{"id":140367,"date":"2021-01-23T19:02:22","date_gmt":"2021-01-23T22:02:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=140367"},"modified":"2021-01-23T19:06:05","modified_gmt":"2021-01-23T22:06:05","slug":"rodolitos-os-desconhecidos-recifes-rolling-stones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/rodolitos-os-desconhecidos-recifes-rolling-stones\/","title":{"rendered":"Rodolitos: Os desconhecidos recifes \u201crolling stones\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/PLANICIE.jpg\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<figure id=\"attachment_89764\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-89764\"><figcaption id=\"caption-attachment-89764\" class=\"wp-caption-text\">Longe de ser um deserto de areia, boa parte da plataforma continental brasileira \u00e9 recoberta por plan\u00edcies de \u201crolling stones\u201d vivas, ou bancos de rodolitos. Estudos recentes revelam que esse \u201cmegahabitat\u201d agrega verdadeiras florestas de algas foliosas e milhares de esp\u00e9cies de organismos, inclusive peixes de import\u00e2ncia comercial. Foto: R.L. Moura.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os recifes coral\u00edneos do Brasil t\u00eam atra\u00eddo interesse cient\u00edfico desde o S\u00e9culo XIX, especialmente a partir da breve incurs\u00e3o de Charles Darwin a Abrolhos e dos estudos pioneiros de seu xar\u00e1 menos conhecido, o canadense\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/boletim\/bol1334\/quinta.shtml\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Charles Hartt<\/a>, l\u00edder da Comiss\u00e3o Geol\u00f3gica do Imp\u00e9rio e um dos fundadores das ci\u00eancias naturais no Brasil.<\/p>\n<p>Relativamente isolados dos recifes do Caribe pela descarga do rio Amazonas e pela imensid\u00e3o das \u00e1guas abertas do Atl\u00e2ntico, e tamb\u00e9m submetidos a \u00e1guas turvas desfavor\u00e1veis para o desenvolvimento de corais, os recifes brasileiros abrigam um conjunto pequeno\u00a0\u2013\u00a0mas \u00fanico\u00a0\u2013\u00a0de esp\u00e9cies e forma\u00e7\u00f5es recifais peculiares, tais como os \u201cchapeir\u00f5es\u201d de Abrolhos\u00a0\u2013\u00a0estruturas carbon\u00e1ticas que crescem com a forma de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-018-27961-6\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">cogumelos gigantes com at\u00e9 20 metros de altura<\/a>. Esses atributos t\u00e3o especiais est\u00e3o concentrados\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/265822925_Brazilian_reefs_as_priority_areas_for_biodiversity_conservation_in_the_Atlantic_Ocean\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">em menos de 0,5% da \u00e1rea recifal do planeta<\/a>, mas sob a responsabilidade de um pa\u00eds que, infelizmente, tem demonstrado cada vez menos apre\u00e7o por seu patrim\u00f4nio natural.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-1\">\n<div class=\"ai-viewport-1\"><\/div>\n<\/div>\n<figure id=\"attachment_89768\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-89768\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-89768\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MAPA.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MAPA.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MAPA-300x151.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MAPA-1024x515.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MAPA-600x302.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/MAPA-640x322.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"321\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-89768\" class=\"wp-caption-text\">Distribui\u00e7\u00e3o global dos bancos de rodolitos (em vermelho), com destaque para a ocorr\u00eancia dos maiores bancos cont\u00ednuos do mundo ao longo da costa brasileira. Desenhado pelos autores com base nos dados de Foster, M.S. (2002). Rhodoliths: Between rocks and soft places. Journal of Phycology 37(5).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, com o amadurecimento das ci\u00eancias do mar e a ocupa\u00e7\u00e3o desenfreada da zona costeira, o conhecimento e as preocupa\u00e7\u00f5es com o futuro dos recifes brasileiros cresceram significativamente, a par e passo.\u00a0 As anomalias clim\u00e1ticas, a acidifica\u00e7\u00e3o do oceano, a polui\u00e7\u00e3o, a minera\u00e7\u00e3o e a sobrepesca t\u00eam levado a uma\u00a0<a href=\"https:\/\/conexao.ufrj.br\/2021\/01\/12\/os-corais-brasileiros-e-a-economia-da-destruicao\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">intensa degrada\u00e7\u00e3o e a um progn\u00f3stico sombrio<\/a>, praticamente un\u00e2nime junto aos cientistas marinhos, sobre a capacidade desses ecossistemas persistirem ao longo do S\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>As surpresas cient\u00edficas reservadas pelos recifes brasileiros t\u00eam sido muitas e abrangem desde a descri\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ingentaconnect.com\/content\/umrsmas\/bullmar\/2001\/00000068\/00000003\/art00011\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">peixes de grande porte<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mapress.com\/zootaxa\/2007f\/zt01422p043.pdf\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">import\u00e2ncia comercial<\/a>, como budi\u00f5es e vermelhos, at\u00e9 a presen\u00e7a de vastos recifes recobertos por esponjas gigantes,\u00a0<a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/2\/4\/e1501252\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">ao largo da foz do Amazonas<\/a>, e de um recife de coral\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unifesp.br\/campus\/san7\/images\/Pereira-Filho_etal_2019__The_southernmost_Atlantic_Coral_Reef_-.pdf\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">isolado no sul do estado de S\u00e3o Paulo<\/a>. Sem falar nos recifes de profundidade, ilustres desconhecidos que abundam nas \u00e1guas frias, escuras e profundas das bacias petrol\u00edferas de Campos, Santos e do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Falaremos aqui sobre um tipo peculiar de recifes que ocorre nas \u00e1guas relativamente rasas da plataforma continental e que, a despeito de seu gigantismo, permaneceu praticamente desconhecido at\u00e9 o final do S\u00e9culo XX, quando\u00a0<a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/entrevista-gilberto-amado\/https:\/revistapesquisa.fapesp.br\/entrevista-gilberto-amado\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Gilberto Amado-Filho<\/a>, pesquisador do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro falecido em 2019, desencadeou uma s\u00e9rie de\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/cientista-marinho-gilberto-amado-morre-aos-59-anos\/30039\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">levantamentos ao longo da costa brasileira<\/a>. Trata-se dos bancos de rodolitos, imensas plan\u00edcies submersas com dezenas de milhares de quil\u00f4metros quadrados recobertas por n\u00f3dulos de algas coralin\u00e1ceas \u2013 as mesmas algas que, juntamente com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.biotaxa.org\/Zootaxa\/article\/view\/zootaxa.4483.1.6\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">briozo\u00e1rios<\/a>\u00a0(pequenos invertebrados filtradores) e corais, constroem as estruturas recifais bem conhecidas do Nordeste do Brasil. Esses n\u00f3dulos calc\u00e1rios, soltos e m\u00f3veis (da\u00ed o apelido \u201crolling stones\u201d), s\u00e3o conhecidos pelos cientistas como rodolitos por serem dominados por algas rodof\u00edceas coralin\u00e1ceas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_89766\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-89766\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-89766\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Nodulo.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Nodulo.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Nodulo-300x214.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"455\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-89766\" class=\"wp-caption-text\">Superf\u00edcie viva de um rodolito rec\u00e9m-coletado, evidenciando as crostas de diversas esp\u00e9cies de algas vermelhas coralin\u00e1ceas. Essas algas agregam poucos mil\u00edmetros de carbonato de c\u00e1lcio a cada ano, construindo mini-recifes que persistem por s\u00e9culos no fundo do mar. Ao longo dos mil\u00eanios, os bancos de rodolitos imobilizam gigatoneladas de carbono e contribuem para o equil\u00edbrio qu\u00edmico do Oceano. Foto: Rede Abrolhos.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os rodolitos s\u00e3o pouco maiores que uma bola de bilhar e crescem lentamente, acumulando poucos mil\u00edmetros de carbonato de c\u00e1lcio a cada ano. No entanto, como vivem centenas de anos (h\u00e1 n\u00f3dulos vivos com mais de 400 anos!) e ocupam \u00e1reas imensas em alta densidade, acumulam vastas quantidades de carbonato de c\u00e1lcio, o composto cristalino no qual o carbono fica estocado e imobilizado por milhares, ou por vezes milh\u00f5es, de anos. Cada rodolito, al\u00e9m de ser um reservat\u00f3rio de carbono, tamb\u00e9m funciona como um pequeno recife que abriga uma flora diversificada de algas moles de crescimento r\u00e1pido e uma abundante fauna de pequenos invertebrados que, por sua vez, alimentam uma rede complexa de outros organismos de maior porte. Em conjunto, esses mini-recifes formam acumula\u00e7\u00f5es com dezenas de metros de altura, cuja produ\u00e7\u00e3o carbon\u00e1tica s\u00f3 pode ser estimada na ordem das Gigatoneladas, ou seja, na escala dos bilh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Um\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0035171\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">estudo pioneiro<\/a>\u00a0liderado pela\u00a0<a href=\"http:\/\/abrolhos.org\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Rede Abrolhos<\/a>\u00a0mostrou que essas \u201crolling stones\u201d do Brasil mineralizam mais de 1 kg de carbonato de c\u00e1lcio por metro quadrado a cada ano. Em conjunto, a produ\u00e7\u00e3o carbon\u00e1tica dos rodolitos brasileiros equivale \u00e0 de todos os recifes do Caribe juntos, representando um componente central para o equil\u00edbrio qu\u00edmico do Atl\u00e2ntico Sul. Assim com a Austr\u00e1lia, temos nosso Grande Recife Coral\u00edneo mas, como bom brasileiro, o gigante n\u00e3o \u00e9 nada convencional! Apenas em Abrolhos, os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0278434313001362\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">bancos de rodolitos ocupam mais de 20.000 quil\u00f4metros quadrados<\/a>, o que equivale a cerca de 10 vezes o tamanho da cidade de S\u00e3o Paulo. Ao longo da costa brasileira, onde ocorrem desde o Amap\u00e1 at\u00e9 Santa Catarina, as \u201crolling stones\u201d vivas representam o maior ambiente recifal, mas ainda n\u00e3o temos uma estimativa minimamente confi\u00e1vel da sua \u00e1rea e de como as forma\u00e7\u00f5es variam em fun\u00e7\u00e3o da latitude, da profundidade e da intera\u00e7\u00e3o com o continente. Boa parte dos bancos de rodolitos est\u00e1 em profundidades al\u00e9m do alcance dos sat\u00e9lites e mergulhadores, o que explica, pelo menos em parte, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S167900731630038X\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">inc\u00f4moda falta de informa\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0sobre esses gigantes desconhecidos.<\/p>\n<p>Em 13 de janeiro de 2021 novas informa\u00e7\u00f5es vieram \u00e0 tona com a\u00a0 publica\u00e7\u00e3o, na revista\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-020-80574-w#citeas\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Scientific Reports<\/a>,\u00a0de um outro estudo da Rede Abrolhos que chama a aten\u00e7\u00e3o para a relev\u00e2ncia e para a necessidade de conserva\u00e7\u00e3o dos bancos de rodolitos. Dessa vez, o foco da pesquisa realizada com parceiros da UFRJ, UNIFESP, UNESP, UFSB e UFES foi compreender o papel das plan\u00edcies submersas de \u201crolling stones\u201d vivas como habitat para peixes recifais. Com a utiliza\u00e7\u00e3o de est\u00e9reo BRUVS (\u201cBaited Remote Underwater Video Stations\u201d), que consistem em arranjos de c\u00e2meras de v\u00eddeo que permitem identificar e estimar o tamanho e a biomassa dos peixes que passam diante do dispositivo, foram amostradas 19 localidades do Banco Abrolhos, na Bahia e no Esp\u00edrito Santo, desde pr\u00f3ximo \u00e0 costa at\u00e9 o talude continental. Boa parte desses locais est\u00e1 em profundidades n\u00e3o acess\u00edveis atrav\u00e9s de mergulhos convencionais, o que demonstra o imenso potencial dessa ferramenta inovadora para amostragem n\u00e3o-destrutiva, segura e de baixo custo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_89770\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-89770\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-89770\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/BINQUARA-SOLO.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/BINQUARA-SOLO.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/BINQUARA-SOLO-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/BINQUARA-SOLO-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/BINQUARA-SOLO-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/BINQUARA-SOLO-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/BINQUARA-SOLO-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/BINQUARA-SOLO-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/BINQUARA-SOLO-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-89770\" class=\"wp-caption-text\">Uma binquara, Haemulon plumieri, se desloca pela plataforma de Abrolhos em busca de pequenos invertebrados que vivem em meio aos rodolitos. Os bancos de rodolitos fornecem corredores de conectividade entre as manchas isoladas de recifes . Foto: R. L. Moura.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os resultados mostram que o tipo de fundo e a quantidade de luz que chega ao fundo do mar, juntamente com a prote\u00e7\u00e3o contra a pesca provida pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.icmbio.gov.br\/parnaabrolhos\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Parque Nacional Marinho<\/a>, influenciam profundamente a biomassa de peixes e a estrutura das comunidades recifais. At\u00e9 a\u00ed, nenhuma grande surpresa. No entanto, esper\u00e1vamos que os bancos de rodolitos fossem ambientes marginais, usados por algumas poucas esp\u00e9cies de peixes recifais, o que n\u00e3o se configurou. Na verdade, a riqueza de esp\u00e9cies de peixes nos recifes e bancos de rodolitos foi equivalente. Dos mais de 5000 peixes identificados e medidos, compreendendo 107 esp\u00e9cies, observamos que metade delas ocorreram em recifes e bancos de rodolitos, sendo que 71 esp\u00e9cies (66%) ocorreram apenas ao redor dos chapeir\u00f5es e recifes em franja e 85 (79%) apenas nos bancos de rodolitos. A distribui\u00e7\u00e3o da abund\u00e2ncia de peixes recifais tamb\u00e9m nos surpreendeu, pois quase um ter\u00e7o das esp\u00e9cies que ocorreram nos diferentes tipos de recifes foram mais abundantes nos bancos de rodolitos do que nos chapeir\u00f5es e recifes em franja. Ou seja, para muitos peixes recifais de Abrolhos, o ambiente marginal parece ser o pr\u00f3prio recife!!<\/p>\n<figure id=\"attachment_89774\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 636px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-89774\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-89774\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/AMOSTRAGEM.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/AMOSTRAGEM.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/AMOSTRAGEM-199x300.jpg 199w\" alt=\"\" width=\"636\" height=\"960\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-89774\" class=\"wp-caption-text\">Gilberto Amado-Filho, pioneiro nos estudos sobre os rodolitos do Brasil, prepara para lan\u00e7ar um flutuante com amostras de rodolitos coletadas em Abrolhos. Foto: R. L. Moura.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para n\u00f3s, cientistas marinhos, constatar que os bancos de rodolitos \u2013 maior habitat recifal da costa brasileira \u2013 s\u00e3o um ambiente chave para peixes, incluindo muitas esp\u00e9cies de import\u00e2ncia comercial, traz imensa alegria e satisfa\u00e7\u00e3o. Recompensa os anos de esfor\u00e7o, de embarques em condi\u00e7\u00f5es duras e os poucos recursos para pesquisa. Por outro lado, considerando que estamos nos aproximando da metade do s\u00e9culo XXI, e no primeiro ano da\u00a0<a href=\"http:\/\/decada.ciencianomar.mctic.gov.br\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">D\u00e9cada dos Oceanos<\/a>, essa descoberta tamb\u00e9m nos faz refletir sobre a assimetria nos investimentos que d\u00e3o o tom da nossa rela\u00e7\u00e3o com o Oceano.<\/p>\n<p>Nosso pa\u00eds, l\u00edder em explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em \u00e1guas fundas e ultra-profundas, segundo maior produtor mundial de min\u00e9rio de ferro e detentor de tantas outras lideran\u00e7as superlativas na explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, do mar e da terra, carece de conhecimento b\u00e1sico e essencial para que a explora\u00e7\u00e3o dos recursos do mar possa ocorrer de forma sustent\u00e1vel. Do atual governo, n\u00e3o h\u00e1 sinais de a\u00e7\u00f5es significativas no que diz respeito ao meio ambiente, \u00e0s ci\u00eancias do mar, e ao uso racional e justo dos recursos da chamada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mar.mil.br\/hotsites\/amazonia_azul\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Amaz\u00f4nia Azul<\/a>. No entanto, a exist\u00eancia de dezenas de milhares de quil\u00f4metros de recifes \u201crolling stones\u201d sem qualquer medida espec\u00edfica de prote\u00e7\u00e3o, muitos deles alvo da explora\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio ou em meio a po\u00e7os de petr\u00f3leo, deveria soar como um convite para que as ind\u00fastrias assumam mais protagonismo na gera\u00e7\u00e3o de conhecimento necess\u00e1rio para sua coexist\u00eancia longa e saud\u00e1vel com a biodiversidade marinha. N\u00e3o temos mais tempo a perder esperando que a multiplica\u00e7\u00e3o dos\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/agencia-estado\/2019\/11\/01\/peixe-e-um-bicho-inteligente-quando-ve-oleo-foge-afirma-secretario-da-pesca.htm\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">espertos peixes<\/a>\u00a0ocorra milagrosamente. Se despertarmos tarde para o desafio de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/colunas\/frederico-brandini\/o-que-seria-do-brasil-sem-o-mar-provoca-frederico-brandini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"internal\">conhecer para conservar o Oceano<\/a>, o patrim\u00f4nio natural estar\u00e1 irremediavelmente perdido, ou sua recupera\u00e7\u00e3o custar\u00e1 caro demais para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Longe de ser um deserto de areia, boa parte da plataforma continental brasileira \u00e9 recoberta<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Longe de ser um deserto de areia, boa parte da plataforma continental brasileira \u00e9 recoberta","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140367"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=140367"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140367\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":140370,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140367\/revisions\/140370"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=140367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=140367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=140367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}