{"id":138986,"date":"2020-12-29T08:16:42","date_gmt":"2020-12-29T11:16:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138986"},"modified":"2020-12-29T08:16:42","modified_gmt":"2020-12-29T11:16:42","slug":"cientistas-mapeiam-novos-crescimentos-que-previnem-o-colapso-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-mapeiam-novos-crescimentos-que-previnem-o-colapso-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Cientistas mapeiam novos crescimentos que previnem o colapso da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p data-raofz=\"18\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-138987\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quando Celso Silva Junior, um candidato PhD no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, recuou de seu mapeamento, conclu\u00eddo recentemente, das florestas secund\u00e1rias do Brasil, ele ficou surpreso pela quantidade significativa que cresceu de volta desde a d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Aproximadamente um ter\u00e7o das florestas perdidas do Brasil se recuperaram naturalmente, uma \u00e1rea quase do tamanho do Reino Unido \u2013 262.791 quil\u00f4metros quadrados, de acordo com o mapeamento publicado por Junior em um estudo recente na revista\u00a0<em>Scientific Data<\/em>\u00a0em colabora\u00e7\u00e3o com outros 11 pesquisadores.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Mas at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o do artigo em agosto, os cientistas n\u00e3o sabiam dizer a extens\u00e3o exata do crescimento no Brasil, a idade dessas florestas, ou onde elas est\u00e3o localizadas. Agora, os autores contam ao Mongabay, o mapeamento pode ser usado para ajudar a recupera\u00e7\u00e3o, rastrear padr\u00f5es de desflorestamento, e at\u00e9 mesmo prevenir inc\u00eandios.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">\u201cSe a cada sete anos, uma floresta secund\u00e1ria \u00e9 cortada, ent\u00e3o voc\u00ea sabe que em uma floresta secund\u00e1ria de seis anos nessa regi\u00e3o, o fogo e o desflorestamento s\u00e3o iminentes,\u201d diz a coautora Liana Anderson, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Aviso Pr\u00e9vio de Desastres Naturais no Brasil.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Durante anos de secas, as autoridades podem usar essa informa\u00e7\u00e3o para prevenir grandes queimadas florestais e cortes antes que aconte\u00e7am. \u201c\u00c9 melhor planejar com anteced\u00eancia em vez de lidar com o preju\u00edzo, o que tem acontecido nos \u00faltimos dois anos,\u201d diz Anderson, em refer\u00eancia a abordagem reativa do governo do Presidente Jair Bolsonaro com o desflorestamento e os inc\u00eandios florestais.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Muitas das florestas secund\u00e1rias da Amaz\u00f4nia s\u00e3o nascidas de pastos extensos que perderam sua produtividade comercial. A fertiliza\u00e7\u00e3o solar n\u00e3o \u00e9 muito praticada, e o gerenciamento de terras \u00e9 amplamente inadequado. Ent\u00e3o quando as florestas tropicais perdem seus nutrientes, muitos fazendeiros se mudam para novas \u00e1reas, abandonando grandes \u00e1reas de antigas pastagens que crescem novamente naturalmente.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Enquanto comunidades tradicionais alternam terras agr\u00edcolas de pequena escala para reter a fertilidade, as quais podem ser detectadas como \u00e1reas de florestas secund\u00e1rias por sat\u00e9lites depois de alguns anos, essas pr\u00e1ticas de s\u00e9culos t\u00eam coexistido com o ecossistema da floresta tropical, ao contr\u00e1rio das vastas faixas de pastos de gado respons\u00e1veis pela maior parte do desflorestamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">A vegeta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode crescer novamente quando grileiros especulam terras mais limpas, deixando-as sem monitoramento, e quando aspirantes a agricultor s\u00e3o for\u00e7ados a abandonar as terras depois de mau planejamento, acordos ilegais e escassez de dinheiro, o que significa que elas s\u00e3o incapazes de estabelecer pastos ou cultivar depois das derrubadas. Um relat\u00f3rio de 2019 do Climate Policy Iniciative identificou que aproximadamente 40% das terras desflorestadas em \u00e1reas protegidas das florestas amaz\u00f4nicas estavam passando por um processo de regenera\u00e7\u00e3o em 2014, somando aproximadamente 2 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Imperturbadas, mesmo que por somente um ano, as \u00e1reas desertas come\u00e7am um crescimento lento, mas continuo. Leva pelo menos 15 anos para a nova vegeta\u00e7\u00e3o come\u00e7ar a ter semelhan\u00e7a com uma floresta. E leva 40 anos para as florestas secund\u00e1rias na Amaz\u00f4nia recuperarem 85% da sua biodiversidade original, concluiu um estudo feito em 2018.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Os pesquisadores alertam que n\u00e3o h\u00e1 garantia a longo prazo para a restaura\u00e7\u00e3o das florestas: as florestas secund\u00e1rias s\u00e3o alvo do desflorestamento por serem f\u00e1ceis de esvaziar, e frequentemente s\u00e3o \u00e1reas com poucas prote\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Ao sobrepor as florestas secund\u00e1rias no mapeamento, com a localiza\u00e7\u00e3o das comunidades tradicionais assim como os pequenos e grandes pastos e terras agr\u00edcolas privadas, os pesquisadores e legisladores no Brasil podem ter uma imagem mais clara das diferentes din\u00e2micas agr\u00edcolas \u2013 e por fim direcionar leis de maneira mais efetiva, os autores contam ao Mongabay.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">\u201cAgora que sabemos onde esses novos crescimentos est\u00e3o, precisamos criar mecanismos para proteg\u00ea-los,\u201d diz Junior, o autor l\u00edder. \u201cNa Amaz\u00f4nia, as florestas secund\u00e1rias s\u00e3o mais desmatadas do que as florestas prim\u00e1rias. Elas s\u00e3o muito mais vulner\u00e1veis.\u201d<\/p>\n<p data-raofz=\"18\"><strong>Florestas Secund\u00e1rias previnem o colapso do ecossistema<\/strong><\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Os cientistas sempre suspeitaram que a regenera\u00e7\u00e3o natural de ranchos de gados abandonados e terras de cultivo na Amaz\u00f4nia \u2013 aproximadamente 23% do territ\u00f3rio de florestas destru\u00eddas \u2013 agem como uma corrente subterr\u00e2nea contra a crise de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Os especialistas Carlos Nobre e Thomas Lovejoy dizem que as florestas secund\u00e1rias previnem um colapso do ecossistema. \u201cEssas \u00e1reas, que agora est\u00e3o em pousio, provavelmente s\u00e3o a raz\u00e3o principal que a Amaz\u00f4nia n\u00e3o se tornou uma savana em expans\u00e3o,\u201d a dupla escreveu em uma carta de 2019 publicada no Science Advances.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Permitir a terra abandonada que se regenere \u00e9 a forma mais barata da recupera\u00e7\u00e3o em larga escala das florestas, especialmente na Amaz\u00f4nia, conta Anderson ao Mongabay. Sem os custos do trabalho manual associado a planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores, medidas simples de gerenciamento podem garantir a restaura\u00e7\u00e3o de grandes \u00e1reas de florestas danificadas, com benef\u00edcios para a biodiversidade local e armazenamento de carbono.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Enquanto as florestas secund\u00e1rias crescem, o estudo mostra, a absor\u00e7\u00e3o de carbono \u00e9 maior do que em florestas mais maduras, que frequentemente s\u00e3o neutras em carbono. E de acordo com um relat\u00f3rio recente, as florestas secund\u00e1rias tem sido deixadas de lado como ferramentas chave para lidar com a emerg\u00eancia da mudan\u00e7a clim\u00e1tica global.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">No Brasil, essas \u00e1reas j\u00e1 compensam 12% do desflorestamento da Amaz\u00f4nia, de acordo com os c\u00e1lculos dos autores. Restaurando 12 milh\u00f5es de hectares da \u00e1rea e at\u00e9 2030, sob o Paris Climate Agreement, ser\u00e1 um compromisso chave do Brasil.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Mas os pesquisadores alertam que se a destrui\u00e7\u00e3o da floresta continuar, as medidas que auxiliam no crescimento podem se tornar redundantes. Os cientistas concordam que uma estrat\u00e9gia de conserva\u00e7\u00e3o que combina a prote\u00e7\u00e3o das florestas prim\u00e1rias, onde grandes quantidades de carbono s\u00e3o mantidas, e a regenera\u00e7\u00e3o das florestas secund\u00e1rias, \u00e9 essencial para um resultado de sucesso.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">No governo Bolsonaro, que assumiu o cargo no come\u00e7o de 2019 e lidera um retrocesso agressivo contra as prote\u00e7\u00f5es ambientais, o desflorestamento na Amaz\u00f4nia aumentou em 47%. A taxa de desflorestamento atinge o topo, depois de 12 anos, de 11.088 quil\u00f4metros entre agosto de 2019 e julho de 2020, de acordo com os \u00faltimos dados publicados pelo INPE. Grandes inc\u00eandios tamb\u00e9m consumiram os biomas da Amaz\u00f4nia e do Pantanal esse ano.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\"><strong>Mapeamentos que salvam as florestas do Brasil<\/strong><\/p>\n<p data-raofz=\"18\">O governo federal n\u00e3o adotou pol\u00edticas para proteger as florestas secund\u00e1rias. Mas o estado do Par\u00e1 j\u00e1 fez progresso. A pesquisadora l\u00edder na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria, Joice Ferrera, ajudou a criar leis estatais em 2015 para proteger as florestas secund\u00e1ria mais antigas, com base em sua pesquisa de mapeamento regional.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">\u201cN\u00f3s sugerimos que depois de 20 anos, o corte em florestas secund\u00e1rias deveria ser banido. N\u00f3s precisamos dessa lei para proteger essas \u00e1reas,\u201d Ferreira contou ao Mongabay. \u201cPara os fazendeiros, o crescimento de um ano \u00e9 o que eles chamariam de um pasto sujo,\u201d diz Ferreira, que n\u00e3o contribuiu com o estudo recente, mas publicou um outro estudo sobre reflorestamento em setembro com uma descoberta similar, que s\u00f3 o crescimento na Amaz\u00f4nia deslocou 10% das emiss\u00f5es de carbono causados pelo desflorestamento.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Os mapas abertos do Brasil abrem os port\u00f5es para um potencial sistema de compensa\u00e7\u00e3o que d\u00e1 aos donos de terras um incentivo para proteger florestas em crescimento em terras privadas, diz Robin Chazdon, ecologista e autora do livro Second Growth. \u201cSe queremos encorajar os agricultores a proteger essas florestas, que possuem benef\u00edcios enormes para a biodiversidade, ecossistemas, e o mantimentos de carbono, precisa haver compensa\u00e7\u00e3o,\u201d diz ela.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Para Junior, esse seria um dos melhores usos futuros do mapeamento que ajudou a desenvolver. \u201c[Os mapas] podem ser utilizados para monitorar futuros reflorestamentos, criar um plano de reflorestamento e pagar as pessoas que protegem essas terras\u201d, diz ele . \u201cE voc\u00ea ter\u00e1 provas de que ela permanece.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Celso Silva Junior, um candidato PhD no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, recuou de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":138987,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/amazonia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quando Celso Silva Junior, um candidato PhD no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, recuou de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138986"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=138986"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138986\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":138988,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138986\/revisions\/138988"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/138987"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=138986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=138986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=138986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}