{"id":140550,"date":"2021-01-27T14:00:24","date_gmt":"2021-01-27T17:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=140550"},"modified":"2021-01-26T21:03:05","modified_gmt":"2021-01-27T00:03:05","slug":"zebras-com-manchas-e-listras-incomuns-podem-ser-um-alerta-sombrio-sobre-o-futuro-da-especie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/zebras-com-manchas-e-listras-incomuns-podem-ser-um-alerta-sombrio-sobre-o-futuro-da-especie\/","title":{"rendered":"Zebras com manchas e listras incomuns podem ser um alerta sombrio sobre o futuro da esp\u00e9cie"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/zebra.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-140551\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/zebra-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/zebra-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/zebra.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Qualquer um diria que as\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/zebra\">zebras<\/a>\u00a0possuem listras distintas preto e branco. Mas, em alguns casos, esses equinos africanos apresentam padr\u00f5es de cores incomuns, como grandes manchas pretas ou\u00a0pelagem dourada com listras de cores claras. Zebras com bolinhas tamb\u00e9m t\u00eam sido avistadas. Em 2019, na Reserva Nacional Masai Mara, no Qu\u00eania,\u00a0cientistas registraram um filhote com bolinhas,\u00a0com manchas brancas sobre uma pelagem marrom-escura.<\/p>\n<p>Essas aberra\u00e7\u00f5es \u2014 geralmente causadas por muta\u00e7\u00f5es\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/genetica\">gen\u00e9ticas<\/a>\u00a0que alteram a produ\u00e7\u00e3o de melanina, um pigmento natural \u2014 normalmente s\u00e3o raras entre os mam\u00edferos. Por isso, a bi\u00f3loga\u00a0Brenda Larison\u00a0ficou surpresa com a quantidade extraordinariamente elevada \u2014 cerca de 5% \u2014 de\u00a0zebras-das-plan\u00edcies\u00a0que possu\u00edam anomalias nas listras perto do Lago Mburo, em\u00a0Uganda.<\/p>\n<p>Embora as zebras-das-plan\u00edcies sejam as menos amea\u00e7adas das tr\u00eas esp\u00e9cies, suas popula\u00e7\u00f5es\u00a0sofreram um decl\u00ednio de 25% desde 2002, restando cerca de 500 mil animais distribu\u00eddos entre a Eti\u00f3pia e a\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/africa-do-sul\">\u00c1frica do Sul<\/a>. A fragmenta\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>habitats<\/em>\u00a0causada por cercas, estradas e urbaniza\u00e7\u00e3o restringiu as popula\u00e7\u00f5es de\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/zebra\">zebras<\/a>, como a do Lago Mburu, a pequenos bols\u00f5es, impedindo a migra\u00e7\u00e3o de alguns dos animais entre os rebanhos.<\/p>\n<p>A migra\u00e7\u00e3o introduz novos genes nas popula\u00e7\u00f5es e \u00e9 crucial \u00e0 sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies em longo prazo. A falta de fluxo g\u00eanico pode levar \u00e0 consanguinidade e, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e0 infertilidade, doen\u00e7as e outros defeitos heredit\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cO avistamento (das\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/zebra\">zebras<\/a>\u00a0com padr\u00f5es incomuns) me fez indagar: \u2018ser\u00e1 que estou encontrando tantos animais assim devido \u00e0 consanguinidade nessa popula\u00e7\u00e3o?\u2019\u201d, recorda Larison, que estuda a evolu\u00e7\u00e3o das listras de zebras na Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles.<\/p>\n<p>Para responder a essa quest\u00e3o, Larison e colegas realizaram an\u00e1lises\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/genetica\">gen\u00e9ticas<\/a>\u00a0em 140 indiv\u00edduos de zebras-das-plan\u00edcies \u2014 incluindo sete animais com padr\u00f5es de pelagem incomuns \u2014 em nove locais da \u00c1frica, como oParque Nacional Etosha, na Nam\u00edbia, e o Parque Nacional Kruger, na\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/africa-do-sul\">\u00c1frica do Sul<\/a>.<\/p>\n<p>Seu estudo,\u00a0publicado recentemente no peri\u00f3dico\u00a0<em>Molecular Ecology<\/em>, concluiu que popula\u00e7\u00f5es menores e mais isoladas de\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/zebra\">zebras<\/a>\u00a0apresentavam menor diversidade gen\u00e9tica \u2014 o que n\u00e3o foi nenhuma surpresa. O estudo tamb\u00e9m revelou que esses grupos isolados eram mais propensos a gerarem zebras com listras anormais, sugerindo que essas muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas s\u00e3o causadas por uma diversidade\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/genetica\">gen\u00e9tica<\/a>\u00a0reduzida.<\/p>\n<p>Embora o estudo tenha analisado apenas sete animais de padr\u00f5es incomuns, os resultados podem ser um alerta visual sobre o futuro da zebra-das-plan\u00edcies, afirma Larison.<\/p>\n<p>\u201cEmbora as zebras-das-plan\u00edcies n\u00e3o sejam altamente amea\u00e7adas, essas anomalias\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/genetica\">gen\u00e9ticas<\/a>\u00a0costumam surgir antes do in\u00edcio dos problemas maiores\u201d, explica ela.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-166884\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/zebra-das-planices_dourada.jpg\" sizes=\"(max-width: 710px) 100vw, 710px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/zebra-das-planices_dourada.jpg 710w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/zebra-das-planices_dourada-214x300.jpg 214w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"896\" \/><figcaption>Zebra-das-plan\u00edcies dourada ou marrom-clara ao lado de animal com colora\u00e7\u00e3o normal na organiza\u00e7\u00e3o de preserva\u00e7\u00e3o Mount Kenya Wildlife Conservancy em julho de 2018.<br \/>\nFOTO DE\u00a0<strong>BRENDA LARISON<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Lacunas gen\u00e9ticas<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que as listras incomuns tornem as\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/zebra\">zebras<\/a>\u00a0mais vis\u00edveis aos predadores, j\u00e1 que a maioria dos casos registrados de zebras com bolinhas era composta por filhotes, e n\u00e3o adultos. Dentro de seus grupos familiares, entretanto, as zebras n\u00e3o parecem se importar muito com quem possui listras e quem possui manchas, observa Larison, cujas\u00a0pesquisas mais recentes sugerem que as listras das zebras ajudam os animais a evitar a picada de moscas.<\/p>\n<p>Segundo ela, a preocupa\u00e7\u00e3o mais imediata \u00e9 a sa\u00fade\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/genetica\">gen\u00e9tica<\/a>\u00a0da zebra-das-plan\u00edcies. Para sua an\u00e1lise, Larison e seus colegas empregaram t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de sequenciamento gen\u00e9tico para estudar de perto as diferen\u00e7as entre\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/zebra\">zebras<\/a>\u00a0consangu\u00edneas e entre popula\u00e7\u00f5es de zebras de locais distintos.<\/p>\n<p>\u201cForam identificadas popula\u00e7\u00f5es com uma poss\u00edvel diverg\u00eancia maior do que esperado em circunst\u00e2ncias normais devido \u00e0 press\u00e3o exercida pela popula\u00e7\u00e3o humana\u201d, afirma Larison, cujo estudo \u00e9 financiado pela\u00a0National Geographic Society.<\/p>\n<p>Em outras palavras, dentro de cada popula\u00e7\u00e3o, as\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/zebra\">zebras<\/a>\u00a0est\u00e3o se tornando geneticamente mais pr\u00f3ximas, mas essas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o ficando mais distantes entre si em termos gen\u00e9ticos: um reflexo de sua separa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, o que poderia originar novas subesp\u00e9cies de zebras-das-plan\u00edcies.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-166885\" src=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/filhote_de_zebra_com_pseudomelanismo.jpg\" sizes=\"(max-width: 710px) 100vw, 710px\" srcset=\"https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/filhote_de_zebra_com_pseudomelanismo.jpg 710w, https:\/\/cdn.noticias.ambientebrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/filhote_de_zebra_com_pseudomelanismo-214x300.jpg 214w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"896\" \/><figcaption>Filhote com pseudomelanismo, muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica rara em que os animais exibem algum tipo de anormalidade em seu padr\u00e3o de listras, bebe \u00e1gua no Parque Nacional Etosha, na Nam\u00edbia, em novembro de 2011.<br \/>\nFOTO DE\u00a0<strong>REN LARISON<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Uma conserva\u00e7\u00e3o complexa<\/strong><\/h3>\n<p>Isso \u00e9 preocupante, alerta\u00a0Desire Dalton, que estuda\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/genetica\">gen\u00e9tica<\/a>\u00a0de animais silvestres no Instituto Nacional de Biodiversidade da\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/africa-do-sul\">\u00c1frica do Sul<\/a>\u00a0em Pret\u00f3ria, pois uma das principais estrat\u00e9gias dos conservacionistas de\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/zebra\">zebras<\/a>\u00a0\u00e9 a transloca\u00e7\u00e3o \u2014 a transfer\u00eancia de indiv\u00edduos de uma popula\u00e7\u00e3o para se reproduzirem em outra popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se as popula\u00e7\u00f5es forem muito diferentes geneticamente umas das outras, o oposto da consanguinidade pode ocorrer: a exogamia, como \u00e9 denominada, que causa anormalidades devido \u00e0 tamanha discrep\u00e2ncia entre os genes.<\/p>\n<p>H\u00e1 pesquisas conflitantes sobre quais popula\u00e7\u00f5es de zebras-das-plan\u00edcies podem estar prestes a se tornarem geneticamente distintas, ou subesp\u00e9cies.\u00a0Os cientistas ainda n\u00e3o chegaram a um consenso\u00a0sobre como definir e agrupar essas subesp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Mas ela concorda com a equipe de Larison que afirma que definir esses grupos \u00e9 fundamental para o manejo da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso ter certeza de quais popula\u00e7\u00f5es podem ser miscigenadas e quais dever ser mantidas separadas\u201d, esclarece Dalton.<\/p>\n<h3><strong>\u201cUm problema que n\u00e3o pode aguardar mais uma solu\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>O novo estudo tamb\u00e9m \u00e9 um lembrete para prestar aten\u00e7\u00e3o em outras esp\u00e9cies africanas que podem n\u00e3o parecer estar em apuros no momento, ressalva\u00a0Philip Muruthi, vice-presidente de conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies da organiza\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o African Wildlife Foundation, em Nair\u00f3bi, no Qu\u00eania.<\/p>\n<p>Por exemplo, Muruthi teme que a zebra-das-plan\u00edcies possa ter o mesmo destino de outra esp\u00e9cie africana emblem\u00e1tica, a\u00a0girafa.<\/p>\n<p>Devido principalmente \u00e0 perda de\u00a0<em>habitat<\/em>\u00a0e \u00e0 ca\u00e7a ilegal,\u00a0as girafas sofreram um decl\u00ednio populacional de 30% nos \u00faltimos 30 anos;\u00a0a Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza atualmente considera o animal vulner\u00e1vel \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. No entanto o fen\u00f4meno\u00a0ainda \u00e9 t\u00e3o pouco compreendido que ficou conhecido como \u201cextin\u00e7\u00e3o silenciosa\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o estudo da\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/tag\/zebra\">zebra<\/a>\u00a0\u00e9 fundamental: \u201cdestacar a possibilidade de que esp\u00e9cies comuns j\u00e1 enfrentem problemas de conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de sinalizar a exist\u00eancia de um problema que n\u00e3o pode aguardar mais uma solu\u00e7\u00e3o\u201d, adverte Muruthi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qualquer um diria que as\u00a0zebras\u00a0possuem listras distintas preto e branco. 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