{"id":140931,"date":"2021-02-03T13:53:15","date_gmt":"2021-02-03T16:53:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=140931"},"modified":"2021-02-03T13:53:15","modified_gmt":"2021-02-03T16:53:15","slug":"colonias-de-ratos-toupeira-pelados-tem-dialeto-proprio-definido-pela-rainha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/colonias-de-ratos-toupeira-pelados-tem-dialeto-proprio-definido-pela-rainha\/","title":{"rendered":"Col\u00f4nias de ratos-toupeira-pelados t\u00eam dialeto pr\u00f3prio \u2013 definido pela rainha"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/rato.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-140932\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/rato-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/rato-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/rato.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os ratos-toupeira-pelados (<em>Heterocephalus glaber<\/em>) s\u00e3o conhecidos por suas v\u00e1rias excentricidades. Eles vivem mais do que qualquer roedor, chegando facilmente aos 30 anos, s\u00e3o altamente tolerantes \u00e0 dor e raramente desenvolvem c\u00e2ncer. Um de seus pontos mais curiosos \u00e9 que, assim como abelhas e formigas, estes animais vivem em col\u00f4nias de oper\u00e1rias governadas por uma matriarca reprodutora \u2013 a famosa rainha.<\/p>\n<p>Mas os ratos-toupeira-pelados n\u00e3o param de surpreender cientistas. Agora, pesquisadores descobriram que esses animais, que se comunicam por gorjeios, possuem dialetos pr\u00f3prios para cada col\u00f4nia, o qual \u00e9 resguardado pela rainha. O artigo que descreve a descoberta foi publicado na revista\u00a0<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/371\/6528\/461\">Science<\/a>.<\/p>\n<p>Para o estudo, os cientistas registraram ao longo de dois anos mais de 36 mil gorjeios de 166 animais, que viviam em sete col\u00f4nias de laborat\u00f3rios alem\u00e3es e sul-africanos. Ent\u00e3o, os pesquisadores desenvolveram um software capaz de classificar os sons por suas caracter\u00edsticas ac\u00fasticas. Tendo os padr\u00f5es sonoros, o programa identificava a qual col\u00f4nia cada gorjeio pertencia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YJ4FEkU0QCc\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Com a divis\u00e3o feita, os pesquisadores apresentavam os gorjeios aos pr\u00f3prios animais que, como esperado, eram mais propensos a responder quando o som pertencia ao de sua col\u00f4nia. Os pesquisadores acreditam que os ratos-toupeira-pelados desenvolveram esta habilidade para identificar intrusos, os quais costumam ser mortos pelos nativos. Eles s\u00e3o animais quase cegos e que vivem na escurid\u00e3o, debaixo da terra, tendo a interpreta\u00e7\u00e3o dos sinais sonoros como principal artimanha na hora de desmascarar visitantes indesejados.<\/p>\n<p>Os roedores aprendem o dialeto de suas col\u00f4nias ainda jovens, assim como os humanos. Pense, por exemplo, em filhos de pais nordestinos criados em S\u00e3o Paulo. \u00c9 comum que eles tenham um sotaque diferente de seus familiares. Ao colocar filhotes rec\u00e9m-nascidos de ratos-toupeira em col\u00f4nias estrangeiras, os cientistas notaram comportamento semelhante, em que os animais adotavam o novo dialeto em seis meses.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m notaram que o dialeto era criado e mantido pela rainha de cada col\u00f4nia. Durante os experimentos, duas delas foram mortas, o que levou os animais a abandonar o dialeto padr\u00e3o e agir individualmente. Eles s\u00f3 voltaram a gorjear de forma uniforme quando uma nova rainha foi selecionada. Mas a forma como as matriarcas exercem o controle sobre o dialeto ainda \u00e9 um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Essa foi a primeira vez que pesquisadores relataram aprendizagem vocal em roedores. Agora, os cientistas acreditam que os ratos-toupeira podem ajudar no entendimento sobre como esta pr\u00e1tica evoluiu em diferentes animais. O pr\u00f3ximo passo da pesquisa envolve a investiga\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do animal para identificar tra\u00e7os evolutivos de linguagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ratos-toupeira-pelados (Heterocephalus glaber) s\u00e3o conhecidos por suas v\u00e1rias excentricidades. 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