{"id":139055,"date":"2020-12-30T12:00:17","date_gmt":"2020-12-30T15:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=139055"},"modified":"2020-12-30T11:59:41","modified_gmt":"2020-12-30T14:59:41","slug":"muitos-brasileiros-tem-problemas-na-glandula-e-nem-sabem-e-outros-nao-fazem-o-tratamento-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/muitos-brasileiros-tem-problemas-na-glandula-e-nem-sabem-e-outros-nao-fazem-o-tratamento-direito\/","title":{"rendered":"Muitos brasileiros t\u00eam problemas na gl\u00e2ndula e nem sabem e outros n\u00e3o fazem o tratamento direito"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tireoide11111.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-139056\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tireoide11111-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tireoide11111-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tireoide11111.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ela est\u00e1 no centro de tudo. Ajuda a regular o\u00a0<strong>peso<\/strong>, o\u00a0<strong>humor<\/strong>, o\u00a0<strong>tr\u00e2nsito intestinal<\/strong>\u00a0e at\u00e9 os batimentos do\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/coracao\/\"><strong>cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>. Localizada no pesco\u00e7o, a\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/tireoide\/\"><strong>tireoide<\/strong><\/a>\u00a0produz horm\u00f4nios que administram diversas engrenagens do organismo. Se trabalha lenta ou acelerada demais, podemos padecer literalmente das unhas dos p\u00e9s aos fios da cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>A diversidade e a inespecificidade dos sintomas n\u00e3o raro dificultam o diagn\u00f3stico, e mesmo acertar e seguir o tratamento n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o simples. At\u00e9 40% dos brasileiros com\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/hipotireoidismo-sintomas-diagnostico-prevencao-e-tratamento\/\"><strong>hipotireoidismo<\/strong><\/a>, o dist\u00farbio na gl\u00e2ndula mais prevalente, n\u00e3o est\u00e3o com um controle adequado, segundo dados apresentados no \u00faltimo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ebt2020.com.br\/\"><strong>Encontro Brasileiro de Tireoide<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Embora seu formato lembre uma borboleta, a estrutura deve seu nome \u00e0 palavra grega\u00a0<em>thyreos<\/em>, que quer dizer \u201cescudo\u201d. As met\u00e1foras e compara\u00e7\u00f5es n\u00e3o param a\u00ed. \u201cNo corpo, cada \u00f3rg\u00e3o funciona como um m\u00fasico, mas em uma orquestra eles precisam tocar em conjunto. Quem faz os arranjos e dita o ritmo \u00e9 o maestro. E \u00e9 isso o que a tireoide faz\u201d, resume o endocrinologista Jos\u00e9 Augusto Sgarbi, presidente do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.endocrino.org.br\/\"><strong>Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A reg\u00eancia \u00e9 realizada por meio dos seus horm\u00f4nios, que regulam a forma como o organismo usa e armazena energia:\u00a0<strong>a tri-iodotironina (T3) e a tiroxina (T4)<\/strong>. Mas a tireoide tamb\u00e9m recebe comandos de outra gl\u00e2ndula, a hip\u00f3fise, que fica no c\u00e9rebro e libera o\u00a0<strong>horm\u00f4nio estimulador da tireoide (TSH)<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 com essa ordem que come\u00e7a a sintetizar o T3 e o T4 dentro do pesco\u00e7o. Uma vez na circula\u00e7\u00e3o, \u201cos horm\u00f4nios da tireoide entram nas c\u00e9lulas e fazem com que elas funcionem bem\u201d, explica o endocrinologista Alexei Volaco, professor da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pucpr.br\/\"><strong>Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUC-PR)<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Essas siglas n\u00e3o merecem ser conhecidas \u00e0 toa. Em geral, se os n\u00edveis de TSH n\u00e3o batem com o que \u00e9 esperado para os horm\u00f4nios tireoidianos, se suspeita de algo errado \u2014 s\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/tireoide-os-exames-que-avaliam-a-saude-da-glandula\/\"><strong>exames de sangue<\/strong><\/a>\u00a0que apuram isso. TSH alto com T3 e T4 baixos \u00e9 sinal de hipotireoidismo, desequil\u00edbrio que, pelas estimativas, afeta um em cada dez brasileiros. No\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/o-que-e-hipertireoidismo-causas-sintomas-prevencao-e-tratamento\/\"><strong>hipertireoidismo<\/strong><\/a>, presente em 2% da popula\u00e7\u00e3o, acontece o contr\u00e1rio: h\u00e1 tanto T3 e T4 no sangue que o TSH, que instiga a tireoide a trabalhar, \u00e9 menos necess\u00e1rio e acaba diminuindo.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es sobre o n\u00famero de pessoas acometidas por esses problemas n\u00e3o s\u00e3o superprecisas, pois os crit\u00e9rios utilizados nos estudos e as caracter\u00edsticas do grupo examinado podem variar \u2014 pessoas com uma dieta deficiente em\u00a0<strong>iodo<\/strong>, por exemplo, correm maior risco, tanto \u00e9 que o mineral \u00e9 adicionado ao sal de cozinha.<\/p>\n<p>De todo modo, nas duas situa\u00e7\u00f5es, o maestro n\u00e3o est\u00e1 na melhor forma e a orquestra pode tocar fora de ritmo. No dia a dia, devido aos sintomas pouco espec\u00edficos, o hipotireoidismo em particular acaba sendo confundido com outras doen\u00e7as e menos detectado.<\/p>\n<p>Um exame de sangue tira a d\u00favida, mas, antes dos 40 anos, idade a partir da qual a encrenca se torna mais comum, \u00e9 dif\u00edcil fazer um<strong>\u00a0check-up da tireoide<\/strong>. A solu\u00e7\u00e3o passa por uma boa investiga\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, em que o paciente deve informar, entre outras coisas, se tem hist\u00f3rico familiar de disfun\u00e7\u00f5es e procedimentos na gl\u00e2ndula.<\/p>\n<p><strong>O que destrambelha a tireoide<\/strong><\/p>\n<p><em>As principais situa\u00e7\u00f5es que afetam a gl\u00e2ndula (e o resto do corpo):<\/em><\/p>\n<p><strong>Hipotireoidismo<\/strong><\/p>\n<p>A gl\u00e2ndula produz menos horm\u00f4nio do que deveria. Como a tireoide regula o metabolismo, quando isso ocorre o organismo tende a ficar mais devagar. O tratamento \u00e9 a reposi\u00e7\u00e3o hormonal pelo resto da vida.<\/p>\n<p><strong>Hipertireoidismo<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o oposto: a tireoide libera horm\u00f4nios demais, acelerando o metabolismo. A detec\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco mais f\u00e1cil, uma vez que os sintomas s\u00e3o mais espec\u00edficos (caso da perda de peso). Rem\u00e9dios e outras terapias equilibram as coisas por aqui.<\/p>\n<p><strong>N\u00f3dulos<\/strong><\/p>\n<p>Costumam aparecer com o envelhecimento e, em geral, s\u00e3o benignos e pequenos, sem gerar risco nem exigir remo\u00e7\u00e3o. Pode ser necess\u00e1rio fazer acompanhamento caso aumentem de tamanho ou passem por transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/cancer\/\"><strong>C\u00e2ncer<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Quando o n\u00f3dulo \u00e9 maligno, o caminho normalmente \u00e9 extrair a tireoide. A maioria dos tumores ali \u00e9 pouco agressiva e tem alta taxa de cura. Ap\u00f3s a retirada da gl\u00e2ndula, \u00e9 preciso fazer reposi\u00e7\u00e3o hormonal pela vida inteira tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>\u00c0 ca\u00e7a do hipotireoidismo<\/strong><\/p>\n<p>Um dos sinais mais vis\u00edveis do hipotireoidismo \u00e9 o\u00a0<strong>ganho de peso<\/strong>, resultado de um metabolismo mais lento e da reten\u00e7\u00e3o de l\u00edquidos. Esse aumento, por\u00e9m, n\u00e3o costuma ser t\u00e3o acentuado. \u201c\u00c9 preciso deixar claro que o hipotireoidismo n\u00e3o \u00e9 causa de obesidade\u201d, ressalta Sgarbi. \u201cMas ele pode, sim, piorar a situa\u00e7\u00e3o e dificultar a perda de peso\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 um d\u00e9cifit na produ\u00e7\u00e3o de T3 e T4, ainda que o indiv\u00edduo coma menos, o corpo gasta menos energia. E os efeitos desse ritmo mais devagar s\u00e3o sentidos por vezes nos outros instrumentos da orquestra. A altera\u00e7\u00e3o nos horm\u00f4nios \u00e9 capaz de causar constipa\u00e7\u00e3o, baixar a press\u00e3o e reduzir os batimentos card\u00edacos e a fun\u00e7\u00e3o renal. \u201cPacientes com a doen\u00e7a n\u00e3o controlada tamb\u00e9m relatam cansa\u00e7o, des\u00e2nimo, indisposi\u00e7\u00e3o e sonol\u00eancia excessiva\u201d, conta o m\u00e9dico da Sbem.<\/p>\n<p>Uma das principais causas do hipotireoidismo \u00e9 a chamada tireoidite de Hashimoto, dist\u00farbio autoimune que induz a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos contra as c\u00e9lulas da gl\u00e2ndula. No geral, a car\u00eancia dos horm\u00f4nios \u00e9 at\u00e9 dez vezes mais frequente nas mulheres.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia ainda n\u00e3o conseguiu determinar 100% o motivo, mas se acredita que outras mudan\u00e7as hormonais relacionadas ao ciclo reprodutivo estejam envolvidas. Os desarranjos podem aparecer com a\u00a0<strong>gesta\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0ou principalmente com a\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/menopausa\/\"><strong>menopausa<\/strong><\/a>\u00a0\u2014 e, a\u00ed, sintomas parecidos podem embolar as coisas e retardar o diagn\u00f3stico. Por falar nelas, cabe acrescentar que problemas tireoidianos tamb\u00e9m atrapalham a\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/fertilidade\/\"><strong>fertilidade<\/strong><\/a>.<\/p>\n<ul>\n<li>Embora as pessoas tenham pavor de\u00a0<strong>radia\u00e7\u00e3o<\/strong>por relacion\u00e1-la a danos na tireoide, o fato \u00e9 que ela n\u00e3o \u00e9 um dos elementos mais decisivos na maioria das situa\u00e7\u00f5es. \u201cQuando falamos de radia\u00e7\u00e3o como fator de risco, isso se refere geralmente a casos em que houve uma grande exposi\u00e7\u00e3o, sobretudo na inf\u00e2ncia\u201d, elucida a radiologista Ana Christina Melichar, coordenadora de ultrassonografia do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.richet.com.br\/\"><strong>Laborat\u00f3rio Richet<\/strong><\/a>, no Rio de Janeiro.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Pelas pesquisas, fatores como idade, g\u00eanero e gen\u00e9tica t\u00eam uma influ\u00eancia bem maior. O DNA, ali\u00e1s, mexe tanto com o risco de desenvolver uma disfun\u00e7\u00e3o ou tumor ao longo da vida quanto com o aparecimento de uma doen\u00e7a espec\u00edfica de beb\u00eas, o\u00a0<strong>hipotireoidismo cong\u00eanito<\/strong>, detectado j\u00e1 no nascimento. Ele afeta uma em cada 3 mil crian\u00e7as e \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es identificadas (e tratadas) gra\u00e7as ao<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/blog\/com-a-palavra\/por-que-o-teste-do-pezinho-e-tao-importante\/\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>teste do pezinho<\/strong><\/a>, feito na maternidade.<\/p>\n<p><strong>Em busca do ritmo perdido<\/strong><\/p>\n<p>Uma vez diagnosticado, o hipotireoidismo tem tratamento relativamente simples e inclusive dispon\u00edvel na rede b\u00e1sica de sa\u00fade: basta repor os horm\u00f4nios, em especial o T4, tamb\u00e9m conhecido pelo nome gen\u00e9rico de levotiroxina. Por que ele \u00e9 o preferido? \u201cO T4 \u00e9 mais seguro e mais est\u00e1vel, e vai sendo convertido em T3 pelo corpo conforme a necessidade\u201d, esclarece Sgarbi.<\/p>\n<p>\u00c9 uma forma de resguardar o organismo, fazendo com que a vers\u00e3o ativa em si (o T3) s\u00f3 entre na equa\u00e7\u00e3o quando for realmente preciso. Mas o \u201crelativamente simples\u201d pode ser mais complicado na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O \u00edndice de ades\u00e3o ao tratamento e controle do quadro, como mostram novos levantamentos, est\u00e1 longe do ideal. Para come\u00e7o de conversa, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer o acompanhamento com um endocrinologista. J\u00e1 o acesso \u00e0 levotiroxina em si \u00e9 f\u00e1cil e o desafio n\u00e3o \u00e9 tanto iniciar o tratamento, mas garantir sua manuten\u00e7\u00e3o anos a fio.<\/p>\n<ul>\n<li>Al\u00e9m de ser algo para a vida toda, a dosagem varia n\u00e3o s\u00f3 de pessoa para pessoa mas ao longo do tempo. O monitoramento com exames deve ocorrer periodicamente e os n\u00edveis hormonais precisam ser ajustados no m\u00ednimo a cada seis meses com o m\u00e9dico. Tais cuidados evitam que o concerto todo desafine e afastam inc\u00f4modos t\u00edpicos do hipotireoidismo, como a\u00a0<strong>fadiga<\/strong>e a\u00a0<strong>reten\u00e7\u00e3o de l\u00edquido<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Conv\u00e9m aproveitar o momento para soar um alerta dos pr\u00f3prios profissionais de sa\u00fade: tem gente que, mesmo sem problemas na tireoide, vai atr\u00e1s de comprimidos de T3 para emagrecer ou at\u00e9 ficar \u201cmais ligado\u201d. O fen\u00f4meno \u00e9 corriqueiro nas redes sociais e em outros sites. Al\u00e9m dos riscos para o corpo de um uso fora de contexto, a proced\u00eancia do produto \u00e9 question\u00e1vel: esses rem\u00e9dios costumam ser manipulados e nem sempre passam por controle de qualidade.<\/p>\n<p>\u201cQuem toma at\u00e9 pode se sentir mais ativo e ter a impress\u00e3o de um bem-estar moment\u00e2neo, mas, no futuro, isso vai cobrar uma fatura\u201d, avisa o endocrinologista da Sbem. A conta inclui problemas card\u00edacos graves, que podem levar \u00e0 morte.<\/p>\n<p><strong>Para tratar direito<\/strong><\/p>\n<p><em>Como n\u00e3o trope\u00e7ar no tratamento do hipotireoidismo:<\/em><\/p>\n<p><strong>Uso em jejum<\/strong><\/p>\n<p>A reposi\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio deve ser feita de est\u00f4mago vazio para que o rem\u00e9dio seja mais bem aproveitado pelo organismo.<\/p>\n<p><strong>Melhor hor\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>M\u00e9dicos recomendam tomar pela manh\u00e3 logo ao acordar, no m\u00ednimo 30 minutos antes de se alimentar.<\/p>\n<p><strong>Ingest\u00e3o isolada<\/strong><\/p>\n<p>Se tomados em conjunto, alguns f\u00e1rmacos, como amiodarona e l\u00edtio, podem interferir no funcionamento da gl\u00e2ndula.<\/p>\n<p><strong>Prefira o pronto<\/strong><\/p>\n<p>Especialistas n\u00e3o orientam o uso de horm\u00f4nios manipulados. Equ\u00edvocos na dosagem comprometem o tratamento.<\/p>\n<p><strong>Exames de rotina<\/strong><\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e os exames de sangue de tempos em tempos conferem se a terapia est\u00e1 surtindo efeito.<\/p>\n<p><strong>No rastro do hipertireoidismo<\/strong><\/p>\n<p>Embora seja menos frequente que o dist\u00farbio por tr\u00e1s da queda nos horm\u00f4nios, o\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/o-que-e-hipertireoidismo-causas-sintomas-prevencao-e-tratamento\/\"><strong>hipertireoidismo<\/strong><\/a>\u00a0tamb\u00e9m demanda aten\u00e7\u00e3o e cuidado. Como o nome sugere, suas caracter\u00edsticas s\u00e3o opostas \u00e0s do hipotireoidismo: a gl\u00e2ndula fica ativa demais e, como consequ\u00eancia da explos\u00e3o hormonal, o metabolismo pisa no acelerador.<\/p>\n<p>\u201cQuando isso acontece, a pessoa fica ligada no 220. Pode ter palpita\u00e7\u00f5es, irritabilidade, ins\u00f4nia, tremor e sentir muito calor\u201d, descreve Volaco. Com o motor a todo vapor e a temperatura interna l\u00e1 no alto, vem a transpira\u00e7\u00e3o excessiva. Tudo isso ainda leva a um dos sintomas mais evidentes do hipertireoidismo, a perda de peso.<\/p>\n<p>Para quem convive com a condi\u00e7\u00e3o, o apetite at\u00e9 aumenta, e com frequ\u00eancia se come mais do que antes, mas a alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece suficiente para compensar a velocidade com que o metabolismo come\u00e7ou a operar. At\u00e9 o peito sente. \u201cO gasto energ\u00e9tico \u00e9 maior. O cora\u00e7\u00e3o come\u00e7a a trabalhar muito e vai sofrendo um desgaste que, com os anos, pode resultar em uma insufici\u00eancia card\u00edaca\u201d, diz Sgarbi, que tamb\u00e9m \u00e9 professor da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.famema.br\/\"><strong>Faculdade de Medicina de Mar\u00edlia<\/strong><\/a>, no interior paulista.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, em meio \u00e0s tantas consequ\u00eancias do hipo e do hipertireoidismo, os problemas relacionados ao\u00a0<strong>cora\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0s\u00e3o um dos grandes pontos em comum: por raz\u00f5es distintas, tanto um quanto o outro podem levar a um descompasso no m\u00fasculo card\u00edaco. Com a enxurrada de horm\u00f4nios, por\u00e9m, os perigos tendem a ser mais imediatos e graves, com o surgimento de arritmias potencialmente fatais.<\/p>\n<p>Menos mal que, no comparativo com o seu contr\u00e1rio, o hipertireoidismo costuma ser mais f\u00e1cil de diagnosticar. \u201cOs sintomas geralmente s\u00e3o aparentes. N\u00e3o \u00e9 como no hipotireoidismo, que acaba sendo uma doen\u00e7a mais mascarada\u201d, afirma o endocrinologista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em torno de sete a cada dez casos s\u00e3o decorrentes da doen\u00e7a de Graves, uma enfermidade autoimune que faz a tireoide trabalhar mais e normalmente aparece em outros membros da mesma fam\u00edlia \u2014 ou seja, se algum parente foi diagnosticado, vale ficar de olho.<\/p>\n<p>O tratamento varia de acordo com a causa e a gravidade do quadro, mas existem tr\u00eas caminhos principais: medicamentos para frear a tireoide acelerada, iodoterapia (uso de iodo radioativo, que \u00e9 absorvido pela tireoide e a destr\u00f3i) ou remo\u00e7\u00e3o da gl\u00e2ndula por meio de cirurgia.<\/p>\n<p>Como a ideia \u00e9 inibir o funcionamento exagerado da tireoide, com frequ\u00eancia o resultado ser\u00e1 o oposto do problema inicial: o hipotireoidismo. \u201cMas \u00e9 muito melhor ter hipotireoidismo do que continuar com hipertireoidismo n\u00e3o tratado\u201d, argumenta Sgarbi, lembrando que tanto o tratamento quanto as consequ\u00eancias, nesse cen\u00e1rio, s\u00e3o mais simples de lidar.<\/p>\n<p><strong>Nos quatro cantos do corpo<\/strong><\/p>\n<p><em>Se a tireoide produz horm\u00f4nios de mais ou de menos, v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os sentem o baque:<\/em><\/p>\n<p><strong>Pele e cabelo<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto o hipotireoidismo causa queda de cabelo, pele ressecada e unhas quebradi\u00e7as, o hiper causa o efeito oposto, aumentando a transpira\u00e7\u00e3o e deixando a pele mais oleosa.<\/p>\n<p><strong>Cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os opostos tamb\u00e9m acontecem aqui: o hipo baixa a frequ\u00eancia card\u00edaca, reduz a resist\u00eancia ao esfor\u00e7o e eleva o risco de infarto. No hiper, os batimentos aceleram e pode haver arritmia e palpita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Intestino<\/strong><\/p>\n<p>Um dos ind\u00edcios da queda nos horm\u00f4nios em decorr\u00eancia do hipotireoidismo \u00e9 a constipa\u00e7\u00e3o. O intestino costuma ficar mais preso, diminuindo a frequ\u00eancia de evacua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Gordura\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Por causa da desacelera\u00e7\u00e3o do metabolismo e da reten\u00e7\u00e3o l\u00edquida, o hipotireoidismo leva a ganho de peso. No hiper, \u00e9 usual perder peso mesmo comendo bastante, j\u00e1 que o organismo fica acelerado.<\/p>\n<p><strong>Olhos<\/strong><\/p>\n<p>O hipertireoidismo \u00e9 mais associado a encrencas ali, como na doen\u00e7a de Graves: os globos oculares se dilatam e se deslocam para a frente, causando dores, vista dupla e redu\u00e7\u00e3o na vis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>C\u00e9rebro<\/strong><\/p>\n<p>Nem os neur\u00f4nios escapam da influ\u00eancia da tireoide. No hipo, a concentra\u00e7\u00e3o pode ficar comprometida. Enquanto<br \/>\nisso, no hiper, a pessoa tende a ficar mais agitada, irritada e com ins\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>Tem algo estranho aqui<\/strong><\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o envolvendo essa estrutura alojada no pesco\u00e7o s\u00e3o os\u00a0<strong>n\u00f3dulos<\/strong>, massas que aparecem na regi\u00e3o e, em alguns casos, podem ser apalpadas. O m\u00e9dico vai examinar a \u00e1rea e, se necess\u00e1rio, pedir um\u00a0<strong>ultrassom<\/strong>. A maioria n\u00e3o representa nenhum susto. \u201cS\u00f3 5 a 10% dos n\u00f3dulos s\u00e3o\u00a0<strong>malignos<\/strong>. E mesmo o c\u00e2ncer de tireoide tem uma taxa de cura muito alta\u201d, tranquiliza Ana Christina.<\/p>\n<ul>\n<li>Para saber se essa forma\u00e7\u00e3o significa algo mais s\u00e9rio, os m\u00e9dicos pedem uma\u00a0<strong>bi\u00f3psia<\/strong>: \u00e9 realizada uma pun\u00e7\u00e3o com agulha fina na tireoide para analisar o material extra\u00eddo de l\u00e1.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Se o n\u00f3dulo for benigno, muitas vezes nenhuma interven\u00e7\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1ria. \u00c9 s\u00f3 acompanhar. Mas, mesmo sem risco de virar um c\u00e2ncer, a massa pode ser volumosa e causar desconforto para engolir ou respirar. E a\u00ed vale a pena remov\u00ea-la ou restringi-la.<\/p>\n<p>Uma t\u00e9cnica pouco invasiva dispon\u00edvel hoje \u00e9 a\u00a0<strong>abla\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica percut\u00e2nea<\/strong>, em que uma agulha \u00e9 introduzida com anestesia local e queima os n\u00f3dulos. O procedimento nem sequer deixa cicatriz e \u00e9 alternativa para alguns casos de c\u00e2ncer, quando um paciente de alto risco n\u00e3o pode fazer a opera\u00e7\u00e3o de remo\u00e7\u00e3o da tireoide, a mais recomendada.<\/p>\n<p>Por terem uma evolu\u00e7\u00e3o lenta e serem detect\u00e1veis precocemente, os tipos mais comuns de\u00a0<strong>c\u00e2ncer de tireoide<\/strong>\u00a0apresentam taxas de sobreviv\u00eancia superiores a 95%. \u201cO diagn\u00f3stico tem aumentado nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mas isso n\u00e3o significa que a mortalidade est\u00e1 mais alta\u201d, diz a radiologista.<\/p>\n<p>\u201cAo ouvir falar em c\u00e2ncer, pensamos que se trata de uma doen\u00e7a agressiva, s\u00f3 que, neste caso, n\u00e3o \u00e9 assim\u201d, afirma Ana Christina. A gl\u00e2ndula costuma ser retirada e a reposi\u00e7\u00e3o hormonal \u00e9 convocada para a rotina. Mais um exemplo de que, com ou sem tireoide, o acompanhamento m\u00e9dico coloca o corpo em equil\u00edbrio de novo.<\/p>\n<p><strong>Quem deve ficar mais atento<\/strong><\/p>\n<p><em>Embora problemas na tireoide n\u00e3o dependam de sexo nem idade, alguns grupos s\u00e3o mais suscet\u00edveis:<\/em><\/p>\n<p><strong>Mulheres<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o dez vezes mais ref\u00e9ns de disfun\u00e7\u00f5es na gl\u00e2ndula \u2014 o que pode prejudicar o sonho de ser m\u00e3e. As altera\u00e7\u00f5es costumam pintar na gesta\u00e7\u00e3o e aumentam em incid\u00eancia com a menopausa.<\/p>\n<p><strong>Idosos<\/strong><\/p>\n<p>Pessoas a partir de 65 anos devem ficar atentas, mas nem todos os casos de hipotireoidismo necessitam de tratamento, uma vez que o organismo tende a ficar mais lento com o envelhecimento.<\/p>\n<p><strong>Beb\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>O teste do pezinho, feito em rec\u00e9m-nascidos, detecta o hipotireoidismo cong\u00eanito. Se confirmada, a disfun\u00e7\u00e3o deve ser tratada o mais r\u00e1pido poss\u00edvel para evitar sequelas e impactos no desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>Casos na fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Quem tem hist\u00f3rico familiar de problemas na tireoide e outras doen\u00e7as autoimunes (psor\u00edase, artrite reumatoide, diabetes tipo 1 etc.) precisa acompanhar mais de perto a situa\u00e7\u00e3o da gl\u00e2ndula.<\/p>\n<p><strong>Expostos \u00e0 radia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ela eleva o risco de c\u00e2ncer e dist\u00farbios na tireoide caso o indiv\u00edduo sofra muita exposi\u00e7\u00e3o durante a inf\u00e2ncia. Os raios ionizantes utilizados em diagn\u00f3sticos de imagem n\u00e3o s\u00e3o nocivos.<\/p>\n<p><strong>Profiss\u00f5es de risco<\/strong><\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o rondaria pessoas que trabalham expostas cronicamente \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. Mas, com os devidos cuidados, m\u00e9dicos apontam que isso representa menos perigo que outros fatores.<\/p>\n<p><strong>Alerta: se n\u00e3o tem problema, para que tomar?<\/strong><\/p>\n<p>O uso indevido de horm\u00f4nios da tireoide, visando \u00e0 perda de peso ou a um suposto ganho de energia, pode desregular o funcionamento do corpo todo. Uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es dos especialistas \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de c\u00e1psulas de T3 para se livrar dos quilos extras.<\/p>\n<p>O excesso do horm\u00f4nio acelera o metabolismo a ponto de beirar os efeitos de um hipertireoidismo. Como todo medicamento usado sem orienta\u00e7\u00e3o, h\u00e1 s\u00e9rios riscos envolvidos: picos de press\u00e3o alta, arritmia card\u00edaca e at\u00e9 morte.<\/p>\n<p>\u201cNossa mensagem \u00e9: n\u00e3o utilize horm\u00f4nio tireoidiano para tentar emagrecer ou melhorar o bem-estar e o cansa\u00e7o sem passar por um m\u00e9dico antes\u201d, refor\u00e7a o endocrinologista Jos\u00e9 Augusto Sgarbi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela est\u00e1 no centro de tudo. 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