{"id":138827,"date":"2020-12-26T12:08:56","date_gmt":"2020-12-26T15:08:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138827"},"modified":"2020-12-26T12:08:56","modified_gmt":"2020-12-26T15:08:56","slug":"pesquisadores-brasileiros-descobrem-novos-impactos-causados-a-especies-marinhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-brasileiros-descobrem-novos-impactos-causados-a-especies-marinhas\/","title":{"rendered":"Pesquisadores brasileiros descobrem novos impactos causados a esp\u00e9cies marinhas"},"content":{"rendered":"<h4>Foram identificados 24 impactos humanos e 143 esp\u00e9cies amea\u00e7adas em 161 habitats marinhos<\/h4>\n<div><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/cdn4.ecycle.com.br\/cache\/images\/2020-12\/50-650-noaa-aa.jpg\" alt=\"Praia\" width=\"640\" height=\"393\" \/><br \/>\n<small><i>Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@noaa\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Noaa<\/a>\u00a0no\u00a0<a href=\"https:\/\/unsplash.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Unsplash<\/a><\/i><\/small><\/div>\n<div>\n<h2>Resumo<\/h2>\n<ul>\n<li>Resultado do esfor\u00e7o de 11 pesquisadores brasileiros e estrangeiros, o estudo \u00e9 um levantamento detalhado das muitas amea\u00e7as \u00e0 biodiversidade marinha brasileira.<\/li>\n<li>Foram identificados 24 impactos humanos e 143 esp\u00e9cies amea\u00e7adas em 161 habitats marinhos. Aquecimento global, pesca industrial e uso de agrot\u00f3xicos est\u00e3o entre as principais amea\u00e7as.<\/li>\n<li>O estudo tamb\u00e9m prop\u00f4s \u00e1reas priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o marinha no Brasil. Hoje, apenas 2,5% da Zona Econ\u00f4mica Exclusiva brasileira est\u00e3o sob alguma forma de prote\u00e7\u00e3o integral.<\/li>\n<li>Entre as \u00e1reas priorit\u00e1rias est\u00e3o os recentemente descobertos recifes profundos da foz do Rio Amazonas, que h\u00e1 pouco tempo estiveram amea\u00e7ados por uma poss\u00edvel explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera na regi\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Dos pa\u00edses banhados pelo Atl\u00e2ntico, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que possui o maior direito de explora\u00e7\u00e3o das \u00e1guas desse oceano. S\u00e3o 3,6 milh\u00f5es de km2 de Zona Econ\u00f4mica Exclusiva (ZEE), \u00e1rea que permite a livre utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos marinhos. Apenas 2,5% dessa zona, por\u00e9m, est\u00e3o resguardados por \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o integral, onde n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel realizar nenhuma atividade econ\u00f4mica, da pesca ao petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Diante desse fato, um\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/ddi.13183\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">estudo<\/a>\u00a0realizado por 11 pesquisadores de diversas universidades brasileiras e estrangeiras avaliou os impactos sobre a biodiversidade marinha e identificou \u00e1reas priorit\u00e1rias para a prote\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies que vivem nas \u00e1guas costeiras e oce\u00e2nicas do Brasil. Somadas, chegam a 286 mil km2, o equivalente ao estado do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>As \u00e1reas indicadas como priorit\u00e1rias incluem ecossistemas \u00fanicos, como a Plataforma de Abrolhos, coberta pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/brasil-tem-a-maior-area-de-rodolitos-do-mundo\/15706\/#:~:text=Ag%C3%AAncia%20FAPESP%20%E2%80%93%20A%20Plataforma%20de,semelhantes%20a%20recifes%20de%20corais.\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">maior banco de rodolitos<\/a>\u00a0(algas calc\u00e1rias) do mundo; o\u00a0<a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/arp\/1007\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Atol das Rocas<\/a>, \u00fanico atol do Atl\u00e2ntico Sul; e os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-43970980\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">recifes profundos da foz do Rio Amazonas<\/a>.<\/p>\n<p>Descobertos apenas em 2016, os recifes amaz\u00f4nicos estiveram no centro de uma campanha lan\u00e7ada pelo Greenpeace contra os interesses da francesa Total de explorar petr\u00f3leo na \u00e1rea. A empresa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/empresa-francesa-total-desiste-de-explorar-petroleo-na-foz-do-amazonas\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">desistiu da explora\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0em setembro deste ano. Ainda em grande medida desconhecidos, esses recifes sobrevivem em profundidades entre 70 e 200 metros em situa\u00e7\u00f5es de baixa luminosidade, j\u00e1 que o grande volume de \u00e1gua barrenta despejado pelo Amazonas bloqueia boa parte da luz solar.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/areasprioritarias.mma.gov.br\/2-atualizacao-das-areas-prioritarias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Levantamento<\/a>\u00a0semelhante j\u00e1 havia sido produzido pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente em 2007 e atualizado em 2018, mas \u00e9 a primeira vez que um mapeamento leva em conta a forma como os habitats e suas esp\u00e9cies se conectam entre si. Para isso, os pesquisadores usaram como metodologia a probabilidade de conectividade, \u00edndice que avalia a capacidade de dispers\u00e3o de uma esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Logo, um peixe herb\u00edvoro pode se afastar uma m\u00e9dia de 429 km de seu recife natal, enquanto grandes peixes carn\u00edvoros chegam a dist\u00e2ncias ainda maiores para a desova, al\u00e9m de 541 km. A conectividade \u00e9 um fator importante para que as amea\u00e7as e poss\u00edveis impactos sejam analisados de forma mais fidedigna \u2014 principalmente quando o ecossistema \u00e9 atingido por mais de um impacto humano.<\/p>\n<p>No mapa \u00e0 esquerda, os habitats que mais sofrem impacto na Zona Econ\u00f4mica Exclusiva brasileira, em uma escala de cor onde em vermelho est\u00e3o as regi\u00f5es mais impactadas. No mapa \u00e0 direita, a cor vermelha \u00e9 usada para identificar as \u00e1reas definidas como priorit\u00e1rias pelos autores do estudo.<\/p>\n<h2>As principais amea\u00e7as<\/h2>\n<p>Ao todo, o estudo identificou 24 amea\u00e7as humanas e 143 esp\u00e9cies amea\u00e7adas em 161 habitats marinhos. Entre as esp\u00e9cies identificadas h\u00e1 invertebrados, peixes, mam\u00edferos, tartarugas e aves marinhas \u2014 todos listados na legisla\u00e7\u00e3o nacional com o status de \u201ccriticamente amea\u00e7ado\u201d, \u201camea\u00e7ado\u201d ou \u201cvulner\u00e1vel\u201d. Para contabilizar esse n\u00famero, foram obtidos dados n\u00e3o s\u00f3 do Livro Vermelho da Fauna, produzido pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade), como tamb\u00e9m de uma vasta literatura de estudos e mapas de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas-chaves para a conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Dentre as 24 amea\u00e7as mais prejudiciais para o meio marinho provocadas pelo ser humano, tr\u00eas ganham destaque no estudo: o aquecimento global, presente em 95% das \u00e1reas; a pesca industrial, que afeta cerca de 83% da regi\u00e3o estudada; e fertilizantes e pesticidas, encontrados em 22,6% das \u00e1reas estudadas. Outras amea\u00e7as citadas s\u00e3o polui\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria, rotas de embarque, minera\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica, desenvolvimento costeiro, esp\u00e9cies invasoras e atividades de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>Rodrigo Tardin, doutor em Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), que n\u00e3o participou do estudo, acredita que a avalia\u00e7\u00e3o desses pontos \u00e9 fundamental para entender como proteger o sistema marinho. \u201cO grande desafio do Rio de Janeiro, como cidade e estado, \u00e9 pensar a sustentabilidade. Temos uma biodiversidade bem rica, uma quantidade de esp\u00e9cies end\u00eamicas, amea\u00e7adas, que tem uma grande fun\u00e7\u00e3o ecossist\u00eamica, e temos uma \u00e1rea marinha muito impactada, de forma geral, por conta da atividade humana\u201d, explica.<\/p>\n<p>Tardin cita o esgoto dom\u00e9stico, o turismo, a concentra\u00e7\u00e3o da cidade no litoral, as atividades petrol\u00edferas e os ru\u00eddos como alguns dos impactos constantes sofridos pelos ecossistemas da regi\u00e3o. O litoral do estado do Rio de Janeiro, assim como o de S\u00e3o Paulo e do Rio Grande do Sul, s\u00e3o \u00e1reas indicadas pelos autores do estudo como priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas marinhos.<\/p>\n<p>A \u00eanfase que o estudo d\u00e1 para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tamb\u00e9m \u00e9 um ponto de destaque feito pelo pesquisador. Tardin reconhece a import\u00e2ncia de pensar a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o futuras no contexto da crise clim\u00e1tica: \u201cTemos uma s\u00e9rie de ind\u00edcios de como a biodiversidade pode mudar, como as atividades humanas v\u00e3o alavancar essas mudan\u00e7as. Qualquer medida que pensemos agora tem que ser pensada nesse contexto\u201d.<\/p>\n<p>Tartaruga-marinha na Ba\u00eda do Sueste, em Fernando de Noronha, uma das \u00e1reas definidas como priorit\u00e1rias no estudo.<\/p>\n<h2>Indicadores para conserva\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O estudo afirma que a abordagem teve como objetivo fornecer uma indica\u00e7\u00e3o de qu\u00e3o urgente se faz a prote\u00e7\u00e3o desses habitats. Segundo Micheli Costa, doutora em Oceanografia Biol\u00f3gica e uma das autoras do estudo, a cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o marinha pode evitar maior perda da biodiversidade, aumentar a resist\u00eancia dos ecossistemas e\/ou recuper\u00e1-los de eventuais perturba\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>\u201cCom essa vis\u00e3o macro, conseguimos identificar \u00e1reas que s\u00e3o importantes para a biodiversidade marinha e que ao mesmo tempo contribuem para a representatividade das esp\u00e9cies como um todo, o que tamb\u00e9m contribui para o Brasil atingir as metas internacionais de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p>Segundo Costa, o trabalho \u00e9 o primeiro passo para futuras discuss\u00f5es no \u00e2mbito de proposi\u00e7\u00e3o de novas unidades de conserva\u00e7\u00e3o marinha no Brasil. \u201cEle pode auxiliar o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente em futuros processos participativos com outros interesses de uso para o ambiente marinho e pode assistir futuros planos de mitiga\u00e7\u00e3o de impactos e de conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas.\u201d<\/p>\n<p>Atualmente, 25% da Zona Econ\u00f4mica Exclusiva brasileira est\u00e3o inscritos em alguma unidade de conserva\u00e7\u00e3o, de prote\u00e7\u00e3o integral ou n\u00e3o. At\u00e9 in\u00edcio de 2018, essa porcentagem era de 1,5%, ampliada naquele ano com a cria\u00e7\u00e3o de duas grandes \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental nos arquip\u00e9lagos de Trindade e Martim Vaz e S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo. Uma APA, por\u00e9m, n\u00e3o livra a regi\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Para isso, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente se comprometeu em acrescentar mais 250 mil km2 em \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o integral at\u00e9 2030, aumentando a prote\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico brasileiro dos 2,5% atuais para 10%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram identificados 24 impactos humanos e 143 esp\u00e9cies amea\u00e7adas em 161 habitats marinhos Imagem de\u00a0Noaa\u00a0no\u00a0Unsplash<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Foram identificados 24 impactos humanos e 143 esp\u00e9cies amea\u00e7adas em 161 habitats marinhos Imagem de\u00a0Noaa\u00a0no\u00a0Unsplash","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138827"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=138827"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138827\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":138828,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138827\/revisions\/138828"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=138827"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=138827"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=138827"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}