{"id":1402,"date":"2014-06-15T11:49:38","date_gmt":"2014-06-15T11:49:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=1402"},"modified":"2014-06-15T11:49:38","modified_gmt":"2014-06-15T11:49:38","slug":"reserva-do-taim-une-preservacao-ambiental-e-producao-de-arroz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/reserva-do-taim-une-preservacao-ambiental-e-producao-de-arroz\/","title":{"rendered":"Reserva do Taim une preserva\u00e7\u00e3o ambiental e produ\u00e7\u00e3o de arroz"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/producao_arroz.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1403\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/producao_arroz.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Um imenso banhado a perder de vista. A Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica do Taim fica no extremo sul do <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/rio-grande-do-sul.html\">Rio Grande do Sul<\/a>, entre os munic\u00edpios de Rio Grande e Santa Vit\u00f3ria do Palmar.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o funciona como um corredor para aves migrat\u00f3rias que vem sul do continente e do Hemisf\u00e9rio Norte, e \u00e9 tamb\u00e9m a casa de muitas esp\u00e9cies como bigu\u00e1s, cisnes, tarr\u00e3s, carcar\u00e1s.<\/p>\n<p>Ao todo s\u00e3o 230 esp\u00e9cies de aves que circulam ou vivem nessa plan\u00edcie. E elas n\u00e3o est\u00e3o sozinhas. Capivaras, jacar\u00e9s do papo amarelo, tartarugas tigre d&#8217;\u00e1gua\u00a0 e o graxaim s\u00e3o facilmente vistos pela \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA calma do lugar, a preserva\u00e7\u00e3o e a caracter\u00edstica \u00fanica, acaba sendo um grande laborat\u00f3rio vivo. Hoje tem 40 pesquisas simult\u00e2neas ocorrendo no Taim e que v\u00e3o dar um suporte muito importante para a ci\u00eancia\u201d, declara Henrique Ilha, chefe da esta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-1280\"><img loading=\"lazy\" title=\"Taim (Foto: Arte \/ TV Globo)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/s2VIc1reJF8WDY1rtMvUsIEbvVU=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/06\/14\/taim_mapa.jpg\" alt=\"Taim (Foto: Arte \/ TV Globo)\" width=\"582\" height=\"322\" \/><strong>(Foto: Arte \/ TV Globo)<\/strong><\/div>\n<p>Grande parte das pesquisas \u00e9 sobre a fauna e a flora da regi\u00e3o. Um dos problemas enfrentados pela Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica do Taim \u00e9 a morte de animais na estrada.<\/p>\n<p>A BR-471 cruza 15 quil\u00f4metros da reserva, mas apenas 10 s\u00e3o telados. \u00c9 pela regi\u00e3o que boa parte dos caminh\u00f5es que transportam os gr\u00e3os produzidos na regi\u00e3o passa com destino ao porto de Rio Grande.<\/p>\n<p>\u201cA gente faz o monitoramento de animais atropelados h\u00e1 quatro anos. A gente j\u00e1 contabilizou mais de 1.600 animais atropelados. Em 2002 fizeram um sistema de prote\u00e7\u00e3o a fauna, que s\u00e3o 19 t\u00faneis embaixo da rodovia e muitas placas de sinaliza\u00e7\u00e3o ao longo da rodovia. Mas o pessoal infelizmente gosta de pisar no acelerador e passa pelas estradas em alta velocidade\u201d, explica Carolina Canary, bi\u00f3loga da esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica do Taim tem uma caracter\u00edstica interessante. Al\u00e9m de manter a biodiversidade da regi\u00e3o e oferecer um vasto campo para desenvolvimento de pesquisas,\u00a0 ela influencia diretamente a agricultura, que tem o arroz como um dos principais cultivos.<\/p>\n<p>\u201cEla \u00e9 uma grande controladora da \u00e1gua na regi\u00e3o, quando chove muito, por ser um banhado de 20 mil hectares e muita vegeta\u00e7\u00e3o, ela ret\u00e9m essa \u00e1gua. E na \u00e9poca de seca ela mant\u00e9m \u00e1gua para todas as atividades, para os animais, o arroz e outras atividades tamb\u00e9m\u201d, comenta Caio Eichenmberger, ocean\u00f3logo da esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A esta\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;abastecida&#8221; por quatro lagoas da regi\u00e3o que tamb\u00e9m servem como fonte de \u00e1gua para os agricultores. Essa &#8220;divis\u00e3o&#8221; do uso do recurso \u00e9 tamb\u00e9m um desafio para a preserva\u00e7\u00e3o do banhado.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Carlos de Lima faz parte de um grupo de 12 produtores de arroz que usam \u00e1gua de duas lagoas da regi\u00e3o na irriga\u00e7\u00e3o das lavouras. Para controlar o uso do recurso, os agricultores se uniram em 2010 numa associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA quantidade de \u00e1gua nas lagoas determina a quantidade plantada nas lavouras. O ano que passou iniciou com uma redu\u00e7\u00e3o de 25% de todas as \u00e1reas. V\u00e3o fazendo reuni\u00f5es consecutivas e chegaram a um ponto que reduziria apenas 12,5%. As \u00e1reas simplesmente n\u00e3o foram plantadas\u201d, explica o agricultor.<\/p>\n<p>O controle do n\u00edvel das lagoas \u00e9 importante para a preserva\u00e7\u00e3o do banhado. A falta de \u00e1gua pode, por exemplo, deixar as \u00e1reas de vulner\u00e1veis a inc\u00eandios. O \u00faltimo que atingiu a esta\u00e7\u00e3o, o maior da hist\u00f3ria, foi no ano passado. Quase seis mil hectares foram queimados. O inc\u00eandio foi provocado por um raio.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o chega a matar a vegeta\u00e7\u00e3o, o broto ele est\u00e1 dentro da \u00e1gua, ent\u00e3o em tr\u00eas meses ela j\u00e1 recuperou metade do n\u00edvel que est\u00e1 aqui hoje. Ent\u00e3o a gente v\u00ea que \u00e9 um ambiente de r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o. Apesar do impacto tremendo que foi o inc\u00eandio\u201d, avalia o ocean\u00f3logo da esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As planta\u00e7\u00f5es do gr\u00e3o ficam principalmente ao norte e ao sul da \u00e1rea esta\u00e7\u00e3o. \u00c9 proibido plantar dentro da reserva. A maior parte das propriedades utiliza agrot\u00f3xicos na lavoura<br \/>\nMas ainda n\u00e3o foi feito um estudo aprofundado sobre o impacto do uso de inseticidas na \u00e1rea da reserva.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o existem ind\u00edcios de contamina\u00e7\u00e3o do Taim. N\u00f3s estamos com um programa de melhores pr\u00e1ticas, tanto para a agricultura quanto para a pecu\u00e1ria. Pequenos produtores t\u00eam mais dificuldades de subir de n\u00edvel tecnol\u00f3gico, e por isso n\u00f3s estamos buscando apoio para achar caminhos, para que eles possam produzir com mais qualidade e com menor impacto\u201d, diz o chefe da esta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Uma das t\u00e9cnicas que est\u00e3o sendo aplicadas para tentar diminuir o uso de agrot\u00f3xicos nas lavouras \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o da soja, para integrar o sistema de produ\u00e7\u00e3o arroz e pecu\u00e1ria, que j\u00e1 existe na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA soja ajuda a controlar as invasoras do arroz, e o arroz ajuda a controlar as invasoras da soja. Com isso, temos menos necessidade de herbicidas\u201d, explica J\u00falio Centeno, agr\u00f4nomo da <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/embrapa\/\">Embrapa<\/a>.<\/p>\n<p>O sistema funciona da seguinte forma: a lavoura \u00e9 dividida entre arroz e soja. Na \u00e1rea da soja, quando caem as primeiras folhas, \u00e9 semeado o azev\u00e9m, um tipo de pastagem. O gado entra e deixa a terra preparada para receber o arroz na pr\u00f3xima safra.<\/p>\n<p>Eduardo Darley Prates come\u00e7ou a aplicar essa t\u00e9cnica h\u00e1 cinco anos. \u201cA soja veio como uma grande ferramenta para a propriedade. Agregando renda e melhorando a qualidade do solo da propriedade\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o s\u00e3o muitas as propriedades que utilizam o sistema. Para o chefe da esta\u00e7\u00e3o Henrique Ilha, a solu\u00e7\u00e3o para redu\u00e7\u00e3o do impacto da agricultura na reserva est\u00e1 na aplica\u00e7\u00e3o de novas tecnologias nas lavouras. \u201cSem criar manique\u00edsmos, dizer que n\u00f3s somos os bons, que protegemos a natureza e quem produz s\u00e3o os ruins. N\u00e3o. N\u00f3s somos pessoas de bem e temos uma miss\u00e3o. E eles tamb\u00e9m t\u00eam uma miss\u00e3o nobre, que \u00e9 produzir alimento, e vamos achar um caminho em comum\u201d.<\/p>\n<p>A reserva do Taim tem planos de ampliar a \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o. O projeto j\u00e1 foi discutido com a comunidade local e encaminhado ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente no fim do ano passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um imenso banhado a perder de vista. 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