{"id":139366,"date":"2021-01-05T14:00:15","date_gmt":"2021-01-05T17:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=139366"},"modified":"2021-01-05T10:04:23","modified_gmt":"2021-01-05T13:04:23","slug":"observacao-inedita-equipamento-capta-brilho-rarissimo-no-ceu-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/observacao-inedita-equipamento-capta-brilho-rarissimo-no-ceu-do-nordeste\/","title":{"rendered":"Observa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita: Equipamento capta brilho rar\u00edssimo no c\u00e9u do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-139367\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por volta de 21h de 21 de agosto de 2017, uma segunda-feira, uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica ultrassens\u00edvel instalada no sert\u00e3o nordestino detectou uma varia\u00e7\u00e3o de luminosidade incomum na alta atmosfera brasileira. Alojado em uma fazenda nos arredores de S\u00e3o Jo\u00e3o do Cariri, no interior da Para\u00edba, o equipamento registrou uma oscila\u00e7\u00e3o de brilho na frequ\u00eancia do infravermelho em uma regi\u00e3o do c\u00e9u a 87 quil\u00f4metros (km) acima do solo. A intensidade dessa luz invis\u00edvel ao olho humano aumentou durante v\u00e1rios minutos antes de diminuir e voltar a aumentar em uma faixa estreita e arqueada do c\u00e9u que se estendeu do Cear\u00e1 a Pernambuco.<\/p>\n<p>Em um artigo publicado em agosto na revista \u201cGeophysical Research Letters\u201d, um grupo de pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos prop\u00f4s uma explica\u00e7\u00e3o para a origem do fen\u00f4meno: ele teria sido gerado por perturba\u00e7\u00f5es em uma camada mais baixa da atmosfera disparadas por um\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/eclipse-solar-visto-do-espaco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"113\" data-m=\"{&quot;i&quot;:113,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:3}\">eclipse total do Sol<\/a><\/strong>\u00a0que ocorreu no hemisf\u00e9rio norte e foi parcialmente vis\u00edvel no hemisf\u00e9rio sul.<\/p>\n<p><strong>M\u00faltiplas camadas<\/strong><\/p>\n<p>Geof\u00edsicos e especialistas em clima espacial entendem a atmosfera do planeta como sendo um fluido de m\u00faltiplas camadas, cada uma com densidade e composi\u00e7\u00e3o diferentes, constantemente perturbadas pela propaga\u00e7\u00e3o de ondas, semelhantes \u00e0s que se formam ao se atirar uma pedra na \u00e1gua parada. Algumas dessas ondula\u00e7\u00f5es recebem o nome de ondas de gravidade, porque a atra\u00e7\u00e3o gravitacional do planeta \u00e9 o elemento que faz o fluido retornar ao equil\u00edbrio depois de uma perturba\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n<p>Na atmosfera, elas se caracterizam por oscila\u00e7\u00f5es que podem apresentar de dezenas a centenas de quil\u00f4metros entre um pico e outro e se deslocam a velocidades variando de dezenas a centenas de metros por segundo. Sua propaga\u00e7\u00e3o, no entanto, s\u00f3 ocorre em meios materiais (formados por part\u00edculas), como a \u00e1gua ou o ar.<\/p>\n<p>Essas ondas n\u00e3o existem no espa\u00e7o e s\u00e3o diferentes das\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/sonda-detecta-ondas-gravitacionais-e-redemoinhos-de-poeira-em-marte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"116\" data-m=\"{&quot;i&quot;:116,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:6}\">ondas gravitacionais<\/a><\/strong>, oscila\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o-tempo provocadas pela colis\u00e3o de corpos de massas muito elevadas, como estrelas ou buracos negros, que se propagam no v\u00e1cuo \u00e0 velocidade da luz.<\/p>\n<p>Na Terra, ondas de gravidade atravessam a atmosfera com frequ\u00eancia e, na maior parte das vezes, s\u00e3o geradas pelo movimento de nuvens de tempestade ou ainda\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/supertsunami-atingiu-noroeste-de-israel-ha-quase-10-mil-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"117\" data-m=\"{&quot;i&quot;:117,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:7}\">tsunamis<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/raro-terremoto-bumerangue-e-observado-no-oceano-atlantico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"118\" data-m=\"{&quot;i&quot;:118,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:8}\">terremotos<\/a><\/strong>. As que causaram altera\u00e7\u00f5es na luminesc\u00eancia naquela noite de 2017, por\u00e9m, tinham origem distinta. Foram produzidas pelo deslocamento na atmosfera da sombra provocada pela passagem da Lua diante do Sol, concluiu a equipe coordenada pelo f\u00edsico Igo Paulino, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Para\u00edba.<\/p>\n<p><strong>Observa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 a primeira vez que se observam no Brasil os efeitos na atmosfera de ondas de gravidade geradas por um eclipse\u201d, afirma o pesquisador, que coordenou a campanha de observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Naquele dia, a Lua se colocou por algumas horas entre a Terra e o Sol e projetou um pequeno cone de sombra \u2013 a chamada umbra \u2013 que se deslocou de um extremo a outro dos Estados Unidos. Ele se iniciou \u00e0s 12h46 do hor\u00e1rio brasileiro sobre o Oceano Pac\u00edfico, entrou em territ\u00f3rio norte-americano pelo estado do Oregon e percorreu um estreito corredor ao longo de outros 14 estados.<\/p>\n<p>Analisando caracter\u00edsticas como posi\u00e7\u00e3o e dura\u00e7\u00e3o da oscila\u00e7\u00e3o de brilho em infravermelho detectados a 87 km de altitude, Paulino e colaboradores no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) chegaram \u00e0s propriedades das ondas de gravidade que a teria ocasionado. Eram perturba\u00e7\u00f5es que se repetiam a cada duas horas e meia e se deslocavam \u00e0 velocidade de 634 quil\u00f4metros por hora (km\/h), com um dos maiores comprimentos de onda j\u00e1 mensurados para esse tipo de fen\u00f4meno: 1.618 km entre um pico e outro.<\/p>\n<p>Com base nessas informa\u00e7\u00f5es e no sentido de propaga\u00e7\u00e3o, o f\u00edsico da UFCG tra\u00e7ou o caminho reverso dessas perturba\u00e7\u00f5es e verificou que sua fonte coincidia com a \u00faltima posi\u00e7\u00e3o ocupada pela umbra do eclipse no Atl\u00e2ntico, a pouco mais de 2,2 mil km de S\u00e3o Jo\u00e3o do Cariri e a 34 km acima da superf\u00edcie do oceano.<\/p>\n<p><strong>Contra\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nessa regi\u00e3o da atmosfera que ocorre a maior concentra\u00e7\u00e3o de oz\u00f4nio (O<sub>3<\/sub>), g\u00e1s que absorve parte da radia\u00e7\u00e3o ultravioleta do Sol. Ao bloquear momentaneamente a incid\u00eancia de luz, a umbra do eclipse reduz em cerca de 1 grau Celsius a temperatura em uma pequena \u00e1rea da camada de oz\u00f4nio. Ainda que modesto e moment\u00e2neo, esse resfriamento r\u00e1pido do oz\u00f4nio altera a distribui\u00e7\u00e3o das mol\u00e9culas do g\u00e1s, que se tornam mais pr\u00f3ximas antes de voltarem a se afastar com o retorno da luminosidade. Esse movimento de contra\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do g\u00e1s gera uma perturba\u00e7\u00e3o que pode dar origem \u00e0s ondas de gravidade, que se propagam para outras camadas da atmosfera.<\/p>\n<p>As ondas produzidas ao fim do eclipse de 2017, ao chegarem a 87 km de altura, modificaram a densidade e a temperatura naquela regi\u00e3o, alterando a emiss\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o infravermelha pelas mol\u00e9culas de hidroxila (OH). Eis a origem da oscila\u00e7\u00e3o de brilho detectada pelo equipamento na Para\u00edba.<\/p>\n<p>\u201cAs ondas de gravidade s\u00e3o um mecanismo importante de transfer\u00eancia de energia das camadas mais baixas da atmosfera para as mais elevadas\u201d, explica o f\u00edsico japon\u00eas Hisao Takahashi, do Inpe, um dos autores do estudo, que contou com a colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadores das universidades do Texas e de Illinois, nos Estados Unidos. \u201cElas alteram o sistema de ventos na alta atmosfera\u201d, conclui.<\/p>\n<p>\u201cPoucos trabalhos permitiram caracterizar t\u00e3o bem as propriedades das ondas de gravidade como esse\u201d, comenta o f\u00edsico Cosme Figueiredo, coautor do trabalho e pesquisador em est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado no Inpe. Conhecer melhor os mecanismos que geram as ondas de gravidade e as propriedades delas deve levar ao aprimoramento dos modelos de previs\u00e3o de como a atmosfera se comporta a diferentes altitudes, algo importante at\u00e9 para voos espaciais.<\/p>\n<p><strong>PROJETO<\/strong><\/p>\n<p>Dist\u00farbios ionosf\u00e9ricos propagantes observados sobre a cordilheira dos Andes utilizando mapas\/keogramas de conte\u00fado eletr\u00f4nico total perturbado (<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/183930\/\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"119\" data-m=\"{&quot;i&quot;:119,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:9}\">n\u00ba 18\/09066-8<\/a><\/strong>).\u00a0<strong>Modalidade<\/strong>\u00a0Bolsa de P\u00f3s-doutorado.\u00a0<strong>Pesquisador respons\u00e1vel<\/strong>\u00a0Cristiano Max Wrasse (Inpe).\u00a0<strong>Benefici\u00e1rio<\/strong>\u00a0Cosme Alexandre Oliveira Barros Figueiredo.\u00a0<strong>Investimento<\/strong>\u00a0R$ 651.187,54.<\/p>\n<p><strong>ARTIGO CIENT\u00cdFICO<\/strong><\/p>\n<p>PAULINO, I. et al.\u00a0<a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1029\/2020GL088924\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"120\" data-m=\"{&quot;i&quot;:120,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:10}\"><strong><em>Atmospheric gravity waves observed in the nightglow following the 21 August 2017 total solar eclipse<\/em><\/strong><\/a>. \u201cGeophysical Research Letters\u201d. 19 ago. 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por volta de 21h de 21 de agosto de 2017, uma segunda-feira, uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":139367,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/eclipse.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por volta de 21h de 21 de agosto de 2017, uma segunda-feira, uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139366"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=139366"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139366\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":139369,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139366\/revisions\/139369"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=139366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=139366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=139366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}