{"id":141155,"date":"2021-02-08T10:00:20","date_gmt":"2021-02-08T13:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=141155"},"modified":"2021-02-08T10:00:20","modified_gmt":"2021-02-08T13:00:20","slug":"enigma-sobre-dieta-dos-pterossauros-ganha-novas-pistas-segundo-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/enigma-sobre-dieta-dos-pterossauros-ganha-novas-pistas-segundo-pesquisa\/","title":{"rendered":"Enigma sobre dieta dos pterossauros ganha novas pistas, segundo pesquisa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-141156\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um dos maiores enigmas da paleontologia \u00e9 entender a origem e vida dos pterossauros, r\u00e9pteis voadores que dominaram os c\u00e9us durante cerca de 150 milh\u00f5es de anos e que n\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o dinossauros. Uma das inc\u00f3gnitas sobre eles diz respeito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e uma pesquisa pioneira comandada por brasileiros realizou a reconstru\u00e7\u00e3o da musculatura dos pterossauros e acaba de trazer mais pe\u00e7as e informa\u00e7\u00f5es para esse gigantesco quebra-cabe\u00e7a da pr\u00e9-hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo de reconstru\u00e7\u00e3o da musculatura em animais extintos \u00e9 feito a partir de uma an\u00e1lise minuciosa dos ossos e de compara\u00e7\u00f5es com animais viventes a respeito da posi\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos. Este tipo de estudo \u00e9 fundamental para compreens\u00e3o dos h\u00e1bitos alimentares de animais extintos e j\u00e1 havia sido realizado para dinossauros, mam\u00edferos e tubar\u00f5es, mas nunca para pterossauros.<\/p>\n<p>A pesquisa foi desenvolvida pelos paleont\u00f3logos brasileiros Rodrigo P\u00eagas e Fabiana Costa, ambos da Universidade Federal do ABC, e Alexander Kellner, do Museu Nacional (UFRJ). O artigo assinado pelo trio foi publicado no final de janeiro\u00a0<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/zoolinnean\/advance-article-abstract\/doi\/10.1093\/zoolinnean\/zlaa163\/6105019?redirectedFrom=fulltext\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">no peri\u00f3dico cient\u00edfico Zoological Journal of the Linnean Society<\/a>.<\/p>\n<p>O mist\u00e9rio sobre os h\u00e1bitos alimentares de pterossauros vem da grande diversidade de formas e tamanhos conhecidas de pterossauros, com diferentes denti\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo esp\u00e9cies sem dentes. Existiam desde pterossauros do tamanho de um pardal, com 20 cent\u00edmetros de envergadura, at\u00e9 aqueles com mais de 11 metros de envergadura\u00a0\u2013\u00a0o tamanho de um pequeno ca\u00e7a a\u00e9reo. Essa grande varia\u00e7\u00e3o dentro do grupo dificulta a interpreta\u00e7\u00e3o dos pesquisadores sobre como eles se alimentavam, uma vez que implicam em diferentes estrat\u00e9gias para obten\u00e7\u00e3o de alimento.<\/p>\n<p>Os paleont\u00f3logos analisaram f\u00f3sseis de nove pterossauros do per\u00edodo Cret\u00e1ceo (per\u00edodo entre 145 milh\u00f5es e 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s).\u00a0<em>Pteranodon longiceps<\/em>,<em>\u00a0Nyctosaurus gracilis<\/em>,<em>\u00a0Dsungaripterus weii, Tapejara wellnhoferi, Caupedactylus ybaka, Tupuxuara leonardii, Thalassodromeus sethi, Anhanguera blittersdorffii<\/em>\u00a0e<em>\u00a0Tropeognathus mesembrinus<\/em>, sendo os \u00faltimos seis provenientes da Bacia do Araripe, no nordeste brasileiro.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da reconstru\u00e7\u00e3o da musculatura da mand\u00edbula e estimativas da for\u00e7a de mordida, os pesquisadores chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que parte dos pterossauros estudados possu\u00eda dieta de peixes, outros de frutas e alguns comiam at\u00e9 mesmo carni\u00e7a.<\/p>\n<figure id=\"attachment_90604\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-90604\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-90604\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/forca-da-mordida-pterossauros.jpg\" sizes=\"(max-width: 741px) 100vw, 741px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/forca-da-mordida-pterossauros.jpg 741w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/forca-da-mordida-pterossauros-300x179.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/forca-da-mordida-pterossauros-600x359.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/forca-da-mordida-pterossauros-640x383.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"382\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-90604\" class=\"wp-caption-text\">Gr\u00e1fico mostra a for\u00e7a da mordida de cada uma das 9 esp\u00e9cies de pterossauros analisadas na pesquisa. Imagem retirada do artigo\u00a0<em>\u201cReconstruction of the adductor chamber and predicted bite force in pterodactyloids (Pterosauria)\u201d<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O pequeno pterossauro\u00a0<em>Tapejara wellnhoferi<\/em>, por exemplo, que possu\u00eda aproximadamente 2 metros de envergadura, era um animal adaptado a quebrar frutas e sementes e teria potencialmente colaborado para expandir a presen\u00e7a das angiospermas (plantas com flores e frutos, que surgiram no final do Jur\u00e1ssico), um dispersor de sementes pr\u00e9-hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Um poucos maiores, os\u00a0<em>Caupedactylus<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Tupuxuara<\/em>, que possu\u00edam tr\u00eas e quatro metros de envergadura, respectivamente, teriam sido generalistas. Os dois iam em busca de pequenos animais escondidos na vegeta\u00e7\u00e3o e se alimentariam at\u00e9 mesmo de peixes e carni\u00e7a, semelhante a algumas cegonhas.<\/p>\n<p>A pesquisa prop\u00f5e uma nova hip\u00f3tese sobre o card\u00e1pio do pterossauro\u00a0<em>Thalassodromeus<\/em>, que possu\u00eda a maior for\u00e7a de mordida entre os pterossauros analisados, e com seu bico afiado e uma estrutura \u00fanica no c\u00e9u da boca\u00a0\u2013\u00a0chamada de protuber\u00e2ncia palatal\u00a0\u2013\u00a0teria a capacidade de quebrar conchas duras de moluscos. Similar a ele, o\u00a0<em>Dsungaripterus<\/em>, com dentes redondos e robustos associados a uma alta for\u00e7a de mordida, atr\u00e1s apenas do\u00a0<em>Thalassodromeus<\/em>, tamb\u00e9m seria especializado em quebrar conchas.<\/p>\n<p>Outros quatro pterossauros estudados\u00a0\u2013\u00a0<em>Anhanguera<\/em>,\u00a0<em>Tropeognathus<\/em>,\u00a0<em>Pteranodon<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Nyctosaurus<\/em>\u00a0\u2013\u00a0possu\u00edam uma dieta baseada em peixes, com mordidas mais adaptadas a um fechamento r\u00e1pido do que a uma for\u00e7a grande, t\u00edpica de animais pisc\u00edvoros.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos alimentares entre seis esp\u00e9cies que dividiram o territ\u00f3rio da Bacia do Araripe ajuda a entender como diferentes esp\u00e9cies de pterossauros poderiam ter compartilhado um habitat ao explorarem recursos alimentares de maneiras distintas.<\/p>\n<p>\u201cCom a diversidade de prefer\u00eancias alimentares dos pterossauros ainda relativamente pouco investigada, com muitas hip\u00f3teses ainda n\u00e3o testadas, esperamos que o presente estudo sirva de base para futuros avan\u00e7os em dire\u00e7\u00e3o ao objetivo de melhor compreender a ecologia do grupo\u201d, aponta o artigo, que sugere que estudar a versatilidade dos pterossauros pode ajudar a entender de que forma eles espalharam em diferentes regi\u00f5es e ecossistemas do mundo, e potencialmente ajudar a elucidar por que, no final do Cret\u00e1ceo, eles se extinguiram, junto com os dinossauros n\u00e3o-avianos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos maiores enigmas da paleontologia \u00e9 entender a origem e vida dos pterossauros, r\u00e9pteis<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":141156,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/pterossauros.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um dos maiores enigmas da paleontologia \u00e9 entender a origem e vida dos pterossauros, r\u00e9pteis","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141155"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141155"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141155\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":141157,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141155\/revisions\/141157"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141156"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}