{"id":140355,"date":"2021-01-23T18:22:23","date_gmt":"2021-01-23T21:22:23","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=140355"},"modified":"2021-01-23T18:26:21","modified_gmt":"2021-01-23T21:26:21","slug":"carlos-antunes-o-medo-vai-ter-de-voltar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/carlos-antunes-o-medo-vai-ter-de-voltar\/","title":{"rendered":"Carlos Antunes: \u201cO medo vai ter de voltar\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Antunes, da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, pede um \u201cfecho integral\u201d e mais rastreio e testagem. \u00c9 preciso mais e melhor do que fizemos em Mar\u00e7o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545974?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p>Carlos Antunes, da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, estava habituado a fazer previs\u00f5es sobre o dram\u00e1tico efeito das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Agora tudo o que faz \u00e9 sobre covid-19. Em entrevista ao P\u00daBLICO no dia em que o Governo anunciou que i<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/01\/21\/politica\/noticia\/filme-reviravolta-levou-fecho-escolas-empurrao-marcelo-1947320\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ria fechar as escolas\u00a0<\/a>depois de v\u00e1rios dias de hesita\u00e7\u00e3o, o investigador constata que and\u00e1mos a perder tempo, que j\u00e1 perdemos o controlo.\u00a0&#8220;N\u00f3s estamos a caminhar para o caos, deix\u00e1mos de controlar o sistema. O sistema \u00e9 que nos est\u00e1 a controlar a n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Dev\u00edamos fechar tudo. N\u00e3o s\u00f3 as escolas, mas parar as f\u00e1bricas, a constru\u00e7\u00e3o civil, o\u00a0<em>take away<\/em> dos restaurantes, tudo. E testar mais, muito mais. E, mesmo assim, avisa Carlos Antunes, conv\u00e9m estarmos preparados para os murros no est\u00f4mago que a\u00ed v\u00eam, nomeadamente com a chegada da variante do Reino Unido e das outras. Perdemos tempo e cometemos erros em cima de erros. Mesmo quando, no in\u00edcio de 2021, uns diziam que n\u00e3o existiam dados para avan\u00e7ar com medidas, j\u00e1 existiam alertas mais do que suficientes, confirma o especialista. Talvez s\u00f3 agora os portugueses sintam que lhes \u201cest\u00e3o a pisar os calos\u201d e as coisas mudem. Talvez agora o medo volte. \u00c9 isso que \u00e9 preciso, diz o investigador que se confessa quase t\u00e3o triste como preocupado e que espera agora que os portugueses tenham medo, tenham muito medo. Muito mais do que tiveram em Mar\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>A novidade do dia \u00e9 o fecho das escolas. O que \u00e9 que isso muda?<\/strong><br \/>\nEm princ\u00edpio, do ponto de vista te\u00f3rico, todos os contactos que sejam reduzidos v\u00e3o ajudar. Est\u00e1vamos com uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/01\/20\/ciencia\/noticia\/apelo-costa-confinamento-continua-cumprido-forma-ligeira-1947188\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">redu\u00e7\u00e3o da mobilidade muito baixa<\/a>, uma redu\u00e7\u00e3o de 30% no fim-de-semana e depois de 10% no in\u00edcio da semana. O fecho de escolas obrigatoriamente vai reduzir essa mobilidade e os contactos. O que se sabe, pela monitoriza\u00e7\u00e3o noutros pa\u00edses, \u00e9 que reduzir os contactos vai ter um impacto.<\/p>\n<p><strong>Qual?<\/strong><br \/>\nVai depender da dimens\u00e3o das medidas. \u00c9 s\u00f3 as escolas ou vai haver mais medidas? Penso que devem vir a\u00ed mais medidas. O objectivo ser\u00e1 exactamente tentar ter pelo menos o impacto que tivemos em Mar\u00e7o. Contudo, n\u00f3s j\u00e1 sabemos que o impacto de Mar\u00e7o \u00e9 insuficiente. Os m\u00e9dicos estavam preparados para oito semanas para conseguirmos chegar ao n\u00edvel de Natal. O que estamos a observar \u00e9 que essa traject\u00f3ria afinal n\u00e3o \u00e9 de oito semanas, mas pode ser de dois meses e meio, tr\u00eas meses. Portanto, temos de conseguir melhores resultados do que tivemos em Mar\u00e7o.<\/p>\n<aside class=\"story__callout story__callout--quote story__callout--inline\" aria-hidden=\"true\">\n<blockquote>\n<div>Os m\u00e9dicos estavam preparados para oito semanas para conseguirmos chegar ao n\u00edvel de Natal. O que estamos a observar \u00e9 que essa traject\u00f3ria afinal n\u00e3o \u00e9 de oito semanas, mas pode ser de dois meses e meio, tr\u00eas meses.<\/div>\n<footer><\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/aside>\n<p><strong>Como?<\/strong><br \/>\nTem de ser uma coisa mesmo integral. N\u00e3o sei ainda o que vai sair hoje do Conselho de Ministros, mas acredito que seja uma coisa mesmo integral.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 isso de uma coisa mesmo integral? Que tipo de medidas?<\/strong><br \/>\nDaquilo que vejo nos outros pa\u00edses, s\u00f3 permitir a sa\u00edda de casa mesmo s\u00f3 exclusivamente para aquilo que \u00e9 essencial e s\u00f3 uma pessoa de cada casa. N\u00e3o ter ningu\u00e9m na rua. Nem os passeios higi\u00e9nicos, mesmo esses t\u00eam de ser m\u00ednimos e \u00e0 volta de casa. Houve pa\u00edses que puseram uma limita\u00e7\u00e3o a cinco quil\u00f3metros. A quest\u00e3o \u00e9 que, ao n\u00edvel de incid\u00eancia em que n\u00f3s estamos, temos de fechar tudo o que seja poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Fecho integral tamb\u00e9m devia incluir o\u00a0<em>take away<\/em>\u00a0dos restaurantes?<\/strong><br \/>\nAcho que sim.<\/p>\n<p><strong>E o trabalho, h\u00e1 pessoas que n\u00e3o podem fazer o seu trabalho \u00e0 dist\u00e2ncia&#8230;<\/strong><br \/>\nSe \u00e9 um servi\u00e7o m\u00ednimo, a quest\u00e3o, por exemplo, da cadeia de distribui\u00e7\u00e3o de produtos essenciais para os mercados tem de se manter.<\/p>\n<p><strong>Mas h\u00e1 f\u00e1bricas&#8230;<\/strong><br \/>\nExacto. Ou a constru\u00e7\u00e3o civil. H\u00e1 um conjunto de actividades que podem ser fechadas durante uma semana ou 15 dias. Porque enquanto n\u00e3o conseguirmos reduzir ao m\u00e1ximo os contactos n\u00e3o conseguimos trazer a incid\u00eancia para baixo. Ela est\u00e1 muito elevada. Isto est\u00e1 disseminado por todos os concelhos. O mapa est\u00e1 quase todo vermelho. O vermelho quer dizer que praticamente existe uma pessoa em cada 100, 1% das pessoas est\u00e3o infectadas. E vimos pelo gr\u00e1fico dos grupos escolares que a partir dos 12 anos t\u00eam uma incid\u00eancia acima de mil. Pass\u00e1mos o limite. O problema \u00e9 que agora n\u00e3o queremos aceitar estas medidas dr\u00e1sticas, mas n\u00e3o compreendemos que fomos al\u00e9m daquilo que pod\u00edamos ter ido. Se tiv\u00e9ssemos conseguido antes do Natal trazer a incid\u00eancia para mil, tudo bem. Mas n\u00e3o conseguimos. Partimos de um patamar elevado. Deix\u00e1mos que a terceira vaga partisse de um valor muito elevado.<\/p>\n<p><strong>E agora?<\/strong><br \/>\nE agora ainda temos o problema da nova variante. Sabemos que no final do m\u00eas vamos ter\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/01\/21\/ciencia\/noticia\/ja-sabemos-21-janeiro-variante-reino-unido-1947313\">60% de cont\u00e1gio com a nova variante<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Vai tornar-se dominante&#8230;<\/strong><br \/>\nSim. E repare o que \u00e9 que significa uma variante que aumenta a sua carga viral no trato respirat\u00f3rio superior em 32 vezes. Quando expiramos, expiramos 32 vezes mais part\u00edculas virais do que nas variantes anteriores. \u00c9 isso que d\u00e1 essa capacidade de ser mais transmiss\u00edvel. Com esta variante a circular, isso n\u00e3o vai permitir reduzir a incid\u00eancia a n\u00edveis que necessitamos.<\/p>\n<p><strong>E \u00e9 por isso que precisamos do tal fecho integral?<\/strong><br \/>\nSim. Mas n\u00e3o s\u00f3. Embora existam pessoas que s\u00e3o contra e que dizem que \u00e9 impratic\u00e1vel porque n\u00e3o h\u00e1 recursos, a \u00fanica forma \u00e9 tamb\u00e9m duplicar, triplicar ou quadruplicar a capacidade de rastreio, inqu\u00e9ritos epidemiol\u00f3gicos e testagem. Est\u00e1vamos quase a enveredar por ir para as escolas testar os alunos todos. Isso \u00e9 uma testagem aleat\u00f3ria e com isso n\u00e3o se encontra quase nada. Foi o que demonstr\u00e1mos no Natal. Aquela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/12\/24\/sociedade\/noticia\/25-mil-testes-covid19-dia-portugueses-quiseram-garantir-natal-seguranca-1944031\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">corrida aos laborat\u00f3rios<\/a>\u00a0n\u00e3o alterou a curva de casos. Ao passo que os 25 mil testes que fizemos a menos do rastreio epidemiol\u00f3gico no Natal levaram a cinco mil casos que n\u00f3s perdemos e que criaram cadeias de transmiss\u00e3o. A testagem tem de ser feita de forma criteriosa.<\/p>\n<figure class=\"story__callout story__callout--image media media--image story__callout--inline\" data-media-action=\"modal\" aria-label=\"media\">\n<div class=\"flex-media\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"lazyautosizes lazyloaded\" src=\"https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=320&amp;act=resize\" sizes=\"692px\" srcset=\" https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=2048&amp;act=resize 2048w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1800&amp;act=resize 1800w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1600&amp;act=resize 1600w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1400&amp;act=resize 1400w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1280&amp;act=resize 1280w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1024&amp;act=resize 1024w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=768&amp;act=resize 768w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=640&amp;act=resize 640w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=320&amp;act=resize 320w \" width=\"639\" height=\"426\" data-src=\"https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=320&amp;act=resize\" data-media-size=\"2048x1365\" data-media-viewer=\"https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG\" data-sizes=\"auto\" data-srcset=\" https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=2048&amp;act=resize 2048w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1800&amp;act=resize 1800w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1600&amp;act=resize 1600w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1400&amp;act=resize 1400w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1280&amp;act=resize 1280w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1024&amp;act=resize 1024w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=768&amp;act=resize 768w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=640&amp;act=resize 640w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545975?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=320&amp;act=resize 320w \" \/><\/p>\n<div class=\"media-badge\"><span class=\"show-for-sr\">Foto<\/span><i class=\"i-expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"caption caption--image\"><span class=\"credit\">RICARDO LOPES<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Os autotestes podem ser uma solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSe tiver um custo baixo podemos fazer. Podemos disseminar e isso vai acontecer. Mas primeiro \u00e9 preciso escalar essa capacidade. Mesmo do ponto de vista estrat\u00e9gico de controlo, estarmos a fazer um teste aleat\u00f3rio a uma pessoa qualquer em cada mil testes aleat\u00f3rios que a gente faz \u00e0 popula\u00e7\u00e3o vamos encontrar o m\u00e1ximo de 15 pessoas porque isso \u00e9 a preval\u00eancia da doen\u00e7a actualmente, \u00e9 1,5 pessoas. Mas por cada mil testes que fa\u00e7o a pessoas suspeitas, identificadas no inqu\u00e9rito epidemiol\u00f3gico, j\u00e1 vou encontrar 200 ou 250 pessoas infectadas. Est\u00e1 a ver a diferen\u00e7a de efic\u00e1cia?<\/p>\n<p><strong>E temos capacidade para duplicar, triplicar a capacidade de rastreio e testagem?<\/strong><br \/>\nActualmente n\u00e3o temos porque n\u00e3o foi planeada. Mas n\u00e3o percebo porque \u00e9 que ainda n\u00e3o se falou em aumentar significativamente a capacidade de testagem. O problema \u00e9 que quem faz inqu\u00e9ritos tem de ter forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e isso \u00e9 uma coisa que leva tempo. E porque leva tempo dev\u00edamos ter pensado \u201cOK, quando ultrapassarmos X n\u00famero de casos por dia temos de aumentar 50% a capacidade\u201d. Ningu\u00e9m pensou nisso.<\/p>\n<p><strong>Ainda vamos a tempo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei, mas quando estamos em guerra qualquer arma serve. E se sabemos que essa arma \u00e9 tamb\u00e9m eficaz ao mesmo tempo que o confinamento, j\u00e1 dev\u00edamos estar a fazer isso.<\/p>\n<aside class=\"story__callout story__callout--quote \" aria-hidden=\"true\">\n<blockquote>\n<div>Estamos a perder tempo. N\u00f3s n\u00e3o sabemos qual \u00e9 a parte desta variante e n\u00e3o sabemos quando chega a variante do Brasil e da \u00c1frica do Sul. H\u00e3o-de chegar. E elas fazem um cocktail perfeito.<\/div>\n<footer><\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/aside>\n<p><strong>Estamos a perder tempo?<\/strong><br \/>\nEstamos a perder tempo. N\u00f3s n\u00e3o sabemos qual \u00e9 a parte desta variante e n\u00e3o sabemos quando chega a variante do Brasil e da \u00c1frica do Sul. H\u00e3o-de chegar. E elas fazem um\u00a0<em>cocktail<\/em>\u00a0perfeito. Portanto, n\u00f3s temos de preparar sempre com antevis\u00e3o. O problema do nosso pa\u00eds \u00e9 n\u00e3o ter uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica, a longo prazo, e n\u00e3o ter pensado por exemplo no Ver\u00e3o: ent\u00e3o quais s\u00e3o as possibilidades? Podemos ter uma segunda vaga, uma terceira vaga&#8230; Quais s\u00e3o as dimens\u00f5es? Eh p\u00e1, hipoteticamente pode ser cinco mil, mas pode ser dez mil&#8230; E qual \u00e9 o m\u00e1ximo? \u00c9 X. Ent\u00e3o vamos ter um plano para X.<\/p>\n<p><strong>Um plano para nos prepararmos para o pior?<\/strong><br \/>\n\u00c9 isso que faz em an\u00e1lise de risco. Essa \u00e9 a minha especialidade actualmente. Trabalho tamb\u00e9m na avalia\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia clim\u00e1tica e \u00e9 isso que se faz. Se estivemos preparados para o pior, mesmo que isso tenha tido algum custo, o dano que causamos \u00e9 menor do que se n\u00e3o estivermos preparados. \u00c9 isso que se fala nas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. O custo de nada fazer \u00e9 muito, mas muito superior ao custo de fazer exagerado. \u00c9 claro que no lado da economia se v\u00ea mais a curto prazo.<\/p>\n<p><strong>Neste momento, mais vale pecar por excesso?<\/strong><br \/>\nClaro. Isto \u00e9 matem\u00e1tico. Existe uma \u00e1rea da matem\u00e1tica especializada nisto. Face a uma amea\u00e7a incerta e com elevado risco, a melhor estrat\u00e9gia \u00e9 a ac\u00e7\u00e3o imediata. Popularmente j\u00e1 o sabemos: mais vale prevenir do que remediar. Toda a gente sabe isso. Portanto, face a uma dimens\u00e3o destas e face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em que j\u00e1 est\u00e1vamos em Novembro e Dezembro nos cuidados intensivos e nos internamentos, a ac\u00e7\u00e3o tinha de ser a\u00ed. J\u00e1 se tinha que planear ter capacidade de rastreio. Estamos com uma capacidade de rastreio que foi escalada para Novembro. \u00c9 insuficiente\u2026 Enquanto outros pa\u00edses, a Irlanda, por exemplo, conseguem trazer de sete mil casos para dois mil casos numa semana. Fecharam integralmente. N\u00e3o v\u00edamos ningu\u00e9m na rua. E claro aumentaram a capacidade de testagem, a Dinamarca faz a mesma coisa, a \u00c1ustria fez&#8230;<\/p>\n<p><strong>De acordo com seus modelos, reduzindo os contactos com um fecho integral e aumentando a capacidade de rastreio, quando e como teremos um impacto?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei. O meu modelo n\u00e3o pega nessas vari\u00e1veis. Esses s\u00e3o os chamados modelos n\u00e3o lineares e s\u00e3o muito sens\u00edveis. O meu modelo \u00e9 um bocadinho mais heur\u00edstico, de optimiza\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica. S\u00f3 consigo fazer isso quando a curva der sinal de que est\u00e1 a achatar. A\u00ed eu posso simular. Mas n\u00e3o sei se essa curva que eu vou definir consegue reproduzir essas condi\u00e7\u00f5es que estou a p\u00f4r agora.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, saindo um pouco do rigor&#8230;<\/strong><br \/>\nO que sei \u00e9 que se n\u00f3s continuarmos assim conforme estamos, s\u00f3 iremos regressar a n\u00edveis de pr\u00e9-Natal l\u00e1 para fim de Mar\u00e7o ou Abril. O meu modelo diz-me Abril.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que as medidas tomadas agora de fecho das escolas, por exemplo, podem antecipar essa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPodem. Podem regressar ao primeiro cen\u00e1rio que n\u00f3s temos. Que era conseguirmos isso em oito semanas.<\/p>\n<p><strong>Mas o cen\u00e1rio que me falou, por exemplo da Irlanda, que seria passar de sete mil para dois mil casos di\u00e1rios numa semana n\u00e3o seria ainda poss\u00edvel?<\/strong><br \/>\nEra preciso ser uma coisa integral. Seria aquilo que eu estava a dizer. Se n\u00f3s cumprirmos aquilo que os irlandeses conseguiram, provavelmente talvez em menos de tr\u00eas semanas estaremos nos n\u00edveis do Natal ou abaixo disso. Se as medidas efectivas, ou seja, toda a gente cumprir rigorosamente e ningu\u00e9m furar o esquema, ningu\u00e9m se descurar da sua responsabilidade. Sabemos que h\u00e1 pessoas que est\u00e3o infectadas e que deviam estar em casa e n\u00e3o est\u00e3o.<\/p>\n<aside class=\"story__callout story__callout--quote story__callout--inline\" aria-hidden=\"true\">\n<blockquote>\n<div>N\u00f3s este m\u00eas vamos levar dois murros no est\u00f4mago. Estamos com esta incid\u00eancia e letalidade e daqui a duas semanas vamos levar com a nova variante. Portanto, perdemos o controlo.<\/div>\n<footer><\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/aside>\n<p><strong>E h\u00e1 pessoas que nem sequer sabem que est\u00e3o infectadas&#8230;<\/strong><br \/>\nExactamente. E a quest\u00e3o a testagem pode resolver esse problema. Porque quando aument\u00e1mos a testagem em final de Setembro, princ\u00edpio de Outubro come\u00e7\u00e1mos a apanhar cada vez mais assintom\u00e1ticos. O r\u00e1cio entre sintom\u00e1ticos e assintom\u00e1ticos come\u00e7ou a inverter. E foi gra\u00e7as a isso que conseguimos desacelerar o crescimento e do meu ponto de vista essa foi a principal raz\u00e3o para conseguirmos achatar em Novembro. Claro que as medidas vieram refor\u00e7ar, foi a machadada final, mas j\u00e1 est\u00e1vamos a fazer o servi\u00e7o. E o servi\u00e7o foi testagem.<\/p>\n<p><strong>Mas o p\u00e1ra-arranca de Novembro n\u00e3o foi tamb\u00e9m um pouco prejudicial?<\/strong><br \/>\nSim&#8230; e h\u00e1 outra coisa que eu defendo que \u00e9: o sistema de rastreio vai atr\u00e1s da incid\u00eancia. A incid\u00eancia aumenta e o rastreio faz mais testes. A incid\u00eancia diminui e faz menos. O que, do meu ponto de vista, \u00e9 errado.<\/p>\n<p><strong>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tem dito que os testes aumentaram&#8230;<\/strong><br \/>\nPois, porque os testes v\u00e3o atr\u00e1s. E o que estou a ver \u00e9 que v\u00e3o atr\u00e1s a uma velocidade muito inferior \u00e0 infec\u00e7\u00e3o. Aquela imagem que dou: isto \u00e9 uma corrida. O v\u00edrus vai \u00e0 nossa frente e vai infectando pessoas. E n\u00f3s vamos atr\u00e1s dele detectando pessoas com o nosso sistema de rastreio. Se a nossa velocidade de detectar \u00e9 inferior \u00e0 velocidade com que o v\u00edrus infecta pessoas, ent\u00e3o a vantagem que ele nos leva vai aumentando cada vez mais e n\u00f3s para reduzir essa vantagem temos de correr mais r\u00e1pido que ele. Temos de testar e identificar casos mais r\u00e1pido do que est\u00e1 a infectar pessoas. Esta \u00e9 a estrat\u00e9gia. Para n\u00f3s reduzimos a vantagem que hoje ele nos leva, a outra \u00e9 aplicar medidas para reduzir a pr\u00f3pria velocidade do v\u00edrus. Essas medidas s\u00e3o confinamento, redu\u00e7\u00e3o de contactos e protec\u00e7\u00e3o individual. Redu\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus. N\u00e3o posso apostar s\u00f3 numa medida. S\u00f3 conseguimos chegar ao pico da onda quando estivermos a captar exactamente o mesmo n\u00famero de casos que o v\u00edrus est\u00e1 a contagiar.<\/p>\n<p><strong>Os vossos modelos dizem quanto?<\/strong><br \/>\nSim, estimamos isso e s\u00e3o os 2500, 2700 casos por dia que estamos a perder. E que 60 a 70% ser\u00e3o casos assintom\u00e1ticos.<\/p>\n<figure class=\"story__callout story__callout--image media media--image story__callout--inline\" data-media-action=\"modal\" aria-label=\"media\">\n<div class=\"flex-media\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"lazyautosizes lazyloaded\" src=\"https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=320&amp;act=resize\" sizes=\"692px\" srcset=\" https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=2048&amp;act=resize 2048w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1800&amp;act=resize 1800w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1600&amp;act=resize 1600w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1400&amp;act=resize 1400w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1280&amp;act=resize 1280w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1024&amp;act=resize 1024w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=768&amp;act=resize 768w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=640&amp;act=resize 640w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=320&amp;act=resize 320w \" width=\"639\" height=\"426\" data-src=\"https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=320&amp;act=resize\" data-media-size=\"2048x1365\" data-media-viewer=\"https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG\" data-sizes=\"auto\" data-srcset=\" https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=2048&amp;act=resize 2048w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1800&amp;act=resize 1800w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1600&amp;act=resize 1600w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1400&amp;act=resize 1400w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1280&amp;act=resize 1280w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=1024&amp;act=resize 1024w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=768&amp;act=resize 768w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=640&amp;act=resize 640w, https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1545976?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=320&amp;act=resize 320w \" \/><\/p>\n<div class=\"media-badge\"><span class=\"show-for-sr\">Foto<\/span><i class=\"i-expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"caption caption--image\"><span class=\"credit\">RICARDO LOPES<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Neste momento, nessa corrida a vacina \u00e9 uma meta que est\u00e1 muito ao longe?<\/strong><br \/>\nExactamente. Isso vai depender ainda da velocidade com que chegam as vacinas e da velocidade com que se vacinem as pessoas. A esperan\u00e7a \u00e9 que l\u00e1 para o final do Ver\u00e3o tenhamos imunidade e vamos come\u00e7ar o Outono j\u00e1 n\u00e3o com uma epidemia mas com surtos. Os efeitos poder\u00e3o come\u00e7ar a sentir-se numa redu\u00e7\u00e3o de letalidade e internamentos l\u00e1 para Mar\u00e7o. Na incid\u00eancia s\u00f3 mesmo l\u00e1 para Maio, Junho. Temos de fazer o trabalho at\u00e9 l\u00e1 e isso \u00e9 uma maratona para o SNS.<\/p>\n<p><strong>Na corrida, o v\u00edrus ganhou uma enorme vantagem este m\u00eas?<\/strong><br \/>\nSim e eu consigo calcular essa vantagem. No in\u00edcio do ano, a vantagem do v\u00edrus relativamente ao nosso sistema de rastreio era de 400 casos por dia que n\u00f3s n\u00e3o apanh\u00e1vamos. A diferen\u00e7a entre o n\u00famero de cont\u00e1gios e o n\u00famero de casos identificados era de 400. Essa vantagem foi aumentando 600, 800, mil&#8230; e est\u00e1 agora, o m\u00e1ximo que eu vi foi de 2800, perto de 3000 e agora estabilizou. Esta vantagem tem de diminuir. H\u00e1 outro indicador que me diz exactamente a mesma coisa: a dist\u00e2ncia a que estamos do v\u00edrus. \u00c9 a taxa de aumento de casos di\u00e1rios que depois se converte em n\u00famero de dias de duplica\u00e7\u00e3o de casos. N\u00f3s conseguimos calcular quantos dias leva at\u00e9 duplicar o n\u00famero de casos por dia. Portanto, estamos com 15 dias.<\/p>\n<p><strong>Ou seja?<\/strong><br \/>\nSe isto se mantiver, daqui a 15 dias ter\u00edamos 24 mil casos por dia e daqui a 30 dias ter\u00edamos 48 mil. Mas essa vari\u00e1vel varia muito, \u00e9 muito din\u00e2mica. Portanto, n\u00f3s sabemos que isso \u00e9 meramente hipot\u00e9tico, n\u00e3o vai ocorrer. Mas esta vari\u00e1vel tem de reduzir e chegar a zero. Foi o que aconteceu em Novembro. Em meados de Novembro, essa decalagem era zero e depois ficou negativa porque logo a seguir ao per\u00edodo do pico n\u00f3s est\u00e1vamos a identificar mais casos do que aqueles que estavam a ocorrer.<\/p>\n<p><strong>Como assim?<\/strong><br \/>\nPorque est\u00e1vamos a detectar casos anteriores. E quando isso acontece \u00e9 quando n\u00f3s estamos a avan\u00e7ar mais r\u00e1pido do que o v\u00edrus e ganhamos a corrida. E temos de mant\u00ea-la.<\/p>\n<p><strong>Dev\u00edamos ter mantido o ritmo?<\/strong><br \/>\nO nosso problema do ponto de vista epidemiol\u00f3gico, e esse foi o erro a seguir a Novembro, foi n\u00e3o ter mantido esse distanciamento, esse avan\u00e7o sobre o cont\u00e1gio do v\u00edrus. N\u00e3o s\u00f3 baixamos a guarda nas nossas defesas, nos contactos, como baixamos a guarda no rastreio epidemiol\u00f3gico. Os crit\u00e9rios para a testagem e para considerar um contacto de risco n\u00e3o podem ser r\u00edgidos. T\u00eam de ser din\u00e2micos. Repare, n\u00f3s cheg\u00e1mos aos 42 mil testes di\u00e1rios por semana em m\u00e9dia, atingimos o pico em Novembro e depois come\u00e7\u00e1mos a baixar.<\/p>\n<aside class=\"story__callout story__callout--quote story__callout--inline\" aria-hidden=\"true\">\n<blockquote>\n<div>S\u00f3 somos respons\u00e1veis quando, de facto, nos pisam os calos. Quando nos pisam os calos e n\u00f3s sentimos a dor, a gente reage e responde e a\u00ed somos ex\u00edmios. Ou seja, no limite, n\u00f3s somos os maiores de todos mas n\u00f3s temos incapacidade de saber \u00e9 qual \u00e9 o limite. N\u00f3s numa situa\u00e7\u00e3o de press\u00e3o somos os melhores.<\/div>\n<footer><\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/aside>\n<p><strong>Isto parece a hist\u00f3ria da lebre e da tartaruga&#8230;<\/strong><br \/>\nExactamente! N\u00f3s n\u00e3o podemos deixar dar avan\u00e7o ao v\u00edrus. Temos de ser n\u00f3s a correr \u00e0 frente. Defendo isto h\u00e1 bastante tempo.<\/p>\n<p><strong>E?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 uma in\u00e9rcia muito grande a responder a esta arma que temos e que n\u00f3s vimos nos outros pa\u00edses. Come\u00e7\u00e1mos a ouvir em Setembro os ingleses a falar em testes massivos. E vimos noutros s\u00edtios. H\u00e1 um indicador que \u00e9 a positividade e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade tem uma recomenda\u00e7\u00e3o, a positividade tem se ser mantida abaixo dos 5%<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/01\/16\/sociedade\/noticia\/dias-ano-percentagem-testes-positivos-covid-17-1946570\"><strong>Num artigo recente referia que estava nos 17% em Portugal&#8230;<\/strong><\/a><br \/>\nJ\u00e1 estamos em 19%. Ontem cheg\u00e1mos a 19%. Contudo, j\u00e1 ultrapassamos os 62 mil testes por dia, est\u00e1 a ver? S\u00f3 que a velocidade com que estamos a andar \u00e9 insuficiente.<\/p>\n<p><strong>Andamos de facto, como j\u00e1 disse, a perder tempo?<\/strong><br \/>\nCompletamente. No Ver\u00e3o faz\u00edamos 20 mil testes e nessa altura detect\u00e1vamos qu\u00ea? 300 ou 400 casos. Agora temos 12 mil casos e fazemos 62 mil testes no m\u00e1ximo&#8230; Dev\u00edamos estar a testar dez vezes mais&#8230;<\/p>\n<p><strong>Tem-se falado muito da imprevisibilidade desta epidemia. Diz-me que nos dev\u00edamos ter preparado para o pior. Afinal, era poss\u00edvel antecipar tudo isto?<\/strong><br \/>\nSim, o que eu vejo aqui de erro sistem\u00e1tico \u00e9&#8230; quem decide&#8230; bem\u2026 n\u00f3s estamos a aprender. Todos estamos a aprender com uma coisa que aconteceu h\u00e1 cem anos e n\u00e3o temos grandes registos. Hoje temos uma ci\u00eancia que faz uma monitoriza\u00e7\u00e3o destes fen\u00f3menos naturais com outro detalhe e com outro rigor. N\u00e3o t\u00ednhamos essa experi\u00eancia de planeamento. Estamos muito mais sofisticados, mas mesmo assim n\u00e3o t\u00ednhamos conhecimento. Quem estudou a fundo conhece a din\u00e2mica e sabe os v\u00e1rios processos que a epidemia tem para proliferar. E consegue e vai estudando e comparando com os v\u00e1rios pa\u00edses. E depois h\u00e1 o pr\u00f3prio comportamento das pessoas. A pr\u00f3pria estrutura social de um pa\u00eds tem influ\u00eancia. A pr\u00f3pria cultura e a pr\u00f3pria responsabilidade. N\u00e3o posso comparar uma Su\u00e9cia ou uma \u00c1ustria com Portugal, s\u00e3o coisas completamente diferentes. N\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista organizativo, de compromisso e de responsabilidade&#8230; Somos diferentes.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o somos respons\u00e1veis?<\/strong><br \/>\nS\u00f3 somos respons\u00e1veis quando, de facto, nos pisam os calos. Quando nos pisam os calos e n\u00f3s sentimos a dor, a gente reage e responde e a\u00ed somos ex\u00edmios. Ou seja, no limite, somos os maiores de todos, mas n\u00f3s temos incapacidade de saber \u00e9 qual \u00e9 o limite. Numa situa\u00e7\u00e3o de press\u00e3o somos os melhores.<\/p>\n<aside class=\"story__callout story__callout--quote \" aria-hidden=\"true\">\n<blockquote>\n<div>O nosso erro foi a falta de compreens\u00e3o da din\u00e2mica da infec\u00e7\u00e3o. Subestimamos a perigosidade da infec\u00e7\u00e3o e n\u00e3o conseguimos planear e perceber qual era a import\u00e2ncia das armas que temos ao nosso dispor e n\u00e3o as planeamos devidamente.<\/div>\n<footer><\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/aside>\n<p><strong>O que \u00e9 que \u00e9 preciso fazer para pisar os calos dos portugueses?<\/strong><br \/>\n&#8230;deixe-me s\u00f3 a acabar. O nosso erro foi a falta de compreens\u00e3o da din\u00e2mica da infec\u00e7\u00e3o. Subestim\u00e1mos a perigosidade da infec\u00e7\u00e3o e n\u00e3o conseguimos planear e perceber qual era a import\u00e2ncia das armas que temos ao nosso dispor e n\u00e3o as plane\u00e1mos devidamente. Do meu ponto vista, o principal erro foi o pa\u00eds n\u00e3o ter posto um limiar de incid\u00eancia di\u00e1ria. Se o pa\u00eds tivesse posto um limiar, imaginemos que era tr\u00eas mil casos di\u00e1rios. N\u00e3o podemos ultrapassar os tr\u00eas mil casos di\u00e1rios. N\u00e3o \u00e9 quando chegarmos aos tr\u00eas mil agimos, mas quando vemos que vamos atingir isso daqui a uma ou duas semanas, actuamos logo para nem sequer l\u00e1 chegar.<\/p>\n<p><strong>Esse era o limiar?<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 o que defendo. Porque esse dava 1500 internamentos e 200 ou 220 camas de cuidados intensivos, pod\u00edamos chegar \u00e0s 300 camas. Sei que nesses processos complexos, n\u00e3o lineares, n\u00f3s perdemos o controlo facilmente. Como tem muitas vari\u00e1veis, tentamos controlar todas vari\u00e1veis, mas se h\u00e1 uma em que a gente se descuida, como acontece nos inc\u00eandios, \u00e9 o suficiente para perdemos o controlo do inc\u00eandio. Dev\u00edamos ter definido um limiar apontando para o ponto que n\u00e3o pod\u00edamos ultrapassar nem l\u00e1 chegar, t\u00ednhamos de agir antes. Nunca tivemos essa estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p><strong>Mas a\u00ed n\u00e3o est\u00e1vamos a pisar os calos aos portugueses porque est\u00e1vamos a agir antes disso&#8230;<\/strong><br \/>\nPois. Essa \u00e9 a resposta que me d\u00e3o. \u201cTu n\u00e3o ias conseguir convencer ningu\u00e9m com essa estrat\u00e9gia.\u201d Portanto, isto mostra a capacidade organizativa de um pa\u00eds perceber isso ou n\u00e3o perceber. E \u00e9 por a\u00ed que falo da diferen\u00e7a entre pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>E ainda vamos a tempo de os convencer?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o vamos. N\u00f3s perdemos o controlo. O que \u00e9 esta coisa dos sistemas complexos, chamados sistemas ca\u00f3ticos? S\u00e3o aqueles que devido a uma instabilidade podem ser conduzidos para o caos. Estamos a caminhar para o caos, deix\u00e1mos de controlar o sistema. O sistema \u00e9 que nos est\u00e1 a controlar a n\u00f3s. Temos uma incid\u00eancia extremamente elevada, temos uma variante que est\u00e1 a caminho e que em Lisboa e Vale do Tejo deve ter agora j\u00e1 30% de preval\u00eancia. Daqui a tr\u00eas semanas estar\u00e1 a 60% no pa\u00eds. Podem ainda existir outras variantes e que vai contaminar mais 50% de casos do que esta variante. \u00c9 o efeito cascata. O que \u00e9 isso? Temos um impacto e estamos a preparar e tentar ajustar a esse impacto e logo a seguir levamos outro e depois levamos outro&#8230;<\/p>\n<p><strong>Como no boxe?<\/strong><br \/>\nExactamente. Este m\u00eas vamos levar dois murros no est\u00f4mago. Estamos com esta incid\u00eancia e letalidade e daqui a duas semanas vamos levar com a nova variante. Portanto, perdemos o controlo. E nestas situa\u00e7\u00f5es de cat\u00e1strofe, estas situa\u00e7\u00f5es extremas, temos de manter sempre o controlo e, para isso, temos de ter essa vis\u00e3o de longo prazo, mesmo que as medidas que a gente aplique sejam exageradas. Pelo menos preparam-nos para o pior e conseguimos evitar o pior. \u00c9 assim que se v\u00ea as grandes sociedades organizadas e n\u00e3o organizadas. Aquelas que se baseiam no conhecimento rigoroso e aquelas que n\u00e3o se baseiam no conhecimento rigoroso.<\/p>\n<p><strong>E agora? Agora vamos pisar os calos dos portugueses?<\/strong><br \/>\nAgora os portugueses v\u00e3o sentir.<\/p>\n<p><strong>E ent\u00e3o vamo-nos portar melhor?<\/strong><br \/>\nQuero acreditar nisso. O medo vai ter de voltar. S\u00f3 com o medo \u00e9 que n\u00f3s agimos em Mar\u00e7o. Foi um medo exagerado, mas que foi suficiente para nos proteger. O medo \u00e9 uma forma de preven\u00e7\u00e3o. Uma crian\u00e7a, por exemplo, tem de aprender a ter medo porque \u00e9 isso que a protege. A humanidade e todas as esp\u00e9cies desenvolveram esse instinto, esse sentimento, essa protec\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que n\u00f3s numa sociedade t\u00e3o sofisticada, t\u00e3o moderna, achamos que isso \u00e9 do passado, \u00e9 uma coisa antiquada.<\/p>\n<aside class=\"story__callout story__callout--quote \" aria-hidden=\"true\">\n<blockquote>\n<div>A nova variante tem a capacidade de infectar, em m\u00e9dia, 56% mais pessoas. Se no final de Fevereiro a variante estiver dominante, o n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es em Fevereiro \u00e9 50 vezes superior. Se, por exemplo, estivermos em Fevereiro com 17 mil casos, esta variante vai fazer subir para mais de 25 mil casos por dia.<\/div>\n<footer><\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/aside>\n<p><strong>Pelo meio temos ainda as elei\u00e7\u00f5es&#8230;<\/strong><br \/>\nPois&#8230; Mas acho que as pessoas v\u00e3o ter cuidado quando forem votar. Se toda a gente se proteger como deve ser, se toda a gente levar a m\u00e1scara como deve ser, desinfectar as m\u00e3os como deve ser, levar a sua caneta&#8230; Em princ\u00edpio, hipoteticamente n\u00e3o haveria aumento de cont\u00e1gio. Mas sabemos que h\u00e1 sempre descuidos e o v\u00edrus est\u00e1 sempre \u00e0 espreita de uma oportunidade. Estimamos que teremos cerca de 360 mil pessoas isoladas nesse dia, os infectados activos e os que est\u00e3o em vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Neste momento est\u00e1 mais triste do que preocupado?<\/strong><br \/>\nEstou muito preocupado mas a tristeza come\u00e7a-me a invadir. Antes existia a preocupa\u00e7\u00e3o porque eu antevia essas coisas. Mas o que me entristece \u00e9 confirmar aquilo que eu suspeitava h\u00e1 15 dias e o que iria acontecer nos hospitais. Quando o Presidente da Rep\u00fablica disse que ainda n\u00e3o t\u00ednhamos dados&#8230;<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 t\u00ednhamos?<\/strong><br \/>\nEu s\u00f3 publiquei nas redes sociais que est\u00e1vamos na terceira vaga no dia 1 de Janeiro, mas soube antes. Monitorizei as terceiras vagas nos outros pa\u00edses e percebi a din\u00e2mica. E portanto consegui captar qual era o sinal. Mas as autoridades continuavam a dizer que ainda n\u00e3o tinham informa\u00e7\u00e3o quando j\u00e1 havia especialistas que j\u00e1 sabiam que estava a come\u00e7ar uma terceira vaga e com caracter\u00edsticas completamente diferentes da segunda. Com uma subida muito mais repentina e muito mais exponencial. E obviamente sab\u00edamos que isso iria disparar para os 10, 12 mil. Depois come\u00e7o a ver nos hospitais, os \u00f3bitos a responder rapidamente. Os \u00f3bitos come\u00e7aram a subir logo depois da incid\u00eancia, coisa que nunca tinha acontecido. Os internamentos come\u00e7aram a subir seis dias depois. Foi uma resposta muito mais r\u00e1pida. S\u00f3 esses dois indicadores j\u00e1 diziam que gravidade era elevada. Elevad\u00edssima. E j\u00e1 sab\u00edamos que ia cair a variante. Comecei a fazer simula\u00e7\u00f5es logo em Novembro para a variante aqui em Dezembro e encontrei mais 40 a 50% de casos. Em vez de 3500, tinha cinco mil.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 que isso significa agora?<\/strong><br \/>\nAgora, com esta variante, com mais 50%, n\u00f3s vamos passar para 20 mil casos.<\/p>\n<p><strong>Em Fevereiro?<\/strong><br \/>\nA nova variante tem a capacidade de infectar, em m\u00e9dia, 56% mais pessoas. Se no final de Fevereiro a variante estiver dominante, o n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es em Fevereiro \u00e9 50% superior. Se, por exemplo, estivermos em Fevereiro com 17 mil casos, esta variante vai fazer subir para mais de 25 mil casos por dia.<\/p>\n<p><strong>E isso mesmo que se feche tudo?<\/strong><br \/>\nO fecho integral pode ser uma almofada que tente amortizar o impacto desta vaga da nova variante. Temos de fazer tudo para retardar a entrada. Ela vai entrar, mas era bom que entrasse devagarinho, mais suave e que entrasse quando tiv\u00e9ssemos um n\u00famero de casos muito baixo. Mas n\u00f3s n\u00e3o estamos. A Irlanda que estava com 700 casos passou para sete mil casos em poucos dias. A positividade que estava controlada e estava \u00e0 volta de 5% disparou para 20%.<\/p>\n<p><strong>O que pode acontecer se n\u00e3o optarmos por medidas radicais?<\/strong><br \/>\nVamos prolongar esta vaga no tempo.<\/p>\n<p><strong>E o SNS aguenta?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o aguenta. Os m\u00e9dicos estavam preparados para oito semanas. Se forem dois meses ou tr\u00eas&#8230; N\u00e3o aguenta. Mesmo com oito semanas n\u00f3s j\u00e1 estamos mesmo a inventar.<\/p>\n<p><strong>Chegou finalmente a altura em que vamos dar um murro na mesa?<\/strong><br \/>\nClaro, mais vale tarde do que nunca. Em vez do princ\u00edpio \u201cmais vale prevenir do que remediar\u201d, estamos a optar pelo \u201cmais vale tarde do que nunca\u201d. No meu ponto de vista, a economia sofreria menos se tiv\u00e9ssemos apertado logo no in\u00edcio com um confinamento de 15 dias e estar\u00edamos agora a respirar. A economia est\u00e1 a cozer em lume brando.<\/p>\n<p><strong>A morrer em lume brando?<\/strong><br \/>\nIsso. A morrer em lume brando.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o fique desmotivado e n\u00e3o deixe de trabalhar&#8230;<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 n\u00e3o tenho medo de nada. \u00c0s vezes temos medo que nos deixem de mandar os dados da DGS se a gente falar de mais. Mas eu j\u00e1 n\u00e3o tenho medo de nada disso. J\u00e1 entrei numa espiral que sei que temos mesmo de acordar a consci\u00eancia das pessoas.<\/p>\n<p><strong>Infelizmente, n\u00e3o t\u00eam boas not\u00edcias para dar&#8230;<\/strong><br \/>\nN\u00e3o temos. Por isso, \u00e0s vezes penso que \u00e9 importante dar uma mensagem positiva.<\/p>\n<p><strong>Qual?<\/strong><br \/>\nAcredito que a gente vai responder e que aquela curva que tenho ali n\u00e3o vai ocorrer. \u00c9 a minha esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Antunes, da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, pede um \u201cfecho integral\u201d e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Carlos Antunes, da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, pede um \u201cfecho integral\u201d e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140355"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=140355"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140355\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":140357,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140355\/revisions\/140357"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=140355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=140355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=140355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}