{"id":141122,"date":"2021-02-07T12:09:27","date_gmt":"2021-02-07T15:09:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=141122"},"modified":"2021-02-07T12:09:27","modified_gmt":"2021-02-07T15:09:27","slug":"guarani-revertem-perda-de-palmito-de-jucara-no-litoral-paulista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/guarani-revertem-perda-de-palmito-de-jucara-no-litoral-paulista\/","title":{"rendered":"Guarani revertem perda de palmito de ju\u00e7ara no litoral paulista"},"content":{"rendered":"<h4><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-141123\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Com mais de 100 mil p\u00e9s de ju\u00e7ara plantados desde 1998, a comunidade agora vende palmitos e mudas a turistas e moradores<\/h4>\n<div>\n<h2>Resumo<\/h2>\n<ul>\n<li>Devido a seu palmito, a ju\u00e7ara, \u00e1rvore nativa da Mata Atl\u00e2ntica, foi consumida no Brasil ao limite da extin\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Consumidores tradicionais do palmito de ju\u00e7ara, os Guarani do litoral paulista decidiram reverter essa perda plantando milhares de palmeiras em sua reserva aos p\u00e9s da Serra do Mar.<\/li>\n<li>Com mais de 100 mil p\u00e9s de ju\u00e7ara plantados desde 1998, a comunidade agora vende palmitos e mudas a turistas e moradores. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 extrair a polpa dos frutos \u0097 a resposta da Mata Atl\u00e2ntica ao a\u00e7a\u00ed amaz\u00f4nico.<\/li>\n<li>As planta\u00e7\u00f5es do parque tamb\u00e9m s\u00e3o ben\u00e9ficas para a vida selvagem: al\u00e9m dos p\u00e1ssaros que visitam frequentemente as agroflorestas, esses lotes s\u00e3o o lar de in\u00fameras esp\u00e9cies, incluindo algumas novas que acabaram de ser descritas pela ci\u00eancia, como uma esp\u00e9cie de morcego.<\/li>\n<li>Na reserva Guarani, as ju\u00e7aras crescem em meio \u00e0s \u00e1rvores nativas segundo o sistema agroflorestal, m\u00e9todo que combina cultivos agr\u00edcolas com a vegeta\u00e7\u00e3o, mantendo a floresta em p\u00e9 e sua biodiversidade.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Dois ou tr\u00eas golpes de machado e j\u00e1 era: em menos de cinco minutos, l\u00e1 se v\u00e3o dez anos de \u00e1rvore. Fosse outra palmeira nativa, como pupunha ou a\u00e7a\u00ed, em pouco tempo nascia outra no lugar. Mas n\u00e3o a ju\u00e7ara: como ela n\u00e3o gera novos brotos depois de cortada, cada caule derrubado \u00e9 um a menos na mata. Sua sobrevida se limitar\u00e1 a um tolete de palmito de n\u00e3o mais que meio metro ou um pote de conserva \u0096 uma d\u00e9cada consumida numa \u00fanica refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eis a raz\u00e3o pela qual o palmito de ju\u00e7ara (<i>Euterpe edulis<\/i>) praticamente desapareceu das prateleiras de supermercado. D\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o comercial fizeram desta palmeira da Mata Atl\u00e2ntica uma esp\u00e9cie rara, hoje restrita \u00e0s florestas \u00famidas da Serra do Mar nos estados de S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1 e Santa Catarina, em geral dentro de \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o. Isso obriga seus remanescentes a sobreviverem em uma paisagem fragmentada, com\u00a0<a href=\"https:\/\/repositorio.unesp.br\/bitstream\/handle\/11449\/178568\/2-s2.0-85009289167.pdf?sequence=1\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-id=\"116\" data-m=\"{&quot;i&quot;:116,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:6}\">baixa diversidade gen\u00e9tica<\/a>\u00a0e amea\u00e7ados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que hoje os brasileiros consomem o palmito de palmeiras menos saborosas e mais fibrosas, como a\u00e7a\u00ed (<i>Euterpe oleracea<\/i>) e pupunha (<i>Bactris gasipaes<\/i>), ambas nativas da Amaz\u00f4nia, ou palmeira-imperial, nativa do Caribe (<i>Roystonea oleracea<\/i>). S\u00e3o esp\u00e9cies de crescimento r\u00e1pido, geralmente prontas para serem cortadas ap\u00f3s no m\u00e1ximo quatro anos \u0097 a ju\u00e7ara exige entre oito e doze anos para produzir um palmito de boa qualidade. Os poucos palmitos de ju\u00e7ara vendidos no mercado v\u00eam de cultivos comerciais ou s\u00e3o extra\u00eddos ilegalmente (seu corte na natureza est\u00e1 proibido no Brasil desde 1998).<\/p>\n<p>No estado de S\u00e3o Paulo, um dos \u00faltimos ref\u00fagios da ju\u00e7ara nativa, estima-se que pelo menos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/geral,apreensao-de-palmito-ilegal-dobra-em-1-ano-imp-,793984\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-id=\"117\" data-m=\"{&quot;i&quot;:117,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:7}\">50 toneladas anuais de palmito sejam vendidas de maneira ilegal<\/a>. Isso equivale a cerca de 75 mil \u00e1rvores no ch\u00e3o, geralmente cortadas por palmiteiros dentro de \u00e1reas protegidas, que costumam acondicionar o palmito em potes com salmoura ali mesmo, na mata, em acampamentos clandestinos, sem obedecer a normas de higiene. O palmito em conserva ilegal \u00e9 um conhecido agente de botulismo, doen\u00e7a potencialmente fatal que pode danificar o sistema nervoso e causar paralisia.<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 s\u00f3 parte do problema: a ju\u00e7ara \u00e9 tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie-chave para a manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico na Mata Atl\u00e2ntica. Pelo menos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/332395888_Consumption_of_Euterpe_edulis_fruit_by_wildlife_implications_for_conservation_and_management_of_the_Southern_Brazilian_Atlantic_Forest\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-id=\"118\" data-m=\"{&quot;i&quot;:118,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:8}\">58 esp\u00e9cies de aves e 21 de mam\u00edferos<\/a>\u00a0se alimentam de seus frutos, entre elas tucanos, sabi\u00e1s, jacus, antas, pacas e queixadas. Todas se servem dos altos teores de gorduras e carboidratos contidos na polpa como fonte de energia para sobreviver na mata e aumentar as taxas de reprodu\u00e7\u00e3o. Os animais tamb\u00e9m ajudam a dispersar a palmeira: ao comer a polpa e largar a semente fora \u0096 seja regurgitando, seja pelas fezes \u0096, o gr\u00e3o germina mais r\u00e1pido, onde quer que caia.<\/p>\n<h2>A solu\u00e7\u00e3o Guarani<\/h2>\n<p>No litoral norte de S\u00e3o Paulo, os primeiros a sentir o sumi\u00e7o da ju\u00e7ara foram os Guarani, consumidores do palmito desde muito antes das conservas. Tanto que nem gostam delas. Para os ind\u00edgenas, palmito bom \u00e9 palmito cru, acompanhado de mel de abelha jata\u00ed. Ou assado no moqu\u00e9m, sem sal, para comer com beiju. \u00c9 palmeira da maior import\u00e2ncia para eles, pois dela n\u00e3o s\u00f3 tiram o alimento como tamb\u00e9m aproveitam o caule e as folhas para a constru\u00e7\u00e3o de casas.<\/p>\n<p>Antes que o turismo chegasse \u00e0s praias da regi\u00e3o, os Guarani tinham uma floresta inteira de ju\u00e7aras ao seu redor. Quando o asfalto da Rodovia Rio-Santos rasgou a \u00e1rea nos anos 1970, condom\u00ednios e casas de veraneio come\u00e7aram a devorar a floresta com o mesmo apetite que os rec\u00e9m-chegados tinham pelo palmito.<\/p>\n<p>\u0093Os brancos foram induzindo os \u00edndios a cortar o palmito em troca de ferramentas. Depois veio o dinheiro, os \u00edndios come\u00e7aram a vender para os brancos. Foi um desastre\u0094, diz Adolfo Tim\u00f3tio, cacique da\u00a0<a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/3678\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-id=\"119\" data-m=\"{&quot;i&quot;:119,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:9}\">Terra Ind\u00edgena Ribeir\u00e3o Silveira<\/a>, \u00e1rea de 9 mil hectares encaixada entre a praia de Boraceia e a Serra do Mar, nos munic\u00edpios de Bertioga e S\u00e3o Sebasti\u00e3o. No final dos anos 1980, j\u00e1 quase n\u00e3o havia mais ju\u00e7ara. \u0093A gente tinha que ir cada vez mais longe na mata buscar palmito\u0094, lembra Adolfo.<\/p>\n<p>Adolfo diz que a press\u00e3o sobre o territ\u00f3rio Guarani acabou levando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da reserva ind\u00edgena em 1987, mas n\u00e3o resolveu o problema da escassez de ju\u00e7ara. Ent\u00e3o, em uma manobra in\u00e9dita, as fam\u00edlias da TI Ribeir\u00e3o Silveira resolveram garantir o futuro de sua palmeira favorita plantando seu pr\u00f3prio palmital. Deixaram de ser coletores para se tornarem produtores.<\/p>\n<p>\u0093Come\u00e7amos o trabalho com a constru\u00e7\u00e3o do viveiro\u0094, diz o vice-cacique Mauro dos Santos. Foi nele que, em 1998, os Guarani come\u00e7aram a cultivar dezenas de mudas de ju\u00e7ara, que depois seriam plantadas em seus quintais, em meio \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o nativa da Mata Atl\u00e2ntica. \u00c9 o que tecnicamente se conhece como agrossilvicultura, sistema que integra cultivos alimentares com a floresta para criar um ecossistema que sustente a biodiversidade, reduza a eros\u00e3o do solo, retenha \u00e1gua e sequestre carbono da atmosfera.<\/p>\n<p>Perfeito para a ju\u00e7ara, esp\u00e9cie que requer umidade para germinar e sombra para crescer. \u0093A ju\u00e7ara n\u00e3o gosta de estar fora da floresta\u0094, diz Maur\u00edcio Fonseca, soci\u00f3logo que ajudou os Guarani no desenvolvimento do projeto agroflorestal. Em outras palavras, n\u00e3o \u00e9 preciso derrubar a floresta para cultivar o palmital. Em vez disso, o sistema permite que a Mata Atl\u00e2ntica nativa permane\u00e7a de p\u00e9, com toda a sua biodiversidade, incluindo as esp\u00e9cies animais que compartilham a \u00e1rea do Ribeir\u00e3o Silveira com os Guarani.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, o plantio era feito de forma um tanto experimental, misturado \u00e0 pupunha e ao a\u00e7a\u00ed, esp\u00e9cies amaz\u00f4nicas que a Funai inicialmente incentivara os ind\u00edgenas a cultivar como alternativa \u00e0 ju\u00e7ara. Por serem \u00e1rvores mais produtivas, acabaram dominando as terras Guarani. Isso s\u00f3 mudou quando o Slow Food, organiza\u00e7\u00e3o internacional dedicada \u00e0 salvaguarda da diversidade alimentar, criou a Fortaleza da Ju\u00e7ara em 2004, o que facilitou a capta\u00e7\u00e3o de recursos financeiros para fomentar a produ\u00e7\u00e3o de ju\u00e7ara na reserva.<\/p>\n<p>O Slow Food coordenou v\u00e1rias iniciativas no Ribeir\u00e3o Silveira, mas talvez a mais importante tenha sido um invent\u00e1rio realizado em 2008. Na ocasi\u00e3o, dezenas de ind\u00edgenas foram mobilizados para medir, numerar e identificar as ju\u00e7aras que cresciam em seus quintais.<\/p>\n<p>O que descobriram foi revelador: a incid\u00eancia de palmeiras estava muito abaixo do que a legisla\u00e7\u00e3o brasileira exige para um plano de manejo. Pela lei, deveria haver pelo menos 3 mil \u00e1rvores jovens por hectare, mas na \u00e9poca os Guarani haviam plantado pouco mais de 400 por hectare. Era uma produ\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel de se sustentar.<\/p>\n<p>O invent\u00e1rio foi o ponto de partida para a cria\u00e7\u00e3o de uma cartilha de manejo sustent\u00e1vel em parceria com os ind\u00edgenas, que no fim se tornou a melhor maneira de garantir que nunca falte palmito na mata. Com as novas diretrizes, os Guarani da aldeia de Bertioga multiplicaram as plantas-m\u00e3e \u0096 aquelas destinadas a gerar sementes \u0096 e repovoaram de ju\u00e7aras a floresta em torno das aldeias. Em dois anos, chegaram a 10 mil \u00e1rvores, feito celebrado em 2010 em Turim, na It\u00e1lia, onde o cacique Adolfo falou para uma audi\u00eancia de 10 mil pessoas durante a abertura do evento anual Terra Madre, do Slow Food. Em l\u00edngua guarani.<\/p>\n<p>Uma d\u00e9cada se passou desde ent\u00e3o, e nesse tempo a mata de ju\u00e7aras Guarani aumentou dez vezes. \u0093Agora temos mais de 110 mil p\u00e9s na reserva\u0094, diz, com orgulho, o vice-cacique Mauro.<\/p>\n<h2>Viveiros na floresta<\/h2>\n<p>O cultivo da ju\u00e7ara na Terra Ind\u00edgena Ribeir\u00e3o Silveira envolve toda a comunidade \u0097mais de cem fam\u00edlias distribu\u00eddas em cinco aldeias. Isso inclui as crian\u00e7as, pequenas o suficiente para escalar as palmeiras e colher os cachos cheios de frutos que crescem perto da copa. Das sementes desses frutos \u00e9 que nascer\u00e3o as novas ju\u00e7aras.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 feito duas vezes por ano, quando os frutos est\u00e3o maduros: entre abril e maio e entre novembro e dezembro. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 o que eles chamam de \u0093canteiros naturais\u0094, \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0 planta-m\u00e3e onde p\u00e1ssaros e pequenos mam\u00edferos geralmente deixam cair as sementes depois de comer a polpa. Quando os ind\u00edgenas coletam as sementes, a natureza j\u00e1 deu in\u00edcio ao trabalho de germin\u00e1-las.<\/p>\n<p>Quando cabe aos Guarani estimular a germina\u00e7\u00e3o, eles utilizam um processo que alterna cinco dias de secagem com uma semana de armazenamento. Isso \u00e9 feito o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel do ambiente natural do ju\u00e7ara, sempre uma \u00e1rea \u00famida e sombreada no meio da floresta, geralmente perto de um rio. As mudas ficar\u00e3o cerca de cinco meses ali, at\u00e9 perderem as primeiras folhas. Depois, v\u00e3o para os viveiros por mais seis meses, at\u00e9 que as ju\u00e7aras estejam prontas para conquistar seu lugar definitivo na floresta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sete anos, um p\u00e9 de ju\u00e7ara come\u00e7a a dar os primeiros frutos. Aos oito, seu palmito j\u00e1 pode ser extra\u00eddo, mas ainda \u00e9 um tolete fino com pouco valor comercial. Os melhores palmitos aparecem aos dez anos, quando atingem o m\u00e1ximo de textura e sabor.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias do Ribeir\u00e3o Silveira cortam palmito toda semana, sempre \u00e0s quintas e sextas-feiras, para vender no acostamento da Rio-Santos durante o final de semana. Cobram entre 10 e 30 reais o tolete, dependendo do tamanho, o que pode n\u00e3o parecer muito, mas constitui sua principal fonte de renda hoje.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 um neg\u00f3cio bastante informal, j\u00e1 que a comunidade ind\u00edgena n\u00e3o possui uma empresa aberta para vender o produto. Na verdade, o acesso ao mercado formal ainda \u00e9 o maior obst\u00e1culo na cadeia produtiva Guarani. E eles tamb\u00e9m precisariam de uma escala de produ\u00e7\u00e3o muito maior para abastecer supermercados ou restaurantes. \u0093A gente precisaria juntar v\u00e1rias aldeias para ter boa quantidade de palmito\u0094, diz o cacique Adolfo.<\/p>\n<p>Veranistas s\u00e3o a maior parte da clientela, e n\u00e3o s\u00f3 do palmito \u0097 os Guarani tamb\u00e9m vendem mudas de ju\u00e7ara, cultivas em dois viveiros com capacidade para 2 mil p\u00e9s.<\/p>\n<p>Eles se beneficiam de uma lei municipal que exige que, a cada corte de \u00e1rvore nativa para a constru\u00e7\u00e3o de uma nova casa na regi\u00e3o, sejam plantadas 30 mudas de esp\u00e9cies nativas. Ou seja: os maiores clientes dos Guarani s\u00e3o justamente aqueles que p\u00f5em a floresta abaixo.<\/p>\n<h2>Novo fruto do trabalho: polpa de ju\u00e7ara<\/h2>\n<p>O melhor resultado do esfor\u00e7o dos Guarani, no entanto, pode n\u00e3o ser o palmito da ju\u00e7ara, mas seus frutos. \u00c9 a resposta da Mata Atl\u00e2ntica ao a\u00e7a\u00ed amaz\u00f4nico: textura e sabor muito parecidos, mas com o benef\u00edcio adicional de possuir\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/307803970_Avaliacao_da_Composicao_Centesimal_Mineral_e_Teor_de_Antocianinas_da_Polpa_de_Jucai_Euterpe_edulis_Martius\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-id=\"120\" data-m=\"{&quot;i&quot;:120,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:10}\">n\u00edveis ainda mais altos de antocionina<\/a>, pigmento com poderoso efeito antioxidante.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, vender a polpa da ju\u00e7ara ao inv\u00e9s do palmito mant\u00e9m em dia a sa\u00fade da floresta. \u0093O interessante desse processo \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o perde nada\u0094, diz Maur\u00edcio Fonseca. A palmeira permanece em p\u00e9 enquanto os frutos podem ser usados ??para a extra\u00e7\u00e3o da polpa. Ou ??para germinar novas mudas, caso os animais comam parcialmente os frutos. \u0093A semente volta para a terra, repovoa a esp\u00e9cie e ao mesmo tempo gera renda. Esse \u00e9 o processo mais sustent\u00e1vel da ju\u00e7ara.\u0094<\/p>\n<p>Os Guarani j\u00e1 t\u00eam uma m\u00e1quina de extra\u00e7\u00e3o de polpa de ju\u00e7ara na aldeia principal, que trouxeram do Par\u00e1 h\u00e1 cerca de 20 anos. Mas s\u00f3 agora, segundo Mauro, eles se sentem preparados para dar o pontap\u00e9 inicial no projeto. \u0093Estamos pensando em processar a ju\u00e7ara aqui na aldeia, com r\u00f3tulo Guarani\u0094, diz o vice-cacique.<\/p>\n<p>Inspirados em\u00a0<a href=\"http:\/\/ipemabrasil.org.br\/projetos\/\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-id=\"121\" data-m=\"{&quot;i&quot;:121,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:11}\">experi\u00eancias anteriores<\/a>\u00a0de comunidades quilombolas no litoral paulista, eles receberam\u00a0<a href=\"http:\/\/www.funai.gov.br\/index.php\/comunicacao\/noticias\/5733-projeto-de-recuperacao-ambiental-dos-guarani-mbya-conquista-financiamento-do-governo-estadual-de-sao-paulo\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-id=\"122\" data-m=\"{&quot;i&quot;:122,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:12}\">R$ 413 mil em ajuda<\/a>\u00a0do governo estadual em novembro de 2019 para criar uma cadeia produtiva sustent\u00e1vel de polpa de ju\u00e7ara. O projeto inclui uma unidade de processamento de polpa congelada, reforma de viveiros, treinamento de equipes e ve\u00edculos de apoio. E, claro, uma floresta de p\u00e9 cheia de ju\u00e7aras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com mais de 100 mil p\u00e9s de ju\u00e7ara plantados desde 1998, a comunidade agora vende<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":141123,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jacutinga.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Com mais de 100 mil p\u00e9s de ju\u00e7ara plantados desde 1998, a comunidade agora vende","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141122"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141122"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141122\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":141124,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141122\/revisions\/141124"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141123"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}