{"id":138961,"date":"2020-12-28T12:00:52","date_gmt":"2020-12-28T15:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138961"},"modified":"2020-12-27T18:07:44","modified_gmt":"2020-12-27T21:07:44","slug":"por-dentro-da-narcolepsia-uma-das-causas-de-sonolencia-excessiva-diurna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-dentro-da-narcolepsia-uma-das-causas-de-sonolencia-excessiva-diurna\/","title":{"rendered":"Por dentro da narcolepsia, uma das causas de sonol\u00eancia excessiva diurna"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sono-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-138962\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sono-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sono-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sono-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A\u00a0<strong>narcolepsia<\/strong>\u00a0\u00e9 uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica que tem como principal sintoma a\u00a0<strong>sonol\u00eancia<\/strong>\u00a0excessiva durante o dia. Ela \u00e9 considerada um dist\u00farbio raro: a maioria dos estudos aponta preval\u00eancia inferior a 65 casos a cada 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>Uma de suas principais caracter\u00edsticas \u00e9 a necessidade s\u00fabita e incontrol\u00e1vel de dormir e a presen\u00e7a de\u00a0<strong>ataques de sono<\/strong>, geralmente associados a altera\u00e7\u00f5es no sono noturno. No dia a dia, os pacientes podem relatar que suas noites n\u00e3o s\u00e3o reparadoras.<\/p>\n<p>Na narcolepsia, ocorre o deslocamento do est\u00e1gio REM do sono (o mais profundo) n\u00e3o somente durante o sono noturno mas tamb\u00e9m durante a vig\u00edlia. Com isso v\u00eam as manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas do quadro:\u00a0sonol\u00eancia excessiva diurna, paralisia do sono, alucina\u00e7\u00f5es hipnag\u00f3gicas (a sensa\u00e7\u00e3o de \u201csonhar acordado\u201d), cataplexia (perda do t\u00f4nus muscular) e fragmenta\u00e7\u00e3o do sono.<\/p>\n<p>Estudos mostram que cerca de 57% dos pacientes ainda apresentam\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/depressao\"><strong>depress\u00e3o<\/strong><\/a>\u00a0e 53%, transtorno de ansiedade. \u00c9 fato que o conjunto de sintomas e repercuss\u00f5es trazem impacto negativo direto sobre aspectos sociais, profissionais e familiares, comprometendo a qualidade de vida de quem tem narcolepsia.<\/p>\n<p><strong>Os impactos no dia a dia<\/strong><\/p>\n<p>Causada por fatores gen\u00e9ticos e autoimunes, a narcolepsia costuma come\u00e7ar a se manifestar na segunda d\u00e9cada de vida, ou seja, na adolesc\u00eancia ou no in\u00edcio da vida adulta. Estima-se que um ter\u00e7o dos pacientes apresentem sintomas antes dos 15 anos. Tudo isso torna maior o desafio do\u00a0<strong>diagn\u00f3stico precoce<\/strong>.<\/p>\n<p>Em geral, observa-se um atraso m\u00e9dio de 13 anos entre o in\u00edcio dos sintomas e a detec\u00e7\u00e3o correta da doen\u00e7a. Esse atraso deve-se, em parte, ao desconhecimento da narcolepsia pela popula\u00e7\u00e3o e mesmo pelos profissionais de sa\u00fade, incluindo m\u00e9dicos, o que demonstra a necessidade de maior conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o tema.<\/p>\n<p>Outro ponto comum \u00e9 que os pacientes relatam problemas com hor\u00e1rios e pontualidade, perdem oportunidades de estudos, empregos e relacionamentos, sendo por vezes estigmatizados como pregui\u00e7osos ou irrespons\u00e1veis. Em alguns casos, h\u00e1 queixas cognitivas, como\u00a0<strong>desaten\u00e7\u00e3o e d\u00e9ficit de mem\u00f3ria<\/strong>, situa\u00e7\u00e3o que pode gerar baixo rendimento acad\u00eamico e profissional.<\/p>\n<p>Nas crian\u00e7as, o atraso no diagn\u00f3stico da doen\u00e7a pode levar a problemas s\u00e9rios na alfabetiza\u00e7\u00e3o, dificuldades psicossociais, ganho de peso, tratamento medicamentoso incorreto\u2026<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>obesidade<\/strong>\u00a0\u00e9 mais comum na popula\u00e7\u00e3o com narcolepsia devido a uma desregula\u00e7\u00e3o no controle do apetite ou a uma compuls\u00e3o alimentar. Al\u00e9m do sobrepeso, outras condi\u00e7\u00f5es, como dores cr\u00f4nicas, hipertens\u00e3o, doen\u00e7as autoimunes e transtornos do sono, podem acompanhar o quadro com o avan\u00e7ar dos anos.<\/p>\n<p><strong>A sonol\u00eancia diurna<\/strong><\/p>\n<p>A sonol\u00eancia excessiva diurna \u00e9 uma queixa frequente em 95% dos casos de narcolepsia. Pode ser intensa, incapacitante, cr\u00f4nica e n\u00e3o progressiva. Costuma ser persistente ao longo do dia, mas tamb\u00e9m pode se manifestar por meio de ataques s\u00fabitos e incontrol\u00e1veis de sono.<\/p>\n<p>Os ataques de sono ocorrem em situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o diversas como ao se alimentar, caminhar ou dirigir (o que \u00e9 um perigo!). Felizmente, cochilos em locais adequados s\u00e3o restauradores e deixam o indiv\u00edduo alerta por algumas horas.<\/p>\n<p>A sonol\u00eancia diurna excessiva, definida como a necessidade s\u00fabita e incontrol\u00e1vel de dormir no per\u00edodo de vig\u00edlia, e os ataques de sono, cochilos s\u00fabitos e n\u00e3o intencionais, s\u00e3o os fatores que mais nos levam \u00e0 suspeita da narcolepsia<\/p>\n<p>Por\u00e9m, para firmar o diagn\u00f3stico, precisamos excluir outras condi\u00e7\u00f5es que geram sonol\u00eancia durante o dia, tais como priva\u00e7\u00e3o de sono, apneia, uso de medica\u00e7\u00f5es com efeito sedativo etc.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>A cataplexia, a perda de t\u00f4nus muscular<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Outra caracter\u00edstica da narcolepsia, a\u00a0<strong>cataplexia<\/strong>\u00a0\u00e9 definida como um epis\u00f3dio de perda s\u00fabita do t\u00f4nus muscular, geralmente bilateral, sim\u00e9trica e de dura\u00e7\u00e3o breve (menos de minutos) com manuten\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia. \u00c9 como se a pessoa, desperta, perdesse a\u00e7\u00e3o sobre o corpo.<\/p>\n<p>Os epis\u00f3dios s\u00e3o desencadeados por\u00a0<strong>emo\u00e7\u00f5es fortes<\/strong>, inclusive positivas, com quase todos os pacientes relatando epis\u00f3dios precipitados por risos, susto ou choro.<\/p>\n<p>A cataplexia pode se apresentar como perda da express\u00e3o facial com queda da p\u00e1lpebra, abertura da boca e protrus\u00e3o da l\u00edngua, dificuldade para falar, queda dos bra\u00e7os ou instabilidade na marcha. A gravidade dos sinais \u00e9 vari\u00e1vel, mas a maioria dos ataques \u00e9 espor\u00e1dica.<\/p>\n<p><strong>A paralisia no sono<\/strong><\/p>\n<p>Essa sensa\u00e7\u00e3o costuma aparecer em quase 60% das pessoas com narcolepsia, por\u00e9m a frequ\u00eancia \u00e9 vari\u00e1vel. S\u00e3o epis\u00f3dios de incapacidade de se movimentar quando a pessoa est\u00e1 adormecendo ou, mais frequentemente, quando est\u00e1 acordando. Os eventos duram de poucos segundos a minutos, cedendo espontaneamente quando se fala ou toca no indiv\u00edduo ou, ainda, se ele pr\u00f3prio tem o pensamento de se movimentar.<\/p>\n<p>Sensa\u00e7\u00e3o de palpita\u00e7\u00e3o, sudorese, tremor e piscar dos olhos, dificuldade para respirar, dorm\u00eancia nas extremidades ou sensa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o tor\u00e1cica podem ocorrer junto \u00e0 paralisia do sono. S\u00e3o sintomas que costumam durar at\u00e9 dez minutos.<\/p>\n<p><strong>As alucina\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Denominadas hipnag\u00f3gicas e hipnop\u00f4mpicas, as alucina\u00e7\u00f5es ocorrem em dois ter\u00e7os dos pacientes com narcolepsia e pelo menos uma vez por semana em metade deles. Geralmente se apresentam como manifesta\u00e7\u00f5es visuais e, mais raramente, t\u00e1teis, auditivas ou somato-sensitivas.<\/p>\n<p>Pode ser uma imagem parada ou um sonho v\u00edvido em movimento, como uma pessoa ou animais pr\u00f3ximos \u00e0 cama. A descri\u00e7\u00e3o do paciente \u00e9 como se estivesse sonhando acordado. Logo ao deitar, ele n\u00e3o sabe descrever se est\u00e1 sonhando ou se \u00e9 a realidade. Nos primeiros minutos da manh\u00e3, n\u00e3o sabe se ainda est\u00e1 sonhando ou j\u00e1 acordou.<\/p>\n<p>As alucina\u00e7\u00f5es podem estar associadas \u00e0 paralisia do sono e, quando mal diagnosticadas, s\u00e3o confundidas com sintomas psic\u00f3ticos, terror noturno, pesadelos ou ataques de p\u00e2nico.<\/p>\n<p><strong>A fragmenta\u00e7\u00e3o do sono e o diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p>Cerca de um ter\u00e7o dos pacientes ainda relata\u00a0<strong>fragmenta\u00e7\u00e3o do sono noturno<\/strong>, com m\u00faltiplos despertares ao longo da noite, al\u00e9m da dificuldade de reiniciar o sono. Somada \u00e0s outras manifesta\u00e7\u00f5es mencionadas, ela colabora para o impacto na qualidade de vida t\u00edpico da narcolepsia.<\/p>\n<p>Com diagn\u00f3stico correto e algumas interven\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, o paciente pode levar uma vida melhor. \u00c9 importante dizer que a detec\u00e7\u00e3o do quadro \u00e9 complexa e envolve\u00a0<strong>avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e neurofisiol\u00f3gica<\/strong>, al\u00e9m da realiza\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>exames<\/strong>, como a\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/o-que-e-o-exame-de-polissonografia-e-quando-fazer\/\"><strong>polissonografia<\/strong><\/a>. O tratamento pode englobar medicamentos e terapia comportamental.<\/p>\n<p><em>* Rosana Cardoso Aves \u00e9 neurologista especializada em Neurofisiologia Cl\u00ednica e membro da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.absono.com.br\/\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Sono<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0narcolepsia\u00a0\u00e9 uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica que tem como principal sintoma a\u00a0sonol\u00eancia\u00a0excessiva durante o dia. 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