u00eancia pensam que todas as esp\u00e9cies j\u00e1 foram localizadas e classificadas,\u201d diz o Dr. Martin Cheek, pesquisador S\u00eanior da equipe da \u00c1frica e Madagascar do Kew, no pr\u00f3prio relat\u00f3rio. \u201cAinda existe um vasto n\u00famero de esp\u00e9cies no mundo sobre as quais n\u00f3s n\u00e3o sabemos nada, e para as quais sequer demos um nome.\u201d<\/p>\n<p>O Brasil tem sido o constante l\u00edder em n\u00famero de esp\u00e9cies novas de plantas descritas h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, contribuindo mais de 200 esp\u00e9cies por ano (216 em 2019), seguido por pa\u00edses como China (com 195 esp\u00e9cies descritas em 2019), Col\u00f4mbia (121), Equador (91) e Austr\u00e1lia (86). O fato de que essa taxa de descoberta n\u00e3o tem declinado ao longo dos anos \u00e9 testemunha da riqueza de esp\u00e9cies que a ci\u00eancia ainda desconhece. Esp\u00e9cies que podem ter potencial utilidade farmac\u00eautica, gastron\u00f4mica, indument\u00e1ria, madeireira ou em qualquer outra ind\u00fastria humana, e que mesmo antes de serem registradas, j\u00e1 podem estar amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dentre as cerca de 350.000 esp\u00e9cies de plantas j\u00e1 identificadas em todo mundo, estima-se que 39,4% delas \u2014 mais de 137.000 \u2014 sofram algum grau de amea\u00e7a de acordo com os crit\u00e9rios da Uni\u00e3o Internacional pela Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN). Uma situa\u00e7\u00e3o que parece estar lentamente se agravando. Al\u00e9m de tentar determinar quantas esp\u00e9cies correm o risco de desaparecer, um grupo de pesquisadores da iniciativa utilizaram dados de 400 esp\u00e9cies de monocotiled\u00f4neas (plantas com apenas uma folha embrion\u00e1ria \u2013 ou cotil\u00e9done \u2013 por semente, como gramas, orqu\u00eddeas e palmeiras) e leguminosas (membros da fam\u00edlia Fabaceae, como ervilhas e feij\u00f5es) para tentar entender como o risco de extin\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies tem mudado ao longo do tempo. A t\u00e9cnica utilizada \u2013 o \u00cdndice da Lista Vermelha (Red List Index) \u2013 mostrou que existe uma leve tend\u00eancia das esp\u00e9cies analisadas se moverem para categorias progressivamente mais amea\u00e7adas, ou seja, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_66921\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-66921\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-66921\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Garden-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Garden-2.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Garden-2-300x197.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"421\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-66921\" class=\"wp-caption-text\">No Kew s\u00e3o cultivados, preservados e estudados mais de 50 mil esp\u00e9cimes de plantas de todo o mundo. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m est\u00e3o atentos ao processo de d\u00e9bito de extin\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o direta entre a \u00e1rea de determinado ecossistema e o n\u00famero de esp\u00e9cies que o mesmo comporta (ou simplesmente rela\u00e7\u00e3o esp\u00e9cies-\u00e1rea) \u00e9 um fen\u00f4meno conhecido pela biologia h\u00e1 muitas d\u00e9cadas. Essa rela\u00e7\u00e3o dita que uma redu\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de determinado ambiente \u00e9 seguida pela extin\u00e7\u00e3o local de um certo n\u00famero de esp\u00e9cies. Estas perdas \u2013 causadas por redu\u00e7\u00f5es de recursos espaciais (como tocas e ref\u00fagios) e energ\u00e9ticos (alimento) associadas \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do habitat, que acabam levando algumas esp\u00e9cies a n\u00fameros populacionais muito pequenos e inst\u00e1veis \u2013 n\u00e3o ocorrem imediatamente. Estes desaparecimentos podem se estender por d\u00e9cadas, o que torna o cen\u00e1rio atual ainda mais preocupante.<\/p>\n<p>Estima-se que cerca de 600 esp\u00e9cies de planta tenham desaparecido globalmente em tempos modernos, mas este n\u00famero \u00e9 muito menor que o esperado com base na perda de habitat observada em todo mundo. Isso significa que muito mais esp\u00e9cies provavelmente est\u00e3o nos trilhos da extin\u00e7\u00e3o. Segundo Lughadha, isso torna imprescind\u00edvel que medidas de manejo e conserva\u00e7\u00e3o sejam tomadas o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Mesmo que nosso conhecimento sobre o\u00a0<em>status<\/em>\u00a0de conserva\u00e7\u00e3o de cada grupo seja imperfeito, ferramentas \u00fateis para amenizar o problema j\u00e1 s\u00e3o bem conhecidas.<\/p>\n<p>\u201cAprimorar a conectividade entre manchas de vegeta\u00e7\u00e3o natural pode ajudar a mitigar algumas das consequ\u00eancias do d\u00e9bito de extin\u00e7\u00e3o,\u201d diz a pesquisadora. \u201cNo entanto, o melhor a se fazer \u00e9 manter a vegeta\u00e7\u00e3o nativa em primeiro lugar, uma vez que mesmo projetos de restaura\u00e7\u00e3o bem sucedidos raramente atingem n\u00edveis de biodiversidade encontrados em comunidades existentes h\u00e1 centenas ou milhares de anos.\u201c<\/p>\n<p>Estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o denominadas\u00a0<em>ex-situ<\/em>\u00a0\u2013 fora do habitat natural onde essas plantas e fungos ocorrem, como o cultivo dos mesmos em jardins bot\u00e2nicos e armazenamento em bancos de semente \u2013 tamb\u00e9m oferecem alguma prote\u00e7\u00e3o \u00e0 esp\u00e9cies amea\u00e7adas. O n\u00famero de esp\u00e9cies que est\u00e3o depositadas nesses ref\u00fagios artificiais, no entanto, \u00e9 limitado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_90626\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-90626\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-90626\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/nova-visao-caatingas-sao-francisco-foto30.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/nova-visao-caatingas-sao-francisco-foto30.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/nova-visao-caatingas-sao-francisco-foto30-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/nova-visao-caatingas-sao-francisco-foto30-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/nova-visao-caatingas-sao-francisco-foto30-600x399.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/nova-visao-caatingas-sao-francisco-foto30-640x426.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/nova-visao-caatingas-sao-francisco-foto30-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/nova-visao-caatingas-sao-francisco-foto30-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-90626\" class=\"wp-caption-text\">O raro ipezinho da Caatinga (Handroanthus spongiosus). Foto: Jos\u00e9 Alves de Siqueira Filho.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEm termos globais, no m\u00ednimo 723 esp\u00e9cies de plantas medicinais deveriam estar conservadas\u00a0<em>ex situ<\/em>\u00a0em jardins bot\u00e2nicos do mundo,\u201d diz Morim, \u201dassim como suas sementes armazenadas em bancos de sementes, uma vez que em seus ambientes naturais j\u00e1 est\u00e3o expostas a algum grau de amea\u00e7a. Este quantitativo corresponde a 13% das 5.411 esp\u00e9cies de plantas avaliadas na Lista Vermelha da IUCN, embora o total de plantas documentadas como medicinais chegue a 25.791 esp\u00e9cies.\u201d<\/p>\n<p>Muitos estudos ainda continuar\u00e3o a ser realizados para prover informa\u00e7\u00f5es cada vez mais precisas a respeito da identidade e do\u00a0<em>status<\/em>\u00a0de conserva\u00e7\u00e3o de plantas e fungos ao redor de todo o mundo, especialmente em lugares como o Brasil, onde ainda existe uma vasta biodiversidade a ser descoberta. Mas ainda que exista alguma incerteza a respeito da quantidade de esp\u00e9cies existentes e seu grau de amea\u00e7a, as medidas mais efetivas para a sua preserva\u00e7\u00e3o j\u00e1 s\u00e3o bem conhecidas h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c1reas protegidas s\u00e3o um dos mais importantes meios de assegurar a sobreviv\u00eancia de esp\u00e9cies num futuro pr\u00f3ximo,\u201d conclui Lughadha. \u201cProteger esp\u00e9cies nessas \u00e1reas \u00e9 quase sempre prefer\u00edvel \u00e0 proteg\u00ea-las fora de seu habitat natural, porque: (I) \u00e9 mais custo-efetivo; (II) mais indiv\u00edduos podem ser protegidos, o que garante a manuten\u00e7\u00e3o de mais diversidade gen\u00e9tica; (III) sua rela\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica com outras esp\u00e9cies pode ser mantida; (IV) processos de sele\u00e7\u00e3o natural podem continuar a acontecer; e (V) a prote\u00e7\u00e3o efetiva de uma \u00e1rea pode proteger muitas outras esp\u00e9cies que tamb\u00e9m est\u00e3o presentes naquele habitat, mas as quais ainda sequer conhecemos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPlantas precisam ser namoradas,\u201d cita a Dra. 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