{"id":139897,"date":"2021-01-15T11:00:15","date_gmt":"2021-01-15T14:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=139897"},"modified":"2021-01-15T09:44:33","modified_gmt":"2021-01-15T12:44:33","slug":"alternativa-sustentavel-contra-o-avanco-da-pecuaria-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/alternativa-sustentavel-contra-o-avanco-da-pecuaria-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Alternativa sustent\u00e1vel contra o avan\u00e7o da pecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-139898\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Apu\u00ed, no sul do Amazonas, vem produzindo desde 2012 o primeiro caf\u00e9 agroecol\u00f3gico da Amaz\u00f4nia.<\/li>\n<li>O munic\u00edpio est\u00e1 entre os l\u00edderes em focos de inc\u00eandio na regi\u00e3o. Investir no desenvolvimento social \u00e9 uma forma de resistir \u00e0 grilagem e ao desmatamento para pasto extensivo.<\/li>\n<li>Com investimentos do terceiro setor, o projeto liderado pelo Idesam pretende agregar 200 agricultores familiares nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos.<\/li>\n<li>Estudos mostram que sistemas agroflorestais diminuem o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre a produ\u00e7\u00e3o do caf\u00e9.<\/li>\n<\/ul>\n<figure id=\"attachment_245357\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-245357\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-245357\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/44189206100_03fb390cf5_k-1536x1024-1-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/44189206100_03fb390cf5_k-1536x1024-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/44189206100_03fb390cf5_k-1536x1024-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/44189206100_03fb390cf5_k-1536x1024-1-600x400.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/44189206100_03fb390cf5_k-1536x1024-1-825x550.jpg 825w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/44189206100_03fb390cf5_k-1536x1024-1-272x182.jpg 272w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/44189206100_03fb390cf5_k-1536x1024-1.jpg 1536w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-245357\" class=\"wp-caption-text\">O produtor Jo\u00e3o Nilton Juli\u00e3o em sua lavoura agroflorestal de caf\u00e9. Foto: Idesam\/divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Depois de quase desistir dos cafezais, os produtores de caf\u00e9 de Apu\u00ed, no sul do Amazonas, encontraram no sistema agroflorestal um novo modelo de produ\u00e7\u00e3o que gera renda e mant\u00e9m a floresta em p\u00e9. Apu\u00ed, uma das principais frentes de avan\u00e7o da pecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia, est\u00e1 entre os dez munic\u00edpios com a maior taxa de desmatamento na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Introduzido em 2012 com apoio do Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Amaz\u00f4nia (Idesam), o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cafeapui\/?hl=pt-br\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Caf\u00e9 Apu\u00ed Agroflorestal<\/a>\u00a0\u00e9 o primeiro caf\u00e9 do Amazonas cultivado de forma agroecol\u00f3gica. N\u00e3o s\u00f3 evitou que o pasto da pecu\u00e1ria tomasse conta dos antigos cafezais como dobrou a produtividade na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando o Idesam lan\u00e7ou o projeto, a produ\u00e7\u00e3o dos agricultores da regi\u00e3o rendia em m\u00e9dia 8 sacas por hectare, muito inferior ao potencial do munic\u00edpio. Atualmente, a colheita m\u00e9dia dos produtores \u00e9 de 15 sacas, podendo chegar a 25 por hectare. \u201cHoje a gente tem 30 fam\u00edlias, que cultivam 50 hectares de caf\u00e9 em sistema de agrofloresta. Mas o potencial \u00e9 gigantesco\u201d, diz Marina Yasbek Reia, l\u00edder do Projeto Caf\u00e9 Agroflorestal Apu\u00ed do Idesam.<\/p>\n<p>\u201cA gente colhia pouco e vendia barato, n\u00e3o sobrava quase nada. Agora, a gente vende com o valor agregado e d\u00e1 para melhorar um pouco. D\u00e1 para comprar insumos para trabalhar na lavoura e comprar as coisas para dentro de casa: uma geladeira, um fog\u00e3o\u201d, conta Ronaldo de Moraes, um dos produtores que integram o projeto. \u201cEu t\u00f4 contente. Tem muita gente que trabalha com esse mesmo projeto e t\u00e1 todo mundo contente. D\u00e1 um dinheirinho, n\u00e9? D\u00e1 um pouco de trabalho, mas compensa muito.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_245358\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-245358\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-245358\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/27719435997_c93b3ef502_h-1536x1020-1-1024x680.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/27719435997_c93b3ef502_h-1536x1020-1-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/27719435997_c93b3ef502_h-1536x1020-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/27719435997_c93b3ef502_h-1536x1020-1-600x398.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/27719435997_c93b3ef502_h-1536x1020-1-828x550.jpg 828w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/27719435997_c93b3ef502_h-1536x1020-1-272x182.jpg 272w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/27719435997_c93b3ef502_h-1536x1020-1.jpg 1536w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"425\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-245358\" class=\"wp-caption-text\">O caf\u00e9 cultivado em Apu\u00ed \u00e9 da esp\u00e9cie robusta (Coffea canephora), capaz de se adaptar com mais facilidade a diversas condi\u00e7\u00f5es de cultivo. Foto: Idesam\/divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Nas lavouras abandonadas, a oportunidade<\/strong><\/h3>\n<p>Localizado \u00e0s margens da Rodovia Transamaz\u00f4nica, pr\u00f3ximo \u00e0 divisa com Rond\u00f4nia, Apu\u00ed foi constitu\u00eddo munic\u00edpio em 1987, em meio aos projetos desenvolvimentistas implementados durante o peri\u0301odo da ditadura militar no Brasil. Cinco anos antes, havia sido criado na regi\u00e3o o Projeto de Assentamento Rio Juma, o maior da Ame\u0301rica Latina na e\u0301poca. Colonos de diversas \u00e1reas do Brasil foram atra\u00eddos para a regi\u00e3o sob o pretexto de ocupar grandes extens\u00f5es de terras livres. A primeira corrente migrato\u0301ria veio do Parana\u0301 e foi seguida por moradores dos outros estados da regi\u00e3o Sul do Brasil.<\/p>\n<p>Muitos colonos eram familiarizados com a lavoura de caf\u00e9 e levaram para o novo local a antiga pr\u00e1tica do plantio convencional em sistema de monocultura, a pleno sol e com uso de agrot\u00f3xicos. Durante cerca de 20 anos, Apu\u00ed teve uma boa produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. Mas a degrada\u00e7\u00e3o do solo fez os produtores come\u00e7arem a abandonar os cafezais por volta de 2012. \u201cSem o aporte de insumos, sem assist\u00eancia t\u00e9cnica constante e, principalmente, sem tecnologias tropicais ou mais amigas do clima da Amaz\u00f4nia foi havendo um grande desgaste do solo\u201d, conta Marina. \u201cNossos solos s\u00e3o \u00e1cidos, ent\u00e3o se voc\u00ea n\u00e3o trabalhar o solo, voc\u00ea n\u00e3o vai tirar caf\u00e9 daqui\u201d.<\/p>\n<p>Quando os t\u00e9cnicos do Idesam chegaram ao local, viram que existia uma oportunidade. A floresta havia crescido em meio \u00e0s lavouras abandonadas, fornecendo mat\u00e9ria org\u00e2nica ao solo e sombra ao fruto \u2014 o cafeeiro \u00e9 uma planta que se adapta bem \u00e0 pouca luz. Como resultado, os cafezais abandonados apresentavam uma qualidade superior \u00e0 daqueles cultivados no m\u00e9todo convencional.<\/p>\n<p>Surgiu, assim, a ideia de criar em Apu\u00ed um modelo de lavoura cafeeira baseada no sistema agroflorestal (SAF), onde um cultivo agr\u00edcola \u00e9 desenvolvido em cons\u00f3rcio com outras esp\u00e9cies vegetais. Inicialmente, cada produtor recebeu apoio para a recupera\u00e7\u00e3o de 1 hectare de cafezais, o que incluiu a distribui\u00e7\u00e3o de 10 mil mudas de esp\u00e9cies amaz\u00f4nicas nos dois primeiros anos. Entre elas havia \u00e1rvores das quais poderia ser extra\u00edda a madeira, como jatob\u00e1s e mognos, e tamb\u00e9m esp\u00e9cies cujos frutos e sementes poderiam ser coletados e comercializados \u2014 entre eles cacau, a\u00e7a\u00ed, castanha-do-brasil, andiroba e copa\u00edba. Dessa forma, os produtores poderiam obter uma renda adicional \u00e0 da produ\u00e7\u00e3o do caf\u00e9.<\/p>\n<figure id=\"attachment_245359\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-245359\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-245359\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910768711_a28607e88f_k-1536x1020-1-1024x680.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910768711_a28607e88f_k-1536x1020-1-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910768711_a28607e88f_k-1536x1020-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910768711_a28607e88f_k-1536x1020-1-600x398.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910768711_a28607e88f_k-1536x1020-1-828x550.jpg 828w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910768711_a28607e88f_k-1536x1020-1-272x182.jpg 272w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910768711_a28607e88f_k-1536x1020-1.jpg 1536w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-245359\" class=\"wp-caption-text\">processo de torrefa\u00e7\u00e3o do Caf\u00e9 Apu\u00ed Agroflorestal. Foto: Idesam\/divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Projetos desenvolvidos na regi\u00e3o tamb\u00e9m ajudam a fomentar outras cadeias produtivas. \u00c9 o caso do Cidades Florestais, desenvolvido pelo Idesam com apoio do Fundo Amaz\u00f4nia. Voltado para a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leos essenciais e vegetais, o projeto instalou seis miniusinas de extra\u00e7\u00e3o de \u00f3leos em munic\u00edpios do interior do Amazonas. Uma delas foi rec\u00e9m-inaugurada em Apu\u00ed e poder\u00e1 apoiar os produtores de caf\u00e9 que cultivarem em suas agroflorestas esp\u00e9cies como andiroba, copa\u00edba ou outras plantas arom\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Atualmente o Projeto Caf\u00e9 Apu\u00ed Agroflorestal conta com a parceria de tr\u00eas ONGs internacionais: a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wwf.org.br\/informacoes\/noticias_meio_ambiente_e_natureza\/?76649\/Parceria-entre-Idesam-e-WWF-Brasil-fortalece-brigada-de-Apui\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">WWF<\/a>, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.weforest.org\/project\/reversing-deforestation-apu%C3%AD\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">WeForest<\/a>\u00a0e, recentemente, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.renature.co\/projects\/cafe-apui-idesam-brazil\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">reNature<\/a>. Com o aporte financeiro de 300 mil euros feito em outubro pela reNature, o objetivo \u00e9 expandir o projeto, agregando at\u00e9\u00a0 200 agricultores familiares nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos. Atualmente, o produtor que adere \u00e0 iniciativa recebe acompanhamento t\u00e9cnico constante e subs\u00eddios que podem chegar a R$ 15 mil na forma de insumos, mudas, maquin\u00e1rio e servi\u00e7os. O objetivo do Idesam \u00e9 tornar o projeto autossuficiente, fazendo com que a venda do caf\u00e9 produzido possa cobrir os investimentos \u00a0\u2014 hoje feitos com recursos a fundo perdido pelos parceiros do terceiro setor.<\/p>\n<p>A cadeia produtiva do Caf\u00e9 Apu\u00ed conta com o apoio de uma associa\u00e7\u00e3o que congrega os produtores, um viveiro legalizado que fornece mudas nativas, e um torrefador local que torra, m\u00f3i e embala o caf\u00e9. Para que a bebida chegue at\u00e9 a x\u00edcara do consumidor final foi criada a startup Amaz\u00f4nia Agroflorestal, respons\u00e1vel pela capta\u00e7\u00e3o de investimentos e pela comercializa\u00e7\u00e3o. O Caf\u00e9 Apu\u00ed j\u00e1 circula por diversos estados brasileiros, com maior penetra\u00e7\u00e3o no Amazonas e em S\u00e3o Paulo, e foi exportado pela segunda vez para a empresa holandesa de c\u00e1psulas de caf\u00e9 Euro Caps.<\/p>\n<figure id=\"attachment_245360\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-245360\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-245360\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17722348988_fad3f5bc57_k-1536x1152-1-1024x768.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17722348988_fad3f5bc57_k-1536x1152-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17722348988_fad3f5bc57_k-1536x1152-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17722348988_fad3f5bc57_k-1536x1152-1-100x75.jpg 100w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17722348988_fad3f5bc57_k-1536x1152-1-235x175.jpg 235w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17722348988_fad3f5bc57_k-1536x1152-1-600x450.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17722348988_fad3f5bc57_k-1536x1152-1-733x550.jpg 733w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17722348988_fad3f5bc57_k-1536x1152-1.jpg 1536w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-245360\" class=\"wp-caption-text\">O produtor Ronaldo de Moraes na colheita do caf\u00e9. Foto: Idesam\/divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Cafezal socioambiental<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cQueremos crescer, mantendo a conex\u00e3o com a paisagem. Vamos levar o projeto para mais fam\u00edlias, mas com a agrofloresta queremos fazer corredores que interliguem os fragmentos [de mata]. Isso \u00e9 muito importante\u201d, conta Marina. Entre os benef\u00edcios do plantio em SAF est\u00e3o a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, o enriquecimento do solo, a redu\u00e7\u00e3o da eros\u00e3o, a preserva\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua e a diminui\u00e7\u00e3o dos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cA terra ficou mas rica\u201d, afirma o produtor Ronaldo. \u201cNo [plantio] convencional, a gente batia o veneno para fazer a limpeza. A\u00ed j\u00e1 estava prejudicando a terra que ficava sempre limpa, n\u00e3o tinha aquela cobertura seca, a compostagem natural. Ent\u00e3o, as ra\u00edzes da planta ficavam expostas ao sol. Hoje as ra\u00edzes ficam cobertas debaixo daquela mata seca que segura mais umidade. O caf\u00e9 fica mais bonito e a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco maior.\u201d<\/p>\n<p>Investir no desenvolvimento social dos pequenos produtores rurais de Apu\u00ed, segundo Marina, do Idesam, \u00e9 uma forma de resistir ao avan\u00e7o da pecu\u00e1ria. Apu\u00ed figura entre os munic\u00edpios que mais queimam e desmatam na Amaz\u00f4nia. Segundo dados do Inpe, foram 837 focos de inc\u00eandio entre janeiro e julho de 2020,\u00a0<a href=\"https:\/\/idesam.org\/de-janeiro-a-julho-de-2020-apui-ja-registra-maior-indice-de-focos-de-calor-dos-ultimos-10-anos\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">a maior incid\u00eancia dos \u00faltimos 10 anos<\/a>\u00a0\u2014 em julho, foi o munic\u00edpio que mais queimou na Amaz\u00f4nia Legal. Em 2019, esteve entre os dez munic\u00edpios mais desmatados da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs fam\u00edlias deveriam ter condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de permanecer na terra porque permanecendo na terra elas s\u00e3o um fator de conserva\u00e7\u00e3o\u201d, explica Marina. \u201cSe elas saem da terra, o que vem ali fatalmente \u00e9 a grilagem, o desmatamento para pasto extensivo. E a\u00ed vem a trag\u00e9dia, a tristeza que est\u00e1 acontecendo aqui no sul do Amazonas, no Apu\u00ed, como uma nova frente de desmatamento. Os grileiros v\u00e3o emendando v\u00e1rias \u00e1reas, v\u00e3o juntando lotes pequenos, derrubam e fazem pasto.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_245361\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-245361\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-245361\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910311425_92508b6610_k-1536x1020-1-1024x680.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910311425_92508b6610_k-1536x1020-1-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910311425_92508b6610_k-1536x1020-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910311425_92508b6610_k-1536x1020-1-600x398.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910311425_92508b6610_k-1536x1020-1-828x550.jpg 828w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910311425_92508b6610_k-1536x1020-1-272x182.jpg 272w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17910311425_92508b6610_k-1536x1020-1.jpg 1536w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"425\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-245361\" class=\"wp-caption-text\">Os gr\u00e3os do Caf\u00e9 Apu\u00ed Agroflorestal come\u00e7aram a ser recentemente exportados para a Europa. Foto: Idesam\/divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Agrofloresta diminui impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o \u00e9 novidade que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas dever\u00e3o gerar forte impacto na produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9.\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0124155\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Estudo de 2015<\/a>\u00a0prev\u00ea que o aumento na temperatura e a mudan\u00e7a nos padr\u00f5es das chuvas diminuir\u00e3o a produtividade do caf\u00e9 ar\u00e1bica (<em>Coffea arabica<\/em>) no mundo, reduzir\u00e3o a qualidade e aumentar\u00e3o a press\u00e3o de pragas e doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Ao analisar regi\u00f5es produtoras de caf\u00e9 em Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0167880920300438\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">estudo publicado este ano<\/a>\u00a0por pesquisadores da Wageningen University, na Holanda, e da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), em Minas Gerais, concluiu que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem ocasionar grande perda de \u00e1rea prop\u00edcia para a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 ar\u00e1bica at\u00e9 2050. A pesquisa mostra, no entanto, que a perda pode ser reduzida com a utiliza\u00e7\u00e3o de sistemas agroflorestais.<\/p>\n<p>\u201cO caf\u00e9 ar\u00e1bica produz adequadamente em uma faixa muito estreita de temperatura, numa m\u00e9dia anual entre 18 e 23 graus Celsius\u201d, diz\u00a0Lucas de Carvalho Gomes, um dos autores da pesquisa e doutorando da UFV. \u201cNo entanto, o plantio de \u00e1rvores consorciadas com o caf\u00e9 cria um microclima que pode diminuir as temperaturas m\u00e1ximas em at\u00e9 5 graus. Al\u00e9m de modificar o microclima, as \u00e1rvores tamb\u00e9m aumentam a provis\u00e3o de servi\u00e7os ambientais, como a poliniza\u00e7\u00e3o e o controle natural de pragas, e tamb\u00e9m ajudam a reciclar nutrientes atrav\u00e9s da deposi\u00e7\u00e3o de folhas e galhos no solo.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o caf\u00e9 robusta (<em>Coffea canephora<\/em>), mesma esp\u00e9cie do caf\u00e9 Apu\u00ed, \u00e9 sens\u00edvel \u00e0s altera\u00e7\u00f5es de temperatura.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/340263112_Not_so_robust_Robusta_coffee_production_is_highly_sensitive_to_temperature\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Estudo publicado na revista\u00a0<em>Global Change Biology<\/em><\/a>\u00a0baseou-se na observa\u00e7\u00e3o de produtividade de quase 800 fazendas de caf\u00e9 no Sudeste Asi\u00e1tico ao longo de 10 anos e sugeriu que a temperatura ideal para o robusta \u00e9 de 20,5 graus Celsius. Temperatura mais alta significa rendimento menor para a variedade que representa 40% do caf\u00e9 mundial.<\/p>\n<p>Sendo as duas variedades de caf\u00e9 sens\u00edveis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o plantio em sistemas agroflorestais ganha cada vez mais respeito. N\u00e3o \u00e9 a toa que a Nestl\u00e9, por meio da Nespresso, vem investindo desde 2014 numa parceria com o coletivo de empreendedores\u00a0<a href=\"https:\/\/www.purprojet.com\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/2019_APlaceInTheShade_PUR-Projet.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Pur Project<\/a>\u00a0para a implementa\u00e7\u00e3o de plantios agroflorestais com cafeicultores.<\/p>\n<p>No Brasil, maior produtor mundial de caf\u00e9, a grande maioria das planta\u00e7\u00f5es segue o padr\u00e3o da agricultura convencional, com cultivo a pleno sol. \u201cA produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 em SAFs requer do agricultor um cuidado maior com a quantidade de insola\u00e7\u00e3o que as plantas de caf\u00e9 recebem em determinadas \u00e9pocas do ano. Como a insola\u00e7\u00e3o em determinado local depende da latitude, cada sistema deve ser desenhado de acordo com as caracter\u00edsticas da propriedade e das esp\u00e9cies florestais que o agricultor deseja usar\u201d, comenta Lucas, da UFV. \u201cO desconhecimento por parte de muitos cafeicultores sobre as pr\u00e1ticas que levam ao sucesso da produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 em SAFs tamb\u00e9m \u00e9 um empecilho para a expans\u00e3o dos SAFs no Brasil.\u201d<\/p>\n<p><em>Imagem do banner: Viveiro de mudas do Caf\u00e9 Apu\u00ed Agroflorestal. Foto: Idesam\/divulga\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apu\u00ed, no sul do Amazonas, vem produzindo desde 2012 o primeiro caf\u00e9 agroecol\u00f3gico da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":139898,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/cafe.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Apu\u00ed, no sul do Amazonas, vem produzindo desde 2012 o primeiro caf\u00e9 agroecol\u00f3gico da Amaz\u00f4nia.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139897"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=139897"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139897\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":139900,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139897\/revisions\/139900"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=139897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=139897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=139897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}